in: Diário xxi
Quinta-Feira, 24 de Novembro de 2005
Descoberta arqueológica pode redefinir fronteiras no Paleolítico
A descoberta de “materiais líticos (machado e lascas)”, nas freguesias de Donas e Alcongosta “vai ser seguida por estudos complementares”, conclui a Câmara do Fundão.
A Câmara Municipal do Fundão anunciou a descoberta na Serra da Gardunha de artefactos arqueológicos atribuíveis ao Paleolítico Inferior. A descoberta está a ser estudada pelo director do Museu Nacional de Arqueologia, Luís Raposo, refere nota da autarquia
Segundo aquele responsável, “tratam-se provavelmente dos utensílios humanos mais antigos, encontrados até hoje no território da Beira Interior, entre Monfortinho e a Guarda”. Os achados são “materiais líticos (machado e lascas)” encontrados nas freguesias de Donas e Alcongosta. “Esta descoberta tem um importante significado, já que vem dilatar grandemente o conhecimento da pré-história da Beira Interior”, salienta a autarquia. Em causa, está a redefinição das concepções geográficas da ocupação humana da Beira Interior, durante o Paleolítico.
A descoberta ocorrida na Serra da Gardunha “vai ser seguida por estudos complementares”, conclui a Câmara do Fundão.
GRAVURAS NO ZÊZERE
Recorde-se que no último ano foram também detectadas no concelho do Fundão diversas gravuras rupestres esculpidas em rochas junto ao Rio Zêzere, na freguesia da Barroca, atribuídas ao Paleolítico Superior. A Câmara pediu entretanto a classificação das gravuras, trabalho a cargo do Centro Nacional de Arte Rupestre, que ficou encarregue de todo o trabalho científico. Prestes a avançar está a criação do Centro de Arte Rupestre do Zêzere, que vai funcionar na Casa Grande da Barroca.
Duas salas deverão ser adaptadas no sentido de acolher o centro que permitirá organizar visitas ao santuário das gravuras a partir da Casa Grande, mas também disponibilizar às um conjunto de elementos informativos sobre a matéria.
quinta-feira, novembro 24, 2005
Texto de Giacometti e Fernando Lopes Graça, sobre as Beiras
Comemorando-se o centésimo aniversário do nascimento de Fernando Lopes Graça e desconhecendo qualquer iniciativa de homenagem na Beira Interior, mesmo nos Concelhos apontados como tendo um forte pendor cultural, divulgo um texto de Giacometti e Fernando Lopes Graça, em que apresentam o CD que editaram conjuntamente, sobre a temática das Beiras. Fernando Lopes Graça foi um investigador que divulgou, registou e "descobriu" a cultura Musical da Beira Interior, sendo por isso merecedor de uma justa homenagem.
In: Portuguese Folk Music, Volume 3, Beiras, Michel Giacometti e Fernando Lopes Graça, Strauss, Portugal Som, 1998
“O inquérito etnomusicológico que abrangeu vastas zonas das Províncias da Beira Alta, Baixa e Beira Litoral tonou-se possível, na sua extensão e profundidade, graças à colaboração convergente de várias entidades privadas e oficiais.
Deste modo facilitado, o inquérito processou-se em seis etapas (de Agosto de 1968 a Outubro de 1970), no decurso dos quais foram percorridos cerca de vinte mil quilómetros e recolhidas, em noventa das cento e setenta localidades sobre as quais incidiu o nosso trabalho, seiscentas espécies musicais, representando umas trinta horas de gravação útil.
A escolha dos documentos para a composição do presente disco, que pretende ser, por assim nos exprimirmos, a suma do inquérito, obedeceu ao imperativo de uma representação tão objectiva quanto possível, nos planos quantitativo e qualitativo, dos cinco distritos que constituem as três Beiras. Representação que, no entanto, não pode, como se torna óbvio, reflectir a realidade musical objectiva desses mesmos distritos, mas apenas acentuar as suas linhas ou tendências gerais.
No próprio encadeamento dos trechos musicais procurou-se, em obediência ao critério adoptado ao iniciarmos este panorama, facilitar a apreensão por parte do simples ouvinte, mediante um contraste apropriado dos géneros, modalidades, estruturas melódicas e harmónicas, etc. Pensamos ainda que semelhante apreensão pode também ser facilitada pela unidade estética para que, até certo ponto, convergem os vinte e oito trechos compendiados. Por fim, sem nos afastarmos deste critério, entendemos por bem juntar espécies cujo confronto imediato, dentro de uma mesma sequência, possa servir aos estudiosos da nossa música regional.
Força nos é notar novamente o estado de desagregação em que se encontra a nossa cultura de tradição oral, sendo de prever num futuro que se nos afigura muito próximo o total desaparecimento das suas formas originais. E mais uma vez apontaremos como elementos subversivos, neste caso, as comunicações de
massa na sua quase generalidade quotidiana, a par dos muitos agrupamentos chamados folclóricos que, como que dialecticamente, actuam para fomentar e difundir formas convencionais de cultura. Neste sentido, diremos todavia que o grave fenómeno de emigração se nos não antolha, após reflexão, influir por ora de maneira por demais ostensiva nesse processo de desagregação a que vimos aludindo.
Resta-nos dirigir aqui nos nossos mais vivos agradecimentos ao povo beirão, que, espontaneamente, nos prestou a mais útil e dedicada assistência.
Michel Giacometti
A música das províncias beirãs é acaso aquela que, dentre as nossas músicas regionais mais cedo e com relativa continuidade foi e tem sido objecto de curiosidade de investigadores ou simples colectores. O sinal de partida foi dado pelo erudito Pedro Fernandes Tomás (não especificamente músico) quando, em 1896, publicou as suas Canções Populares da Beira, prefaciadas pelo ilustre Leite de Vasconcelos (também nada familiarizado com as disciplinas propriamente musicais). A partir de então, as compendiações escritas dessa música constituem um pequeno corpo de publicações de valor certamente desigual mas que, não obstante. colocaram a música beirã (e mormente a da Beira Baixa que, neste capítulo, devemos considerar levar a palma às suas irmãs) numa situação de privilégio em relação às outras províncias portuguesas, pelo que se refere à sua divulgação no público e, digamos, ao seu aproveitamento" por parte dos próprios músicos, profissionais ou amadores.
No entanto, todas estas publicações, irregulares já de si (com uma que outra excepção relevante) nos critérios propriamente etnomusicológicos que as informavam, pecavam ainda por uma deficiência fundamental: a de nos oferecerem uma imagem unilateral da música beirã, reduzida ao monodismo, quando o que faz o interesse e o valor mais inapreciável deste é sem dúvida a sua a bem dizer predominante estruturação polifónica.
Sem desconhecermos trabalho já anteriormente feito, mas pouco acessível, no campo da fixação por meio de gravação da fisionomia própria da música beirã (referimo-nos aos discos realizados por Artur Santos por incumbência da B. B. C. de Londres), cremos que o presente volume da série Música Regional Portuguesa vem trazer um contributo essencial ao conhecimento e estudo de uma música que se revela possivelmente como a mais rica, quanto a aspectos, e no plano morfológico e estilístico, entre as nossas músicas folclóricas.
Talvez em nenhuma outra região portuguesa, como nas Beiras (com alguma reserva para a Beira Litoral e certas zonas da Beira Alta - e se é que é cientificamente legítimo operar dicotomias em províncias que, geográfica e etnografìcamente, se interpenetram), se nos depare uma tal variedade, uma tal sobreposição de estratos de música folclórica, o "primitivo" vizinhando o "evolucionado", o "antigo" a par do "moderno". Claro que "primitivo" e "evolucionado', "antigo" e "moderno" são aqui conceitos puramente relativos e sem significação imediatamente valorativa: nem o "primitivo" ou o "antigo" são sinónimo de rudimentar, inferior, nem o "evolucionado" ou "moderno" implicam polimento, superioridade.
Não há dúvida porém que, debaixo de um ponto de vista prioritariamente atnomusicológico, as espécies "primitvas" ou "arcaicas" (o que talvez se possa classificar de "estilos antigos" da música beirã) aqui reunidas - citemos, por exemplo, além das várias cantigas de romaria, os Martfrios e a Cantiga da Azeitona, respectivamente n° 2 e nr3 a Cantiga da Ceifa, o Oté, ó Senhora Mãe e a Aleluia, n"` 12, 20 e 24 - não há dúvida que tais espécies oferecem propostas de vária ordem que fazem delas, para além da sua beleza própria, documentos de raro interesse, certamente destinados a enriquecer os aliciantes horizontes da musicologia comparada.
Fernando Lopes-Graça
1. BACELADA
Documento recolhido em Tavarede (Figueira da Foz, Coimbra), Refere-se à cava da manta para plantio do bacelo, faina que se realiza entre Dezembro e Março. O capataz da bacelada é o mandador Os bons mandadores eram disputados pelos proprietários e recebiam jorna superior à dos cavadores. Embora cavando também com os seus companheiros, a tarefa principal do mandador consistia em manter, mediante o seu "canto", o ritmo do trabalho, aproveitando no entanto o ensejo para inserir no "canto" improvisos destinados a fazer chegar aos ouvidos do proprietário certas reivindicações de ordem colectiva. Por seu turno, os proprietários fomentavam por vezes rivalidades entre os mandadores a seu soldo, sempre no intuito de manter ou acelerar o ritmo do trabalho. Com dificuldade se poderá considerar estarmos aqui em presença de uma espécie propriamente musical. Mais do que de um canto, trata-se antes de um ritmo - um ritmo de trabalho associado a um grito ou brado de estimulo, este, na verdade, já embrionariamente musical. Como tal, e posto que a prática tenha quase caído em desuso, o documento, além do seu aspecto sociológico, poderá, na sua dualidade sociológica, interessar os estudiosos da pré-história da música, mormente os seguidores das doutrinas de Wallaschek e Búcher, que têm precisamente o ritmo e o esforço muscular como factores primordiais no surgimento do fenómeno musical.
2. MARTÍRIOS
Canto religioso da Quaresma recolhido em Alcongosta (Fundão, Castelo Branco). Ainda hoje se canta pelas 10-11 horas da noite, em frente das capelas do lugar, aos domingos das sete semanas da Quaresma. É também cantado nos trabalhos do campo durante o mesmo período. Afectando a forma responsorial, a lenta e expressiva melodia tetracordal, de feição quase litúrgica, é proposta por uma voz feminina grave, depois do que é retomada em duplo gymel, ou variedade de fabordão a 4 vozes (baixão-voz grossa, ou voz fina por baixo - voz alta - voz fina por alto), pelo coro também de vozes femininas.
3. CANTIGA DA AZEITONA
Canto de trabalho recolhido em Teixoso (Covilhã, Castelo Branco). Do tipo dos "cantos de ar livre", consiste num simples pentacórdio maior com ornato superior, levemente melismático, o 4M grau por vezes "sensibilizado", entoações 'oscilantes" - estrutura melódica frequente em muitos cantos da Beira Baixa, que deste modo ganham um certo ressaibo "oriental".
4. BENDITO
Canto religioso caído em desuso, pelo menos em Rocas do Vouga (Sever do Vouga, Aveiro), onde foi recolhido. Segundo a informação fornecida, cantava-se antes do início da missa e para acompanhar o Senhorfora, ou seja o viático. Reveste aspecto antifonal: um coro monódìco de vozes masculinas alterna com um coro polífónico de vozes femininas. Ritmo quase silábico da proposta contrastando com a linha mais sinuosa, mais vocalizada, os portamentos e a "incerteza" tonal da resposta a 3 vozes (encher - fala fora - voz alto). Há notícia do canto comportar uma quarta voz: o guincho.
5. ALVORADA
Trecho instrumental recolhido em Eira Pedrinha (Condeixa-a-Velha, Coimbra). Como habitualmente, a alvorada toca-se nas manhãs dos dias festivos. O conjunto instrumental compõe-se de gaita de foles, bombo e caixa ou tarola. Estilo floreado do instrumento "cantante" comum aos gaiteiros do Norte de Portugal e da Galiza. A gaita de foles apresenta as costumadas e saborosas "anomalias" tonais. Vivo contraponto ritimico de percussão.
6. AMENTAR DAS ALMAS
Canto religioso, noutras regiões designado por Encomendação das Almas. Foi recolhido em Aldeias (Gouveia, Guarda) e é ainda com certa frequência cantado em sete pontos da freguesia todas as terças e sextas-feiras da Quaresma, durante a noite (tal como nas tradicionais Encomendações das Almas). E uma espécie de canto processional polifónico entoado por
vozes femininas. As entradas sucessivas das vozes revestem a forma de um solene fabordão em terceiras e sextas com apoio em quintas. Corte ternário da peça: canto-oração recitada-canto. Repare-se na sonoridade como que "instrumental" da polifonia. A insegurança da entoação é percalço difícil de evitar, dado o número e a idade avançada das informadoras.
7. S. JOÃO
Cantado na véspera e na noite de S. João do Rosmaninhal (ldanha-a-Nova, Castelo Branco), onde foi recolhido. Nesta localidade, as testas do S. João dão ensejo a manifestações colectivas de alegria com características nitidamente pagãs: cavalhadas nas quais participam todos os que possuem bestas de carga; distribuição de tremoços, broas de mel e vinho; repastos pantagruélicos, etc. A organização da festa acha-se a cargo de um alférece e de padrinhos escolhidos pelos que serviram no ano anterior, ou ainda de pessoas que fizeram promessa de "servir" (3). A espécie musical pertence ao género das chamadas "cantigas de adufe", de que a Beira Baixa mantém por assim dizer a especialidade. Duas mulheres entoam um simples inciso melódico em ritmo de marcha e num saboroso mixolídto de fá corri omissão do 2° grau. A deformação da voz sobressaliente, aquela espécie de rouquidão, deve ser considerada um característica de estilo e não um ricto caricatural, como se poderá pender a crer.
8. BENDITO
Canto de trabalho recolhido da boca dos pescadores do Furadouro (Ovar, Aveiro), onde caiu praticamente em desuso com o desaparecimento das grandes embarcações, algumas delas movidas por mais de quarenta remadores. O Bendito é cantado com devoção, a cabeça descoberta, já para conjurar os perigos do mar, já para implorar a protecção divina perante dificuldades surgidas na faina (desastres pessoais ou materiais), ou ainda no regresso a terra, para conjugar os esforços dos remadores, desanimados por o lanço não se antolhar prometedor. É cantado antifonalmente por dois grupos de homens. Melodia de carácter quase lítúrgico adaptada a um ritmo funcional. São informadores pescadores- remadores. todos naturais do Furadouro.
9. CANTIGA DA CEIFA
Canto de trabalho recolhido em Lourosa da Tropa (S. Pedro do Sul, Viseu) é entoado por vozes femininas. Afecta a forma de responsório: um grupo inicia monodicamente o canto, seguindo-se-lhe, à guisa de resposta, uma polifonia em organunt de terceiras e quintas paralelas (começo ou botar fala - descante - erguer). Na cadência final, o sétimo grau não sensibilizado provoca urna expressiva transformação tonal, por efeito mesmo do paralelismo harmónico. O canto termina pelos chamados "gritos de apupo", um tanto insolitamente em contradição com a gravidade do trecho.
10. DANÇA DOS HOMENS (frag.)
Recolhida em lousa (Castelo Branco), a Dança dos homens, como a Dança das virgens, é dançada durante as festas em honra da Senhora dos Altos Céus (terceiro domingo de Maio), frente á igreja e. seguidamente, nos lugares mais centrais do povoado. Também conhecida por Dança de genebres, é executada por seis homens trajando calças e camisa branca, e ostentando uma espécie de tiara ornamentada com flores e fitas de várias cores, etc., três rapazs em vestes de donzela, e um guardião (mestre ou ensaiador), vestido de soldado com espada à cinta. Dos seis homens, cinco tocam bandurras (viola da zona raiana de Castelo Branco com dez cordas de arame, embora as bandurras aqui utilizadas tenham encordamento - apenas oito cordas - e afinação diferentes), o sexto toca a geneores, "espécie de xilofone, com uma série de paus redondos maciços, de tamanhos crescentes de cima para baixo, enfiados numa tira de couro formando colar...". Este instrumento, único no Pais, ao nosso conhecimento, é utilizado na Lousa exclusivamente na dança que tem o seu nome. Os três rapazes, enfim, tocam trinchos, uma espécie de pandeiretas sem peles. Todo o interesse propriamente musical do trecho vem-lhe da mistura "discordante" dos instrumentos principais: o grupo das bandurras, com a sua fórmula rítimica elementar, que consiste numa simples alternância de acordes rasgados de como que tónica e sobre-dominante e ainda como as suas entoações um tanto caprichosas, e a genebres, com os seus glissandos (precedidos, à laia de introdução, de um acorde de três sons arpejado) que formam uma espécie de pedal rítmica imutável - donde o curioso complexo harmónico e fimbuço resultante, adicionado ainda pela sonoridade chocalhada do trincho.
11. MAÇADELA DO LINHO
Canção de trabalho. Uma simples e graciosa frase hexacordal em ritmo de marcha pontoada pela percussão da espadela. Foi recolhida em Malhada Sonda (Almeida, Guarda).
12. SENHORA DO ALMURTÃO
Canto de romaria e devoção à Senhora do Almurtão, cuja ermida, situada a oriente de Idanha-a-Nova, se torna lugar de concentração das gentes de todas as povoações do concelho na terceira segunda-feira depois da Páscoa. As festas começam na véspera, em honra de S. Romão, ao que se faz alusão, recolhida em Proença-a-Velha (Idanha-a-Nova, Castelo Branco). Como sucede com todos os outros cantos de romaria da mesma província, é acompanhada por adufes, instrumentos de percurssão (uma espécie de pandeiro quadrangular sem soalhas mas com pedaços de louça, guiava ou outros materiais no interior) tangidos em regra por mulheres e em que elas são exímias. O canto, monódico, consiste numa simples fórmula melódica pentacordal (com ornato superior) reiterado obcessivamente, o que, associado ao ritmo trepidante dos adufes, nos transporta de certo modo a um ambiente ritual ou coregráflco "africano".
13. CANTIGA DA RODA
Canto de trabalho recolhido em Dornelas do Zézere (Pampìlhosa da Serra, Coimbra). Como canto funcional,
encontra-se em vias de total extinção, devido ao rareamento progressivo das "rodas", engenhos destinados à irrigação dos campos (as poucas ainda existentes são quase que exclusivamente movidas a motor).
As rodas são de dois tipos, uma de maior diâmetro, espalhadas pela margens do Zézere e movidas pela corrente do rio; outras, de diâmetro inferior, erguidas sobre poços e trabalhando sob a pressão dos pés de um homem ou de um mulher, os quais, para quebrar a monotonia e rudeza da tarefa, entoam horas seguidas a canção aqui registada, Trata-se de uma bela melopeia modal, de um modallsmo "orientalizado" pela presença do intervalo de segunda aumentada. Entoada por urna voz feminina (a "tocadora" da roda), tem a sua como que contrapartida diafonal na plangente melopeia da nora. A entoação nem sempre é segura, em consoquência do penoso esforço físico exigido pela manobra.
14. SENHORA SANTA COMBINHA
Canto de romaria recolhido em Igreja de Cambra (Vouzela, Viseu). A Senhora Santa Combinha é porventura a mais afamada romaria da região, e o canto é ouvido no dia da sua festa, 20 de Julho, e ainda no dia da festa móvel do Espírito Santo. Entoado por mulheres, inicia-se monodicamente e prossegue em organum a 4 vozes (começo - descante grosso - alto - descante fino). Ritmo silábico uniforme dos cantos firmes (e, por via de consequência, da própria polifonia), apenas entrecortado pelo característico hoqueto, ou assim também chamado "suspiro medieval". Advirta-se que, na segunda estrofe do canto, o diapasão das informadoras sobe de um semitom, percalço que não vai além de um acidente fortuito de entoação.
15. O CARVALHAL
Trecho de música instrumental tocado tradicionalmente na Quarta-feira de Cinzas em Souto da Casa (Fundão, Castelo Branco). Esta tradição acha-se ligada a sucessos ocorridos na localidade em fins do século passado. O Carvalhal era uma extensa zona da serra partilhada entre a Irmandade do Santíssimo, a casa Garrett e o povo de Souto da Casa que, numa Quinta-feira de Cinzas, resolveu victoriosamente, e não sem violência, uma questão com a casa Garrett. A comemoração anual desta vitória perdeu muito das suas características primitivas, tal como a habitual pregação do regedor local, que terminava com estas palavras: "O céu é de quem o ganha e a terra de quem a amanha" (6). No entanto, perpetuou-se a peregrinação ao Carvalhal, com a "música" à frente a tocar de manhã à noite, num ambiente de fraternal alegria, donde surge de tempo a tempo a pergunta: "De quem é o Carvalhal?" com a resposta colectiva: "É nosso?". A "música" compõe-se de dois bombos, duas caixas, pratos, ferrinhos e um pífaro de ferro. Como se vê (e como se ouve na gravação), um curioso espécimen de "música turca" - em todo o caso e de certo modo, na tradição dos "Zé Pereiras" do Norte do Pais. Os brados intercalados acrescentam-lhe uma nota de vivaz colorido.
16. SENHORA DA POVOA
Canto de romaria recolhido em Atalaia do Campo (Fundão, Castelo Branco). A Senhora da Póvoa, cuja festa se realiza no Domingo de Pentecostes, tern o seu santuário em Vale-de-Lobo. A romaria perdeu muito da sua antiga concorrência. (No seu livro Cantares do Povo Português, Rodney Gallop assinala que, em 1919, se verificou uma afluência de 50.000 peregrinos). O canto insere-se perfeitamente no tipo já descrito no n° 12.
17. CANTIGA DA CEIFA
Canto de trabalho monódlco, do tipo dos "Cantos de ar livre". A bela melodia é um simples pentacórdio frígio abundantemente floreado, aparentada a tantos outros "cantos de ar livre" que têm o seu habitat próprio na bacia do Mediterrâneo. Foi recolhido em Penha Garcia (Idanha-a-Nova, Castelo Branco).
18. CANTO DA PAIXÃO
Canto religioso, utilizado sobretudo como canto de trabalho durante a Semana Santa e, por tal, mais
conhecido pela designação de "Paixão do campo". Em comum modo maior e menos floreado do que o anterior, pertence contudo ainda ao tipo dos "cantos de ar livre". Foi recolhido na Aldeia de Joanes (Fundão, Castelo Branco).
19. DEVOÇÃO DAS ALMAS
Canto de peditório recolhido em Oliveirinha (Aveiro). O "grupo" que o canta costumava sair três noites por semana na Quaresma (mais precisamente: de meados da Quaresma até à Semana Santa) para o entoar às portas das casas da povoação e das povoações vizinhas, Moita e Granja. O "grupo" é formado de dois troços: um de três homens, outro do mesmo número, ou mais. O primeiro, com pendão no meio e lanternas de cada lado, é o que bate às portas, enquanto o segundo estaciona um pouco atrás. No passo do canto "aqui estamos de joelhos" os homens do primeiro troço permanecem de joelhos até ao fim do mesmo. O produto do peditório, dinheiro ou comestíveis, destinava-se a mandar "rezar" um sermão na igreja e outro no cemitério; o que sobrava empregava-se em mandar "rezar' missas. O canto, monódico, é entoado rápida e alternadamente pelos dois coros masculinos. A alternação procede por imbricação, isto é: o final da primeira entrada sobrepõe-se ao começo da segunda, uma e outra constituídas pelo mesmo inciso rítmico que se desenvolve no âmbito de uma fórmula hexacordal menor com ornato superior e omissão do 2° grau. Entre as duas exposições do canto, a oração recitada do Pai Nosso e Avó Maria, ainda a cargo dos dois coros alternados,
20. OLÉ, ó SENHORA MÃE
Canto de trabalho entoado por vozes femininas. Foi recolhido em Talhadas (Sever do Vouga, Aveiro) e canta-se quando, no fim de cada eito, se sacode o centeio para lhe tirar as cascas. Como em outras espécies aqui registadas, o canto começa monodicamente e prossegue em organum de terceiras e quintas paralelas (baixo-2" voz - falsete).
21. SÃO JOÃO
Canto religioso entoado em gymel (com cadência intermédia na quinta) por vozes femininas. Foi recolhido em Alde (Gouveia, Guarda).
22. SENHORA SANTA LUZIA
Canto de romaria recolhido em Aldeia Nova do Cabo (Fundão, Castelo Branco), A romaria de Santa Luzia realiza-se em meados de Setembro em redor da ermida situada na vizinhança de Castelejo (Fundão). Outrora muito concorrida, acha-se hoje em franca decadência, a sua principal atracção consistindo nos conjuntos instrumentais (bombos, caixas e pífaros), designados localmente apenas por bombos e entre os quais se distinguem os "bombos" de Lavacolhos. O toque de Santa Luzia, dito "Ao alto", anima, com as suas cantigas entremeadas, a festa da oraga da região. O belo canto aqui registado acha-se caldo em desuso. Entoado por vozes femininas, pertence ao género dos "cantos de adufe", com a diferença, porém, que, ao contrário das outras espécies similares da mesma região (n° 12) e (n° 16), este é cantado polifonicamente a 3 vozes, numa variedade de fabordão.
23. ABOIO
Canto monódico de trabalho entoado por uma mulher. Utiliza-se na condução do gado, rebanhos, etc. e foi recolhido em Manhouce (S. Pedro do Sul, Viseu). O canto - uma como que lenga-lenga de carácter quase infantil - é intercalado por "falas" dirigidas ao gado; todavia, as mesmas "falas" inserem-se perfeitamente nas inflexões da singela melodia, de sorte que canto e "fala" formam indissolúvel unidade contextual. De notar o como que fenómeno de mimetismo observável em certos momento da "fala' e em que esta imita o balido das cabras.
24. ALELUIA
Canto religioso recolhido em Igreja de Cambra (Vouzela, Viseu). Ouve-se na igreja, da Páscoa ao Espirito Santo, e pelas ruas, quando o pároco anda a "tirar
o folar". De uma expressão larga e severa, é entoado polifonicamente por vozes femininas. Proposta monódica de carácter salmodial, resposta em organum a 4 vozes (começo - descante grosso - alto - descante fino).
25. CANTIGA DO ENTRUDO
Também popularmente designada por "António Sacoto", canta-se pelas ruas na altura do Entrudo e foi recolhida em S. Miguel d'Acha (Idanha-a-Nova, Castelo Branco). Trata-se de mais uma "cantiga de adufe" entoada por mulheres. A melodia nas vozes graves é redobrada à oitava superior por três vozes agudas (fino). O carácter primitivo do canto, circunscrito a uma incisiva fórmula pentacordal, a sua modalidade "exótica", o ritmo persistente do adufe, trazem-nos ainda à ideia sugestões de músicas africanas.
26. CANTIGA DA SACHA
Canto de trabalho recolhido em Aldeia Nova do Cabo (Fundão, Castelo Branco). Entoado por vozes femininas, começa monodicamente e prossegue numa vibrante harmonia de terceiras com cadência intermédia à quinta. É o tipo mesmo de muitos outros cantos ligados às fainas agrícolas (sacha do milho, colha da azeitona, etc.) frequentes na Beira Baixa.
27. CANTIGA DE NANAR
Recolhida em Cercosa (Vouzela, Viseu), é uma singela melopeia que, num ritmo funcional, se desenrola no estreito âmbito de uma terceira maior mas a que a inflexão do como que estribilho à terceira menor inferior da tónica (mi bemol) complementa com ingénuo encanto.
28. A TIA BAPTISTA
Canto devocional recolhido em Aldeias (Gouveia, Guarda), A Tia Baptista teria sido a Madre Soror Baptista do Céu Custódia, do mosteiro da Madre Céu, (Vinhó, Gouveia), extinto em meados do séc. XIX. Segundo um manuscrito bastante deteriorado conservado no Museu de Gouveia com a data de 1778, teria nascido em 1679. Este manuscrito, atribuído à escrivã do mosteiro, abadessa Francisca Bernarda das Chagas, inclui textos diversos que teriam sido ditados ou escritos pela Tia Baptista: Cantigas ao Menino, Cantigas para arrolar o Menino, Colóquios com o seu Menino, Novena ao Menino, Orações, etc.. Com efeito, a Tia Baptista teria tributado afectuosa devoção a uma imagem do Menino Jesus, que vestia, pintava, amimava. A apelação de Tia Baptista proviria, segundo reza o manuscrito, do facto de ela própria à hora da sua morte ter rogado que todas as professas do mosteiro lhe chamassem tia, "porque se se visse diante de Deus queria pedir por todas as sobrinhas". Ao seu trespasse teria acudido grande afluência de povo, verificando-se numerosos casos de milagres. É festejada em Aldeias no dia 18 de Maio com cantigas como a que aqui se regista, cantigas que consta terem sido outrora acompanhadas a pandeiro. Em Vinhó recolhemos a informação de que as ditas cantigas acompanhadas a pandeiro eram dançadas: uma dança circular com lançamento de cântaros de uns para outros dos participantes. ATia Baptista é ainda invocada como casamenteira pelas raparigas que, dias antes da sua festa, cantam no campo as cantigas que lhe são consagradas. A espécie compendiada é uma fresca canção em maior e balanceado ritmo ternário (possivelmente reminiscente da antiga dança) que, cantada por vozes femininas, afecta a forma de um saboroso organum a 4 vozes (encher - fala fora - erguer - guincho).
Fernando Lopes-Graça Michel Giacometti “
In: Portuguese Folk Music, Volume 3, Beiras, Michel Giacometti e Fernando Lopes Graça, Strauss, Portugal Som, 1998
“O inquérito etnomusicológico que abrangeu vastas zonas das Províncias da Beira Alta, Baixa e Beira Litoral tonou-se possível, na sua extensão e profundidade, graças à colaboração convergente de várias entidades privadas e oficiais.
Deste modo facilitado, o inquérito processou-se em seis etapas (de Agosto de 1968 a Outubro de 1970), no decurso dos quais foram percorridos cerca de vinte mil quilómetros e recolhidas, em noventa das cento e setenta localidades sobre as quais incidiu o nosso trabalho, seiscentas espécies musicais, representando umas trinta horas de gravação útil.
A escolha dos documentos para a composição do presente disco, que pretende ser, por assim nos exprimirmos, a suma do inquérito, obedeceu ao imperativo de uma representação tão objectiva quanto possível, nos planos quantitativo e qualitativo, dos cinco distritos que constituem as três Beiras. Representação que, no entanto, não pode, como se torna óbvio, reflectir a realidade musical objectiva desses mesmos distritos, mas apenas acentuar as suas linhas ou tendências gerais.
No próprio encadeamento dos trechos musicais procurou-se, em obediência ao critério adoptado ao iniciarmos este panorama, facilitar a apreensão por parte do simples ouvinte, mediante um contraste apropriado dos géneros, modalidades, estruturas melódicas e harmónicas, etc. Pensamos ainda que semelhante apreensão pode também ser facilitada pela unidade estética para que, até certo ponto, convergem os vinte e oito trechos compendiados. Por fim, sem nos afastarmos deste critério, entendemos por bem juntar espécies cujo confronto imediato, dentro de uma mesma sequência, possa servir aos estudiosos da nossa música regional.
Força nos é notar novamente o estado de desagregação em que se encontra a nossa cultura de tradição oral, sendo de prever num futuro que se nos afigura muito próximo o total desaparecimento das suas formas originais. E mais uma vez apontaremos como elementos subversivos, neste caso, as comunicações de
massa na sua quase generalidade quotidiana, a par dos muitos agrupamentos chamados folclóricos que, como que dialecticamente, actuam para fomentar e difundir formas convencionais de cultura. Neste sentido, diremos todavia que o grave fenómeno de emigração se nos não antolha, após reflexão, influir por ora de maneira por demais ostensiva nesse processo de desagregação a que vimos aludindo.
Resta-nos dirigir aqui nos nossos mais vivos agradecimentos ao povo beirão, que, espontaneamente, nos prestou a mais útil e dedicada assistência.
Michel Giacometti
A música das províncias beirãs é acaso aquela que, dentre as nossas músicas regionais mais cedo e com relativa continuidade foi e tem sido objecto de curiosidade de investigadores ou simples colectores. O sinal de partida foi dado pelo erudito Pedro Fernandes Tomás (não especificamente músico) quando, em 1896, publicou as suas Canções Populares da Beira, prefaciadas pelo ilustre Leite de Vasconcelos (também nada familiarizado com as disciplinas propriamente musicais). A partir de então, as compendiações escritas dessa música constituem um pequeno corpo de publicações de valor certamente desigual mas que, não obstante. colocaram a música beirã (e mormente a da Beira Baixa que, neste capítulo, devemos considerar levar a palma às suas irmãs) numa situação de privilégio em relação às outras províncias portuguesas, pelo que se refere à sua divulgação no público e, digamos, ao seu aproveitamento" por parte dos próprios músicos, profissionais ou amadores.
No entanto, todas estas publicações, irregulares já de si (com uma que outra excepção relevante) nos critérios propriamente etnomusicológicos que as informavam, pecavam ainda por uma deficiência fundamental: a de nos oferecerem uma imagem unilateral da música beirã, reduzida ao monodismo, quando o que faz o interesse e o valor mais inapreciável deste é sem dúvida a sua a bem dizer predominante estruturação polifónica.
Sem desconhecermos trabalho já anteriormente feito, mas pouco acessível, no campo da fixação por meio de gravação da fisionomia própria da música beirã (referimo-nos aos discos realizados por Artur Santos por incumbência da B. B. C. de Londres), cremos que o presente volume da série Música Regional Portuguesa vem trazer um contributo essencial ao conhecimento e estudo de uma música que se revela possivelmente como a mais rica, quanto a aspectos, e no plano morfológico e estilístico, entre as nossas músicas folclóricas.
Talvez em nenhuma outra região portuguesa, como nas Beiras (com alguma reserva para a Beira Litoral e certas zonas da Beira Alta - e se é que é cientificamente legítimo operar dicotomias em províncias que, geográfica e etnografìcamente, se interpenetram), se nos depare uma tal variedade, uma tal sobreposição de estratos de música folclórica, o "primitivo" vizinhando o "evolucionado", o "antigo" a par do "moderno". Claro que "primitivo" e "evolucionado', "antigo" e "moderno" são aqui conceitos puramente relativos e sem significação imediatamente valorativa: nem o "primitivo" ou o "antigo" são sinónimo de rudimentar, inferior, nem o "evolucionado" ou "moderno" implicam polimento, superioridade.
Não há dúvida porém que, debaixo de um ponto de vista prioritariamente atnomusicológico, as espécies "primitvas" ou "arcaicas" (o que talvez se possa classificar de "estilos antigos" da música beirã) aqui reunidas - citemos, por exemplo, além das várias cantigas de romaria, os Martfrios e a Cantiga da Azeitona, respectivamente n° 2 e nr3 a Cantiga da Ceifa, o Oté, ó Senhora Mãe e a Aleluia, n"` 12, 20 e 24 - não há dúvida que tais espécies oferecem propostas de vária ordem que fazem delas, para além da sua beleza própria, documentos de raro interesse, certamente destinados a enriquecer os aliciantes horizontes da musicologia comparada.
Fernando Lopes-Graça
1. BACELADA
Documento recolhido em Tavarede (Figueira da Foz, Coimbra), Refere-se à cava da manta para plantio do bacelo, faina que se realiza entre Dezembro e Março. O capataz da bacelada é o mandador Os bons mandadores eram disputados pelos proprietários e recebiam jorna superior à dos cavadores. Embora cavando também com os seus companheiros, a tarefa principal do mandador consistia em manter, mediante o seu "canto", o ritmo do trabalho, aproveitando no entanto o ensejo para inserir no "canto" improvisos destinados a fazer chegar aos ouvidos do proprietário certas reivindicações de ordem colectiva. Por seu turno, os proprietários fomentavam por vezes rivalidades entre os mandadores a seu soldo, sempre no intuito de manter ou acelerar o ritmo do trabalho. Com dificuldade se poderá considerar estarmos aqui em presença de uma espécie propriamente musical. Mais do que de um canto, trata-se antes de um ritmo - um ritmo de trabalho associado a um grito ou brado de estimulo, este, na verdade, já embrionariamente musical. Como tal, e posto que a prática tenha quase caído em desuso, o documento, além do seu aspecto sociológico, poderá, na sua dualidade sociológica, interessar os estudiosos da pré-história da música, mormente os seguidores das doutrinas de Wallaschek e Búcher, que têm precisamente o ritmo e o esforço muscular como factores primordiais no surgimento do fenómeno musical.
2. MARTÍRIOS
Canto religioso da Quaresma recolhido em Alcongosta (Fundão, Castelo Branco). Ainda hoje se canta pelas 10-11 horas da noite, em frente das capelas do lugar, aos domingos das sete semanas da Quaresma. É também cantado nos trabalhos do campo durante o mesmo período. Afectando a forma responsorial, a lenta e expressiva melodia tetracordal, de feição quase litúrgica, é proposta por uma voz feminina grave, depois do que é retomada em duplo gymel, ou variedade de fabordão a 4 vozes (baixão-voz grossa, ou voz fina por baixo - voz alta - voz fina por alto), pelo coro também de vozes femininas.
3. CANTIGA DA AZEITONA
Canto de trabalho recolhido em Teixoso (Covilhã, Castelo Branco). Do tipo dos "cantos de ar livre", consiste num simples pentacórdio maior com ornato superior, levemente melismático, o 4M grau por vezes "sensibilizado", entoações 'oscilantes" - estrutura melódica frequente em muitos cantos da Beira Baixa, que deste modo ganham um certo ressaibo "oriental".
4. BENDITO
Canto religioso caído em desuso, pelo menos em Rocas do Vouga (Sever do Vouga, Aveiro), onde foi recolhido. Segundo a informação fornecida, cantava-se antes do início da missa e para acompanhar o Senhorfora, ou seja o viático. Reveste aspecto antifonal: um coro monódìco de vozes masculinas alterna com um coro polífónico de vozes femininas. Ritmo quase silábico da proposta contrastando com a linha mais sinuosa, mais vocalizada, os portamentos e a "incerteza" tonal da resposta a 3 vozes (encher - fala fora - voz alto). Há notícia do canto comportar uma quarta voz: o guincho.
5. ALVORADA
Trecho instrumental recolhido em Eira Pedrinha (Condeixa-a-Velha, Coimbra). Como habitualmente, a alvorada toca-se nas manhãs dos dias festivos. O conjunto instrumental compõe-se de gaita de foles, bombo e caixa ou tarola. Estilo floreado do instrumento "cantante" comum aos gaiteiros do Norte de Portugal e da Galiza. A gaita de foles apresenta as costumadas e saborosas "anomalias" tonais. Vivo contraponto ritimico de percussão.
6. AMENTAR DAS ALMAS
Canto religioso, noutras regiões designado por Encomendação das Almas. Foi recolhido em Aldeias (Gouveia, Guarda) e é ainda com certa frequência cantado em sete pontos da freguesia todas as terças e sextas-feiras da Quaresma, durante a noite (tal como nas tradicionais Encomendações das Almas). E uma espécie de canto processional polifónico entoado por
vozes femininas. As entradas sucessivas das vozes revestem a forma de um solene fabordão em terceiras e sextas com apoio em quintas. Corte ternário da peça: canto-oração recitada-canto. Repare-se na sonoridade como que "instrumental" da polifonia. A insegurança da entoação é percalço difícil de evitar, dado o número e a idade avançada das informadoras.
7. S. JOÃO
Cantado na véspera e na noite de S. João do Rosmaninhal (ldanha-a-Nova, Castelo Branco), onde foi recolhido. Nesta localidade, as testas do S. João dão ensejo a manifestações colectivas de alegria com características nitidamente pagãs: cavalhadas nas quais participam todos os que possuem bestas de carga; distribuição de tremoços, broas de mel e vinho; repastos pantagruélicos, etc. A organização da festa acha-se a cargo de um alférece e de padrinhos escolhidos pelos que serviram no ano anterior, ou ainda de pessoas que fizeram promessa de "servir" (3). A espécie musical pertence ao género das chamadas "cantigas de adufe", de que a Beira Baixa mantém por assim dizer a especialidade. Duas mulheres entoam um simples inciso melódico em ritmo de marcha e num saboroso mixolídto de fá corri omissão do 2° grau. A deformação da voz sobressaliente, aquela espécie de rouquidão, deve ser considerada um característica de estilo e não um ricto caricatural, como se poderá pender a crer.
8. BENDITO
Canto de trabalho recolhido da boca dos pescadores do Furadouro (Ovar, Aveiro), onde caiu praticamente em desuso com o desaparecimento das grandes embarcações, algumas delas movidas por mais de quarenta remadores. O Bendito é cantado com devoção, a cabeça descoberta, já para conjurar os perigos do mar, já para implorar a protecção divina perante dificuldades surgidas na faina (desastres pessoais ou materiais), ou ainda no regresso a terra, para conjugar os esforços dos remadores, desanimados por o lanço não se antolhar prometedor. É cantado antifonalmente por dois grupos de homens. Melodia de carácter quase lítúrgico adaptada a um ritmo funcional. São informadores pescadores- remadores. todos naturais do Furadouro.
9. CANTIGA DA CEIFA
Canto de trabalho recolhido em Lourosa da Tropa (S. Pedro do Sul, Viseu) é entoado por vozes femininas. Afecta a forma de responsório: um grupo inicia monodicamente o canto, seguindo-se-lhe, à guisa de resposta, uma polifonia em organunt de terceiras e quintas paralelas (começo ou botar fala - descante - erguer). Na cadência final, o sétimo grau não sensibilizado provoca urna expressiva transformação tonal, por efeito mesmo do paralelismo harmónico. O canto termina pelos chamados "gritos de apupo", um tanto insolitamente em contradição com a gravidade do trecho.
10. DANÇA DOS HOMENS (frag.)
Recolhida em lousa (Castelo Branco), a Dança dos homens, como a Dança das virgens, é dançada durante as festas em honra da Senhora dos Altos Céus (terceiro domingo de Maio), frente á igreja e. seguidamente, nos lugares mais centrais do povoado. Também conhecida por Dança de genebres, é executada por seis homens trajando calças e camisa branca, e ostentando uma espécie de tiara ornamentada com flores e fitas de várias cores, etc., três rapazs em vestes de donzela, e um guardião (mestre ou ensaiador), vestido de soldado com espada à cinta. Dos seis homens, cinco tocam bandurras (viola da zona raiana de Castelo Branco com dez cordas de arame, embora as bandurras aqui utilizadas tenham encordamento - apenas oito cordas - e afinação diferentes), o sexto toca a geneores, "espécie de xilofone, com uma série de paus redondos maciços, de tamanhos crescentes de cima para baixo, enfiados numa tira de couro formando colar...". Este instrumento, único no Pais, ao nosso conhecimento, é utilizado na Lousa exclusivamente na dança que tem o seu nome. Os três rapazes, enfim, tocam trinchos, uma espécie de pandeiretas sem peles. Todo o interesse propriamente musical do trecho vem-lhe da mistura "discordante" dos instrumentos principais: o grupo das bandurras, com a sua fórmula rítimica elementar, que consiste numa simples alternância de acordes rasgados de como que tónica e sobre-dominante e ainda como as suas entoações um tanto caprichosas, e a genebres, com os seus glissandos (precedidos, à laia de introdução, de um acorde de três sons arpejado) que formam uma espécie de pedal rítmica imutável - donde o curioso complexo harmónico e fimbuço resultante, adicionado ainda pela sonoridade chocalhada do trincho.
11. MAÇADELA DO LINHO
Canção de trabalho. Uma simples e graciosa frase hexacordal em ritmo de marcha pontoada pela percussão da espadela. Foi recolhida em Malhada Sonda (Almeida, Guarda).
12. SENHORA DO ALMURTÃO
Canto de romaria e devoção à Senhora do Almurtão, cuja ermida, situada a oriente de Idanha-a-Nova, se torna lugar de concentração das gentes de todas as povoações do concelho na terceira segunda-feira depois da Páscoa. As festas começam na véspera, em honra de S. Romão, ao que se faz alusão, recolhida em Proença-a-Velha (Idanha-a-Nova, Castelo Branco). Como sucede com todos os outros cantos de romaria da mesma província, é acompanhada por adufes, instrumentos de percurssão (uma espécie de pandeiro quadrangular sem soalhas mas com pedaços de louça, guiava ou outros materiais no interior) tangidos em regra por mulheres e em que elas são exímias. O canto, monódico, consiste numa simples fórmula melódica pentacordal (com ornato superior) reiterado obcessivamente, o que, associado ao ritmo trepidante dos adufes, nos transporta de certo modo a um ambiente ritual ou coregráflco "africano".
13. CANTIGA DA RODA
Canto de trabalho recolhido em Dornelas do Zézere (Pampìlhosa da Serra, Coimbra). Como canto funcional,
encontra-se em vias de total extinção, devido ao rareamento progressivo das "rodas", engenhos destinados à irrigação dos campos (as poucas ainda existentes são quase que exclusivamente movidas a motor).
As rodas são de dois tipos, uma de maior diâmetro, espalhadas pela margens do Zézere e movidas pela corrente do rio; outras, de diâmetro inferior, erguidas sobre poços e trabalhando sob a pressão dos pés de um homem ou de um mulher, os quais, para quebrar a monotonia e rudeza da tarefa, entoam horas seguidas a canção aqui registada, Trata-se de uma bela melopeia modal, de um modallsmo "orientalizado" pela presença do intervalo de segunda aumentada. Entoada por urna voz feminina (a "tocadora" da roda), tem a sua como que contrapartida diafonal na plangente melopeia da nora. A entoação nem sempre é segura, em consoquência do penoso esforço físico exigido pela manobra.
14. SENHORA SANTA COMBINHA
Canto de romaria recolhido em Igreja de Cambra (Vouzela, Viseu). A Senhora Santa Combinha é porventura a mais afamada romaria da região, e o canto é ouvido no dia da sua festa, 20 de Julho, e ainda no dia da festa móvel do Espírito Santo. Entoado por mulheres, inicia-se monodicamente e prossegue em organum a 4 vozes (começo - descante grosso - alto - descante fino). Ritmo silábico uniforme dos cantos firmes (e, por via de consequência, da própria polifonia), apenas entrecortado pelo característico hoqueto, ou assim também chamado "suspiro medieval". Advirta-se que, na segunda estrofe do canto, o diapasão das informadoras sobe de um semitom, percalço que não vai além de um acidente fortuito de entoação.
15. O CARVALHAL
Trecho de música instrumental tocado tradicionalmente na Quarta-feira de Cinzas em Souto da Casa (Fundão, Castelo Branco). Esta tradição acha-se ligada a sucessos ocorridos na localidade em fins do século passado. O Carvalhal era uma extensa zona da serra partilhada entre a Irmandade do Santíssimo, a casa Garrett e o povo de Souto da Casa que, numa Quinta-feira de Cinzas, resolveu victoriosamente, e não sem violência, uma questão com a casa Garrett. A comemoração anual desta vitória perdeu muito das suas características primitivas, tal como a habitual pregação do regedor local, que terminava com estas palavras: "O céu é de quem o ganha e a terra de quem a amanha" (6). No entanto, perpetuou-se a peregrinação ao Carvalhal, com a "música" à frente a tocar de manhã à noite, num ambiente de fraternal alegria, donde surge de tempo a tempo a pergunta: "De quem é o Carvalhal?" com a resposta colectiva: "É nosso?". A "música" compõe-se de dois bombos, duas caixas, pratos, ferrinhos e um pífaro de ferro. Como se vê (e como se ouve na gravação), um curioso espécimen de "música turca" - em todo o caso e de certo modo, na tradição dos "Zé Pereiras" do Norte do Pais. Os brados intercalados acrescentam-lhe uma nota de vivaz colorido.
16. SENHORA DA POVOA
Canto de romaria recolhido em Atalaia do Campo (Fundão, Castelo Branco). A Senhora da Póvoa, cuja festa se realiza no Domingo de Pentecostes, tern o seu santuário em Vale-de-Lobo. A romaria perdeu muito da sua antiga concorrência. (No seu livro Cantares do Povo Português, Rodney Gallop assinala que, em 1919, se verificou uma afluência de 50.000 peregrinos). O canto insere-se perfeitamente no tipo já descrito no n° 12.
17. CANTIGA DA CEIFA
Canto de trabalho monódlco, do tipo dos "Cantos de ar livre". A bela melodia é um simples pentacórdio frígio abundantemente floreado, aparentada a tantos outros "cantos de ar livre" que têm o seu habitat próprio na bacia do Mediterrâneo. Foi recolhido em Penha Garcia (Idanha-a-Nova, Castelo Branco).
18. CANTO DA PAIXÃO
Canto religioso, utilizado sobretudo como canto de trabalho durante a Semana Santa e, por tal, mais
conhecido pela designação de "Paixão do campo". Em comum modo maior e menos floreado do que o anterior, pertence contudo ainda ao tipo dos "cantos de ar livre". Foi recolhido na Aldeia de Joanes (Fundão, Castelo Branco).
19. DEVOÇÃO DAS ALMAS
Canto de peditório recolhido em Oliveirinha (Aveiro). O "grupo" que o canta costumava sair três noites por semana na Quaresma (mais precisamente: de meados da Quaresma até à Semana Santa) para o entoar às portas das casas da povoação e das povoações vizinhas, Moita e Granja. O "grupo" é formado de dois troços: um de três homens, outro do mesmo número, ou mais. O primeiro, com pendão no meio e lanternas de cada lado, é o que bate às portas, enquanto o segundo estaciona um pouco atrás. No passo do canto "aqui estamos de joelhos" os homens do primeiro troço permanecem de joelhos até ao fim do mesmo. O produto do peditório, dinheiro ou comestíveis, destinava-se a mandar "rezar" um sermão na igreja e outro no cemitério; o que sobrava empregava-se em mandar "rezar' missas. O canto, monódico, é entoado rápida e alternadamente pelos dois coros masculinos. A alternação procede por imbricação, isto é: o final da primeira entrada sobrepõe-se ao começo da segunda, uma e outra constituídas pelo mesmo inciso rítmico que se desenvolve no âmbito de uma fórmula hexacordal menor com ornato superior e omissão do 2° grau. Entre as duas exposições do canto, a oração recitada do Pai Nosso e Avó Maria, ainda a cargo dos dois coros alternados,
20. OLÉ, ó SENHORA MÃE
Canto de trabalho entoado por vozes femininas. Foi recolhido em Talhadas (Sever do Vouga, Aveiro) e canta-se quando, no fim de cada eito, se sacode o centeio para lhe tirar as cascas. Como em outras espécies aqui registadas, o canto começa monodicamente e prossegue em organum de terceiras e quintas paralelas (baixo-2" voz - falsete).
21. SÃO JOÃO
Canto religioso entoado em gymel (com cadência intermédia na quinta) por vozes femininas. Foi recolhido em Alde (Gouveia, Guarda).
22. SENHORA SANTA LUZIA
Canto de romaria recolhido em Aldeia Nova do Cabo (Fundão, Castelo Branco), A romaria de Santa Luzia realiza-se em meados de Setembro em redor da ermida situada na vizinhança de Castelejo (Fundão). Outrora muito concorrida, acha-se hoje em franca decadência, a sua principal atracção consistindo nos conjuntos instrumentais (bombos, caixas e pífaros), designados localmente apenas por bombos e entre os quais se distinguem os "bombos" de Lavacolhos. O toque de Santa Luzia, dito "Ao alto", anima, com as suas cantigas entremeadas, a festa da oraga da região. O belo canto aqui registado acha-se caldo em desuso. Entoado por vozes femininas, pertence ao género dos "cantos de adufe", com a diferença, porém, que, ao contrário das outras espécies similares da mesma região (n° 12) e (n° 16), este é cantado polifonicamente a 3 vozes, numa variedade de fabordão.
23. ABOIO
Canto monódico de trabalho entoado por uma mulher. Utiliza-se na condução do gado, rebanhos, etc. e foi recolhido em Manhouce (S. Pedro do Sul, Viseu). O canto - uma como que lenga-lenga de carácter quase infantil - é intercalado por "falas" dirigidas ao gado; todavia, as mesmas "falas" inserem-se perfeitamente nas inflexões da singela melodia, de sorte que canto e "fala" formam indissolúvel unidade contextual. De notar o como que fenómeno de mimetismo observável em certos momento da "fala' e em que esta imita o balido das cabras.
24. ALELUIA
Canto religioso recolhido em Igreja de Cambra (Vouzela, Viseu). Ouve-se na igreja, da Páscoa ao Espirito Santo, e pelas ruas, quando o pároco anda a "tirar
o folar". De uma expressão larga e severa, é entoado polifonicamente por vozes femininas. Proposta monódica de carácter salmodial, resposta em organum a 4 vozes (começo - descante grosso - alto - descante fino).
25. CANTIGA DO ENTRUDO
Também popularmente designada por "António Sacoto", canta-se pelas ruas na altura do Entrudo e foi recolhida em S. Miguel d'Acha (Idanha-a-Nova, Castelo Branco). Trata-se de mais uma "cantiga de adufe" entoada por mulheres. A melodia nas vozes graves é redobrada à oitava superior por três vozes agudas (fino). O carácter primitivo do canto, circunscrito a uma incisiva fórmula pentacordal, a sua modalidade "exótica", o ritmo persistente do adufe, trazem-nos ainda à ideia sugestões de músicas africanas.
26. CANTIGA DA SACHA
Canto de trabalho recolhido em Aldeia Nova do Cabo (Fundão, Castelo Branco). Entoado por vozes femininas, começa monodicamente e prossegue numa vibrante harmonia de terceiras com cadência intermédia à quinta. É o tipo mesmo de muitos outros cantos ligados às fainas agrícolas (sacha do milho, colha da azeitona, etc.) frequentes na Beira Baixa.
27. CANTIGA DE NANAR
Recolhida em Cercosa (Vouzela, Viseu), é uma singela melopeia que, num ritmo funcional, se desenrola no estreito âmbito de uma terceira maior mas a que a inflexão do como que estribilho à terceira menor inferior da tónica (mi bemol) complementa com ingénuo encanto.
28. A TIA BAPTISTA
Canto devocional recolhido em Aldeias (Gouveia, Guarda), A Tia Baptista teria sido a Madre Soror Baptista do Céu Custódia, do mosteiro da Madre Céu, (Vinhó, Gouveia), extinto em meados do séc. XIX. Segundo um manuscrito bastante deteriorado conservado no Museu de Gouveia com a data de 1778, teria nascido em 1679. Este manuscrito, atribuído à escrivã do mosteiro, abadessa Francisca Bernarda das Chagas, inclui textos diversos que teriam sido ditados ou escritos pela Tia Baptista: Cantigas ao Menino, Cantigas para arrolar o Menino, Colóquios com o seu Menino, Novena ao Menino, Orações, etc.. Com efeito, a Tia Baptista teria tributado afectuosa devoção a uma imagem do Menino Jesus, que vestia, pintava, amimava. A apelação de Tia Baptista proviria, segundo reza o manuscrito, do facto de ela própria à hora da sua morte ter rogado que todas as professas do mosteiro lhe chamassem tia, "porque se se visse diante de Deus queria pedir por todas as sobrinhas". Ao seu trespasse teria acudido grande afluência de povo, verificando-se numerosos casos de milagres. É festejada em Aldeias no dia 18 de Maio com cantigas como a que aqui se regista, cantigas que consta terem sido outrora acompanhadas a pandeiro. Em Vinhó recolhemos a informação de que as ditas cantigas acompanhadas a pandeiro eram dançadas: uma dança circular com lançamento de cântaros de uns para outros dos participantes. ATia Baptista é ainda invocada como casamenteira pelas raparigas que, dias antes da sua festa, cantam no campo as cantigas que lhe são consagradas. A espécie compendiada é uma fresca canção em maior e balanceado ritmo ternário (possivelmente reminiscente da antiga dança) que, cantada por vozes femininas, afecta a forma de um saboroso organum a 4 vozes (encher - fala fora - erguer - guincho).
Fernando Lopes-Graça Michel Giacometti “
quarta-feira, novembro 23, 2005
Arquivos sonoros de Giacometti
É-me hoje possível divulgar a listagem de mais arquivos sonoros da Beira Baixa, constantes da recolha de Giacometti. A listagem ainda não está concluída, tarefa que concluirei, logo que me seja possível. Há uma edição discográfica que inclui um número muito reduzido destas gravações, que é possível encontrar no mercado, com relativa facilidade. Procedi à audição e listagem durante o mês de Agosto, mas só agora me foi possível processar essa informação manuscrita.


1805 Lembrai-vos de quem lá tendes 1:44
1806 Recordai cristãos 1:42
1807 Lá encima o Calvário 2:55
1808 S.José foi buscar lume 1:30
1809 Dê-me cá o meu menino 0:42
1810 Senhora do Almortão (Catarina? E outras vozes f. 1:19
1811 Senhora da Póvoa Protecção do gado 1:38
1812 Senhora da Azenha Protecção na guerra 1:46
1813 Entrevista sobre Senhoras da Póvoa, Almortão e Azenha 8:13
1814 Caçador Influência de Espanha 0:23
1815 A casa se he queimou Influência de Espanha 0:25
1816 Vinde, vinde, pastoritos Influência de Espanha 0:33
1817 Burrita sem pata 0:36
1818 Bendito e louvado seja Natal 0:49
1819 Bendito e louvado seja Coro misto 3:06
1820 Bendito e louvado seja 3:16
1821 O vosso nome divino 2:06
1822 Recorde senhor vigário 1:51
1823 Para o S. João que vem 2:03
1824 Para o S. João que vem 2:05
1825 Euh.... 1:14
1826 Ó Cruz avé 2:23
1827 Ó Cruz avé 2:17
1828 S. João subiu ao Céu 1:13
1829 S. João subiu ao Céu 1:11
1830 Ó Almas que estais dormindo 1:45
1831 Ó Almas que estais dormindo 1:09
1832 Bendito e louvado seja 1:46
1833 Bendito e louvado seja 1:48
1834 Euh.... 1:12
1835 Euh.... 1:14
1836 A oliveira pequena Canção de trabalho.Coro Feminino 1:27
1837 Varejai, varejadores Canção de trabalho 0:45
1838 Ai, ó marinheiros do mar largo Coro feminino 1:23
1839 Ai, ó marinheiros do mar largo Coro feminino 1:24
1840 O sangue da vossa cruz 0:54
1841 Mais vos peço ó irmãos meus 1:33
1842 Mais vos peço ó irmãos meus 1:34
1843 Ó Maio menino Coro infantil 0:33
1844 Ó Maio menino Coro infantil 0:32
1845 Ah que se chá Voz masculina, flauta, tambor 1:13
1846 Ah que se chá Voz masculina, flauta, tambor 1:10
1847 Ah que se chá Voz masculina, flauta, tambor 1:13
1848 Dai-nos alvissaras Senhora Voz feminina 1:42
1849 O meu menino é de ouro Canção de embalar 2:34
1850 Pastorinhos do outeiro Canção de embalar 0:43
1851 O meu amorzinho Voz feminina e palmas 1:39
1852 Nossa Senhora do Carmo 3:54
1853 Ora pro nobis ó Maria 1:34
1854 Ora pro nobis ó Deus 1:27
1855 Ó meu menino Coro misto 2:26
1856 A virgem lavava 1:39
1857 Aí do S. João ao S. Pedro 1:17
1858 Aí do S. João ao S. Pedro 2:00
1859 Ó lua que vais tão alta 2:53
1860 As armas do meu adufe 1:04
1861 As armas do meu adufe 1:22
1862 Alumia-me a candeia Adufe 0:42
1863 Alumia-me a candeia Adufe 0:42
1864 Flor de Murta raminho de Freixo Adufe 1:25
1865 Que tens tu Ó Juliana (D.Jorge) Voz feminina 2:52
1866 Viva lá minha senhora 2:09
1867 Viva lá minha senhora 0:45
1868 S. José se alevantou 1:27
1869 Venho-vos dar as Janeiras 0:50
1870 Fui ao S. João à Guarda 0:50
1871 Fui ao S. João à Guarda 0:51
1872 Varejai, varejadores Canção de trabalho 1:07
1873 Santo António dos Olivais 1:27
1874 Sachadeiras que sachais 1:27
1875 Nossa Senhora do Carmo 2:41
1876 Som de cava 2:09
1877 Santo António dos Olivais 0:54
1878 Sons de pássaros, galinhas e regato de água 1:44
1879 Sons de pássaros, galinhas e regato de água 1:03
1880 Santo António dos Olivais 2:30
1881 Fui ao S. João à Guarda
1882 Fui ao S. João à Guarda
1883 Quando é o vosso dia (Nossa Senhora doCarmo) 1:45
1884 Cuco 0:27
1885 Sachadeiras que sachais 1:17
1886 S. José desce cá abaixo 2:30
1887 Entrevista-Quinta da Várzea-Teixoso Gracinda de Matos Neves 0:41
1888 Cerie Elipson Coro misto 5:11
1889 Encomendações das Almas 2:31
1890 Encomendações das Almas 2:33
1891 Encomendações das Almas 2:29
1892 Flauta e tambor 5:22
1893 Flauta e tambor 1:07
1894 Flauta e tambor 1:06
1895 Flauta e tambor 1:39
1896 Flauta e tambor 1:57
1897 Flauta e tambor 1:09
1898 Flauta e tambor 1:34
1899 Flauta e tambor 0:53
1900 Flauta e tambor 1:29
1901 Flauta - Ó Senhor da Póvoa 0:56
1902 Flauta 0:58
1903 Flauta 0:38
1904 Flauta 1:03
1905 Palheta 1:05
1906 Palheta 1:14
1907 Flauta, tambor e pratos 3:00
1908 Flauta, tambor e pratos 2:04
1909 Flauta, tambor e pratos 1:31
1910 Flauta, tambor e pratos 3:18
1911 Flauta e tambor 1:51
1912 Santo como o S. João Coro misto 1:28
1913 Santo como o S. João 1:24
1914 Devotos fiéis cristãos 3:48
1915 Devotos fiéis cristãos 2:22
1916 De quem são as três camisas 2:15
1917 De quem são as três camisas 2:22
1918 Senhora Santa Luzia 3:20
1919 Toma lá colchete d'ouro Coro, castanholas, assobio 1:43
1920 O sete estrelas vai alto 2:23
1921 O sete estrelas vai alto 2:27
1922 A vinte e quatro de Junho Adufe 1:56
1923 A vinte e quatro de Junho Adufe 2:08
1924 Naquela relvinha verde Adufe 2:28
1925 Tantas almas já lá chamam 1:45
1926 Tantas almas já lá chamam 1:41
1927 Vós chamais-me farrapeira Adufe 1:25
1928 Ó minha farrapeirinha Adufe 1:03
1929 Ó entrudo, Ó entrudo (Moda da Zamburra) Ferrinhos, tambor, Zamburra 1:48
1930 Esta noita não é noite Ferrinhos, tambor, Zamburra 2:50
1931 Ai Ó Ladrão, Ladrão Ferrinhos, tambor, Zamburra 1:29
1932 Ó Rosa tu és a Lima (Jericó) 2:05
1933 O S. João é bom homem Ferrinhos e Adufe 1:20
1934 Ai Nossa Senhora das Neves Adufe 1:50
1935 Lá vai Jeremias 0:30
1936 Por cima se ceifa o pão 1:07
1937 As duas Excelências (As excelências da Virgem 0:54
1938 As duas Excelências (As excelências da Virgem 1:16
1939 Ó Almas Benditas 0:28
1940 As duas Excelências (As excelências da Virgem 1:17
1941 Ó Almas que estais dormindo 2:55
1942 Esta noita não é noite Adufe e Zamburra 2:59
1943 Ai eu hei-de ir ao S. João Adufe, Percursão, Zamburra 2:04
1944 Ai eu hei-de ir ao S. João Adufe, Percursão, Zamburra 0:57
1945 Ai eu hei-de ir ao S. João Adufe, Percursão, Zamburra 1:45
1946 Ai Ó ladrão,Ladrão Adufe, Percursão, Zamburra 1:16
1947 Nossa Senhora das Neves Adufe 2:29
1948 Por cima se ceifa o pão 1:42
1949 Entrevista em Malpique do Tejo Isabel Caldeira, Mª da conceição. 3:39
1950 Indo no primeiro passo 3:33
1951 Indo no primeiro passo 3:31
1952 Era meia noite 4:04
1953 Milho grosso, milho grosso 3:01
1954 A candeia por estar alta 1:14
1955 Ó meu bom Jesus Matraca 8:32
1956 Indo no primeiro passo 8:09
1957 A Senhora do Castelo Sinos, Adufe 1:46
1958 O meu coração é tanque Adufe 1:26
1959 Venho de marcelada Palmas,Acordeão 1:14
1960 Já não há, não há 0:55
1961 Oh és tão linda Adufe 0:53
1962 Raminho de Loureiro Adufe 0:30
1963 Debaixo da Laranjeira Adufe 1:15


1805 Lembrai-vos de quem lá tendes 1:44
1806 Recordai cristãos 1:42
1807 Lá encima o Calvário 2:55
1808 S.José foi buscar lume 1:30
1809 Dê-me cá o meu menino 0:42
1810 Senhora do Almortão (Catarina? E outras vozes f. 1:19
1811 Senhora da Póvoa Protecção do gado 1:38
1812 Senhora da Azenha Protecção na guerra 1:46
1813 Entrevista sobre Senhoras da Póvoa, Almortão e Azenha 8:13
1814 Caçador Influência de Espanha 0:23
1815 A casa se he queimou Influência de Espanha 0:25
1816 Vinde, vinde, pastoritos Influência de Espanha 0:33
1817 Burrita sem pata 0:36
1818 Bendito e louvado seja Natal 0:49
1819 Bendito e louvado seja Coro misto 3:06
1820 Bendito e louvado seja 3:16
1821 O vosso nome divino 2:06
1822 Recorde senhor vigário 1:51
1823 Para o S. João que vem 2:03
1824 Para o S. João que vem 2:05
1825 Euh.... 1:14
1826 Ó Cruz avé 2:23
1827 Ó Cruz avé 2:17
1828 S. João subiu ao Céu 1:13
1829 S. João subiu ao Céu 1:11
1830 Ó Almas que estais dormindo 1:45
1831 Ó Almas que estais dormindo 1:09
1832 Bendito e louvado seja 1:46
1833 Bendito e louvado seja 1:48
1834 Euh.... 1:12
1835 Euh.... 1:14
1836 A oliveira pequena Canção de trabalho.Coro Feminino 1:27
1837 Varejai, varejadores Canção de trabalho 0:45
1838 Ai, ó marinheiros do mar largo Coro feminino 1:23
1839 Ai, ó marinheiros do mar largo Coro feminino 1:24
1840 O sangue da vossa cruz 0:54
1841 Mais vos peço ó irmãos meus 1:33
1842 Mais vos peço ó irmãos meus 1:34
1843 Ó Maio menino Coro infantil 0:33
1844 Ó Maio menino Coro infantil 0:32
1845 Ah que se chá Voz masculina, flauta, tambor 1:13
1846 Ah que se chá Voz masculina, flauta, tambor 1:10
1847 Ah que se chá Voz masculina, flauta, tambor 1:13
1848 Dai-nos alvissaras Senhora Voz feminina 1:42
1849 O meu menino é de ouro Canção de embalar 2:34
1850 Pastorinhos do outeiro Canção de embalar 0:43
1851 O meu amorzinho Voz feminina e palmas 1:39
1852 Nossa Senhora do Carmo 3:54
1853 Ora pro nobis ó Maria 1:34
1854 Ora pro nobis ó Deus 1:27
1855 Ó meu menino Coro misto 2:26
1856 A virgem lavava 1:39
1857 Aí do S. João ao S. Pedro 1:17
1858 Aí do S. João ao S. Pedro 2:00
1859 Ó lua que vais tão alta 2:53
1860 As armas do meu adufe 1:04
1861 As armas do meu adufe 1:22
1862 Alumia-me a candeia Adufe 0:42
1863 Alumia-me a candeia Adufe 0:42
1864 Flor de Murta raminho de Freixo Adufe 1:25
1865 Que tens tu Ó Juliana (D.Jorge) Voz feminina 2:52
1866 Viva lá minha senhora 2:09
1867 Viva lá minha senhora 0:45
1868 S. José se alevantou 1:27
1869 Venho-vos dar as Janeiras 0:50
1870 Fui ao S. João à Guarda 0:50
1871 Fui ao S. João à Guarda 0:51
1872 Varejai, varejadores Canção de trabalho 1:07
1873 Santo António dos Olivais 1:27
1874 Sachadeiras que sachais 1:27
1875 Nossa Senhora do Carmo 2:41
1876 Som de cava 2:09
1877 Santo António dos Olivais 0:54
1878 Sons de pássaros, galinhas e regato de água 1:44
1879 Sons de pássaros, galinhas e regato de água 1:03
1880 Santo António dos Olivais 2:30
1881 Fui ao S. João à Guarda
1882 Fui ao S. João à Guarda
1883 Quando é o vosso dia (Nossa Senhora doCarmo) 1:45
1884 Cuco 0:27
1885 Sachadeiras que sachais 1:17
1886 S. José desce cá abaixo 2:30
1887 Entrevista-Quinta da Várzea-Teixoso Gracinda de Matos Neves 0:41
1888 Cerie Elipson Coro misto 5:11
1889 Encomendações das Almas 2:31
1890 Encomendações das Almas 2:33
1891 Encomendações das Almas 2:29
1892 Flauta e tambor 5:22
1893 Flauta e tambor 1:07
1894 Flauta e tambor 1:06
1895 Flauta e tambor 1:39
1896 Flauta e tambor 1:57
1897 Flauta e tambor 1:09
1898 Flauta e tambor 1:34
1899 Flauta e tambor 0:53
1900 Flauta e tambor 1:29
1901 Flauta - Ó Senhor da Póvoa 0:56
1902 Flauta 0:58
1903 Flauta 0:38
1904 Flauta 1:03
1905 Palheta 1:05
1906 Palheta 1:14
1907 Flauta, tambor e pratos 3:00
1908 Flauta, tambor e pratos 2:04
1909 Flauta, tambor e pratos 1:31
1910 Flauta, tambor e pratos 3:18
1911 Flauta e tambor 1:51
1912 Santo como o S. João Coro misto 1:28
1913 Santo como o S. João 1:24
1914 Devotos fiéis cristãos 3:48
1915 Devotos fiéis cristãos 2:22
1916 De quem são as três camisas 2:15
1917 De quem são as três camisas 2:22
1918 Senhora Santa Luzia 3:20
1919 Toma lá colchete d'ouro Coro, castanholas, assobio 1:43
1920 O sete estrelas vai alto 2:23
1921 O sete estrelas vai alto 2:27
1922 A vinte e quatro de Junho Adufe 1:56
1923 A vinte e quatro de Junho Adufe 2:08
1924 Naquela relvinha verde Adufe 2:28
1925 Tantas almas já lá chamam 1:45
1926 Tantas almas já lá chamam 1:41
1927 Vós chamais-me farrapeira Adufe 1:25
1928 Ó minha farrapeirinha Adufe 1:03
1929 Ó entrudo, Ó entrudo (Moda da Zamburra) Ferrinhos, tambor, Zamburra 1:48
1930 Esta noita não é noite Ferrinhos, tambor, Zamburra 2:50
1931 Ai Ó Ladrão, Ladrão Ferrinhos, tambor, Zamburra 1:29
1932 Ó Rosa tu és a Lima (Jericó) 2:05
1933 O S. João é bom homem Ferrinhos e Adufe 1:20
1934 Ai Nossa Senhora das Neves Adufe 1:50
1935 Lá vai Jeremias 0:30
1936 Por cima se ceifa o pão 1:07
1937 As duas Excelências (As excelências da Virgem 0:54
1938 As duas Excelências (As excelências da Virgem 1:16
1939 Ó Almas Benditas 0:28
1940 As duas Excelências (As excelências da Virgem 1:17
1941 Ó Almas que estais dormindo 2:55
1942 Esta noita não é noite Adufe e Zamburra 2:59
1943 Ai eu hei-de ir ao S. João Adufe, Percursão, Zamburra 2:04
1944 Ai eu hei-de ir ao S. João Adufe, Percursão, Zamburra 0:57
1945 Ai eu hei-de ir ao S. João Adufe, Percursão, Zamburra 1:45
1946 Ai Ó ladrão,Ladrão Adufe, Percursão, Zamburra 1:16
1947 Nossa Senhora das Neves Adufe 2:29
1948 Por cima se ceifa o pão 1:42
1949 Entrevista em Malpique do Tejo Isabel Caldeira, Mª da conceição. 3:39
1950 Indo no primeiro passo 3:33
1951 Indo no primeiro passo 3:31
1952 Era meia noite 4:04
1953 Milho grosso, milho grosso 3:01
1954 A candeia por estar alta 1:14
1955 Ó meu bom Jesus Matraca 8:32
1956 Indo no primeiro passo 8:09
1957 A Senhora do Castelo Sinos, Adufe 1:46
1958 O meu coração é tanque Adufe 1:26
1959 Venho de marcelada Palmas,Acordeão 1:14
1960 Já não há, não há 0:55
1961 Oh és tão linda Adufe 0:53
1962 Raminho de Loureiro Adufe 0:30
1963 Debaixo da Laranjeira Adufe 1:15
segunda-feira, novembro 21, 2005
Ilustrador da Beira Interior premiado
João Vaz de Carvalho, vencedor da Bienal Internacional de Ilustração para a Infância 2005 e de Concursos nacionais, natural do Fundão, afirma-se como grande Ilustrador. Nem sempre se dá o devido valor a estes artistas gráficos, que com a sua arte valorizam e recriam textos e que hoe têm um papel decisivo no mercado livreiro. Como beirões, teremos que nos orgulhar do seu trabalho.
PÚBLICO - EDIÇÃO IMPRESSA - PÚBLICA
Director: José Manuel Fernandes
Directores-adjuntos: Nuno Pacheco e Manuel Carvalho
POL nº 5719 | Domingo, 20 de Novembro de 2005
É um pecado não partilhar o humor
Pintor há 20 anos, João Vaz de Carvalho venceu a Bienal Internacional de Ilustração para a Infância 2005, mas não acredita que se ilustre para as crianças. As diferenças que hoje encontra entre a pintura e a ilustração são apenas de escala e de suporte. E o que mais faz é ilustrar sem texto.
Subverter as ideias e as coisas, desmontá-las com humor, divertir-se e divertir é o que faz João Vaz de Carvalho quando desenha. "Se temos a felicidade de nos divertirmos e a capacidade de ter humor, é um pecado não usufruir disso. E partilhar." O vencedor da Bienal Internacional de Ilustração para a Infância 2005 (Ilustrarte) não acredita que se ilustre para as crianças. Ilustra-se, simplesmente: "Ou se tem a capacidade de se comunicar com elas ou não." E está convencido de que os miúdos, perante um desenho, não têm qualquer expectativa: "Uma criança não espera nada de uma ilustração. A criança recebe [algo], se aquilo tiver capacidade para chegar a ela."
Com raízes rurais, natural do Fundão, Beira Baixa, conta como a sua infância foi passada em quintais e quintas. "Absorvi aquele ambiente e aqueles objectos e só me dei conta disso muito tarde. Mas essa presença é muito forte no meu trabalho. E isso passa para as crinças. No momento em que eu recebi aquelas informações e emoções, eu era criança. Não posso dizer que é uma emoção universal, mas pelo menos posso dizer que é comum."
Objectos quotidianos a dançar na cabeça de bonecos narigudos e de pernas fininhas é uma das suas imagens recorrentes. E é fácil sorrir-se diante delas. "Se não se tratar de uma patologia, há dramas que só existem na cabeça das pessoas. Temos de descobrir o lado divertido e positivo das coisas. E rir."
Pintor autodidacta, tem 47 anos e importa da pintura a técnica que usa para ilustrar. Mas não foi sempre assim. "Eu tinha algum temor em transportar para a ilustração a minha linguagem da pintura. Achava que estava a diminuí-la. Ao mesmo tempo, na ilustração, não sentia ter liberdade para executar plenamente, para me pôr todo ali. Como dependia de outros, nunca tive coragem de a abordar com a mesma liberdade que abordo as minhas histórias."
Procurou então, durante algum tempo, criar uma distância entre a pintura e a ilustração, "na pintura havia um lado experimental mais presente e mais forte". Há quatro ou cinco anos, rompeu com isso. "Era uma estupidez completa." E percebeu: "O meu trabalho é aquele, independentemente de ter texto ou não de alguém. Sou eu. Tenho de me entregar por completo àquele trabalho, seja ele de raiz da minha autoria ou de outra pessoa qualquer." A viragem deu resultado.
Antes, quando se tratava de ilustração, desenhava a lápis e depois passava para ecoline (aguarela líquida) sobre papel. Uma técnica "mais rápida e com um resultado plástico diferente". Agora, passa a acrílico, como na pintura. "Foi um salto brutal, as coisas enriqueceram imenso." Sente-se hoje mais identificado com o que faz como autor de ilustrações do que antes. "É mais uma diferença de dimensão e de suporte do que de discurso. A ilustração é no papel e a pintura em tela."
No caso da Ilustrarte, apresentou inéditos. E explica que podiam ser perfeitamente trabalhos finais de telas suas, mas transportou-as para uma dimensão mais pequena e para o suporte papel. "Gosto das duas coisas (pintura, ilustração), mas na pintura há um desgaste maior. Na ilustração, o processo é mais pacífico, mais fácil, até do ponto de vista físico. A escala é outra, trabalha-se com estirador."
João Vaz de Carvalho teve várias experiências profissionais, trabalhou num estúdio de gravação e num atelier de escultura em Coimbra (do artista plástico Vasco Berardo), mas há 20 anos que se dedica exclusivamente às artes. "Foi um salto complicado, no escuro. Mas não me arrependo, faço o que gosto. O meu trabalho desde o início foi muito bem aceite pelas pessoas."
Tem um longo percurso de colaboração com galerias (Novo Século, Trema e Altamira, de Francisco Paulino) e conta com um público fiel, "alguns fãs na arquitectura e no design de interiores". E sempre que expõe, "quadros que podem ter 1x20m por 1x20m", vende as exposições completas.
A passagem para ilustração deu-se numa dessas mostras. A então directora da revista "Marie Claire", a jornalista Maria Elisa, achou a sua pintura muito ilustrativa e convidou-o para umas experiências naquela publicação. "Nunca mais parei. Agora tenho trabalhado com o "Diário de Notícias" e fiz, há pouco tempo, uma capa da revista "Actual" do "Expresso"."
Nestes trabalhos em que o ponto de partida é um texto de alguém, procura não se aprisionar ao que está escrito. "Há um processo de interiorização e de depuração, que leva algum tempo, fica depois o essencial. Mas procuro nunca me prender muito ao texto." Acredita que o papel do ilustrador é acrescentar alguma coisa às histórias, "mas algumas têm mais que ver connosco, entramos mais facilmente naquele espírito, comunicamos mais com aquele discurso, outras menos".
O pior de tudo é os autores darem sugestões e dizerem que "gostavam de ter uma coisa assim, para uma capa, por exemplo". Às vezes isso acontece, até com pessoas conhecidas: "É terrível porque ficamos limitados à partida, ficamos reféns do que o autor imaginou na cabeça dele. Coisa que nós nunca vamos conseguir atingir."
Mas, afinal, o que é ilustrar? "Ilustrar é fazer mais uma história, é inventar mais uma das minhas histórias, mesmo que tenha como suporte a ideia de outra pessoa."
Realça mais uma vez o lado humorístico forte no trabalho que cria e diz ilustrar-se a si próprio, pelo que qualquer semelhança entre ele e os seus bonecos não será pura coincidência. "Os pintores são ilustradores de si próprios e dos seus próprios mundos. Usam todos os recursos e dispõem de total liberdade. Eu ilustro sem texto. E divirto-me imenso."
Recorda uma expressão que o seu amigo escritor António Avelar Pinho (co-autor do Clube dos 4) criou para ele: "Um escritor mascarado de pintor." E justifica-a: "Eu pinto histórias, seja na pintura ou na ilustração. Só que na ilustração tenho as histórias dos outros e na pintura é a minha história."
É metódico e passa muitas horas fechado no atelier, na Parede, "sozinho, isolado, um bicho do mato". Esta rotina é interrompida para levar as filhas à escola (uma de dez anos e outra de oito) e, ao fim do dia, para a logística familiar. "As semanas repetem-se assim. A minha vida é a pintura e a ilustração."
Ser seleccionado pelo júri da bienal, como o foi há dois anos, bastava-lhe, mas ser escolhido como o melhor entre 920 trabalhos de 50 países deixou-o surpreendido e contente. "Já teve efeitos": foi contactado por editoras espanholas da área infanto-juvenil e está em negociações para alguns projectos. Além do reconhecimento nacional, agrada-lhe a visibilidade internacional que a Ilustrarte faculta, "afinal, o catálogo vai viajar pelo mundo". Os seus bonecos também.
PÚBLICO - EDIÇÃO IMPRESSA - PÚBLICA
Director: José Manuel Fernandes
Directores-adjuntos: Nuno Pacheco e Manuel Carvalho
POL nº 5719 | Domingo, 20 de Novembro de 2005
É um pecado não partilhar o humor
Pintor há 20 anos, João Vaz de Carvalho venceu a Bienal Internacional de Ilustração para a Infância 2005, mas não acredita que se ilustre para as crianças. As diferenças que hoje encontra entre a pintura e a ilustração são apenas de escala e de suporte. E o que mais faz é ilustrar sem texto.
Subverter as ideias e as coisas, desmontá-las com humor, divertir-se e divertir é o que faz João Vaz de Carvalho quando desenha. "Se temos a felicidade de nos divertirmos e a capacidade de ter humor, é um pecado não usufruir disso. E partilhar." O vencedor da Bienal Internacional de Ilustração para a Infância 2005 (Ilustrarte) não acredita que se ilustre para as crianças. Ilustra-se, simplesmente: "Ou se tem a capacidade de se comunicar com elas ou não." E está convencido de que os miúdos, perante um desenho, não têm qualquer expectativa: "Uma criança não espera nada de uma ilustração. A criança recebe [algo], se aquilo tiver capacidade para chegar a ela."
Com raízes rurais, natural do Fundão, Beira Baixa, conta como a sua infância foi passada em quintais e quintas. "Absorvi aquele ambiente e aqueles objectos e só me dei conta disso muito tarde. Mas essa presença é muito forte no meu trabalho. E isso passa para as crinças. No momento em que eu recebi aquelas informações e emoções, eu era criança. Não posso dizer que é uma emoção universal, mas pelo menos posso dizer que é comum."
Objectos quotidianos a dançar na cabeça de bonecos narigudos e de pernas fininhas é uma das suas imagens recorrentes. E é fácil sorrir-se diante delas. "Se não se tratar de uma patologia, há dramas que só existem na cabeça das pessoas. Temos de descobrir o lado divertido e positivo das coisas. E rir."
Pintor autodidacta, tem 47 anos e importa da pintura a técnica que usa para ilustrar. Mas não foi sempre assim. "Eu tinha algum temor em transportar para a ilustração a minha linguagem da pintura. Achava que estava a diminuí-la. Ao mesmo tempo, na ilustração, não sentia ter liberdade para executar plenamente, para me pôr todo ali. Como dependia de outros, nunca tive coragem de a abordar com a mesma liberdade que abordo as minhas histórias."
Procurou então, durante algum tempo, criar uma distância entre a pintura e a ilustração, "na pintura havia um lado experimental mais presente e mais forte". Há quatro ou cinco anos, rompeu com isso. "Era uma estupidez completa." E percebeu: "O meu trabalho é aquele, independentemente de ter texto ou não de alguém. Sou eu. Tenho de me entregar por completo àquele trabalho, seja ele de raiz da minha autoria ou de outra pessoa qualquer." A viragem deu resultado.
Antes, quando se tratava de ilustração, desenhava a lápis e depois passava para ecoline (aguarela líquida) sobre papel. Uma técnica "mais rápida e com um resultado plástico diferente". Agora, passa a acrílico, como na pintura. "Foi um salto brutal, as coisas enriqueceram imenso." Sente-se hoje mais identificado com o que faz como autor de ilustrações do que antes. "É mais uma diferença de dimensão e de suporte do que de discurso. A ilustração é no papel e a pintura em tela."
No caso da Ilustrarte, apresentou inéditos. E explica que podiam ser perfeitamente trabalhos finais de telas suas, mas transportou-as para uma dimensão mais pequena e para o suporte papel. "Gosto das duas coisas (pintura, ilustração), mas na pintura há um desgaste maior. Na ilustração, o processo é mais pacífico, mais fácil, até do ponto de vista físico. A escala é outra, trabalha-se com estirador."
João Vaz de Carvalho teve várias experiências profissionais, trabalhou num estúdio de gravação e num atelier de escultura em Coimbra (do artista plástico Vasco Berardo), mas há 20 anos que se dedica exclusivamente às artes. "Foi um salto complicado, no escuro. Mas não me arrependo, faço o que gosto. O meu trabalho desde o início foi muito bem aceite pelas pessoas."
Tem um longo percurso de colaboração com galerias (Novo Século, Trema e Altamira, de Francisco Paulino) e conta com um público fiel, "alguns fãs na arquitectura e no design de interiores". E sempre que expõe, "quadros que podem ter 1x20m por 1x20m", vende as exposições completas.
A passagem para ilustração deu-se numa dessas mostras. A então directora da revista "Marie Claire", a jornalista Maria Elisa, achou a sua pintura muito ilustrativa e convidou-o para umas experiências naquela publicação. "Nunca mais parei. Agora tenho trabalhado com o "Diário de Notícias" e fiz, há pouco tempo, uma capa da revista "Actual" do "Expresso"."
Nestes trabalhos em que o ponto de partida é um texto de alguém, procura não se aprisionar ao que está escrito. "Há um processo de interiorização e de depuração, que leva algum tempo, fica depois o essencial. Mas procuro nunca me prender muito ao texto." Acredita que o papel do ilustrador é acrescentar alguma coisa às histórias, "mas algumas têm mais que ver connosco, entramos mais facilmente naquele espírito, comunicamos mais com aquele discurso, outras menos".
O pior de tudo é os autores darem sugestões e dizerem que "gostavam de ter uma coisa assim, para uma capa, por exemplo". Às vezes isso acontece, até com pessoas conhecidas: "É terrível porque ficamos limitados à partida, ficamos reféns do que o autor imaginou na cabeça dele. Coisa que nós nunca vamos conseguir atingir."
Mas, afinal, o que é ilustrar? "Ilustrar é fazer mais uma história, é inventar mais uma das minhas histórias, mesmo que tenha como suporte a ideia de outra pessoa."
Realça mais uma vez o lado humorístico forte no trabalho que cria e diz ilustrar-se a si próprio, pelo que qualquer semelhança entre ele e os seus bonecos não será pura coincidência. "Os pintores são ilustradores de si próprios e dos seus próprios mundos. Usam todos os recursos e dispõem de total liberdade. Eu ilustro sem texto. E divirto-me imenso."
Recorda uma expressão que o seu amigo escritor António Avelar Pinho (co-autor do Clube dos 4) criou para ele: "Um escritor mascarado de pintor." E justifica-a: "Eu pinto histórias, seja na pintura ou na ilustração. Só que na ilustração tenho as histórias dos outros e na pintura é a minha história."
É metódico e passa muitas horas fechado no atelier, na Parede, "sozinho, isolado, um bicho do mato". Esta rotina é interrompida para levar as filhas à escola (uma de dez anos e outra de oito) e, ao fim do dia, para a logística familiar. "As semanas repetem-se assim. A minha vida é a pintura e a ilustração."
Ser seleccionado pelo júri da bienal, como o foi há dois anos, bastava-lhe, mas ser escolhido como o melhor entre 920 trabalhos de 50 países deixou-o surpreendido e contente. "Já teve efeitos": foi contactado por editoras espanholas da área infanto-juvenil e está em negociações para alguns projectos. Além do reconhecimento nacional, agrada-lhe a visibilidade internacional que a Ilustrarte faculta, "afinal, o catálogo vai viajar pelo mundo". Os seus bonecos também.
sexta-feira, novembro 11, 2005
As SCUTS Pagam-se a si próprias
João Cravinho, hoje na AR, no decurso da discussão do OE, divulgou conclusões insertas num estudo completo, sério, exigente, rigoroso, entre as quais a de que as mesmas não são um encargo para a OE, porque se pagam a si próprias. O emprego criado, a dinamização de actividades económicas, resultantes da criação de SCUTS, geram receitas fiscais que cobrem e ultrapassam os custos.
Esperamos que o "baixinho" reconsidere o que tem vindo a dizer, pedindo o fim das SCUTS e o pagamento de portagens, em todas elas. Também, as afirmações do MOP, de que se estuda o início de portagem em SCUTS, a partir de 2006, deve ficar congelada, para sempre. A Beira Interior, em particular, deve lutar para que a A23, esteja liberta de portagem, para bem das populações que serve e do desenvolvimento do País.
Esperamos que o "baixinho" reconsidere o que tem vindo a dizer, pedindo o fim das SCUTS e o pagamento de portagens, em todas elas. Também, as afirmações do MOP, de que se estuda o início de portagem em SCUTS, a partir de 2006, deve ficar congelada, para sempre. A Beira Interior, em particular, deve lutar para que a A23, esteja liberta de portagem, para bem das populações que serve e do desenvolvimento do País.
terça-feira, novembro 08, 2005
Publicidade da ADESGAR na Gardunha


A Adesgar distribuiu publicidade pela Gardunha, paga pelos contribuintes, ao que suponho, em que o ponto forte da mensagem, para mim, é publicitar um serviço comercializado pela mesma, a medição de terrenos por GPS(a pagar pelos proprietários de terrenos. A Adesgar, em programas comunitários anteriores, benificiou de financiamentos, que se traduziram, quase que exclusivamente pela identificação, divulgação e criação de condiçóes de reserva do Asphodelus Bento Rainha. Agora, aproveitando a política de florestação em curso, preparam-se para retirar aos proprietários, uma percentagem do financiamento a que terão direito, para promoverem a florestação. Estiveram em "banho maria", quando se esgotou a primeira fatia de financiamento da UE, reapareceram quando o "cheiro" a dinheiro comunitário começou a pairar no ar. Se consultarem o seu site, fruto do primeiro financiamento, concluirão que o trabalho ficou por concluir, com inúmeras lacunas. Agora, já conseguiram novos financiamentos, que se traduziram por mais publicidade, mapas e identificações no terreno, que acabarão por se perder, ou em próximos incêndios ou com o decurso do tempo, por falta de manutenção e assistência. É assim que se vão queimando os financiamentos comunitários, acabando por ficar as populações mais empobrecidas e alguns promotores com as contas bancárias inchadas, com a nossa complacência e inércia.
Vinhos Jardim do Paço



Tive oportunidade de adquirir, no último fim de semana, no Jumbo de Castelo Branco, um vinho da Beira Interior que desconhecia. No Rótulo apresenta adesignação de Jardim do Paço. Na descrição não se vislumbra qualquer ligação entre o vinho, a marca e o rótulo. Trata-se, parece-me, de um engano, que provavelmente acabará por desfavorecer as marcas, a utilização de rótulos e de designações que não têm qualquer ligação com o produto ou com a história do produto. Ainda por cima o vinho da Beira Interior é engarrafado no Ribatejo, não sendo criada, pelo menos, a mais valia do engarrafamento, na nossa Beira. Recomenda-se que, enquanto não forem feitas certas correcções, os beirões prescindam do consumo desta nova proposta comercial. Tem uma virtude, indica claramente o enólogo, de todo desconhecido e a indicação da casta predominante. Fica-se sem saber o local exacto da produção, as técnicas de vinificação, o armazenamento e estágio do vinho.
sábado, outubro 29, 2005
A Economia na Beira Interior: maleitas e remédios
Já leram os dois artigos do Professor José Ramos Pires Manso, publicados no Diário XXI?. É que trata-se do Presidente do Observatório de Desenvolvimento Económico e Social, sediado na UBI e deve merecer toda a nossa atenção. Comecem, é só uma sugestão, por verificar as entradas que o Google nos dá para o referido observatório e depois procurem, relatórios, boletins ou outras fontes informativas, com origem no observatório e depois continuem... sempre numa perspectiva crítica......
sexta-feira, outubro 28, 2005
Vinhos da Beira Interior
João Paulo Martins, na Dom Quixote, acaba de editar, Vinhos de Portugal 2006-Notas de Prova, citando e notando alguns vinhos da Beira Interior. Refere os vinhos seguintes: "Martins, João Paulo (2005), VINHOS DE PORTUGAL 2006, Dom Quixote, Lisboa
Vinhos Aceitáveis da Beira Interior
Cova da Beira branco 2004 (Coop. Fundão)
Cova da Beira tinto 2003 (idem)
Entre Serras tinto 2004
Piornos rosé 2004
Praça Velha tinto 2002
Qta. dos Termos tinto Touriga Nacional Reserva 2003
Almeida Garrett
2003 branco Chardonnay
*** 6
Prova de 2005. 0 aroma apresenta-se inicialmente pouco expressivo da casta, mas, com o tempo no copo, lá estão as notas de talo de couve, a ligeira percepção de maçã verde e madeira, tudo em dose certa, já que foi esse o efeito do tempo que o vinho já leva de vida. Muito bem no equilíbrio da boca, vê-se que está a chegar ao patamar da estabilidade e, por isso, é mesmo agora que deve ser bebido. Peixes de alguma gordura feitos em molho de manteiga poderão ser bons companheiros.
2003 tinto Colh. Selecc.
***5
Prova de 2005. Cor viva mas pouco concentrada, aroma com boas notas de fruta madura e sugestões de madeira, tudo num registo de médio impacto, dizendo-nos que é passível de ser consumido novo. De médio porte na boca, tem bons aromas e uma estrutura capaz de o fazer aguentar com um borra prato de Outono. Beba-o agora, que está no ponto.
2003 tinto Touriga Nacional
****5/6
Prova de 2005. Muito bem nos aromas à casta, boa presença das notas florais, tudo com bom perfil, muito limpo e agradável. Na boca pressentem-se taninos ainda vivos, a dizer-nos que não haverá pressa em bebê-lo. É um bom Touriga sem atingir o estrelato.
2001 tinto
***5
Prova de 2005. Feito de Touriga Nacional e Tinta Roriz e com 6 meses de estágio em barrica. Está aqui um tinto bera desenhado, já moldado pelo tempo que o amaciou e lhe poliu as arestas. Na boca é rima fruta madura e já suave que nos enche e, palato, com breves mas correctas notas de madeira. Beba-o agora, que atingiu o zénite.
Soc. Agric. do Seira (SABE]
R. D. Maria Rosália Tavares Proença, 16
6200-759 Tortosendo Tel. 275-951217
E-mail: sobesa@ mail.telepac.pt
Enólogo.' Consulvinus/João Parry Vidal
Piornos
2003 tinto Jaen
***5
Prova de 2005, em amostra. Razoável concentração, aroma com boas notas de fruta, ainda que um bocado escondidas. Tudo está com alguma finura, mas também sem concentração. Melhor na boca, mais afirmativo e a pedir para ser bebido novo, mas, a ver pela (ainda) presença da colheita anterior, não restam grandes esperanças.
2002 tinto Jaen
***5
Provado de novo em 2005. Tal como tínhamos vaticinado, um ano de garrafa fez-lhe bem, o vinho ganhou em arredondamento, ficou todo ele mais harmonioso e com uma prova de boca mais facilitada pelo amadurecimento dos taninos. 0 conjunto, que adquiriu ligeiros tons mentolados, chegou agora ao seu melhor. Sirva-se.
2002 tinto Reserva
*** 4/5
Prova de 2005. Aroma algo rústico e tradicional, sem exuberância de fruta ou presença de madeira, antes destacando notas vegetais, casca de árvore e algum musgo. Boca algo simples, a que falta algum corpo e mais complexidade, inclusivamente para que o atributo de Reserva fosse mais evidente. Beba-se novo.
2003 tinto Trincadeira
***4/5
Prova de 2005, em amostra. Ligeira presença de notas florais no aroma, associadas a sugestões de madeira. De médio porte na boca, mostra taninos ainda bem presentes, a dizer que precisa de algum tempo de descanso em cave.
2002 tinto Trincadeira
*** 4/5
Provado de novo em 2005. Está a evoluir bem (dentro das limitações que já aqui tínhamos apontado no ano anterior), a casta não é muito expressiva, mas dá agora uma boa prova de boca. Falta-lhe estrutura, mas isso não se adquire com o tempo. Beba-o agora.
COLHEITA DO SÓCIO
2004 branco Reserva
*** 4/5
Provado em amostra, Feito com Síria, Arinto do Dão e Fonte Cal, fermentou em barricas novas. Parece menos expressivo que na edição anterior, a madeira não é evidente e os aromas das castas são pouco entusiasmantes. Na boca dá uma prova correcta, com acidez no ponto adequado, com alguma vivacidade. É um esforço de renovação que se aplaude, mas o desenho do vinho ainda está em construção.
2003 tinto Garrafeira
***4/5
Provado em 2005, em amostra. Mediano na concentração da cor, de aroma algo difuso, onde é difícil detectar castas, apresenta algumas notas de madeira nova, mas tudo sem concentração. Na boca dá a mesma sensação de ausência de grandes virtudes. Como é que daqui se pretende fazer um garrafeira é que não se percebe.
Adega Coop. Covilhã
Oto. dos Poldros
6200-165 Covilhã
Tel. 275-330750
E-maíl: adega.c.covilha@mail.telepac.pt
Enólogo: Nuno Galeão
Praça Velha
2000 tinto Garrafeira
*** 5
Prova de 2005. Menos expressivo no aroma que em edições anteriores, está um vinho tranquilo, pouco concentrado, com evidência de notas vegetais que na boca se confirmam, aliadas a um corpo ligeiro e com taninos um pouco espigados. Poderá melhorar (amaciar) em cave, mas não espere milagres.
ALPEDRINHA
2002 tinto
*** 4/5
Provado de novo em 2005. 0 contra-rótulo conta-nos a história do cardeal ele Alpedrinha, mas fica-se sem se perceber a que propósito essa história é aqui contada. Um pouco evoluído no estilo com os aromas a caminharem um pouco para o rebuçado, está um tinto tranquilo e pouco encorpado. Na boca confirma-se como um tinto acessível e pronto a ser consumido, sem arestas.
FUNDANUS PRESTIGE
Nota: provámos a nova edição de 2002 deste vinho, mas, como se tratava de uma amostra e já estava recolhida há muito tempo, o vinho não se apresentava nas melhores condições, com o aroma reduzido. Assim sendo, entendemos preferível não o classificar. No próximo ano, já engarrafado será então analisado.
2001 tinto Aragonês/Jaen
****5/6
Prova de 2004. Trata-se de um novo vinho da cooperativa, de nome algo infeliz. O vinho, esse, é mais feliz, tem bons aromas de fruta madura e aqui o casamento com a madeira dá bom resultado. Na prova de boca confirma-se uni perfil de boa fruta, com taninos ainda um pouco presentes mas com um estilo bem agradável. Com estes taninos, não receará o tempo em cave.
Adega Coop, Fundão -Vale de Canas - Apart. 19- 6234-909 Fundão
Tel. 275-752275
E-mail: geral@adegafundao.com Enólogo: António Saramago
Qta. do Cardo
Nesta região acabaram os varietais tintos. Mantém-se o branco Síria, um sucesso muito inesperado junto do mercado.
2004 branco
**5
Em relação à colheita anterior este 'branco mostra menos delicadeza aromática:
apresenta-se um pouco mais discreto e de fruta escondida. Na boca, ao contrário, traz-nos uma belíssima acidez, muito bem proporcionada, com uma fruta delicada a surgir e a marcar o final.
2004 branco Síria
**5/6
A cor parece mais carregada do que o habitual, o aroma é intenso e tem alguma personalidade, todo ele virado para as notas florais e vegetais. Sem fruta, embora com uma nota de casca de laranja, revela-se com carácter. Belo corpo na boca, onde uma acidez elevada não perturba em nada a boa prova. É urra branco muito original que merece ser conhecido.
2003 tinto
*** 14/5
Prova de 2005. Aroma vivo com abundantes notas de fruta, tudo simples e agradável num vinho discreto mas afirmativo. Macio e fácil na boca, apresenta-se em boa forma para ser consumido no quotidiano.
2002 tinto Colh. Selecc.
**** 5/6
Prova de 2005. Um pouco escuro no aroma, a fruta não de descortina desde já, mas sugere também que o que está escondido é de boa qualidade. Mais explícito na boca, com taninos afinados e corpo mediano, é um tinto que pode ser bebido agora, mas que merece que algumas garrafas sejam guardadas mais um ano para ver o que acontece. Outras boas colheitas anteriores: 2000 Colheita Seleccionada."
Não são referidos a Quinta dos Currais, sendo esta uma grande lacuna, por se tratar de vinhos muito bem trabalhados e que certamente mereceriam uma notação suprior à que é atribuída a outros vinhos.
Poderemos concluir que se tem ido no bom caminho e que hoe poderemos oferecer na Restauração Regional Vinhos de excelente qualidade, produzidos na região.
Vinhos Aceitáveis da Beira Interior
Cova da Beira branco 2004 (Coop. Fundão)
Cova da Beira tinto 2003 (idem)
Entre Serras tinto 2004
Piornos rosé 2004
Praça Velha tinto 2002
Qta. dos Termos tinto Touriga Nacional Reserva 2003
Almeida Garrett
2003 branco Chardonnay
*** 6
Prova de 2005. 0 aroma apresenta-se inicialmente pouco expressivo da casta, mas, com o tempo no copo, lá estão as notas de talo de couve, a ligeira percepção de maçã verde e madeira, tudo em dose certa, já que foi esse o efeito do tempo que o vinho já leva de vida. Muito bem no equilíbrio da boca, vê-se que está a chegar ao patamar da estabilidade e, por isso, é mesmo agora que deve ser bebido. Peixes de alguma gordura feitos em molho de manteiga poderão ser bons companheiros.
2003 tinto Colh. Selecc.
***5
Prova de 2005. Cor viva mas pouco concentrada, aroma com boas notas de fruta madura e sugestões de madeira, tudo num registo de médio impacto, dizendo-nos que é passível de ser consumido novo. De médio porte na boca, tem bons aromas e uma estrutura capaz de o fazer aguentar com um borra prato de Outono. Beba-o agora, que está no ponto.
2003 tinto Touriga Nacional
****5/6
Prova de 2005. Muito bem nos aromas à casta, boa presença das notas florais, tudo com bom perfil, muito limpo e agradável. Na boca pressentem-se taninos ainda vivos, a dizer-nos que não haverá pressa em bebê-lo. É um bom Touriga sem atingir o estrelato.
2001 tinto
***5
Prova de 2005. Feito de Touriga Nacional e Tinta Roriz e com 6 meses de estágio em barrica. Está aqui um tinto bera desenhado, já moldado pelo tempo que o amaciou e lhe poliu as arestas. Na boca é rima fruta madura e já suave que nos enche e, palato, com breves mas correctas notas de madeira. Beba-o agora, que atingiu o zénite.
Soc. Agric. do Seira (SABE]
R. D. Maria Rosália Tavares Proença, 16
6200-759 Tortosendo Tel. 275-951217
E-mail: sobesa@ mail.telepac.pt
Enólogo.' Consulvinus/João Parry Vidal
Piornos
2003 tinto Jaen
***5
Prova de 2005, em amostra. Razoável concentração, aroma com boas notas de fruta, ainda que um bocado escondidas. Tudo está com alguma finura, mas também sem concentração. Melhor na boca, mais afirmativo e a pedir para ser bebido novo, mas, a ver pela (ainda) presença da colheita anterior, não restam grandes esperanças.
2002 tinto Jaen
***5
Provado de novo em 2005. Tal como tínhamos vaticinado, um ano de garrafa fez-lhe bem, o vinho ganhou em arredondamento, ficou todo ele mais harmonioso e com uma prova de boca mais facilitada pelo amadurecimento dos taninos. 0 conjunto, que adquiriu ligeiros tons mentolados, chegou agora ao seu melhor. Sirva-se.
2002 tinto Reserva
*** 4/5
Prova de 2005. Aroma algo rústico e tradicional, sem exuberância de fruta ou presença de madeira, antes destacando notas vegetais, casca de árvore e algum musgo. Boca algo simples, a que falta algum corpo e mais complexidade, inclusivamente para que o atributo de Reserva fosse mais evidente. Beba-se novo.
2003 tinto Trincadeira
***4/5
Prova de 2005, em amostra. Ligeira presença de notas florais no aroma, associadas a sugestões de madeira. De médio porte na boca, mostra taninos ainda bem presentes, a dizer que precisa de algum tempo de descanso em cave.
2002 tinto Trincadeira
*** 4/5
Provado de novo em 2005. Está a evoluir bem (dentro das limitações que já aqui tínhamos apontado no ano anterior), a casta não é muito expressiva, mas dá agora uma boa prova de boca. Falta-lhe estrutura, mas isso não se adquire com o tempo. Beba-o agora.
COLHEITA DO SÓCIO
2004 branco Reserva
*** 4/5
Provado em amostra, Feito com Síria, Arinto do Dão e Fonte Cal, fermentou em barricas novas. Parece menos expressivo que na edição anterior, a madeira não é evidente e os aromas das castas são pouco entusiasmantes. Na boca dá uma prova correcta, com acidez no ponto adequado, com alguma vivacidade. É um esforço de renovação que se aplaude, mas o desenho do vinho ainda está em construção.
2003 tinto Garrafeira
***4/5
Provado em 2005, em amostra. Mediano na concentração da cor, de aroma algo difuso, onde é difícil detectar castas, apresenta algumas notas de madeira nova, mas tudo sem concentração. Na boca dá a mesma sensação de ausência de grandes virtudes. Como é que daqui se pretende fazer um garrafeira é que não se percebe.
Adega Coop. Covilhã
Oto. dos Poldros
6200-165 Covilhã
Tel. 275-330750
E-maíl: adega.c.covilha@mail.telepac.pt
Enólogo: Nuno Galeão
Praça Velha
2000 tinto Garrafeira
*** 5
Prova de 2005. Menos expressivo no aroma que em edições anteriores, está um vinho tranquilo, pouco concentrado, com evidência de notas vegetais que na boca se confirmam, aliadas a um corpo ligeiro e com taninos um pouco espigados. Poderá melhorar (amaciar) em cave, mas não espere milagres.
ALPEDRINHA
2002 tinto
*** 4/5
Provado de novo em 2005. 0 contra-rótulo conta-nos a história do cardeal ele Alpedrinha, mas fica-se sem se perceber a que propósito essa história é aqui contada. Um pouco evoluído no estilo com os aromas a caminharem um pouco para o rebuçado, está um tinto tranquilo e pouco encorpado. Na boca confirma-se como um tinto acessível e pronto a ser consumido, sem arestas.
FUNDANUS PRESTIGE
Nota: provámos a nova edição de 2002 deste vinho, mas, como se tratava de uma amostra e já estava recolhida há muito tempo, o vinho não se apresentava nas melhores condições, com o aroma reduzido. Assim sendo, entendemos preferível não o classificar. No próximo ano, já engarrafado será então analisado.
2001 tinto Aragonês/Jaen
****5/6
Prova de 2004. Trata-se de um novo vinho da cooperativa, de nome algo infeliz. O vinho, esse, é mais feliz, tem bons aromas de fruta madura e aqui o casamento com a madeira dá bom resultado. Na prova de boca confirma-se uni perfil de boa fruta, com taninos ainda um pouco presentes mas com um estilo bem agradável. Com estes taninos, não receará o tempo em cave.
Adega Coop, Fundão -Vale de Canas - Apart. 19- 6234-909 Fundão
Tel. 275-752275
E-mail: geral@adegafundao.com Enólogo: António Saramago
Qta. do Cardo
Nesta região acabaram os varietais tintos. Mantém-se o branco Síria, um sucesso muito inesperado junto do mercado.
2004 branco
**5
Em relação à colheita anterior este 'branco mostra menos delicadeza aromática:
apresenta-se um pouco mais discreto e de fruta escondida. Na boca, ao contrário, traz-nos uma belíssima acidez, muito bem proporcionada, com uma fruta delicada a surgir e a marcar o final.
2004 branco Síria
**5/6
A cor parece mais carregada do que o habitual, o aroma é intenso e tem alguma personalidade, todo ele virado para as notas florais e vegetais. Sem fruta, embora com uma nota de casca de laranja, revela-se com carácter. Belo corpo na boca, onde uma acidez elevada não perturba em nada a boa prova. É urra branco muito original que merece ser conhecido.
2003 tinto
*** 14/5
Prova de 2005. Aroma vivo com abundantes notas de fruta, tudo simples e agradável num vinho discreto mas afirmativo. Macio e fácil na boca, apresenta-se em boa forma para ser consumido no quotidiano.
2002 tinto Colh. Selecc.
**** 5/6
Prova de 2005. Um pouco escuro no aroma, a fruta não de descortina desde já, mas sugere também que o que está escondido é de boa qualidade. Mais explícito na boca, com taninos afinados e corpo mediano, é um tinto que pode ser bebido agora, mas que merece que algumas garrafas sejam guardadas mais um ano para ver o que acontece. Outras boas colheitas anteriores: 2000 Colheita Seleccionada."
Não são referidos a Quinta dos Currais, sendo esta uma grande lacuna, por se tratar de vinhos muito bem trabalhados e que certamente mereceriam uma notação suprior à que é atribuída a outros vinhos.
Poderemos concluir que se tem ido no bom caminho e que hoe poderemos oferecer na Restauração Regional Vinhos de excelente qualidade, produzidos na região.
quarta-feira, outubro 26, 2005
A Economia na Beira Interior
O Diário XXI iniciou hoje (http://www.diarioxxi.com/?lop=artigo&op=a5771bce93e200c36f7cd9dfd0e5deaa&id=aca9d4f91ffc53d164e7a3242653879e) e termina amanhã http://www.diarioxxi.com/?lop=artigo&op=a5771bce93e200c36f7cd9dfd0e5deaa&id=646b02e11133e257d571ffee126712ec um conjunto de dois artigos sobre a Economia da Beira Interior, da autoria de um professor catedrático da UBI, que merece toda a atenção critica, pelo que escreve e pelo que ficou por escrever. Depois da leitura dos dois artigos procurarei comentar o seu conteúdo.
domingo, outubro 23, 2005
Escola Secundária E B 2/3 Pedro Álvares Cabral de Belmonte, com melhorias significativas
O Concelho de Belmonte obteve a melhor média, de acordo com o Público, concelhia nos exames de 12º Ano. Os alunos realizaram 142 provas e no conjunto das oito disciplinas consideradas por este Jornal obtiveram o resultado d 12,2. Mas, mais notável ainda, a escola subiui 551 lugares, relativamente ao ano anterior. No ano anterior a média a Matemática foi de 5,2 e este ano duplicou para 10,4. Em parte do ano foi colocado na Sala de aula mais um professor, com a função de auxiliar o professor titular. Excelente experiência, com óptimos resultados. Segundo a classificação do Públicoesta escola, nos exames de 2005, subiu para a 37ª posição, partindo do 551 lugar, no ano lectivo anterior.
Se esta escola conseguiu, que as outras escolas do Distrito de Castelo lhe sigam o exemplo.
Se esta escola conseguiu, que as outras escolas do Distrito de Castelo lhe sigam o exemplo.
sábado, outubro 22, 2005
Posição das Escolas da BB na ordenação nacional
Mais uma vez temos oportunidade de conhecer os resultados nos exames nacionais de 12º Ano, obtidos pelos alunos das várias escolas. Infelizmente constatamos que os resultados obtidos em várias escolas do Distrito de Castelo Branco, mesmo as mais conceituadas, são indiciadores de que não estamos a preparar convenientemente o futuro. Com os resultados escolares obtidos não é possível progredirmos no caminho de uma sociedade do conhecimento. Há várias escolas nas últimas posições das piores 50 escolas, nos exames em várias disciplinas. Não há nenhuma nas 50 melhores escolas, nos exames por disciplina, nem mesmo em Castelo Branco ou Covilhã, centros universitários,que deveriam ser estimulos para a obtenção de melhores resultados.
domingo, outubro 09, 2005
Caracterização Geral da Agricultura
O Engº Luís Correia Mira, apresentou na reunião do OEFP, realizada em Castelo Branco uma caracterização Geral da Agricultura, que importa conhecer, para compreendermos o cenário que envolve a nossa Agricultura:
"ENQUADRAMENTO E QUESTÕES FUNDAMENTAIS
ENG. Luís CORREIA MIRA
O sector agrícola português é constituído em 85% dos casos por explorações com menos de 5 hectares em que 55% dos agricultores têm mais de 60 anos e apenas 7% tem menos de 40 anos. A nível habilitacional, cerca de 20% das pessoas deste sector é analfabeta. Perante este cenário, constata-se a necessidade premente de formação no sector agrícola.
Por outro lado, o sector agrícola precisa, urgentemente, de investigação. Neste momento, este é um dos dramas do sector, dado que sem investigação não é possível ser-se competitivo. A título de exemplo, refira-se o caso do subsector da cortiça, relativamente ao qual somos o primeiro produtor a nível mundial, apesar de, até ao momento, não possuirmos, a nível nacional, uma única máquina de apanha de cortiça. Situações semelhantes são também vividas por outros subsectores, pelo que, frequentemente, se constata o recurso a investigações realizadas por outros países.
Na União Europeia, o peso do sector agrícola no PIB representa apenas meio por cento e é ainda alvo de proteccionismo que tem vindo a diminuir com a evolução da PAC. O proteccionismo prejudica os outros países, sobretudo os menos desenvolvidos, todavia, é necessário algum nível de protecção para que a agricultura europeia possa competir com os outros, designadamente nos produtos básicos como o leite e os cereais.
Presentemente, colocam-se igualmente outras questões," em especial no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC), que se prendem por exemplo com o facto do Brasil ser um dos maiores importadores e consumidores de produtos agrícolas, e igualmente um grande exportador, e, nessa medida, um dos países mais apetecíveis para negociar, prevendo-se no final deste ano uma nova ronda de negociações a este nível."
"ENQUADRAMENTO E QUESTÕES FUNDAMENTAIS
ENG. Luís CORREIA MIRA
O sector agrícola português é constituído em 85% dos casos por explorações com menos de 5 hectares em que 55% dos agricultores têm mais de 60 anos e apenas 7% tem menos de 40 anos. A nível habilitacional, cerca de 20% das pessoas deste sector é analfabeta. Perante este cenário, constata-se a necessidade premente de formação no sector agrícola.
Por outro lado, o sector agrícola precisa, urgentemente, de investigação. Neste momento, este é um dos dramas do sector, dado que sem investigação não é possível ser-se competitivo. A título de exemplo, refira-se o caso do subsector da cortiça, relativamente ao qual somos o primeiro produtor a nível mundial, apesar de, até ao momento, não possuirmos, a nível nacional, uma única máquina de apanha de cortiça. Situações semelhantes são também vividas por outros subsectores, pelo que, frequentemente, se constata o recurso a investigações realizadas por outros países.
Na União Europeia, o peso do sector agrícola no PIB representa apenas meio por cento e é ainda alvo de proteccionismo que tem vindo a diminuir com a evolução da PAC. O proteccionismo prejudica os outros países, sobretudo os menos desenvolvidos, todavia, é necessário algum nível de protecção para que a agricultura europeia possa competir com os outros, designadamente nos produtos básicos como o leite e os cereais.
Presentemente, colocam-se igualmente outras questões," em especial no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC), que se prendem por exemplo com o facto do Brasil ser um dos maiores importadores e consumidores de produtos agrícolas, e igualmente um grande exportador, e, nessa medida, um dos países mais apetecíveis para negociar, prevendo-se no final deste ano uma nova ronda de negociações a este nível."
sexta-feira, outubro 07, 2005
ICONOFÓSSEIS de Penha Garcia
Mais uma excelente divulgação da RAIA, embora não cite as fontes originais da informação.....
"ICNOFÓSSEIS DO VALE DO PONSUL, EM PENHA GARCIA
texto e fotografias
de Jorge Manuel Costa; infografia de Ana Cardoso
Exposição a céu aberto ou puzzle a quatro dimensões? São várias as perspectivas com que os cientistas encaram o comportamento dos pequenos seres que há milhões de anos viveram no vale do Pônsul. Relato de uma viagem pela Rota dos Fósseis, em busca das trilobites de Penha Garcia.
Fazer-se ao trilho assim que o sol se espraia no horizonte logo pela manhã é a melhor forma de embarcar na Rota dos Fósseis, um percurso de três quilómetros que atravessa todo o vale do Pônsul, em Penha Garcia. O arranque fazse no centro da povoação, subindo até ao alto do castelo, onde se obtém a primeira panorâmica das arribas que envolvem o rio. A partir daqui embarcamos numa viagem no tempo, recuando alguns milhões de anos. A grande dobra em ferradura que irrompe em Aranhas (Penamacor) e se prolonga para lá do rio Erges é o que resta de uma colisão continental que há mais de 300 milhões de anos ergueu estas estruturas sedimentares, formando uma cordilheira montanhosa que «levantou» grande parte do território português. As rochas preservadas no seu interior gozam de uma particularidade especial: são ricas em icnofósseis.
Ao contrário dos fósseis, que resultam da fossilização de animais ou plantas, estes são apenas registos do comportamento dos pequenos seres que habitaram esta região, e que hoje repousam nas fragas de xisto e nos afloramentos de quartzito das vertentes do canhão fluvial de Penha Garcia. Algo que tem chamado a atenção de cientistas nacionais e estrangeiros, como o alemão Adolf Seilacher, um dos mais prestigiados paleontólogos do mundo, e que em 2002 esteve pela primeira vez no local para estudar os vestígios de trilobites. Surpreendido pela riqueza dos acha-
RAIA 36
dos, este acabou por acrescentar novos moldes à sua exposição itinerante "Arte Fóssil", que entre Fevereiro e Maio foi visitada por mais de 3500 pessoas no Centro Cultural Raiano, em Idanha-a-Nova. «O uso de moldes é mais prático e contém toda a informação, enquanto que o original fica no campo», esclarece o cientista, lembrando a facilidade em transportar as cópias, que mais tarde podem ser estudadas, inclusive por leigos. «A natureza tem formas interessantes que cada um pode desfrutar sem saber nada de ciência». Combinar a geologia com a arqueologia ou a história, apostando em força no turismo, é agora o objectivo das autoridades locais, cuja prioridade é a criação do primeiro geoparque português. «Pretendemos despertar o interesse do público para este tipo de estruturas e ter na região investigadores que possam utilizar esta informação científica», refere Carlos Neto de Carvalho, geólogo da Universidade de Lisboa e responsável pelas estratégias de inventariação, protecção e promoção deste património. A ser aprovado pela UNESCO, o Geoparque da Meseta Meridional, cuja candidatura deverá ser entregue em breve à Rede Europeia de Geoparques, marcará o arranque de vários projectos ligados ao geoturismo e a implantar nos seis concelhos da Naturtejo (Castelo Branco, Idanha-aNova, Nisa, Oleiros, Proença-a-Nova e Vila Velha de Ródão), criando para já 22 postos de trabalho. «Estamos a ultimar a parte da promoção, seguindo-se a compilação de dados para terminar o dossiê».
O plano integra uma rede de percursos geológicos como a rota da água (Termas de Monfortinho e da Fadagosa) e a criação de
pólos museológicos (coutos mineiros de Salvaterra do Extremo, Segura e Rosmaninhal), de investigação geológica (Monforte da Beira), geomorfológicos (Monsanto) e paleontológicos (Penha Garcia). «Em termos de registo fóssil, o paleozóico português é dos melhores ao nível europeu. E é importante que exista um museu temático que realce esta importância», conclui Carlos Neto de Carvalho. Prevista está também a abertura do Museu do Urânio (Nisa), bem como a classificação das morfologias graníticas da Serra da Gardunha, do tronco fóssil de Perais e das portas de Vale Mourão e de Ródão. O Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR) já classificou 70 monumentos como património arqueológico e arquitectónico, tendo sido identificados na zona do futuro monumento natural nacional das Portas de Ródão 29 locais de interesse geológico, entre eles o Conhal do Arneiro, uma extensa escombreira resultante da extracção de ouro no período romano.
Já sem os garimpeiros colados ao leito do rio ou os moinhos fabricando farinha, as trilobites são agora a esperança para que o Pônsul volte a ter vida. Estes artrópodes marinhos com 480 milhões de anos (época em que a região era um vasto mar de águas pouco profundas, situado sobre o equador) e extintos há 250, haviam já sido investigados em 1883 por Nerry Delgado, pioneiro nos estudos paleontólogos e geológicos em Portugal, que então pensou tratarem-se de impressões de algas. Actualmente sabe-se que a habilidade destes seres solitários em fazer círculos era uma forma de se alimentarem, arrancando nutrientes do lodo. Até 1985, ano em que um investigador inglês fez um estudo no local, não se sabia quase nada sobre as trilobites de Penha Garcia. Em 2003, com o estabelecimento da Rota dos Fósseis, aumentou a investigação científica sobre esta jazida do Paleozóico, classificada como Descendo pelo castelo de Penha Garcia, a Rota dos Fósseis segue até ao paredão da barragem, percorrendo todo o vale e passando junto aos cinco sectores da escola de escalada que aqui tem trazido muitos portugueses e espanhóis. Para além dos grampos que suportam as cordas, entre as escarpas escondem-se vestígios dos seres que ali viveram na era do Paleozóico. Cá em baixo, o curso do Pônsul leva-nos até alguns moinhos de rodízio desactivados, pequena amostra do que resta do maior conjunto de unidades moageiras do concelho de Idanha-a-Nova.
É aqui, numa das casas recentemente reconstruídas, que encontramos Domingos Costa, funcionário da autarquia. Para além de «compor» algumas paredes destas relíquias do património rural, ele é também o guardião dos icnofósseis do vale. Já lá vai a altura em que os visitantes levavam para casa alguns destes exemplares e a população era obrigada a vigiar de perto estas "cobras pintadas". «Vou-os informando com o pouco que sei sobre as pedras. Aquelas que andam por aí soltas, para
não as levarem, guardam-se aqui», esclarece Domingos Costa, enquanto nos conduz ao pequeno cubículo onde apenas alguma luz entra por entre as telhas de canudo. Trespassada a porta baixa, vêem-se dispostos no chão e em prateleiras improvisadas exemplares da cruziana goldfussi e da cruziana furcifera, formas fossilizadas com os comportamentos típicos das trilobites, mostrando como estas se movimentavam na água, emergiam ou escavavam o lodo para se alimentarem. «0 guarda de Penha Garcia não é nenhum cientista, mas o seu fascínio estético por este tipo de traços dá-lhe a força e o interesse para os pesquisar e recolher», acrescenta o iconólogo italiano Andrea Baucon. E não faltam interessados nestes achados. Só nos últimos três meses, três mil pessoas visitaram a área do futuro parque icnológico. «A rota trouxe muito mais movimento. E se passar a geoparque, virá ainda mais gente», conclui o guardador de trilobites, segurando na mão um pequeno exemplar.
Domingos Costa cuida dos icnofósseis que vai encontrando no vale do Pônsul
Para além dos icnofósseis, no local destacam-se as dobras e os filões de quartzite
conjunto de interesse municipal e monumento natural, e cuja diversidade, dimensão e qualidade é hoje reconhecida internacionalmente. «A existência da Rota dos Fósseis faz com que seja muito fácil cá chegar. Qualquer pessoa pode aqui fazer as suas descobertas científicas», adianta Carlos Neto de Carvalho, lembrando que para o «fundador da paleontologia» esta exposição de arte a céu aberto é a mais importante ao nível global para a compreensão dos comportamentos das trilobites. «Estes vestígios só têm paralelo na Bolívia, mas aqui estão mais bem preservados», refere o próprio Seilacher.
A mesma opinião tem Andrea Baucon, da Universidade de Trieste. «Este é um dos poucos sítios do mundo onde podemos encontrar icnofósseis preservados desta forma. Vermos aqueles traços e caminhos desenhados é como mergulhar em oceanos paleozóicos», confessa o iconólogo que veio de Itália para estudar as trilobites de Penha Garcia, uma forma de se poderem analisar compor-tamentos animais que só agora começam a ser compreendidos. «É um trabalho difícil, mas tudo o que encontramos é uma nova descoberta. Exemplares destes são verdadeiras máquinas do tempo», acrescenta. Pura catarse científica ou arte pré-histórica? «Os humanos são muito antropocêntricos», graceja Andrea Baucon. «A arte pertence à natureza, e nós somos parte dela». Dilemas artísticos à parte, entre a comunidade científica é consensual o argumento de que este complexo natural pode fornecer pistas importantes sobre a origem da vida na terra. «Deambular através do registo geológico deste livro do tempo gravado nas pedras poderá ser de extrema utilidade e interesse para quem quiser perceber de onde vimos e para onde vamos", diz Carlos Neto de Carvalho. «O que temos em Penha Garcia é o primeiro capítulo de uma história muito mais longa que ao longo dos últimos 200 anos os paleontólogos têm vindo a escrever». Um livro ao qual faltará sempre a última página, mas que conta ainda com o contributo dos geólogos para ajudar a compreender um puzzle em quatro dimensões, onde o tempo é o elemento mais significativo. «Neste vale estão registados 400 metros de sedimentação, e cada nível de argila pode compreender várias dezenas de milhar de anos».
"ICNOFÓSSEIS DO VALE DO PONSUL, EM PENHA GARCIA
texto e fotografias
de Jorge Manuel Costa; infografia de Ana Cardoso
Exposição a céu aberto ou puzzle a quatro dimensões? São várias as perspectivas com que os cientistas encaram o comportamento dos pequenos seres que há milhões de anos viveram no vale do Pônsul. Relato de uma viagem pela Rota dos Fósseis, em busca das trilobites de Penha Garcia.
Fazer-se ao trilho assim que o sol se espraia no horizonte logo pela manhã é a melhor forma de embarcar na Rota dos Fósseis, um percurso de três quilómetros que atravessa todo o vale do Pônsul, em Penha Garcia. O arranque fazse no centro da povoação, subindo até ao alto do castelo, onde se obtém a primeira panorâmica das arribas que envolvem o rio. A partir daqui embarcamos numa viagem no tempo, recuando alguns milhões de anos. A grande dobra em ferradura que irrompe em Aranhas (Penamacor) e se prolonga para lá do rio Erges é o que resta de uma colisão continental que há mais de 300 milhões de anos ergueu estas estruturas sedimentares, formando uma cordilheira montanhosa que «levantou» grande parte do território português. As rochas preservadas no seu interior gozam de uma particularidade especial: são ricas em icnofósseis.
Ao contrário dos fósseis, que resultam da fossilização de animais ou plantas, estes são apenas registos do comportamento dos pequenos seres que habitaram esta região, e que hoje repousam nas fragas de xisto e nos afloramentos de quartzito das vertentes do canhão fluvial de Penha Garcia. Algo que tem chamado a atenção de cientistas nacionais e estrangeiros, como o alemão Adolf Seilacher, um dos mais prestigiados paleontólogos do mundo, e que em 2002 esteve pela primeira vez no local para estudar os vestígios de trilobites. Surpreendido pela riqueza dos acha-
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dos, este acabou por acrescentar novos moldes à sua exposição itinerante "Arte Fóssil", que entre Fevereiro e Maio foi visitada por mais de 3500 pessoas no Centro Cultural Raiano, em Idanha-a-Nova. «O uso de moldes é mais prático e contém toda a informação, enquanto que o original fica no campo», esclarece o cientista, lembrando a facilidade em transportar as cópias, que mais tarde podem ser estudadas, inclusive por leigos. «A natureza tem formas interessantes que cada um pode desfrutar sem saber nada de ciência». Combinar a geologia com a arqueologia ou a história, apostando em força no turismo, é agora o objectivo das autoridades locais, cuja prioridade é a criação do primeiro geoparque português. «Pretendemos despertar o interesse do público para este tipo de estruturas e ter na região investigadores que possam utilizar esta informação científica», refere Carlos Neto de Carvalho, geólogo da Universidade de Lisboa e responsável pelas estratégias de inventariação, protecção e promoção deste património. A ser aprovado pela UNESCO, o Geoparque da Meseta Meridional, cuja candidatura deverá ser entregue em breve à Rede Europeia de Geoparques, marcará o arranque de vários projectos ligados ao geoturismo e a implantar nos seis concelhos da Naturtejo (Castelo Branco, Idanha-aNova, Nisa, Oleiros, Proença-a-Nova e Vila Velha de Ródão), criando para já 22 postos de trabalho. «Estamos a ultimar a parte da promoção, seguindo-se a compilação de dados para terminar o dossiê».
O plano integra uma rede de percursos geológicos como a rota da água (Termas de Monfortinho e da Fadagosa) e a criação de
pólos museológicos (coutos mineiros de Salvaterra do Extremo, Segura e Rosmaninhal), de investigação geológica (Monforte da Beira), geomorfológicos (Monsanto) e paleontológicos (Penha Garcia). «Em termos de registo fóssil, o paleozóico português é dos melhores ao nível europeu. E é importante que exista um museu temático que realce esta importância», conclui Carlos Neto de Carvalho. Prevista está também a abertura do Museu do Urânio (Nisa), bem como a classificação das morfologias graníticas da Serra da Gardunha, do tronco fóssil de Perais e das portas de Vale Mourão e de Ródão. O Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR) já classificou 70 monumentos como património arqueológico e arquitectónico, tendo sido identificados na zona do futuro monumento natural nacional das Portas de Ródão 29 locais de interesse geológico, entre eles o Conhal do Arneiro, uma extensa escombreira resultante da extracção de ouro no período romano.
Já sem os garimpeiros colados ao leito do rio ou os moinhos fabricando farinha, as trilobites são agora a esperança para que o Pônsul volte a ter vida. Estes artrópodes marinhos com 480 milhões de anos (época em que a região era um vasto mar de águas pouco profundas, situado sobre o equador) e extintos há 250, haviam já sido investigados em 1883 por Nerry Delgado, pioneiro nos estudos paleontólogos e geológicos em Portugal, que então pensou tratarem-se de impressões de algas. Actualmente sabe-se que a habilidade destes seres solitários em fazer círculos era uma forma de se alimentarem, arrancando nutrientes do lodo. Até 1985, ano em que um investigador inglês fez um estudo no local, não se sabia quase nada sobre as trilobites de Penha Garcia. Em 2003, com o estabelecimento da Rota dos Fósseis, aumentou a investigação científica sobre esta jazida do Paleozóico, classificada como Descendo pelo castelo de Penha Garcia, a Rota dos Fósseis segue até ao paredão da barragem, percorrendo todo o vale e passando junto aos cinco sectores da escola de escalada que aqui tem trazido muitos portugueses e espanhóis. Para além dos grampos que suportam as cordas, entre as escarpas escondem-se vestígios dos seres que ali viveram na era do Paleozóico. Cá em baixo, o curso do Pônsul leva-nos até alguns moinhos de rodízio desactivados, pequena amostra do que resta do maior conjunto de unidades moageiras do concelho de Idanha-a-Nova.
É aqui, numa das casas recentemente reconstruídas, que encontramos Domingos Costa, funcionário da autarquia. Para além de «compor» algumas paredes destas relíquias do património rural, ele é também o guardião dos icnofósseis do vale. Já lá vai a altura em que os visitantes levavam para casa alguns destes exemplares e a população era obrigada a vigiar de perto estas "cobras pintadas". «Vou-os informando com o pouco que sei sobre as pedras. Aquelas que andam por aí soltas, para
não as levarem, guardam-se aqui», esclarece Domingos Costa, enquanto nos conduz ao pequeno cubículo onde apenas alguma luz entra por entre as telhas de canudo. Trespassada a porta baixa, vêem-se dispostos no chão e em prateleiras improvisadas exemplares da cruziana goldfussi e da cruziana furcifera, formas fossilizadas com os comportamentos típicos das trilobites, mostrando como estas se movimentavam na água, emergiam ou escavavam o lodo para se alimentarem. «0 guarda de Penha Garcia não é nenhum cientista, mas o seu fascínio estético por este tipo de traços dá-lhe a força e o interesse para os pesquisar e recolher», acrescenta o iconólogo italiano Andrea Baucon. E não faltam interessados nestes achados. Só nos últimos três meses, três mil pessoas visitaram a área do futuro parque icnológico. «A rota trouxe muito mais movimento. E se passar a geoparque, virá ainda mais gente», conclui o guardador de trilobites, segurando na mão um pequeno exemplar.
Domingos Costa cuida dos icnofósseis que vai encontrando no vale do Pônsul
Para além dos icnofósseis, no local destacam-se as dobras e os filões de quartzite
conjunto de interesse municipal e monumento natural, e cuja diversidade, dimensão e qualidade é hoje reconhecida internacionalmente. «A existência da Rota dos Fósseis faz com que seja muito fácil cá chegar. Qualquer pessoa pode aqui fazer as suas descobertas científicas», adianta Carlos Neto de Carvalho, lembrando que para o «fundador da paleontologia» esta exposição de arte a céu aberto é a mais importante ao nível global para a compreensão dos comportamentos das trilobites. «Estes vestígios só têm paralelo na Bolívia, mas aqui estão mais bem preservados», refere o próprio Seilacher.
A mesma opinião tem Andrea Baucon, da Universidade de Trieste. «Este é um dos poucos sítios do mundo onde podemos encontrar icnofósseis preservados desta forma. Vermos aqueles traços e caminhos desenhados é como mergulhar em oceanos paleozóicos», confessa o iconólogo que veio de Itália para estudar as trilobites de Penha Garcia, uma forma de se poderem analisar compor-tamentos animais que só agora começam a ser compreendidos. «É um trabalho difícil, mas tudo o que encontramos é uma nova descoberta. Exemplares destes são verdadeiras máquinas do tempo», acrescenta. Pura catarse científica ou arte pré-histórica? «Os humanos são muito antropocêntricos», graceja Andrea Baucon. «A arte pertence à natureza, e nós somos parte dela». Dilemas artísticos à parte, entre a comunidade científica é consensual o argumento de que este complexo natural pode fornecer pistas importantes sobre a origem da vida na terra. «Deambular através do registo geológico deste livro do tempo gravado nas pedras poderá ser de extrema utilidade e interesse para quem quiser perceber de onde vimos e para onde vamos", diz Carlos Neto de Carvalho. «O que temos em Penha Garcia é o primeiro capítulo de uma história muito mais longa que ao longo dos últimos 200 anos os paleontólogos têm vindo a escrever». Um livro ao qual faltará sempre a última página, mas que conta ainda com o contributo dos geólogos para ajudar a compreender um puzzle em quatro dimensões, onde o tempo é o elemento mais significativo. «Neste vale estão registados 400 metros de sedimentação, e cada nível de argila pode compreender várias dezenas de milhar de anos».
7 percursos pedestres no Concelho de Nisa

A câmara de Nisa editou uma bonita brochura apresentando a proposta de 7 percursos pedestres pelo Concelho. Excelente iniciativa, que se aplaude e apresenta como exemplo de boas práticas.
N I S A
Caminhos de evasão (Introdução da Presidente da Câmara Municipal c/c Nisa: 7
A ter em conta (conselhos úteis, material necessário...): 9
Introdução: 11
Trilhos das Jans: 13
: Descobrir o Tejo: 17
Olhar sobre a Foz: 21
Trilhos do Conhal: 25
-: À descoberta de S. Miguel: 29
c: Rota dos Açudes: 33
: Entre Azenhas: 37
Trilhos do Moinho Branco: 41
Contactos úteis: 45
Percursos Pedestres de Nisa Localização geral no concelho
Trilhos das Jans - Amieira do Tejo -
Descobrir o Tejo - Chão-da-Velha -
Olhar sobre a Foz - Central eléctrica da Velada -
Trilhos do Conhal - Arneiro À descoberta de S. Miguel - Pé da Serra -
Rota dos Açudes - Salavessa -
Entre Azenhas - Montalvão -
Trilhos do Moinho Branco - Montalvão -
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