domingo, junho 20, 2004

McCartney (também) escolhe Maria João Pires
in: www.tsf.pt
MÚSICA
McCartney (também) escolhe Maria João Pires
Paul McCartney escolheu a pianista portuguesa Maria João Pires para integrar a compilação das suas actuais preferências musicais, que foi editada para a edição de Julho da revista britânica «Uncut».

( 14:55 / 20 de Junho 04 )



É a segunda vez que Paul McCartney elege um músico português como um os seus preferidos. Em 1989 escolhera o trecho «Dança», de Carlos Paredes, para integrar a música ambiente da digressão mundial de então.

O ex-Beatle, que esteve em Portugal para o Rock In Rio, optou por «Nocturne No 2 In E Flat Major», do álbum «Chopin: The Nocturnes» (1996), da pianista portuguesa.

Paul McCartney nunca escondeu o seu gosto pela música clássica, tendo inclusivamente composto várias peças, como «Liverpool Oratorio» (1991), «Standing Stone» (1997) e «Ecce Cor Meum» (2001).

Numa entrevista recente, McCartney disse que se Mozart tivesse vivido nos anos 60 do século passado poderia ter sido o «teclista dos Beatles». «Mozart foi uma "pop star" do seu tempo», sublinhou.

Entrevista de Maria João Pires à TSF
PESSOAL... E TRANSMISSÍVEL
Maria João Pires
Prefere a vida ao palco e fugiu às salas de concerto para se dedicar, em Belgais, a um projecto pioneiro. A pianista Maria João Pires premiada pela UNESCO, esteve na TSF para conversar com Carlos Vaz Marques.

( 18:40 17 de Setembro 03 )



Registos audio:
pt1
pt2
pt3

sábado, junho 19, 2004

Luía Baptis

in: http://attambur.com/OutrosSons/Portugal/luis_baptis_atipico.htmViola Beiroa - Novo Trabalho de Luís Baptis LBM Edições


Contacto: Paula Moreira
Telefone/Fax: 21 467 59 79
Telemóvel: 93 423 48 73 - 96 51 32 160
e-mail: lpbaptista@teleweb.pt


Luis Baptis - Atípico



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Excertos: Bandolim Oriental | Braguesa Felicidade | Nota Azul
Partindo da ideia de juntar num disco vários instrumentos de cordas utilizados na música tradicional portuguesa, o bandolim, a guitarra portuguesa, a braguesa, o cavaquinho, a viola da terra e viola beiroa - aos quais se juntaram uma Guitarra clássica e uma Guitarra Eléctrica - Luis Baptis criou, com argumentos populares, clássicos e conteporâneos, um disco atípico no panorama musical português.

Todos estes instrumentos, tocados pelo próprio Baptis, são acompanhados por um quarteto de cordas (violino, viola de arco, violoncelo, e baixo acústico), cozinhando a sua música num caldeirão explosivo de harmonias clássicas e contemporâneas.

São ao todo 14 temas da autoria do próprio Luis Baptis, contando com a colaboração bem notada de Rui Júnior (Tocá Rufar) na percussão, bem como, de Quim Correia, no baixo acústico.

Como o próprio autor defende nas notas de imprensa, este disco pretende chegar a vários tipos de públicos, com gostos diversos, fazendo a incursão por temas de estilo mais popular e outros de sabor conteporâneo. Esta democratização não se consegue pela facilidade, mas sim pela provocação. Há públicos que vão ter de ouvir o disco algumas vezes para o descobrirem. Outros vão perceber o que significa a redescoberta das sucessivas audições.

Estes argumentos musicais, que já deram provas internacionais com nomes como os "The Penguin Cafe Orchestra" - e que levaram a públicos muitos distintos uma música igualmente difícil de catalogar- são muito reveladores de uma qualidade que faz sentido em qualquer geografia. O prórprio Luis Baptis não esconde o seu desejo de extravazar fronteiras com este trabalho. Bem o pode fazer.

Entretanto, a ligação de Luis Baptis aos instumentos tradicionais portugueses e à sua investigação já vem de longe. Actualmente realiza sessões pedagógicas realizadas na Casa Museu Verdades Faria, no Estoril, à volta do legado de instrumentos deixados pelo musicólogo Corso Michel Giacometti. Baptis é também professor de música - tendo estudado guitarra clássica, teoria musical e Jazz em Paris e actuado ao lado de vários músicos portugueses e europeus.

Este é um disco misterioso, não pelo lado complexo que representa, mas sobretudo pelo prazer da descoberta - que a sua música desvenda.

quinta-feira, junho 17, 2004

in: http://www.seae.min-edu.pt/patronos/sg.htm

Gardunha

"As formas e aspectos, com que a Guardunha se nos oferece – no dizer do "Guia de Portugal" -, são variadíssimos, segundo diversos pontos de visita donde a contemplam os observadores (...). Toda a serra se apresenta constituída de viva rocha ou em lajedos, em escalões ou em saliências de diferentes modos. Numas das partes, porém, essas massas erguem-se em penhascos e amontoados de fragas, sem ordem, nem simetria, espalhados pelas encostas, noutras partes são sobrepostas de camadas de penedia solta que uma à outra se segura em equilíbrio nos pendores da serrania, noutras enfim formam os espinhaços alcantilados que afloram nos pontos culminantes ou as arestas recortadas que fenecem nas encostas ou vêm morrer à planície"

situada entre os rios Pônsul e Zêzere a Serra da Gardunha estende-se no sentido Nordeste/Sudoeste, numa extensão de 20 quilómetros por cerca de 10 quilómetros de largura e com uma altitude máxima de 223 metros.

A densa arborização que caracteriza esta Serra provêm essencialmente dos grandes trabalhos de plantação, nomeadamente de castanheiros, levados a efeito, no final do século XIII, no reinado de D. Dinis.

Na encosta de Alcongosta existiu, aliás, um velhíssimo castanheiro – o Castanheiro de Alcongosta ou Castanheiro Grande que morreu cerca de 1920, provavelmente atacado da moléstia da tinta. De grandes dimensões, detinha a envergadura de 18 metros de diâmetro de tronco e 20 metros de diâmetro de copa.

A grande quantidade de água que brota desta serra levou à renovação da sua arborização por pinheiro bravo e recentemente por pomares.

Para informação dos leitores transcrevo o conteúdo do Guia de Portugal, editado pela FCG, referente à descrição da Serra da Gardunha, transcrita de uma descrição do Padre M. Martins, publicada como suplemento à revista Brotéria, numa edição de 1910. Como é sabido a revista Brotéria iniciou a sua publicação em 1902, por iniciativa da comunidade científica que na altura desenvolvia actividade de ensino e de investigação no Colégio de S. Fiel. Esta é, porventura, a Revista científica de maior nomeada e de reconhecimento internacional mais significativo, até agora editada na Beira Interior. Nos números publicados com uma certa regularidade até 1910 é possível encontrar vários trabalhos científicos, no domínio das Ciências Naturais, sobre a região em que se inseria o Colégio de S.Fiel e também a inserção de algumas fotografias, recurso já então utilizado com certa frequência, da região. É incrível, que se tenha deixado passar o 1º Centenário do início da publicação da Revista, sem que a comunidade científica da região tenha promovido qualquer comemoração ou realizado Seminários sobre o papel da mesma na divulgação da ciência. Recorde-se que o Colégio de S.Fiel, conjuntamente com o de Campolide, eram escolas de ensino secundário, dirigidas pela Companhia de Jesus, onde na altura, se praticava um ensino avançado. Em S.Fiel formou-se o espírito científico e de investigação de Egas Moniz, que lhe permitiu criar as bases que o conduziriam ao Prémio Nobel da Medicina. Algumas das suas férias de verão foram utilizadas para efectuar estudos nos seus Laboratórios, dos mais avançados, na altura.


in: Guia de Portugal, FCG, 2ª Edição, III Volume, 1985
BEIRA BAIXA

SERRA DA GUARDUNHA
pag.711
SERRA DA GUARDUNHA (I)

«A Serra da Guardunha tem como ponto culminante a Pirâmide ou marco geodésico levantado em meados do século passado, a 1223 metros acima do nível do mar. E dessa altitude se aproxima boa parte superior do maciço da serra, assim como a maior parte do seu dorso, que se ergue a mais de 100)0 metros. É toda a serra de forma assimétrica e muito caprichosa, o que dificulta ou impossibilita uma descrição dela aproximada. Predomina, contudo, nela a forma alongada em todo o seu dorso, no rumo leste-oeste. Este começa na Paradanta em terreno xistoso onde se empina quase a prumo; e segue depois para o oriente en terrenos graníticos desde as encostas do Casada Serra até à notável vila de Alpedrinha. Entre estes dois pontos é que se encontra o espinhaço ou dorso principal da serra, granítico, tortuoso, por vezes alcantilado e intransitável, ainda aos serranos mais arrojados. Pois naqueles sítiQs íngremes e talhados a pique topam-se grandes penhas e amontoados de massas graníticas, tão altas e de tal modo sobrepostas que não há ser vivo que lá possa trepar, a não ser valendo-se das asas.
«Junto de Alpedrinha termina o terreno granítico e recome-am os terrenos câmbricos. Como separando estes dois terrenos do dorso abre-se uma garganta ou desfiladeiro, entre aquela povoação e a de Alcongosta, passa
quase forçada, antes da viação moderna, para as gentes que do sul se dirigiam para o norte ou regiões do Fundão, da Covilhã, ou para mais lone. Ainda hoje se vêem nela os restos de empedramentos duma estrada antiga, que ao sul vinha a passar perto de Alcains, a julgar pela semelhança dos materiais entre os dois pontos. Desde a garganta de Alpedrinha para o oriente prolonga-se a serra em lomba elegante e formosa no aspecto, por terrenos xistosos, por entre Vale de Prazeres e o Alcaide até ao Carrão, onde volta ainda para nordeste. Toda esta cumeada desde a Paradanta não terá menos de 20 km de extensão; assim como toda a base da serra em volta não será inferior a 60 km. Não se farta a vista de contemplar essa mole imensa. Uma circunstância vem dar mais realce e graça a este relevo montanhoso: é a constituição e natureza diferente dos dois terrenos, um granítico outro xistoso de que ele se compõe, ambos muito distintos na forma, estrutura, e até na vegetação diversos. Assim, pertencem a terrenos graníticos o maciço principal da serra com a Pirâmide e seus pontos culminantes e todo o bojo enorme compreendido entre Alpedrinha, Louriçal e Casal da Serra e a maior parte do seu dorso. Mas toda essa mole tem como recosto por todos os lados, menos pela frente, graciosos relevos kistosos, que pelas formas arredondadas e elegantes, já formando lombas alongadas, já ondulações a descer, ornadas de vegetação esplêndida, fazem curioso contraste cone os alcantis e rochas desnudadas e abruptas da parte oposta. Realmente recosto mais ele ante e formoso não podiam ter; sobretudo para os lados do Fundão e Alia Nova, aquelas escuras maças plutónicas, tão severas no aspecto e caprichosas tias formas e recortes, como alterosas e imponentes na estrutura.
«A vertente norte, da serra, excepto na parte mais alta, é pré-cambrica em toda uma extensão de mais de 20 km, assim como as lombas que se prolongam ao oriente e ocidente dessa parte alta. Aqui começa para o ocidente a vastidão de terras onduladas. Nesta encosta ao lado do monte de S. Gonçalo, tem seu princípio a Mata do Fundão, manto de vegetação esplêndida. Faz esta um estranho e notável contraste com a nudez da outra parte da serra que no alto e atrás se avista e forma o dorso da Guardunha granítica.
«As formas e aspectos, com que a Guardunha se nos oferece, são variadíssimos, segundo os diversos pontos de vista donde a contemplam os observadores. Do lado de S. Fiel semelha uma grande pirâmide, com o vértice no Castelo Velho e a aresta mais alongada a estender-se pelas quintas da Serra e do Pinheiro. Do lado de Castelo Novo já semeIha um ângulo diedro formado pela serra de Alpedrinha e a encosta da aresta anterior que dá para a Alpeadra; e mais adiante imita uma grande concha em volta daquela formosa povoação. E já muito outro o aspecto da Guardunha vista duma graciosa baixa situada entre o Louriçal do Campo e o lugar da Torre na qual a ribeira de Ocreza, deixada a natural braveza e índole serrana, mansamente flui por entre beiradas férteis, orladas de amieiros e arbustos viçosos. Está ela fechada em volta, a modo de ferradura, menos pelo sul, pois tem na sua frente o enorme bojo ou larga en
costa da serra; pelo ocidente, com o rumo norte-sul, ergue-se -lhe a mais de 700m um extenso contraforte, articulado na serra junto à Paradanta, em cuja vertente ocidental assenta a vila de S. Vicente da Beira; e pelo oriente encontra-se a raiz da Guardunha entre os ribeiros do Vermelhal e do chamado Barroco do Negro, onde está S. Fiel.
«Toda a serra se apresenta constituída de viva rocha ou em lajedos em escalões ou em saliências de diferentes modos.
Numas partes, porém, essas massas erguem-se em penhascos e amontoados de fragas, sem ordem nem simetria, espalhados pelas encostas, noutras partes são sobrepostas de camadas de penedia solta que uma à outra se segura em equilíbrio nos pendores da serrania, noutras enfim formam ou os espinhaços alcantilados que afloram nos pontos cuhninantes ou as arestas recortadas que fenecem nas encostas ou vêm morrer à planície. Se as serras graníticas, pela variedade de formas sobrelevam às outras de natureza e constituição geológica diferente, a da Guardunha, então, parece caprichar em se mostrar neste ponto extravagante e original mais que as outras. Além de rochas vivas, com que em lajedos e escalões se nos apresentam, completamente desnudados, sobretudo em sítios abruptos e grandes pendores, encontram-se essas massas formando canchais, in estos, alcantis, morros ou cabeços, penhascos, penhas e picotos; bem como inúmera penedia e fragas de mil formas e tamanhos, dispersas por toda a serra. Os canchais encontram-se mais ou menos por toda a serrania, mormente de 800m para cima. Os agentes exteriores auxiliados pelo grande pendor das encostas, pelo codâo, pelo perpassar contínuo dos gados, assim como pelos amanhos para algumas sementeiras de raquítico cereal, arrastaram a terra vegetal que revestia a rocha, e inutilizaram aquele solo para qualquer cultura. Os infestos ocupam os declives mais íngremes, sobretudo na base dos píncaros e cabeços ou penedia mais empinada. São constituídos de fragões e pedregulhos, juntos, encostados ou sobrepostos, com seus vãos, aberturas e lapas escavadas pelas águas que tornam os sítios intransitáveis.
«Uma das formas de granito mais curiosa é a de monolitos ou isolados pelas chapadas e encostas, ou agrupados ou encostados. São estes fragões, muito próprios e característicos das serras graníticas e grandemente curiosos, e mais na Guardunha. O tamanho e peso quase incalculáveis, a situação, a variedade de contornos e configuração excitam a atenção e fazem maravilhar. Assim, uns imitam monstros marinhos como baleias na forma alongada, e outros, grandes esferas, cilindros ou pirâmides; e muitos há que na cabeça e corpo semelham muito bem animais domésticos ou seres humanos. E é tal a variedade destas formas que chegam a representar calhamaços de grossas folhas ou canhões assentados no alto de torreões graníticos, como se vêem na encosta de Castelo Novo. Uns estão em chão terroso, outros em lajes; uns têem situação estável e assentam em vários pontos, outros parecem terem-na instável e abalarem-se facilmente do seu ponto de apoio.»
(1) Transcrição parcial da monografia A Serra da Guardunha (separata da rev. Brotéria, 1910, de P.` M. Martins.
in: www.pousadasdajuventude.pt

Sugestão de Viagem
À descoberta da Serra da Gardunha
Vais calcorrear a Serra da Gardunha, por entre os soutos e os campos floridos, visitar as pequenas aldeias serranas e provar o verdadeiro queijo da serra.
A Serra

Na Gardunha encontras uma abundante serra plena de castanheiros bravos e soutos que a enchem de tons verdes amarelados e acastanhados, dando-lhe uma beleza natural muito própria. Mas ao que parece, nem sempre foi assim.

Incessantemente exerceu fascínio sobre os homens, que nela procuraram alimento ou abrigo, como o chefe lusitano Viriato. A serra da Gardunha, baptizada assim pelos árabes, (Gardunha significa refúgio), tinha vinhas no tempo de D. Dinis. Mas quis o soberano arrancá-las e para as substituir ordenou que se replantassem no vale de Alcambar castanheiros, que se tornariam conhecidos como soutos D’El Rei. Mas infelizmente por incúria do homem, uma parte significativa dessas árvores desapareceu como o abate e alguns incêndios violentos. Algo se perdeu, mas não penses que vais encontrar uma serra deserta. Pelo contrário, em muitas partes o arvoredo ainda é denso e abundante, só que no passado se estendia por uma área ainda mais vasta.

Hoje, dos pontos altos como o miradouro da Portela, a vista continua a ser muito bonita nesta pequena serra com cerca de 10 km de largura por 20 de comprimento. Entrincheirada por entre os rios Pônsul e Zêzere, ainda tem várias espécies animais, e conserva tradições como o bom queijo artesanal.
Bicharada

A partir do Fundão, continua pela estrada que leva ao alto da serra. Passas pela aldeia da Enxabarda e ficas-te pelo Açor, onde aliás, a estrada acaba. Serpenteando estradas estreitas e curvilíneas, atravessando prados e matas mais densas, segues com atenção para avistares a bicharada, ou seja, a fauna local. Há gamos, mas são bastante difíceis de avistar, mas também há lobos, ou pelo menos havia. Bem desses é melhor nem sentir o cheiro. E com sorte, talvez encontres o rastro de algum javali ou mais comuns, raposas ou a toca de qualquer coelho que é bem capaz de se atravessar no meio do caminho a correr.

De volta a Castelejo, pois a estrada termina e Açor e precisas de voltar para trás, segues agora na direcção de Casal da Serra e São Vicente da Beira, por onde o passeio continua.

Para além dos outros animais, também há abelhas, pois nas encostas menos arborizadas mas mais floridas, faz-se mel nas quintas locais, que obviamente têm colmeias. Contudo isto não dispensa que não existam ninhos furtivos. Se encontrares, olha, passa e continua. É melhor não provocares a ira dos deuses. É assim, principalmente na Primavera e Verão, quando a Gardunha se torna bonita e florida.
O queijinho

No cimo da serra da Gardunha com certeza que vais encontrar alguns dos rebanhos de cabras ou ovelhas que por cá andam. Pois é, pelo que parece a profissão de pastor ainda tem futuro por estas bandas. Ti Chico, um pastor do antigamente, lembra-se ainda do tempo da transumância e dos grandes rebanhos de milhares de cabeças de gado ovino e caprino que se juntavam. Hoje tudo é mais modesto, mas os bons costumes da tradição serrana, nomeadamente o queijo serrano ainda se produzem por estas bandas, como há séculos atrás.

Pergunta às gentes locais das aldeias onde podes encontrar e certamente te irão levar a alguma casinha de xisto, onde lá dentro, há dezenas de queijos enrolados em gaze, a curar nas prateleiras.



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quinta-feira, junho 10, 2004

Carvalho do Caucaso:

A revista Única do Expresso de 10 de Junho de 2004, na página 115, faz apreciação de um vinho produzido na Quinta de Sampayo, Vale da Pinta, Cartaxo, rotulado como De Filipa. Na descrição do armazenamento do vinho são referidas pipas de carvalho francês, americano e do Cáucaso. A referência ao Carvalho do Cáucaso levou-me a investigar a existência desta variedade de carvalho, que me conduziu para o artigo que cito, em baixo. Concluí que não existe uma variedade de carvalho do Cáucaso, mas que o vinho teve origem nesta região e na Mesoptâmia. Procurarei aprofundar junto da empresa a origem das pipas citadas, bem como da matéria prima utilizada na sua confecção. Aproveito para referir que o Enólogo responsável pela selecção de vinhos da Quinta de Sampayo, 100 hectares de vinha, é António Ventura. Mais uma vez, constatamos uma total ausência à referência do carvalho Lusitano, como fonte de enriquecimento vinícola em estágio de pipas de carvalho.



in: http://www.thiagogardinali.com.br/materias/Vinhos.html
Vinhos:

Por Caio Castanho
Não seria exagero afirmar que o vinho acompanhou o desenvolvimento da civilização humana. Existem relatos da cultura vínea com mais de 7.000 anos. A cada descoberta, podemos perceber a importância que a humanidade dá a essa cobiçada bebida. Isso é comprovado em tabuletas, papiros e tumbas egípcias.

Os registros mostram que a vinicultura passou a ser desenvolvida nos arredores do Oriente Médio. Mais precisamente na região do monte Ararat, local onde supostamente estariam enterrados os destroços da Arca de Noé. Consta no Gênesis que, Noé comemorou o fim do dilúvio plantando uva e fazendo o vinho. Muitas passagens bíblicas citam o vinho. Nessa, Noé fora castigado por Deus por ter se embriagado, a ponto de ficar nu diante dos filhos.
Classificação
Da uva à garrafa
Enogastronomia
Regiões produtoras
Dosagem e serviços
Alguns dados lingüísticos apoiam a hipótese da difusão do vinho a partir da região do Cáucaso e da Mesopotâmea. A palavra vinho tem sua raiz na antiga voz caucásica voino, que significa algo como "bebida intoxicante de uvas". A palavra foi aceita e, modificada, expandiu-se na antigüidade: oinos e woinos para os gregos; vinum para os romanos; oini em armênio; vere em albanês; gvino em georgiano; jajin em hebreu, wain em abissínio.
Como montar a adega
O vinho esteve sempre presente na vida dos povos antigos, tanto nas celebrações religiosas quanto nas refeições diárias. Da Mesopotâmea e o Cáucaso, onde o vinho era a bebida favorita dos reis, a bebida se espalhou para o mundo. Egípcios e fenícios deram continuidade no desenvolvimento da vinicultura e foram os primeiros a registrar todos os passos da elaboração do vinho.

Depois, o vinho conquistou os Gregos e os Romanos, os quais o celebraram como nenhum outro povo. Na mitologia grega, Dionysio, filho de Zeus, era o deus do vinho. Os gregos acreditavam que bebendo vinho, Dionysio habitaria seu corpo. Já os romanos reverenciam Baco. Festas em sua homenagem, o Bacanal, são famosas até hoje.
A expansão do Cristianismo e a colonização do novo mundo espalhou o vinho para o mundo inteiro. Hoje, o vinho é uma das bebidas mais procuradas. Na Europa, é um item essencial na alimentação. No Brasil, o consumo vem crescendo todo ano, com média anual de 2 litros por pessoa. Nosso potencial de consumo é altíssimo e deve ser explorado. Na Itália, por exemplo, o consumo anual por pessoa é de 55 litros.
Classificação

O "terroir" é a origem do vinho, sua personalidade. Terroir, em termos vinícolas, tem a ver com a localização, clima, orientação, drenagem, pendente, microclima, e arredores.


Vinho Maduro: todos os estágios das fermentações foram completados. Compõem essa categoria a maioria dos vinhos, quer sejam brancos, tintos ou rosés.

Vinho Verde: vinho que sofre um Segunda fermentação, a malolática. O ácido málico transforma-se em ácido acético e gás carbônico, dando ao vinho um leve toque frizante.

Champagne: vinho espumante produzido exclusivamente na região de Champagne (França). É elaborado pelo méthode traditionel ou champenoise, que consite em uma segunda fermentação ocorrida na garrafa.

Espumantes: vinhos cuja Segunda fermentação ocorre dentro de grandes recipientes fechados. Este método é chamado Charmat. Os espumantes recebem nomes regionais para diferenciá-los dos champagnes. Por isso, temos na Itália, os Asti e Proseco; na Alemanha, o Sekt ; na Espanha, o Cava.

Fortificados: vinho que durante ou após a fermentação recebem adição de aguardente vínica. Os mais conhecidos são os Porto, Madeira Jerez e Malaga.

Aguardente de Vinho: Quando o vinho é destilado, dá origem a um produto com 40 ou mais graus de álcool. Os produtos mais conhecidos são os Cognac e o Armagnac, ambos franceses. Os demais países do mundo, quando destilam um vinho, chamam-no de Brandy.
Da uva à garrafa

O vinho é o produto obtido pela fermentação alcoólica da uva do gênero vitis-vinifera. Esta deve estar bem madura e com boa acidez para que se obtenha um vinho rico em corpo. A cor do vinho depende da pele da uva. Após a colheita, as uvas são levadas á cantina, onde após esmagadas, iniciam a fermentação. Nela, todo o açúcar natural é transformado em álcool.

Depois da fabricação vêm o armazenamento e o envelhecimento. O primeiro acontece em tanques de inox, piletas de concreto revestidas de epóxi, tonéis de madeira, ou em tonéis de carvalho. Todos com capacidade variada entre 250 e 500 litros. São nos recipientes que ocorre a fase de estabilização e repouso do vinho.

A fase posterior ao armazenamento só é cumprida por alguns tipos de vinho. Somente os mais complexos e resistentes passam pelo envelhecimento. A madeira de carvalho dos tonéis dá ao vinho aromas e sabores, equilibrando os taninos, ácido presente nos vinhos tintos. Essa harmonia é fundamental para o vinho atingir corpo e sabor ideais. Após os processos citados os vinhos são engarrafados e estão prontos para serem consumidos.

Os preços de um mesmo vinho pode variar absurdamente. Pode parecer estranho, mas as condições físico-climáticas que predominaram na elaboração da bebida é fundamental para a qualidade final do vinho.
Enogastronomia

Os enólogos garantem que o vinho é a melhor bebida para acompanhar um bom prato. Ele ajuda na digestão e não faz uma fermentação pesada como a cerveja, whisky e caipirinha. Pode parecer estranho, mas até com feijoada um bom vinho cai bem.

A combinação entre comida e vinho deve ser bem selecionada, para não fazer da sua boca uma confusão de paladares. Existe o vinho certo para cada tipo de prato. O ideal é que o aroma e o sabor da bebida e do alimento não se sobreponham. O segredo da enogastronomia é a complementação. Cada gole de vinho tem que limpar o paladar e as papilas degustativas para degustar o prato novamente.
Vinho tinto seco leve: Carnes vermelhas fritas ou grelhadas; Frango assado e cozido; Pizzas; Carpaccio de carne, Salgadinhos assados ou fritos; Bacalhau temperado acompanhado com legumes, batatas e molho; Paella.

Vinho tinto seco encorpado: Carnes assadas; Carnes de caça assadas, Queijos de mofo branco, como o brie, camembert ou caprice des dieux.

Vinho tinto leve: Massas com molho alho e óleo.

Vinho tinto encorpado: Queijos de massa dura, como provolone.

Vinho tinto seco: Massas com molho de tomates temperado; Massas com molho de ervas aromáticas; Massas com molho condimentado; Frios em geral; Queijos amarelos como edam, estepe, parmesão, gouda, gruyère.

Vinho branco seco: Massas com molho branco; Saladas em geral (também podem acompanhar vinho branco semi-seco ou vinho rosé refrescado); Entradas; Antepastos; Sardinhas; Queijos cremosos como Rambol; Sushi e sashimi (o vinho tem que ser frutado).

Vinho branco seco leve: Peixes em geral, sejam em postas ou filé; Fondues.

Vinho branco seco encorpado: Ostras e mariscos.

Vinho branco doce: Fígado de ganso; Morangos; Bolos de natal ou panetones (acompanham também vinho tinto); Truta.

Vinho Verde Branco: Bacalhau grelhado ou assado.

Champagne: Lagosta.

Vinho do Porto: Frutas secas (podem acompanhar também o vinho Madeira); Bolos (acompanham também Jerez e Madeira); Queijos azuis como o roquefort; Sorvetes.

Jerez: Sopas.
Regiões produtoras

Confira alguns vinhos dos dois maiores produtoras do mundo (França e Itália), e também características peculiares de Portugal, Espanha e Alemanha.
FRANÇA

A França é o país que mais produz vinho no mundo. O consumo per capita é impressionante, 60 litros/ano. São 917.000 hectares de parreiras espalhadas pelas regiões de Bordeaux, Bourgone, Rhône, Champagne, Loire, Alsace e outras.

( T ) - Tinto
( B ) - Branco
( R) Rosé

Bordeaux: Bordeaux ( T/B ), Bordeaux Rosé ( R ), Bordeaux Supérieur ( T/B ), Bordeaux Supérieur Rosé ( R ), Bordeaux Mousseux ( B/R ), Médoc ( T ), Haut-Médoc ( T ), Pessac-Léognan ( T/B ), Graves ( T/B ).
Bourgone: Bourgogne ( T/B ), Bourgogne Rosé ( R ), Bourgogne Ordinaire (T/B), Bougogne Ordinaire Rosé ( R ), Bourgogne Aligoté ( B ), Bourgogne Mousseux (T/B/R).

Rhône: Côtes-du-Rhône ( T/B/R ), Côte-Rôtie ( T ), Château-Grillet ( B ), Condrieu ( B ), Crozes-Hermitage ( T/B ) Clairette de Die ( B/Mousseux ), Beaumes de Venise ( B ), Lirac ( T/B/R ), Tavel ( R).

Champagne: Champagne ( B ) e Champagne Rosé ( R ).

Loire: Nivernais e Berry - Pouilly Fumé ( B ), Sancerre ( T/B/R ), Pouilly-sur-Loire ( B ), Quincy ( B ),
Reuilly ( T/B/R ), Touraine ( T/B/R ), Vouvray ( B ), Vouvray Mousseux ( B ), Montlouis ( B ), Montlouis Mousseux ( B ) Saint-Nicolas de Bourgueil ( T/R )

Alsace: Alsace (Sec, Vendange Tardive e Sélection de Grains Nobles)
ITÁLIA

A Itália é o segundo produtor mundial de vinho. O consumo per capta também fica em segundo lugar no ranking mundial, com 59, 5 litros/ano. As principais regiões são Piemonte, Veneto, Toscana, norte, centro e sul.

( T ) - Tinto
( B ) - Branco
(E) - Espumante

Piemonte: Asti Spumante (E), Barolo (T), Barbaresco (T), Gattinara (T), Nebbiolo d`Alba (T), Langhe Rosso (T), Barbera d`Alba e d`Asti (T), Dolcetto d`Alba e d`Asti (T), Gavi (B), Roero Arneis.
Veneto: Prosecco di Conegliano-Valdobbiadene (E), Amarone della Valpolicella (T), Valpolicella (T), Bardolino (T), Recioto Amabile della Valpolicella(T), Soave (B).

Toscana: Chianti (T), Brunello di Montalcino (T), Rosso di Montalcino (T), Vino Nobile di Montepulciano (T), Carmignano (T), Vernaccia di San Gimignano (B), Vin Santo (B), Moscadello di Montalcino (B).

Norte (Lombardia, Trentino-Alto Adige e Friuli): Franciacorta (E), Terre di Franciacorta (T/B), Colli Orientali del Friuli (T/B), Teroldego Rotaliano(T/B), Isonzo (T/B), Picolit (B).

Centro (Emilia-Romagna, Marche, Umbria, Lazio e Abruzzo): Sangiovese di Romagna (T), Rosso Cònero (T), Rosso Piceno (T), Montepulciano d`Abruzzo (T), Verdicchio di Mantelica (B), Albana di Romagna Passito(B).

Sul (Campania, Puglia, Calabria, Sardegna e Sicilia): Taurasi (T), Primitivo di Manduria (T), Carignano del Sulcis (T), Monica di Sardegna (T), Fiano di Avelino (B), Greco di Tufo (B), Moscato di Panteleria (B).
PORTUGAL

Representa o terceiro maior consumo per capita do mundo, com 58,5 litros / ano. Tem 259.000 hectares de vinhedos. Contudo, é apenas o sétimo produtor mundial. As regiões produtoras portuguesas reúnem um conjunto de tipos únicos no mundo dos vinhos. O solo, o clima, as castas típicas, os métodos de vinificação regem a elevação da qualidade com quantidade.

São mundialmente conhecidas as regiões dos Vinhos Verdes, Porto/Douro, Dão, Beiras, Bairrada, Estremadura, Ribatejo, Bucelas, Colares, Setubal, Madeira, Alentejo, Algarve e Açores.
ESPANHA

Sempre produzindo bons vinhos, a Espanha iniciou o século XX socorrendo os demais países europeus, atingidos pela Phyloxera vastrastis. O páis possui a maior área territorial de vinhedos do mundo. São 1.224.000 hectares, sendo o terceiro produtor de vinhos. O consumo per capita é de 33,7 litros / ano.

Condições típicas de solo e clima dividem a Espanha em 45 denominações de origem, as quais possuem controle de qualidade próprios. As regiões produtoras espanholas são Rioja, Catalunha, Jerez, Ribeira del Duero, Navarra e Galicia.
ALEMANHA

Os germânicos ocupam a Sexta colocação no ranking mundial de produção vínea e possui 104.000 hectares de vinhedos. Com a exceção da região de Baden, todas as outras são muito frias, o que favorece a produção de vinhos brancos. Estes apresentam qualidades diversas, indo desde os mais simples Liebfraumilch, que utilizam uvas menos nobres até alguns dos melhores brancos do mundo, notadamente da casta Riesling.

Melhor ainda se forem da categoria QmP (Vinho de Qualidade com Predicados), produzidos apenas nas melhores safras e que não admitem o emprego de adocicar o mosto com açúcar. Os melhores Riesling QmPs costumavam atingir, no século passado, preços mais elevados que os dos grandes Crus Classés de Bordeaux. Os tintos alemães de Pinot Noir são delicados e fragrantes. Os brancos de sobremesa também destacam-se no panorama mundial, principalmente aqueles de Riesling.
Dosagem

A dosagem recomendada para cada prato é um cálice de vinho, de aproximadamente 100 ml. Uma garrafa (750ml) é o suficiente para três pessoas durante uma refeição. Veja abaixo sugestões para certos eventos:

Almoço Informal 1 garrafa para 3 pessoas
Almoço formal 1 garrafa para 5 pessoas
Jantar Informal 1 garrafa para 2 pessoas
Jantar formal 1 garrafa para 3 pessoas
Festa de queijo e vinho ou fondue 1 garrafa para três pessoas
Festa de aniversário 1 garrafa para 4 pessoas
Casamento durante a semana 1 garrafa para 6 pessoas
Casamento durante final de semana 1 garrafa para 2 pessoas

Serviços

Na hora de comprar o vinho, verifique se este está limpo e com o rótulo à mostra. Ao chegar em casa, mantenha a garrafa de pé, no dia do consumo, em um lugar fresco, arejado e longe da luz. A boa conservação evita surpresas desagradáveis na hora de degustar.

Para tirar melhor proveito da nobre bebida, sua temperatura de consumo deve ser adequada para cada tipo de vinho. É muito importante ter em conta a temperatura na hora de servir um vinho. Esta pode significar o fracasso de um bom vinho ou pode até melhorar um vinho ordinário. A seguir temos uma lista das temperaturas ideais de vinhos clássicos:

Vinhos tintos maduros 15ºC ------ 17ºC
Vinhos tintos novos 13º C ------14ºC
Vinhos tintos muito leves 11ºC
Vinhos rosados e vinhos brancos secos 9ºC ------ 10ºC
Vinhos brancos doces,
Vinhos brancos suaves, Champagne, Espumantes 5ºC
Como montar uma adega pessoal

Na adega, um conjunto de fatores determina a qualidade da seleção. Na hora de armazenar, proteja as garrafas da luz. A exposição direta a ela faz mal ao vinho, provocando a maturação acelerada. Escolha um local fresco e seco para o armazenamento. A umidade é nociva aos vinhos, provocando a formação de fungos em torno do chumbo que veda a rolha. A adega deve estar sempre limpa, porém não utilize produtos de limpeza. Pano e água já bastam.

Com relação à escolha, 50% dos vinhos devem ser para consumo rápido (6 meses) e a outra metade para guardar. Compra-se o vinho novo, cujo preço é mais acessível e espere que fique pronto para beber após um tempo de repouso na garrafa. A adega deverá conter vinhos que mais lhe agradam.

Com uma adega montadinha e pronta para ser consumida, o amante dos vinhos não pode esquecer dos equipamentos essenciais. Sem saca-rolhas, decanter e copos a apreciação da bebida não pode ser feita.
Saca-Rolhas: O saca-rolhas de alavanca é o melhor que existe. Dá segurança à empunhadura e, geralmente, tem, em uma das extremidades, um pequeno canivete para a remoção do lacre da garrafa. O saca-rolhas modelo T deve ser usado com cuidado de manuseio da garrafa, pois a mesma é levada para baixo e exige muita força para retirar a rolha.

Decanter: O processo de oxigenação do vinho é muito importante. Por isso, é legal ter em casa um decanter de cristal, que também colabora com a higienização do vinho, pois ao decantá-lo a borra natural que o vinho forma fica na garrafa.

Copos: Pasmem, existe um copo para cada tipo de vinho, mas a regra básica determina que:

Vinhos tintos Os copos devem ser bojudos e com boca larga, para favorecer a oxigenação.
Vinhos brancos O corpo do copo pode ser bojudo, mas sua boca deve ser estreita, a fim de preservar os aromas primários.

Champagne e espumantes - A taça deve ser alta para manter por mais tempo a presença do gás

sábado, maio 29, 2004

Mistérios da Páscoa em Idanha

Da autoria de António Catana e Hélder Ferreira a Ésquilo, com data de Abril de 2004, em edição bilingue Português/Inglês, publicou uma excelente obra de divulgação da cultura religiosa - Mistérios da Páscoa, no Concelho de Idanha.



O Concelho do Fundão, durante este Período, tem actividades que merecem um registo equivalente, pela sua riqueza, beleza e vivência participada das comunidades locais. Esperemos que surja uma iniciativa semelhante, no concelho do Fundão, que permita registar para a posteridade estas vivências.
in: Expresso, Guia todos os Espectáculos de 22 a 28 de Maio

Texto e fotografias de José Pereira
Viagem à terra dos cerejais
património histórico, arquitectónico, arqueológico e artístico existente no triângulo Fundão-Alpedrinha-Castelo Novo merece, só por si, figurar com prioridade em todos os memorandos de visitas obrigatórias. Se ainda o não fez, aceite a sugestão e dedique-lhe pelo menos um fim-de-semana. Caso já o tenha feito, lembre-se que há sempre algo a rever, ou um facto novo aqui, um achado ali, uma recuperação acolá. Esta viagem leva-nos também a Alcongosta e depois encosta acima da Serra da Gardunha, para fruir um cená-
A viagem prossegue com o retorno à povoação. Ao atingir o largo Álvaro Martins Batista, rio de relevos e enlevos vários sobre a Cova da Beira. Antes porém, percorramos placidamente o centro histórico da sede do concelho, espiolhando o espólio que nos chegou de centúrias passadas, seja de capelas, igrejas (onde avulta a Matriz), conventos, solares ou de outras construções erguidas a mando de gente nobre.
entre na primeira rua à direita, no sinal para a Quinta do Astieiro. Avance até deparar com um entroncamento (EN i8). Tome a direita em direcção a Alpedrinha. Do muito que há para ver nesta vila, sugerimos que não perca a Estrada Romana, o Chafariz D. João V, a Capela do Leão, a Casa da Câmara, o Palácio do Picadeiro, a Igreja Matriz, o Pelourinho, a Igreja da Misericórdia e o Museu dos Embutidos.


Terminada a passeata, encaminhe-se para a saída do Fundão (sentido de Castelo Branco), e 300 metros à frente corte no sinal para Alcongosta. A aldeia é pequena mas estimula a paragem - quanto mais não seja para apreciar o labor dos artesãos que, debaixo das suas casas, fazem cestaria com as guias dos castanheiros-, a Igreja Matriz, os templos do Espírito Santo, Santa Bárbara e S. Sebastião. Continue rua empinada arriba até desembocar no estradão de terra batida pelo qual acede à Casa do Guarda. Vá com cuidado porque apesar do trajecto ser curto, o piso é algo castigador para os pneus. Chegado ao topo, encha os pulmões de ar puro e a vista com a paisagem. É a Cova da Beira dos cerejais e castanheiros que se revela em todo o seu esplendor: árvores cobertas por florido manto branco por alturas de Abril; viçosas e carregadas de frutos no início do Verão. Em dias límpidos, a paisagem é de extasiar.
Unia panoránica de Alpedrinha Igreja Matriz
do Fundão (à direita) e Castelo Novo visto das muralhas.

O passeio acaba na aldeia histórica de Castelo Novo, rica em arquitectura religiosa, militar, civil pública e civil privada. Quando chegar, o melhor é dirigir-se ao posto de turismo e solicitar um roteiro para o ajudar a gerir o tempo. Como está próximo, pode começar logo ali pelo Chafariz da Bica e continuar pela Igreja da Misericórdia, Igreja Matriz, Castelo, Antigos Paços do Concelho, Fonte de D. João V e por aí adiante, pois é um nunca mais acabar de casas e monumentos.

terça-feira, maio 25, 2004

7º Concurso Fotográfico (2003) da Revista Volta ao Mundo

Em retratos de cor, obteve o 3º Prémio a fotografia "O Peso do Trabalho", de Luís Rei da Lourinhã. A fotografia foi obtida no SABUGAL.


domingo, maio 23, 2004

Eira dos Três Ermos, Serra da Maunça

Para comemorar a resistência das populações serranas às tropas de Junot, no decurso das Invasões francesas, a caminho de Lisboa, realizou-se dia 16 de Maio uma cerimónia evocativa desse acontecimento. Os populares, de forma festiva, aproveitaram o momento para realizar um encontro de Bombos e também para uma merecida merenda. Nesse encontro foi, mais uma vez, celebrado um acordo entre os Presidentes das Câmaras de Castelo Branco e Fundão, para a realização de projectos conjuntos nessa região da serra da Gardunha. Não sei se foram efectuados registos sonoros do encontro de bombos, mas o Jornal do Fundão(20/5/2004) reproduz uma bela fotografia do momento etnomusical.




Para confronto reproduzo uma foto de Michel Giacometi, arquivada no Museu Verdades de Faria, que regista, em Miranda do Douro, em 1992, um trio constituído por caixa, tambolireiro e conchas.


terça-feira, maio 18, 2004

Vinhos da Beira Interior

Não é a análise química dos vinhos que a UBI deve oferecer, se a produção de bons vinhos fosse um problema químico o Reino Unido e a Alemanha seriam os melhores produtores. É na selecção de castas, na enologia e no estudo de materiais utilizados no estágio do vinho, que seria bem-vinda a colaboração da UBI e do Politécnico de Castelo Branco.

in: www.diarioxxi.com


“A Beira Interior têm vinhos estupendos, com qualidade bem controlada”
Durante dois dias, quatro jornalistas escandinavos visitaram adegas da Beira Interior e provaram os vinhos da região. Uma iniciativa de promoção internacional, organizada pela Comissão Vitivinícola Regional da Beira Interior e pela Viniportugal, presidida por Vasco D’Avilize
Francisco Cardona

Que razões levaram a Viniportugal e a Comissão Vitivinícola Regional da Beira Interior (CVRBI) a apostar na vinda de jornalistas nórdicos?
Estes jornalistas vêm dos países nórdicos (Noruega, Suécia e Finlândia) onde o comércio de vinhos não é livre: é feito através de monopólio do Estado. Os mercados estão em abertura, mas ainda não estão completamente acessíveis. Ou seja, para estes países não pode ir um vinho qualquer, somente os que o monopólio escolhe e quer importar. Assim, é indispensável nesses mercados, mais do que noutros quaisquer,
que os jornalistas expliquem que um determinado vinho que provaram faz falta no repertório dos vinhos nacionais. Ou então para que, estando o vinho já listado pelo monopólio, lhe seja dada a atenção que merece.
Quais são os mercados de penetração do vinho português?
Os mercados alvos que a Viniportugal determinou são o próprio mercado nacional e depois os Estados Unidos (Nova Iorque e Flórida) e o Reino Unido. A prioridade seguinte são os países nórdicos e a Alemanha. E é destes quatro países que, regularmente, convidamos jornalistas.
Há algum estudo que oriente os vinhos portugueses para tais mercados?
Há um ano, a Viniportugal contratou um estudo de diagnóstico à Monitor Company do professor Micheal Porter. Segundo o estudo, não estão identificados os pontos positivos e negativos que apontam cada país como mercado alvo. Por exemplo, nos Estados Unidos e Reino Unido o consumo está a subir. São países que podem pagar. Feito este diagnóstico, partimos para um novo relatório, mas detalhado, só sobre aqueles mercados. É uma espécie de plano de marketing em que os produtores possam pegar e saber o que têm de fazer, desde o tipo de vinho que o mercado procura, o tipo de embalagem atractiva em cada mercado, o preço, a escolha do distribuidor. É o mais longe que se pode ir.
E os produtores aceitaram bem esse plano?
Numa das provas realizada nestes dois dias, a Adega Cooperativa de Figueira Castelo Rodrigo veio ter comigo. Disseram-me que a Viniportugal teria de fazer mais pela adega. A Viniportugal não trabalha pela adega X ou pelo produtor Y. Trabalha para todos os vinhos de Portugal e nós não podemos fazer mais do que isto. Quem tem de concretizar são eles.
Como é que caracteriza a produção de vinho na Beira Interior?
A produção de vinho na Beira Interior é pequena, o que é óptimo, porque pode controlar muito bem a qualidade. E controlam. Têm vinhos estupendos, sobretudos os tintos, de qualidade óptima, com características para poderem ter sucesso fora de Portugal. No entanto, no que respeita à embalagem está tudo por fazer. É preciso trabalhar mais os rótulos. A garrafa usada é também muito baratinha e que não tem graça nenhuma - há algumas excepções na Covilhã e em Pinhel, mas nos outros sítios as garrafas são tipo bordalesa, muito pouco atractivas, conotadas pela maior parte das pessoas com os vinhos de mesa.
E o preço?
É preciso cuidado com os preços. Nestes dois dias, provámos vinhos que saem da adega ou do produtor a nove euros e assim não se consegue exportar. Em média, vinhos que em Portugal custam nove euros por garrafa não têm lugar na exportação. Mas a regra na Beira Interior não é essa: a regra é ter preços muito competitivos.
Destacou os vinhos tintos da Beira Interior, mas e os brancos?
Os vinhos brancos são óptimos, porque usam castas locais (Síria ou Fonte Cal), mas depois os vinhos são vendidos com quatro anos de idade. E isso é que não pode ser. O vinho branco tem de ser vendido novo porque, em geral, não é feito para suportar tanto tempo
Mas porque não conseguem escoar, há quem produza espumantes. Como é que vê essa possibilidade?
Acho uma ideia óptima. É outra porta que tem de ser bem explorada.

(CAIXA)
Laboratórios estudam possibilidade
Análises aos vinhos podem vir a ser feitas na UBI
A Universidade da Beira Interior está a estudar a possibilidade de realizar nos seus laboratórios de Química as análises dos vinhos produzidos na região, na sequência de um pedido feito pela Comissão Vitivinícola Regional da Beira Interior (CVRBI). “Estamos a ver se existem todos os equipamentos necessários à realização dessa tarefa”, disse ao Diário XXI o reitor da UBI, Manuel Santos Silva. As análises dos vinhos da Beira Interior, que envolvem cerca de 300 tipos diferentes de PH (grau de acidez), são actualmente realizadas em laboratórios do Instituto do Vinho e da Vinha (IVV) “e são altamente dispendiosas para a comissão”, disse João Pedro Esteves, presidente da CVRBI. Com um orçamento de 125 mil euros anuais, resultante da venda dos selos que são colocados nas garrafas, a CVRBI “tem dificuldades em competir com regiões como o Dão ou a Bairrada”, refere aquele responsável. Além de ser grande a disparidade entre os associados, “essas comissões dispõem de laboratórios próprios, reduzindo assim os custos da actividade”, afirma. A CVRBI dispõe de cinco adegas e sete produtores engarrafadores, enquanto o Dão, por exemplo, dispõe de 23 adegas e mais de 200 produtores engarrafadores.
Sem querer por em causa o ensino e a investigação, o reitor da UBI afirma que “se chegarmos à conclusão que conseguimos fazer todas as análises, estamos disponíveis para prestar este serviço à comunidade”.

(CAIXA)
Presidente da Comissão Vitivinícola pretende acelerar processo
“Todos querem a Rota do Vinho, mas ninguém se mexe”
Com quatro salas de provas preparadas – Adega da Covilhã, Quinta dos Termos, Agrocardo e Casa do Redondo – mas sem resposta das restantes adegas e dos produtores engarrafadores à proposta de estatutos apresentada em Novembro do ano passado, a Rota dos Vinhos da Beira Interior ainda não saiu do papel.
Tida como um elemento importante para a promoção dos vinhos da Região, a Comissão Vitivinícola Regional da Beira Interior (CVRBI) preparou os estatutos há mais de meio ano. “Parece que falta vontade aos agentes económicos”, lamenta João Esteves. “Todos a querem, porque é um bom meio de divulgação (associar o vinho ao turismo), mas nem se pronunciam sobre os estatutos, nem criam as condições para a receber”, afirma o presidente da CVRBI. “Vou ter de marcar uma nova reunião urgente para nomear a comissão instaladora, para conseguirmos dar os passos necessários à realização da escritura e credibilizar a Rota”, acrescenta. Aquele responsável sublinha que existem fundos do Ministério da Economia que financiam os trabalhos até 40 por cento, “mas ninguém os aproveita”. Às quatro salas de provas já existentes, vai juntar-se, nas próximas semanas, a da Adega Cooperativa de Pinhel, cujas as obras interiores estão a ser ultimadas.

(CAIXA)
As estrelas beirãs
Os vinhos produzidos na Beira Interior apreciados pelos quatro jornalistas (dois suecos e dois finlandeses) na quinta e sexta-feira na sub-Região da Cova da Beira foram os seguintes: Piornos DOC Síria 2003; Piornos DOC tinto 2002 e Colheita do Sócio Superior DOC tinto 2001 (Adega Cooperativa da Covilhã); Cova da Beira DOC branco 2003; Praça Velha Reserva DOC tinto 2000 e Fundanus Prestige tinto 2001 (Adega Cooperativa do Fundão); Quinta dos Termos Fonte Cal DOC 2003; Quinta dos Termos Reserva DOC branco 2002 e Quinta dos Termos Reserva DOC tinto 2002 (João Carvalho) e Almeida Garret Reserva VRB branco 2001; Almeida Garret Reserva tinto VRB 2001 e Entre Serra DOC tinto 2001 (Sociedade Agrícola da Beira – Sabe).
Na sub-Região de Figueira Castelo Rodrigo: Castelo Rodrigo DOC branco 2003; Castelo Rodrigo Colheita Seleccionada DOC tinto 2000 e Castelo Rodrigo Touriga Franca DOC 1999 (Adega Cooperativa de Figueira Castelo Rodrigo); Àquila Vinha Espumante Meio Seco branco 1996; Sereno de Mariz Touriga Nacional DOC tinto 2003 (em estágio) e Fontainhas Reserva DOC tinto 1996 (Caves Fontainhas, Vinhos); D’Aguiar VRB branco 2003; D’Aguiar VRB tinto 2003 e Casa D’Aguiar VRB tinto 2001 (D’Aguiar Companhia Agrícola); Quinta do Cardo DOC branco 2002; Quinta do Cardo DOC tinto 2002 e Quinta do Cardo Colheita Seleccionada DOC tinto 2000 (Agrocardo)..

Na sub-Região de Pinhel: Pinhel DOC branco 2003; Pinhel DOC rosado 2003 e Varandas do Castelo DOC tinto 2000 (Adega Cooperativa de Pinhel); Quinta das Vermelhas Trincadeira DOC 2003; Quinta das Vermelhas Touriga Nacional DOC tinto 2003 e BioBranco S. Francisco DOC 2003 (Aurélio Galhardo Coelho); João Tição Síria DOC 2001; Maria Moura VRB rosado 2003 e João Tição Touriga Franca DOC 2001 (Cooperativa Agrícola Beira Serra); Vinha da Condessa DOC branco 2000 e Vinha da Condessa DOC tinto 2000 (Ana Noronha da Costa).
Veja também
“A Beira Interior têm vinhos estupendos, com qualidade bem controlada”
Durante dois dias, quatro jornalistas escandinavos visitaram adegas da Beira Interior e provaram os vinhos da região. Uma iniciativa de promoção internacional, organizada pela Comissão Vitivinícola Regional da Beira Interior e pela Viniportugal, presidida por Vasco D’Avilize

O que faz a Viniportugal
A Viniportugal é uma associação interprofissional que agrupa associações, federações e organizações de profissionais ligadas à produção e ao comércio de vinho (excepto o vinho do Porto). Tem por objectivo apoiar e executar actividades de promoção de vinhos, tanto em Portugal, como no estrangeiro.
Em Novembro do ano passado, a associação inaugurou a Sala do Vinho Português, em Lisboa. Trata-se da

terça-feira, maio 11, 2004

Transcrito de www.auqueobeira.net

Museu Municipal lança Revista EBVROBRIGA

O Museu Arqueológico Municipal José Alves Monteiro, lançou no passado dia 9 de Maio, o primeiro número da revista EBVROBRIGA, revista semestral dedicada às áreas de História, Arqueologia, Património e Museologia. O lançamento decorreu no Salão Nobre da Câmara Municipal do Fundão, e teve como oradores de destaque a Drª Trinidad Nogales e o Dr José Alvarez Martinez, respectivamente conservadora e director do Museo Nacional de Arte Romano de Mérida (MNAR).

"É impossível preservar o que não se conhece"

A sessão iniciou-se com o discurso do Dr Manuel Frexes, Presidente da Câmara Municipal do Fundão, que começou por se congratular pelas presenças de tanta gente ilustre ligada à arqueologia e ao património (Drª Raquel Vilaça, Dr Armando Coelho, Dr Luís Raposo (Director do M.N.A.), Dr Veríssimo Serrão, entre outros...).

A toada do seu discurso passou essencialmente por destacar a riqueza patrimonial que o Concelho do Fundão possui, e que tem vindo, gradualmente, a ser divulgada e investigada salientando a propósito a importância de sensibilizar a população para a preservação de tão importante acervo da História do Concelho.

O presidente da edilidade lembrou ainda a recente batalha travada e ganha pelo município na preservação do Castro da Argemela, "um dos mais bonitos campos patrimoniais pré-romanos da região".

Na hora dos agradecimentos, não deixou como vem sendo habitual, de referir a importância daquele que é a "alma mater" desta revista e do projecto de reabilitação do Museu Arqueológico Municipal José Monteiro, o Dr João Mendes Rosa. Pelo meio, o edil confessou ainda o desejo de no início do próximo ano proceder à inauguração das novas instalações do Museu.

"Uma publicação atractiva"

Tomando a palavra, a Drª Trinidad Nogales, Conservadora do MNAR, salientou a surpresa que a novel publicação constitui, quer pela sua apresentação, quer pela vontade declarada em se assumir como uma publicação que pretende também abarcar a área de museologia, tantas vezes vista como um parente pobre do estudo da História.

Por outro lado, destacou também a importância das publicações do género, já que, "aquilo que fica de nós é o que fica escrito", sublinhando ainda a importância de a comunidade científica dever fazer uso de uma linguagem atractiva nas suas publicações para deste modo, cativar a população em geral, evitando assim o destino de outras publicações que acabam por "morrer" numa comunidade muito restrita.

Finalmente terminou, endereçando as suas felicitações a todos os responsáveis pela revista EBVROBRIGA, "uma publicação de grande dignidade" e desejando felicidades à revista de uma forma bem latina: "Auguri".



Fundão

" Câmara do Fundão lança revista “Eburobriga”

A Câmara do Fundão e o Museu Arqueológico Municipal vão lançar no próximo domingo a revista "Eburóbriga", uma publicação semestral dedicada à história e património do concelho. A apresentação, marcada para as 11horas no Salão Nobre da autarquia fundanense, estará a cargo de Trinidad Nogales, conservadora do Museu Nacional de Arte Romano de Mérida, seguindo-se uma palestra de José Maria Álvares Martinez, director do Museu Nacional de Arte Romano de Mérida, subordinada ao tema "Mérida, capital da Lusitânia Romana: espaço de memória e território de encontro de culturas". ..." (ver notícia...)

in O Interior 6 de Maio



Penha Garcia (Idanha-a-Nova)

" Fósseis passam a imóvel de interesse público

O parque icnológico de Penha Garcia, no vale do Ponsul, vai ser classificado como imóvel de interesse municipal de Idanha-a-Nova. Este é o primeiro passo para fazer do vale do Ponsul - onde estão identificados icnofósseis (marcas da actividade de organismos marinhos) com cerca de 480 milhões de anos - o primeiro geoparque do País, que se juntará a outros criados na Alemanha, França, Grécia e na vizinha Espanha. Uma figura prevista pela UNESCO, no âmbito da protecção do património e, que passa pela definição de um território que dispõe de um património geológico bastante significativo e no qual se deve desenvolver um conjunto de projectos de inventariação, preservação e divulgação dessa riqueza. A aposta na candidatura do vale do Ponsul a geoparque valeu à autarquia de Idanha-a-Nova o prémio Geoconservação 2004, atribuído pelo grupo português da Progeo, a associação europeia para a conservação do património geológico, e que foi entregue na passada quinta-feira, 22, no Centro Cultural Raiano. ..." (ver notícia...)

in Urbi et Orbi 4 de Maio

domingo, maio 02, 2004

in: Cartaxo, Capital do Vinho, suplemento integrante da edição nº 965 de 29 de Abril de 2004 do Semanário O Ribatejo
Enólogo Pedro Gil

Para si a Enologia é uma profissão ou uma paixão?E uma profissão apaixonante.

Como se chega a Enólogo?
Tirando um curso de Enologia ou outro da área das Industrias Agro-Alimentares com especialização em vinhos. Embora a verdadeira especialização seja feita no dia a dia.

Quais são as funções do Enólogo?
Hoje em dia as funções de um Enólogo a tempo inteiro numa Adega são mais abrangentes e vão desde a vinha à própria comercialização através da sua participação em acções de promoção e divulgação. No entanto as principais funções são: a selecção da matéria prima e do seu estado sanitário, bem como todo o acompanhamento desde a produção do vinho até ao seu acondicionamento para consumo.
são estes a ferramenta diária de trabalho para o Enólogo (visão, nariz e boca).
Quais são os principais vectores de actuação do Enólogo na Adega C. Ctx.?
São no Campo, através do acompanhamento do estado de maturação, estado sanitário e controlo de produção (Doc's e Monovarietais). Na Adega, desde a Vinificação, produção de vinhos e produção de engarrafados, bem como laboratório e controlo de qualidade.

Como definiria ao longo do tempo a relação que mantém com os associados da Adega?Normal, na base da confiança e respeito mútuos. De uma forma global é bastante positiva.

Acha que a revisão da PAC favorece o sector da vinha e do vinho?Não conheço o dossier e como tal não tenho opinião formada sobre o assunto.
A enologia exige sentidos apurados. E necessário ter alguns cuidados para os manter?
É verdade, nomeadamente ao nível da acuidade sensorial (visão, olfacto e gosto). Os cuidados são os básicos no que diz respeito aos sentidos mencionados. No fundo
Existem ainda produtores de vinho que dispensam os Enólogos?
Infelizmente sim. Somos um País onde existe a ideia de que de vinhos todos percebemos um pouco. Continua a haver muita uva que todos os anos é subaproveitada produzindo vinhos de qualidade inferior.
Que conselho daria aos compradores de vinhos de Portugal?
Dir-lhes-ia que tivessem em atenção a genuinidade do produto e a sua origem bem como a garantia de qualidade através da compra de vinhos com denominação de origem (Regionais e Doc's).


Porter aposta no "cluster" do vinho português

A nossa vitivinicultura pode ter um grande futuro no mercado da globalização. Mas para isso é necessária uma visão estratégica e um conjunto de medidas consideradas fundamentais para aumentar a competitividade do "cluster" do vinho português ao longo da próxima década. Este o resultado do estudo apresentado pela empresa de consultoria de Michael Porter, realizado a pedido da ViniPortugal. Entre as múltiplas propostas apresentadas pelos especialistas que conduziram o estudo e elaboraram o respectivo relatório, salientam-se as seguintes:
1 - Aumentar em valor até 2010 as exportações portuguesas de vinho de qualidade passando para mais 35% dos rendimentos do sector e atingir um rendimento total anual de mil milhões de Euros,
contra os actuais 757 milhões em 2002;
2 - Concentrar esforços na promoção e manutenção da categoria "Portugal" no Reino Unido e nos EUA;
3 - Desenvolver e expandir os vinhos portugueses na categoria super-premium (entre 8 - 14 Euros);
4 - Melhorar significativamente a apresentação e a imagem dos vinhos portugueses em mercados de exportação;
5 - Investir em investigação de mercado para apurar que castas e lotes se adaptam melhor aos mercados alvo;
6 - Aumentar a escala e o capital das empresas do sector através de operações de consolidação e de investimento;
7 - Melhorar a qualidade das uvas através da introdução sistemas de pagamento da uva baseado na qualidade e aumento
médio da dimensão das parcelas com vinha para áreas superiores ou iguais a 5 hectares;
8 - Proteger, de forma agressiva, as classificações DOC e Regional através da elevação de standards de qualidade;
9 - Criar uma Indicação Geográfica Portugal que permita inovar, mas sem danificar as classificações DOC e Regional;
10 - Promover e aumentar a colaboração entre a indústria e as instituições de investigação e desenvolvimento no sentido de desenvolver 3 a 5 tipos de vinho português distintivos;
11- Profissionalizar os gestores e incentivar a certificação ISO no sector;
12 - desenvolver sinergias e iniciativas conjuntas entre o sector do vinho e o do turismo.

quarta-feira, abril 28, 2004

Carvalho francês e americano? Porque não Carvalho Lusitano? Já foram estudadas as características do Carvalho da Beira Interior no apuramento de vinhos? Da minha infância recordo o sabor, nunca mais encontrado, dos vinhos envelhecidos nas pipas produzidas de carvalho da Beira Interior. Reparem na diferença de comportamento entre aquilo que é descrito na entrevista, em que um brasileiro, enólogo de mérito internacional, vai para os Estados Unidos fazer um tese de mestrado sobre a diferença entre a utilização do carvalho francês e americano. E nós produtores de vinhos o que fazemos? Copiamos, se alguém diz que o carvalho francês permite fazer vinhos de qualidade, importam-se pipas de carvalho francês de França. E o nosso conhecimento, de séculos, num domínio em que somos competitivos a nível internacional, ver Relatório Porter? É assim, de menosprezamos a nossa cultura e o nosso conhecimento. Comparem a qualidade do mesmo vinho colocado em estágio em carvalho francês e carvalho lusitano e tirem conclusões. Garanto-lhes que o do carvalho lusitano é superior, mas estudem, investiguem e sobretudo valorizem os produtos nacionais.

ver: http://www.naturlink.pt/canais/Artigo.asp?iCanal=1&iSubCanal=1&iArtigo=1895&iLingua=1


in: http://www.tapadademafra.pt/flora.htm
O carvalho cerquinho (Quercus faginea), também conhecido por carvalho lusitano ou português, é uma árvore de porte médio, muito ramificada e com uma ampla copa. Não é bem uma árvore de folha caduca, pois a folha cai mais tarde do que é normal, caindo por acção dos ventos de inverno.

Espécie de Portugal e Espanha, é espontânea no Centro e Sul do País.

Prefere os climas suaves e quentes e parece crescer bem em solos calcários.

Juntamente com o sobreiro é a árvore emblemática da Tapada Nacional de Mafra, o seu fruto é uma importante fonte de alimento para os animais.




in: www2.uol.com.br/gula/entrevista/121_paul_hobbs.shtml
Por: José Maria Santana

Entrevista



O VINHATEIRO ITINERANTE
Paul Hobbs, responsável pelo sucesso dos vinhos da casa Catena e um dos pais do Opus One, grande vinho da californiana Mondavi, fala de suas apostas enológicas


O nome Catena é hoje uma espécie de ícone do vinho argentino. Seus tintos são sempre incluídos entre os melhores do mundo por críticos especializados da Europa e dos Estados Unidos. A reconhecida qualidade dos produtos des-sa vinícola situada no coração de Mendoza, na Argentina, é sempre atribuída à sensibilidade e capricho do empresário Nicolas Catena, seu proprietário. Mas, quando perguntam ao próprio Catena a que se deve o salto dado por seus vinhos em direção ao topo, ele faz uma surpreendente revelação: ao trabalho do enólogo americano Paul Hobbs. Embora não muito conhecido fora do circuito dos especialistas, Hobbs tem uma intensa carreira como consultor. Nos últimos anos, ele se transformou em um bem-sucedido flying winemaker, dividindo o tempo entre vinícolas da Califórnia, Chile e Argentina, para as quais presta serviço, e a própria empresa nos Estados Unidos, a Paul Hobbs Winery, instalada em Sebastopol, no vale californiano de Sonoma. Quem primeiro reconheceu o talento de Hobbs foi Robert Mondavi, o cultuado produtor da Califórnia. Mondavi soube que o jovem estudante do curso de enologia da Universidade da Califórnia, em Davis, havia preparado uma tese de mestrado sobre as qualidades das barricas de carvalho na maturação dos vinhos e imediatamente o contratou para trabalhar em sua empresa, como pesquisador. Logo Hobbs passou a fazer parte do time que desenvolveu o mítico tinto Opus One e, em 1981, foi promovido a enólogo-chefe da casa Mondavi, posição que ocupou por quatro anos. Ao sair, foi contratado pela Simi Winery, na qual chegou a vice-presidente. No fim da década de 80 ele resolveu conhecer de perto o que se fazia em outros países do chamado Novo Mundo vinícola e visitou vinhedos do Chile e da Argentina - quando conheceu Nicolas Catena. Um ano depois, em 1989, Hobbs foi convidado a desenvolver o Chardonnay da Bodega Esmeralda, a vinícola de Catena, em Mendoza. Ali ele é que foi surpreendido ao descobrir todo o potencial da Malbec, casta tinta originária da França, mas que encontrou na Argentina condições excepcionais para se desenvolver. Desde então, Hobbs dedicou-se a dar consultoria. Como o famoso enólogo francês Michel Rolland, ele integra o círculo restrito de vinhateiros que saem pelo planeta ajudando pequenas vinícolas a tirar o máximo de qualidade de seus vinhedos. No caso de Hobbs, há uma particularidade: ele é um artesão do vinho. Gosta de trabalhar pequenas áreas, de moldar a bebida de uma única casta, de um único vinhedo. É o que ele faz em uma vinícola que possui em Mendoza, em sociedade com um casal de amigos argentinos, onde produz o Cobos, um super Malbec. Nesta entrevista a Gula, ele falou de trabalho e de suas idéias como enólogo. Hobbs disse que a Califórnia hoje não quer mais imitar a França e que aposta mais na qualidade do vinho argentino que na de seus vizinhos chilenos.

Como começou seu interesse pelo vinho?
Minha primeira experiência foi quando meu pai trouxe para casa uma garrafa muito especial. Isso foi no fim da década de 60. Nunca tivemos um vinho à mesa. Então, meu pai foi a uma loja em Buffalo e pediu ao balconista um bom vinho. Ele nos vendeu um Château d'Yquem maravilhoso. A partir daquele dia, meu pai e eu ficamos muito interessados em vinhos, e começamos a plantar uvas. Durante os quatro anos de minha faculdade, na Universidade de Notre-Dame, o ajudei a cuidar do vinhedo. No último ano da universidade, conheci um professor de botânica que trabalhava como produtor de vinhos no Napa Valley.


Que orientação recebeu desse professor?
Ele me incentivou a ir estudar na Universidade da Califórnia, em Davis, onde fiz mestrado em enologia. Lá, pesquisei a influência do carvalho na maturação dos vinhos, as diferenças entre o carvalho francês e o americano. Um dos pioneiros a usar o carvalho foi Robert Mondavi. Qual é a diferença entre o carvalho francês e o americano para o vinho? Já se sabia que há mais baunilha no carvalho americano que no francês, mas nós ajudamos a precisar quanto. Descobri, nessa pesquisa, que há cerca de 2,5 vezes mais baunilha no americano que no francês.

Alguns vinhos envelhecem melhor em carvalho americano e outros em carvalho francês?
Acredito que sim. É uma questão de gosto e de estilo. Mas, em minha opinião, os melhores vinhos de mesa do mundo são envelhecidos em carvalho francês. É um carvalho mais transparente, mais sutil. O americano é mais agressivo, há o risco de a madeira se sobrepor à fruta.

Como foi seu trabalho com Robert Mondavi?
Fui contratado pela Mondavi em 1978. No ano seguinte a empresa se associou à casa francesa Mouton-Rothschild e deu um grande salto. Por causa do meu trabalho de mestrado, Mondavi me convidou a fazer parte do time que desenvolveu o tinto Opus One.

Como era o estilo californiano naquele período?
A produção de vinhos de qualidade ainda estava no estágio inicial. A abordagem californiana era mais técnica. É claro que os franceses também se preocupavam com a técnica, mas eles queriam também vinhos com arte, com alma. Foi um momento fascinante no desenvolvimento da indústria de vinhos na Califórnia, porque você tinha essas duas filosofias juntas. Isso ajudou a mudar a maneira de os californianos produzirem vinho.

E o trabalho com a família Catena?
Nicolas Catena me convidou para trabalhar basicamente com vinhos brancos. O seu desejo era produzir um excelente Chardonnay, em Mendoza.

Na época, a Catena já tinha grandes vinhos?
Não, não. Eles não tinham nada. Os vinhos eram quase imbebíveis. Eles vendiam vinho em embalagens Tetra Pak e os melhores eram bem precários.

O que foi feito para melhorá-los?
Todas as manhãs, eu e o Pedro Marchevsky, responsável pela parte agrícola da empresa, andávamos por todos os vinhedos e por todas as zonas importantes de Mendoza, como Agrelo, Lujan, Perdriel. Marchevsky me ensinava sobre as características das frutas locais. À tarde, com o enólogo da casa, Jose Galante, eu fazia testes na cantina. Nós não tínhamos barricas de carvalho para produzir Chardonnay, então eu estava trabalhando e ensinando apenas como fazer um vinho básico, com a fermentação malolática, que eles nunca haviam feito antes.

E em relação ao Malbec?
Os primeiros Malbec só surgiram em 1995. Nicolas Catena achava que aquela variedade não daria um bom vinho, daí ele ser contra a produção de Malbec. Isso mudou graças a um francês chamado Sig Moreau, que me pediu para fazer consultoria para uma vinícola do Chile. A empresa queria introduzir o carvalho americano e para isso pretendia fazer uma degustação às cegas, comparando os vinhos deles com os de outros produtores. No Chile, envelhecemos Cabernet Sauvignon em barris e perguntei ao Sig Moreau se poderíamos utilizar também um Malbec da Argentina. Então, envelhecemos Malbec nos barris de carvalho americano. Quando Nicolas experimentou o vinho, ficou surpreso ao ver como era bom.

Quais são seus projetos atuais na Argentina?
Minha prioridade é a vinícola Cobos. Deixei a Catena em 1997 e me associei a um casal de amigos, Andrea Marchiori e Luis Barraud. Tentamos produzir nosso primeiro Malbec em 1998, mas foi uma safra horrível. O vinho, que até era bom, não envelhecia, oxidava rapidamente. Já em 1999, após algumas modificações nos vinhedos e na vinificação, conseguimos produzir um Malbec concentrado.

Qual é o estilo Paul Hobbs?
Meu estilo é nunca permitir que o carvalho domine, invente ou modifique demais o vinho. Quer dizer, é possível lembrar de vinhos criativos, inventivos, como alguns australianos. Mas, se você provar um vinho Paul Hobbs, perceberá um estilo muito natural, porque só trabalho com leveduras nativas e bactérias nativas. Eu não adiciono leveduras produzidas em culturas. É uma espécie de harmonia entre o local e a fruta cultivada no local, que obviamente expressa esse lugar.

Os vinhos de Paul Hobbs são importados pela Aconcágua Premium tel.: (11) 3443-6410


Novembro/ 2002. Edição 121