in:Diario XXI
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Museu dos Sons de referência europeia em projecto na Covilhã
Quinta-Feira, 12 de Julho de 2007
Director artístico da Banda da Covilhã revela ideia ao Diário XXI
Segundo José Cavaco, uma equipa de trabalho está reunida para candidatar o Museu dos Sons ao Quadro de Referência Estratégica Nacional. Aquele responsável promete um espaço interactivo com tecnologia de ponta para revitalizar o centro histórico da Covilhã
Luís Fonseca
Aos 63 anos de vida, a Banda da Covilhã pretende criar um museu inovador no centro histórico da cidade: um Museu dos Sons, para mostrar as mais recentes descobertas científicas relacionadas com a audição, algum espólio da Banda, entre outros espaços. A criação de um repositório central de partituras para as bandas filarmónicas de todo o País, recuperando antigas peças e adquirindo novas obras, é outra das ideias associada ao projecto dinamizado por José Cavaco, director artístico da Banda.
“Juntámos uma equipa de trabalho que está a tratar de todos os detalhes, incluindo o projecto de arquitectura”, refere aquele responsável. A ideia já foi apresentada à Câmara da Covilhã, à qual foi solicitada a disponibilização de um espaço. A ideia está a ser avaliada pela autarquia. “Há muitos edifícios devolutos no centro histórico e este é um projecto capaz de revitalizar a zona nobre da cidade”, destaca José Cavaco. “O que está a ser planeado é um museu de referência a nível europeu, que acabará por levar pessoas a outros pontos da cidade”, realça.
INTERACTIVIDADE E TECNOLOGIA
José Cavaco recusa-se a prever um orçamento ou referir detalhes do edifício antes de 2008, mas uma coisa garante: o Museu dos Sons “não vai ser um museu clássico, com um espólio de instrumentos e onde se percorre a história da música”. “Vai ser um espaço interactivo”, onde a componente científica será a mais importante, refere.
Monitores que mostram aos visitantes que áreas do seu cérebro são estimuladas consoante os sons e computadores para editar som em formato digital, são dois exemplos do que está previsto. “Vamos juntar tecnologia de ponta com as investigações em Física, Psicologia e Neurociências”, sublinha. Segundo José Cavaco, o objectivo é estabelecer uma ligação íntima ao ensino superior, nomeadamente à Universidade da Beira Interior, onde é docente na Faculdade de Ciências da Saúde.
SERVIÇOS EDUCATIVOS
Seja como for, o espólio da Banda da Covilhã não será esquecido e terá o seu próprio local de exposição, bem como outras peças ligadas à tradição musical regional e filarmónica. Haverá também espaços para apresentação de música ao vivo.
Parte do projecto é dedicada a serviços educativos, transferindo para o museu as actuais aulas de música gratuitas leccionadas na Banda da Covilhã, para além da planificação de actividades pedagógicas ligadas a todo o conteúdo do Museu.
“No início de 2008 esperamos ter documentação pronta para avançar com o Museu”, sublinha José Cavaco. “Vem aí o Quadro de Referência Estratégica Nacional (QREN) e nós queremos candidatar este projecto a financiamento europeu”, conclui.
Criar um arquivo de música de sopro
José Cavaco toca clarinete e não esconde o sonho de, a par do Museu dos Sons, ajudar a criar um arquivo histórico nacional de música de sopro. “É um trabalho um tanto ou quanto megalómano, em que uma das componentes passa por reunir o espólio de compositores portugueses”.
Segundo refere, na área das cordas já há algum trabalho de recolha realizado, “mas ao nível dos instrumentos de sopro não existe”. “Há bandas com 200 anos e mais, com um património musical que vale a pena preservar, sob pena de se perder”, refere.
Outra vertente tem por objectivo criar um repositório central de partituras para as bandas filarmónicas de todo o País, recuperando antigas peças e adquirindo novas obras, centralizando o processo de compra.
A equipa e os desafios
Da equipa de trabalho que está a preparar o projecto do museu do som, fazem parte, entre outras pessoas, Elisa Pinheiro, directora do Museu de Lanifícios da Universidade da Beira Interior (UBI), o próprio reitor da UBI, Manuel Santos Silva, e membros de diferentes departamentos da Universidade, nomeadamente, dos departamentos de Ciências Médicas, Física e Psicologia. “Cada um tem algo para explicar: a Física pode mostrar como é feito um som, as Ciências Médicas explicam como os ouvimos e a Psicologia demonstra as nossas reacções ao escutar determinadas coisas”, exemplifica.
ASSOCIAÇÃO OU FUNDAÇÃO?
Entre os pormenores que o grupo de trabalho vai ter que estudar para definir o projecto “preto no branco”, está o modelo que vai sustentar todo o museu. “Este é um projecto que pode levar cinco ou 10 anos a concretizar. Já nos questionamos sobre se basta uma associação como a Banda, onde as direcções podem mudar, para o suportar”, refere José Cavaco. “Já nos passou pela cabeça, por exemplo, criar uma fundação dedicada ao museu, ou procurar mais apoio no mecenato”, refere.
Entretanto, decorrem conversas com um arquitecto, sobre as valências do museu e o desenho que deverá ter o futuro edifício. “Ainda é cedo para adiantar pormenores do espaço físico em si”, conclui.
Com concerto no último dia, no Jardim Público
II Estágio de 30 de Julho a 2 de Agosto
“A Covilhã, os Músicos e a Música” é o lema do II Estágio de Banda Sinfónica da Covilhã, à semelhança do I Estágio, a realizar de 30 de Julho a 2 de Agosto. “O presente estágio tem como principal objectivo contribuir para a valorização do Interior do País através de uma realidade cultural incontornável – a riqueza, os valores e os excelentes
instrumentistas na área dos sopros”, refere José Cavaco, na apresentação da próxima iniciativa da Banda.
“Foi constituída uma equipa formadora que será responsável pela parte técnica
do estágio num total de 12 Professores”, refere. O Maestro responsável pelo II Estágio,
em conjunto com o Maestro da Banda da Covilhã, é o Maestro Francisco
Ferreira, com larga experiência nesta área.
A história e o presente da Banda
A Banda da Covilhã saiu à rua pela primeira vez no dia 1 de Dezembro de 1944. A 28 de Dezembro de 1944 era eleita a primeira direcção da Associação Musical Recreativa da Covilhã. “O movimento musical de então tinha tal espírito que, anualmente na passagem de cada aniversário, em seu redor, envolvia um número significativo de associados, que com ele percorriam as ruas da cidade. Não é difícil perceber que enraizada num espaço fundamentalmente fabril, acompanhada no afecto pelo operário do local, a Banda da Covilhã viveu até 1974 convulsões sociais de todo próprias para o seu engrandecimento”, refere o historial da Banda, na Internet, em http://bandadacovilha.weebly.com onde estão outros detalhes da colectividade. Em 5 de Maio de 1992, a Associação foi vítima de um violento incêndio que destruiu a sua sede (Travessa do Senhor da Paciência). Em 1 de Dezembro de 1992, aquando da comemoração do seu aniversário, a Câmara da Covilhã cedeu instalações para a inauguração da nova sede, junto ao Jardim Público.
A ACTUALIDADE
Actualmente, a Banda da Covilhã conta com uma Escola de Música em fase de reestruturação, após dois anos de interrupção. “A banda em si passa por um projecto diferente – avançando com a génese da Banda Sinfónica da Covilhã. Conta com o apoio do Conservatório Regional de Música da Covilhã e da Escola Profissional de Artes da Covilhã – EPABI. Muitos dos seus músicos são alunos destas instituições e colaboram com a Banda”, refere a instituição.
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quinta-feira, julho 12, 2007
segunda-feira, junho 11, 2007
Caderno Actual do Expresso







Lusitânia
Viriato, o primeiro guerreiro
O museu do Fundão recupera a identidade dos lusitanos e revela-nos o seu território, reacendendo o debate à volta da mitologia deste povo
terça-feira, abril 03, 2007
Actividades em MuseusMuseus
NOTA àS REDACÇÖES Gulbenkian: Quatro finalistas do prémio para museus...
A notícia com o título "Gulbenkian: Quatro finalistas do prémio para museus e galerias no Reino Unido" saiu, erradamente, sem indicação de EMBARGO ATÉ àS 00:01 de 04 de Abril 2007.
REPETE-SE A NOTÍCIA COM A INDICAÇÄO DE EMBARGO EMBARGO ATÉ àS 00:01 DE 04 ABRIL 2007 Lisboa, 04 Abr (Lusa) - Dois museus vitorianos, a primeira galeria britânica a reduzir para metade as emissões de carbono e o mais pequeno palácio real inglês são os finalistas do Prémio Gulbenkian para museus e galerias 2007, informou hoje a Fundação.
Os finalistas foram escolhidos de uma lista de 10 candidatos, uma operação que, segundo a presidente do júri, Francine Stock, "não foi fácil".
"São dez museus muito diferentes, cada qual com a sua forma muito particular de atrair a comunidade local e novas audiências para colecções e exposições, e é entusiasmante ver o crescimento do número de visitantes", disse.
Os dois museus vitorianos finalistas - West Park Museum e Kelvingrove Art Gallery& Museum for their New Century Project - operam, respectivamente, em Sheffield e em Glasgow.
Os dois outros finalistas são o Kew Palace, que foi retiro de campo do rei George III, em Surrey, e a Pallant House, em Chichester, West Sussex.
Além de Francine Stock, fazem parte da equipa que escolherá o vencedor Tristram Besterman, consultor museológico, Richard Calvocoressi, director da Scottish National Gallery of Modern Art, Jonatham Glancey, editor de arquitectura e design do jornal The Guardian, Mark Miodownik, cientista, Dan Snow, historiador, e Mohini Sule, apresentador de programas culturais.
O nome do vencedor do prémio, no valor de 100 mil libras, cerca de 150 mil euros, será divulgado a 24 de Maio em Londres, no Royal Institute of British Architects.
O Prémio Gulbenkian para museus e galerias, o maior atribuído anualmente no Reino Unido, distingue "um projecto que conjugue qualidade, inovação e capacidade de mobilizar públicos".
O vencedor do ano passado foi o navio Brunel S.S.
Great Britain, o primeiro grande vapor para transporte de pessoas do mundo, actualmente ancorado em Bristol e transformado em museu.
EMBARGO ATÉ àS 00:01 DE 4 ABRIL 2007 RMM.
Lusa/Fim
A notícia com o título "Gulbenkian: Quatro finalistas do prémio para museus e galerias no Reino Unido" saiu, erradamente, sem indicação de EMBARGO ATÉ àS 00:01 de 04 de Abril 2007.
REPETE-SE A NOTÍCIA COM A INDICAÇÄO DE EMBARGO EMBARGO ATÉ àS 00:01 DE 04 ABRIL 2007 Lisboa, 04 Abr (Lusa) - Dois museus vitorianos, a primeira galeria britânica a reduzir para metade as emissões de carbono e o mais pequeno palácio real inglês são os finalistas do Prémio Gulbenkian para museus e galerias 2007, informou hoje a Fundação.
Os finalistas foram escolhidos de uma lista de 10 candidatos, uma operação que, segundo a presidente do júri, Francine Stock, "não foi fácil".
"São dez museus muito diferentes, cada qual com a sua forma muito particular de atrair a comunidade local e novas audiências para colecções e exposições, e é entusiasmante ver o crescimento do número de visitantes", disse.
Os dois museus vitorianos finalistas - West Park Museum e Kelvingrove Art Gallery& Museum for their New Century Project - operam, respectivamente, em Sheffield e em Glasgow.
Os dois outros finalistas são o Kew Palace, que foi retiro de campo do rei George III, em Surrey, e a Pallant House, em Chichester, West Sussex.
Além de Francine Stock, fazem parte da equipa que escolherá o vencedor Tristram Besterman, consultor museológico, Richard Calvocoressi, director da Scottish National Gallery of Modern Art, Jonatham Glancey, editor de arquitectura e design do jornal The Guardian, Mark Miodownik, cientista, Dan Snow, historiador, e Mohini Sule, apresentador de programas culturais.
O nome do vencedor do prémio, no valor de 100 mil libras, cerca de 150 mil euros, será divulgado a 24 de Maio em Londres, no Royal Institute of British Architects.
O Prémio Gulbenkian para museus e galerias, o maior atribuído anualmente no Reino Unido, distingue "um projecto que conjugue qualidade, inovação e capacidade de mobilizar públicos".
O vencedor do ano passado foi o navio Brunel S.S.
Great Britain, o primeiro grande vapor para transporte de pessoas do mundo, actualmente ancorado em Bristol e transformado em museu.
EMBARGO ATÉ àS 00:01 DE 4 ABRIL 2007 RMM.
Lusa/Fim
sexta-feira, março 02, 2007
No Museu das artes e Ofícios em Alcains, a partir de Julho
in: Diário XXI
ARCA reabre Museu das Artes e Ofícios em Julho
Sexta-Feira, 02 de Março de 2007
Associação Recreativa e Cultural de Alcains comemora 20 anos de existência
Apesar do programa de celebração do 20º aniversário ainda não estar totalmente alinhavado, uma coisa é certa: o ano vai ficar marcado na história da colectividade com a reabertura do Museu, em Julho, após seis anos sem instalações
Liliana Machadinha
No ano em que a Associação Recreativa e Cultural de Alcains (ARCA) comemora o seu 20º aniversário, a direcção promete melhorar as condições da sede e a organização de várias actividades. A reabertura do Museu das Artes e Ofícios, encerrado há seis anos, é o ponto alto do programa de 2007. "Vamos reabrir portas, em Julho, num espaço que a Junta de Freguesia nos cedeu", anuncia Andreza Teixeira, presidente da ARCA.
O Museu de Artes e dos Ofícios "continua a ser o grande projecto da associação". Funcionava no antigo Solar do Goulões, espaço que actualmente alberga o Museu do Canteiro, e teve de encerrar quando o espaço entrou em obras. Curiosamente, a ARCA vai agora ocupar o edifício onde funcionava o Museu dedicado ao trabalho da pedra, na Rua das Fontaínhas.
Até à reabertura, a Associação vai dedicar-se a “restaurar todo o espólio, que entretanto se foi degradando", lamenta a dirigente, que explica: "O material esteve empacotado durante seis anos, em condições que não eram as melhores, e perdemos algumas peças. Ainda assim, temos as suficientes para reabrir e mostrar condignamente as artes e ofícios da vila".
O sapateiro, o carpinteiro, o latoeiro, o marceneiro e o pedreiro são algumas das profissões que poderão ser revisitadas no Museu, refere Andreza Teixeira. Todo o material de exposição foi doado à ARCA tanto pelos próprios artífices como por familiares. Da extinta banda filarmónica local, receberam instrumentos e fardas.
ANO DE COMEMORAÇÃO DO ANIVERSÁRIO
Para comemorar o 20º aniversário, Andreza Teixeira adianta que serão organizadas diversas actividades. "Ainda não temos tudo decidido, porque trabalhamos um pouco em cima do joelho. Isto é, não realizamos um plano de actividades fixas. Falamos, decidimos e fazemos de imediato, porque muitos dos membros estão fora, em trabalho ou a estudar, e estamos sempre limitados no que toca à disponibilidade. Executamos sobre pressão, mas corre sempre tudo muito bem e melhor do que se fosse programado seis meses antes, por exemplo", graceja a presidente.
Sem adiantar pormenores sobre o programa, revela que estão a organizar um ciclo de teatro para os meses de Abril e Maio. "Será um intercâmbio, porque vamos convidar companhias com quem já trabalhámos no passado", refere.
Também em Abril, a colectividade organiza uma feira do livro. "O ano passado não foi possível por falta de instalações. Este ano já podemos, porque irá ser feita exactamente na actual sala da direcção da ARCA, uma vez que vai ficar livre", explica. Para esta iniciativa, a Associação Recreativa e Cultural de Alcains pretende convidar um escritor da região que tenha lançado um livro nessa altura ou com publicação agendada para breve. "Queremos dinamizar a feira, para que seja diferente dos restantes anos", esclarece.
Já no último fim-de-semana de Agosto, a ARCA realiza, como é hábito, a Festa das Papas. A iniciativa vai contar com a actuação de um rancho folclórico e, nessa mesma data, a colectividade promove também uma mostra de ofícios. "Pretendemos com esta iniciativa divulgar o nosso Museu, até porque vamos ter vários artesãos a trabalhar ao vivo, dando mais vida à Feira".
Para além das actividades do 20º aniversário, o ano fica também marcado pela requalificação da sede. Conforme explica Andreza Teixeira, ficará no mesmo edifício, mas noutra divisão com mais condições. "O final das obras está previsto para Março e contamos mudar logo para lá". Também o pátio, junto às salas da escola de música e d’A Carroça irá ser requalificado, pois "pretendemos fazer aqui cafés concerto e outras actividades de ar livre", adianta a presidente da ARCA.
ASSOCIAÇÃO "RESSENTIDA" COM CÂMARA DE CASTELO BRANCO
Apesar do dinamismo que a ARCA apresenta, a responsável refere que muitos outros projectos não passaram do papel por falta de dinheiro. "Houve muita coisa que poderíamos ter feito, mas que não foi possível porque não tivemos apoios", refere, queixando-se da autarquia albicastrense. "À Junta de Freguesia de Alcains não podemos apontar nada, porque tem sido incansável e financia-nos em tudo o que pode. Mas a Câmara de Castelo Branco já é outra história", critica Andreza Teixeira. Segundo conta, o subsídio da edilidade deixou de chegar há dois anos e "sem qualquer espécie de justificação", queixa-se. "A ARCA está muito ressentida com esta situação, porque mostramos trabalho, e bom trabalho, e mesmo assim não nos apoiam. Não nos reconhecem o mérito e o que temos feito para levar o nome da vila e mesmo de Castelo Branco a todo o País".
Apesar das dificuldades financeiras, Andreza Teixeira promete que as actividades da ARCA não vão parar. "Vamos continuar a trabalhar e a fazer o que podemos, com o dinheiro das quotas e apoio da Junta, mas há projectos muito interessantes que temos em papel que não são exequíveis com o orçamento limitado que dispomos", lamenta a dirigente.
ARCA foi criada para dinamizar vila
20 anos em retrospectiva
Criada em 1987, o objectivo foi, desde o primeiro momento, dinamizar a vila de Alcains, conta Andreza Teixeira. Pouco tempo depois, "A Carroça", fundada cinco anos antes, filiou-se à colectividade porque "não fazia sentido haver uma associação sem grupo de teatro e um grupo de teatro sem uma associação", explica, acrescentando que alguns do membros fundadores da ARCA já pertenciam à Carroça. Com o passar do tempo, a colectividade criou ainda a rádio "Um" e o "Jornal de Alcains", do qual ainda detêm a patente, mas que terminou por falta de condições e recursos humanos especializados na área, esclarece. No seio da ARCA foi ainda criada a Orquestra Típica de Alcains, "mas que se autonomizou e deixou de ser uma secção da associação", conta.
Actualmente, têm uma escola de música e "A Carroça", para além de terem desenvolvido todo o projecto do Museu de Artes e Ofícios.
A ESCOLA DE MÚSICA
Viola, flauta, órgão e bateria são os instrumentos que os cerca de 120 alunos aprendem a tocar na escola de música da ARCA, criada há 13 anos. Estão agora a formar um grupo de bombos destinado aos aprendizes mais novos, entre os seis e os 12 anos, e que estarão prontos para dar um concerto no final deste ano, "de forma a mostrar aos pais o investimento feito".
Para a presidente da associação, a escola de música "é de uma importância extrema", porque "desenvolve o interesse pelas artes". Para além desta justificação, apresenta uma segunda: "Tem ajudado muitas pessoas a decidir que rumo escolar tomar, pois daqui já saíram muitos alunos que seguiram o conservatório e que acabam por trabalhar ou ficar sempre ligados a esta área".
A CARROÇA
Com 25 anos de existência, "A Carroça" vem reforçar o espírito de dinamismo da ARCA. "Não param, estão constantemente a estudar e produzir projectos tanto para adultos como para crianças. Aqui não fazemos discriminação de idades", graceja a presidente. Actualmente, têm em cena a peça "Guarda Vento", estreada em Dezembro último, e produzida a partir de um texto de António Torrado. "Nunca reproduzimos os originais. Apenas nos servem de base para os transformarmos", descreve a dirigente. Para o futuro, adianta que até ao final do ano esperam conseguir apresentar um novo trabalho, "mas ainda não é certo, porque depende da disponibilidade dos membros e do orçamento disponível".
Actualmente o grupo de teatro conta com 15 pessoas responsáveis pela criação dos espectáculos. Mas "há sempre sócios e amigos que nos ajudam a pôr tudo de pé, porque uma peça precisa mais ou menos de 30 pessoas a trabalhar nos cenários e vestuário, nomeadamente".
Ficha Técnica:
Fundação: 24 de Abril de 1987
Sócios: 100
Quota anual: 12 euros
Morada: Largo de Santo António, apartado 35, 6005 Alcains
ARCA reabre Museu das Artes e Ofícios em Julho
Sexta-Feira, 02 de Março de 2007
Associação Recreativa e Cultural de Alcains comemora 20 anos de existência
Apesar do programa de celebração do 20º aniversário ainda não estar totalmente alinhavado, uma coisa é certa: o ano vai ficar marcado na história da colectividade com a reabertura do Museu, em Julho, após seis anos sem instalações
Liliana Machadinha
No ano em que a Associação Recreativa e Cultural de Alcains (ARCA) comemora o seu 20º aniversário, a direcção promete melhorar as condições da sede e a organização de várias actividades. A reabertura do Museu das Artes e Ofícios, encerrado há seis anos, é o ponto alto do programa de 2007. "Vamos reabrir portas, em Julho, num espaço que a Junta de Freguesia nos cedeu", anuncia Andreza Teixeira, presidente da ARCA.
O Museu de Artes e dos Ofícios "continua a ser o grande projecto da associação". Funcionava no antigo Solar do Goulões, espaço que actualmente alberga o Museu do Canteiro, e teve de encerrar quando o espaço entrou em obras. Curiosamente, a ARCA vai agora ocupar o edifício onde funcionava o Museu dedicado ao trabalho da pedra, na Rua das Fontaínhas.
Até à reabertura, a Associação vai dedicar-se a “restaurar todo o espólio, que entretanto se foi degradando", lamenta a dirigente, que explica: "O material esteve empacotado durante seis anos, em condições que não eram as melhores, e perdemos algumas peças. Ainda assim, temos as suficientes para reabrir e mostrar condignamente as artes e ofícios da vila".
O sapateiro, o carpinteiro, o latoeiro, o marceneiro e o pedreiro são algumas das profissões que poderão ser revisitadas no Museu, refere Andreza Teixeira. Todo o material de exposição foi doado à ARCA tanto pelos próprios artífices como por familiares. Da extinta banda filarmónica local, receberam instrumentos e fardas.
ANO DE COMEMORAÇÃO DO ANIVERSÁRIO
Para comemorar o 20º aniversário, Andreza Teixeira adianta que serão organizadas diversas actividades. "Ainda não temos tudo decidido, porque trabalhamos um pouco em cima do joelho. Isto é, não realizamos um plano de actividades fixas. Falamos, decidimos e fazemos de imediato, porque muitos dos membros estão fora, em trabalho ou a estudar, e estamos sempre limitados no que toca à disponibilidade. Executamos sobre pressão, mas corre sempre tudo muito bem e melhor do que se fosse programado seis meses antes, por exemplo", graceja a presidente.
Sem adiantar pormenores sobre o programa, revela que estão a organizar um ciclo de teatro para os meses de Abril e Maio. "Será um intercâmbio, porque vamos convidar companhias com quem já trabalhámos no passado", refere.
Também em Abril, a colectividade organiza uma feira do livro. "O ano passado não foi possível por falta de instalações. Este ano já podemos, porque irá ser feita exactamente na actual sala da direcção da ARCA, uma vez que vai ficar livre", explica. Para esta iniciativa, a Associação Recreativa e Cultural de Alcains pretende convidar um escritor da região que tenha lançado um livro nessa altura ou com publicação agendada para breve. "Queremos dinamizar a feira, para que seja diferente dos restantes anos", esclarece.
Já no último fim-de-semana de Agosto, a ARCA realiza, como é hábito, a Festa das Papas. A iniciativa vai contar com a actuação de um rancho folclórico e, nessa mesma data, a colectividade promove também uma mostra de ofícios. "Pretendemos com esta iniciativa divulgar o nosso Museu, até porque vamos ter vários artesãos a trabalhar ao vivo, dando mais vida à Feira".
Para além das actividades do 20º aniversário, o ano fica também marcado pela requalificação da sede. Conforme explica Andreza Teixeira, ficará no mesmo edifício, mas noutra divisão com mais condições. "O final das obras está previsto para Março e contamos mudar logo para lá". Também o pátio, junto às salas da escola de música e d’A Carroça irá ser requalificado, pois "pretendemos fazer aqui cafés concerto e outras actividades de ar livre", adianta a presidente da ARCA.
ASSOCIAÇÃO "RESSENTIDA" COM CÂMARA DE CASTELO BRANCO
Apesar do dinamismo que a ARCA apresenta, a responsável refere que muitos outros projectos não passaram do papel por falta de dinheiro. "Houve muita coisa que poderíamos ter feito, mas que não foi possível porque não tivemos apoios", refere, queixando-se da autarquia albicastrense. "À Junta de Freguesia de Alcains não podemos apontar nada, porque tem sido incansável e financia-nos em tudo o que pode. Mas a Câmara de Castelo Branco já é outra história", critica Andreza Teixeira. Segundo conta, o subsídio da edilidade deixou de chegar há dois anos e "sem qualquer espécie de justificação", queixa-se. "A ARCA está muito ressentida com esta situação, porque mostramos trabalho, e bom trabalho, e mesmo assim não nos apoiam. Não nos reconhecem o mérito e o que temos feito para levar o nome da vila e mesmo de Castelo Branco a todo o País".
Apesar das dificuldades financeiras, Andreza Teixeira promete que as actividades da ARCA não vão parar. "Vamos continuar a trabalhar e a fazer o que podemos, com o dinheiro das quotas e apoio da Junta, mas há projectos muito interessantes que temos em papel que não são exequíveis com o orçamento limitado que dispomos", lamenta a dirigente.
ARCA foi criada para dinamizar vila
20 anos em retrospectiva
Criada em 1987, o objectivo foi, desde o primeiro momento, dinamizar a vila de Alcains, conta Andreza Teixeira. Pouco tempo depois, "A Carroça", fundada cinco anos antes, filiou-se à colectividade porque "não fazia sentido haver uma associação sem grupo de teatro e um grupo de teatro sem uma associação", explica, acrescentando que alguns do membros fundadores da ARCA já pertenciam à Carroça. Com o passar do tempo, a colectividade criou ainda a rádio "Um" e o "Jornal de Alcains", do qual ainda detêm a patente, mas que terminou por falta de condições e recursos humanos especializados na área, esclarece. No seio da ARCA foi ainda criada a Orquestra Típica de Alcains, "mas que se autonomizou e deixou de ser uma secção da associação", conta.
Actualmente, têm uma escola de música e "A Carroça", para além de terem desenvolvido todo o projecto do Museu de Artes e Ofícios.
A ESCOLA DE MÚSICA
Viola, flauta, órgão e bateria são os instrumentos que os cerca de 120 alunos aprendem a tocar na escola de música da ARCA, criada há 13 anos. Estão agora a formar um grupo de bombos destinado aos aprendizes mais novos, entre os seis e os 12 anos, e que estarão prontos para dar um concerto no final deste ano, "de forma a mostrar aos pais o investimento feito".
Para a presidente da associação, a escola de música "é de uma importância extrema", porque "desenvolve o interesse pelas artes". Para além desta justificação, apresenta uma segunda: "Tem ajudado muitas pessoas a decidir que rumo escolar tomar, pois daqui já saíram muitos alunos que seguiram o conservatório e que acabam por trabalhar ou ficar sempre ligados a esta área".
A CARROÇA
Com 25 anos de existência, "A Carroça" vem reforçar o espírito de dinamismo da ARCA. "Não param, estão constantemente a estudar e produzir projectos tanto para adultos como para crianças. Aqui não fazemos discriminação de idades", graceja a presidente. Actualmente, têm em cena a peça "Guarda Vento", estreada em Dezembro último, e produzida a partir de um texto de António Torrado. "Nunca reproduzimos os originais. Apenas nos servem de base para os transformarmos", descreve a dirigente. Para o futuro, adianta que até ao final do ano esperam conseguir apresentar um novo trabalho, "mas ainda não é certo, porque depende da disponibilidade dos membros e do orçamento disponível".
Actualmente o grupo de teatro conta com 15 pessoas responsáveis pela criação dos espectáculos. Mas "há sempre sócios e amigos que nos ajudam a pôr tudo de pé, porque uma peça precisa mais ou menos de 30 pessoas a trabalhar nos cenários e vestuário, nomeadamente".
Ficha Técnica:
Fundação: 24 de Abril de 1987
Sócios: 100
Quota anual: 12 euros
Morada: Largo de Santo António, apartado 35, 6005 Alcains
sexta-feira, fevereiro 23, 2007
Como era a Lusitânia ?
in: Diario xxi
Fundão mostra como era a Lusitânia
Sexta-Feira, 23 de Fevereiro de 2007
Museu Arqueológico José Monteiro abre domingo, no Fundão
No espólio que vai da Pré-História ao século V, o novo Museu junta uma das melhores colecções da Península Ibérica sobre a Lusitânia, explica o director. João Mendes Rosa abre portas a um espaço feito para ser interessante e percebido por todos
Luís Fonseca
Abre domingo, no Fundão, “o museu que melhor retrata na Península Ibérica o modo de vida dos lusitanos”, promete João Mendes Rosa, director do Museu Arqueológico José Monteiro.
A estrutura foi instalada no remodelado Solar Falcão d’Elvas, no centro histórico da cidade. O investimento ronda os 600 mil euros na requalificação do edifício e equipamento que vai permitir mostrar quase 400 das 15 mil peças que o município tem armazenado ao longo de décadas.
O Museu reúne colecções de objectos do quotidiano, que vão da pré-história ao século V, conjuntos cerâmicos romanos e pré-romanos, machados, e exemplares de peças com inscrições seculares. Mas a Lusitância assume papel de destaque. “O imaginário português está ligado aos lusitanos e esse é um período que está muito bem representado neste museu”, refere João Mendes Rosa. “Será poventura das melhores coleções da Península Ibérica sobre a Lusitânia”, com um elucidativo conjunto de artefatcos da Idade do Bronze. Machados, anéis, braceletes, material de fundição e moldes, são exemplos de utensílios em exposição.
“Ao contrario do que se estabeleceu dizer dizer, os lusitanos não estavam vocacionados para a Serra da Estrela, mas sim para o sul da Cova da Beira e até à Raia Espanhola”, salienta João Rosa, com base nos estudos mais recentes. Aliás, o concelho do Fundão é um exemplo vivo daquela presença, com nove castros lusitanos. “Queremos que o museu seja um ponto de partida para visitas aos locais, onde realmente se percebe a história e como tudo se passava”. “Não há nada como estar no local”, conclui.
“ABERTO À COMUNIDADE, SEM BELISCAR O RIGOR CIENTÍFICO”
As peças arqueológicas que compõem a exposição permanente estão colocadas lado a lado com ilustrações de Ricardo Trécio. “Tivemos a felicidade de aceder ao nosso pedido”, refere João Rosa. O resultado são telas que mostram como eram usados ou fabricados os utensílios. “Para os especialistas, estas telas são dispensáveis, porque eles sabem para que serviam e como eram feitas as peças. Mas as ilustrações são importantes para toda a população perceber o que está no Museu”, destaca. “Queremos um espaço vivo, aberto a todos”, destaca o director, para quem o Museu tem que “estar aberto à comunidade, sem beliscar o rigor científico”.
Vários serviços
O edifício tem ainda um pequeno auditório, uma sala de exposições temporárias, um laboratório de conservação e restauro e uma biblioteca técnica de arqueologia e história da arte, vocacionada para o serviço educativo, “do primeiro ciclo ao ensino universitário”, realça João Rosa. Graças ao serviço de interligação de bibliotecas,”podemos requisitar livros para chegarem ao Fundão no prazo de dois dias. São obras cuja consulta actualmente obriga a deslocações a Lisboa”, por exemplo. Uma sala multimédia com computadores e acesso à Internet, atribuida pelo portal Universia, workshops na área da arqueologia, especialmente dirigidos para jovens, são outros dos serviços que estarão disponíveis
O patrono e o director
O novo museu vai receber a designação de Museu Municipal José Monteiro, em homenagem ao responsável pela recolha de parte do espólio que ali vai estar exposto e um dos principais impulsionadores das investigações arqueológicas no concelho. Por essa mesma razão, o espaço vai ser inaugurado no domingo, 25 de Fevereiro, dia de aniversário de José Alves Monteiro, que nasceu em 1890, no Fundão, e faleceu em 1980.
Formou-se em Direito na Universidade de Coimbra em 1912, e regressou depois à terra natal onde exerceu advocacia e se dedicou à promoção de diversas actividades de ordem cultural e política, como as pesquisas arqueológicas. Foi autor de diversas obras sobre a temática.
Outra parte significativa do espólio do museu resulta de doações e cedências da parte de munícipes e instituições, entre elas o próprio Instituto Português de Museus.
O museu vai ser dirigido por João Mendes Rosa, docente, licenciado em História e doutorando em Arqueologia e actual responsável pela Divisão Municipal do Património Histórico.
Um museu ibérico
“Este museu reporta-se a um período em que ainda não havia nacionalidades. Havia um território uno, que não era estanque”. Os achados do Fundão são semelhantes aos da raia espanhola. Assim, para para cada uma das áreas de estudo, o Museu escolheu um especialista que fez uma análise entre território espanhol e português, “para unificá-los arqueologicamente”. Portugueses e espanhóis escreveram textos de mil e 500 caracteres que podem ser lidos a cada passo da exposição permanente. “Este é um museu municipal porque tem essa categoria administrativa, mas é de dimensão ibérica”, conclui João Rosa. Entre as colaborações, destacam-se as de investigadores de Salamanca e Mérida.
Pré-história
Paleolítico - Luís Raposo, director do Museu Nacional de Arqueologia
Neolítico - Socorro Plaza, Universidade de Salamanca
Calcolítico - Carlos Tavares da Silva
Proto-história
Idade do Bronze - Raquel Vilaça, Universidade de Coimbra
Idade do Ferro - Angel Esparza, Universidade de Salamanca
Era Romana
Romanização - Jorge Alarcão e Pedro Carvalho, Universidade de Coimbra
Povoamento Romano - Pedro Carvalho
Quotidiano Romano - Jesus Liz, Universidade de Salamanca
Epigrafia - José da Encarnação, Universidade de Coimbra
Os Deuses e Divindades - Manuel Salinas, Universidade de Salamanca
Epigrafia Funerária - Amílcar Guerra, Universidade de Lisboa
Vias Romanas - Fernando Patrício Curado, investigador
Fundão mostra como era a Lusitânia
Sexta-Feira, 23 de Fevereiro de 2007
Museu Arqueológico José Monteiro abre domingo, no Fundão
No espólio que vai da Pré-História ao século V, o novo Museu junta uma das melhores colecções da Península Ibérica sobre a Lusitânia, explica o director. João Mendes Rosa abre portas a um espaço feito para ser interessante e percebido por todos
Luís Fonseca
Abre domingo, no Fundão, “o museu que melhor retrata na Península Ibérica o modo de vida dos lusitanos”, promete João Mendes Rosa, director do Museu Arqueológico José Monteiro.
A estrutura foi instalada no remodelado Solar Falcão d’Elvas, no centro histórico da cidade. O investimento ronda os 600 mil euros na requalificação do edifício e equipamento que vai permitir mostrar quase 400 das 15 mil peças que o município tem armazenado ao longo de décadas.
O Museu reúne colecções de objectos do quotidiano, que vão da pré-história ao século V, conjuntos cerâmicos romanos e pré-romanos, machados, e exemplares de peças com inscrições seculares. Mas a Lusitância assume papel de destaque. “O imaginário português está ligado aos lusitanos e esse é um período que está muito bem representado neste museu”, refere João Mendes Rosa. “Será poventura das melhores coleções da Península Ibérica sobre a Lusitânia”, com um elucidativo conjunto de artefatcos da Idade do Bronze. Machados, anéis, braceletes, material de fundição e moldes, são exemplos de utensílios em exposição.
“Ao contrario do que se estabeleceu dizer dizer, os lusitanos não estavam vocacionados para a Serra da Estrela, mas sim para o sul da Cova da Beira e até à Raia Espanhola”, salienta João Rosa, com base nos estudos mais recentes. Aliás, o concelho do Fundão é um exemplo vivo daquela presença, com nove castros lusitanos. “Queremos que o museu seja um ponto de partida para visitas aos locais, onde realmente se percebe a história e como tudo se passava”. “Não há nada como estar no local”, conclui.
“ABERTO À COMUNIDADE, SEM BELISCAR O RIGOR CIENTÍFICO”
As peças arqueológicas que compõem a exposição permanente estão colocadas lado a lado com ilustrações de Ricardo Trécio. “Tivemos a felicidade de aceder ao nosso pedido”, refere João Rosa. O resultado são telas que mostram como eram usados ou fabricados os utensílios. “Para os especialistas, estas telas são dispensáveis, porque eles sabem para que serviam e como eram feitas as peças. Mas as ilustrações são importantes para toda a população perceber o que está no Museu”, destaca. “Queremos um espaço vivo, aberto a todos”, destaca o director, para quem o Museu tem que “estar aberto à comunidade, sem beliscar o rigor científico”.
Vários serviços
O edifício tem ainda um pequeno auditório, uma sala de exposições temporárias, um laboratório de conservação e restauro e uma biblioteca técnica de arqueologia e história da arte, vocacionada para o serviço educativo, “do primeiro ciclo ao ensino universitário”, realça João Rosa. Graças ao serviço de interligação de bibliotecas,”podemos requisitar livros para chegarem ao Fundão no prazo de dois dias. São obras cuja consulta actualmente obriga a deslocações a Lisboa”, por exemplo. Uma sala multimédia com computadores e acesso à Internet, atribuida pelo portal Universia, workshops na área da arqueologia, especialmente dirigidos para jovens, são outros dos serviços que estarão disponíveis
O patrono e o director
O novo museu vai receber a designação de Museu Municipal José Monteiro, em homenagem ao responsável pela recolha de parte do espólio que ali vai estar exposto e um dos principais impulsionadores das investigações arqueológicas no concelho. Por essa mesma razão, o espaço vai ser inaugurado no domingo, 25 de Fevereiro, dia de aniversário de José Alves Monteiro, que nasceu em 1890, no Fundão, e faleceu em 1980.
Formou-se em Direito na Universidade de Coimbra em 1912, e regressou depois à terra natal onde exerceu advocacia e se dedicou à promoção de diversas actividades de ordem cultural e política, como as pesquisas arqueológicas. Foi autor de diversas obras sobre a temática.
Outra parte significativa do espólio do museu resulta de doações e cedências da parte de munícipes e instituições, entre elas o próprio Instituto Português de Museus.
O museu vai ser dirigido por João Mendes Rosa, docente, licenciado em História e doutorando em Arqueologia e actual responsável pela Divisão Municipal do Património Histórico.
Um museu ibérico
“Este museu reporta-se a um período em que ainda não havia nacionalidades. Havia um território uno, que não era estanque”. Os achados do Fundão são semelhantes aos da raia espanhola. Assim, para para cada uma das áreas de estudo, o Museu escolheu um especialista que fez uma análise entre território espanhol e português, “para unificá-los arqueologicamente”. Portugueses e espanhóis escreveram textos de mil e 500 caracteres que podem ser lidos a cada passo da exposição permanente. “Este é um museu municipal porque tem essa categoria administrativa, mas é de dimensão ibérica”, conclui João Rosa. Entre as colaborações, destacam-se as de investigadores de Salamanca e Mérida.
Pré-história
Paleolítico - Luís Raposo, director do Museu Nacional de Arqueologia
Neolítico - Socorro Plaza, Universidade de Salamanca
Calcolítico - Carlos Tavares da Silva
Proto-história
Idade do Bronze - Raquel Vilaça, Universidade de Coimbra
Idade do Ferro - Angel Esparza, Universidade de Salamanca
Era Romana
Romanização - Jorge Alarcão e Pedro Carvalho, Universidade de Coimbra
Povoamento Romano - Pedro Carvalho
Quotidiano Romano - Jesus Liz, Universidade de Salamanca
Epigrafia - José da Encarnação, Universidade de Coimbra
Os Deuses e Divindades - Manuel Salinas, Universidade de Salamanca
Epigrafia Funerária - Amílcar Guerra, Universidade de Lisboa
Vias Romanas - Fernando Patrício Curado, investigador
quinta-feira, fevereiro 22, 2007
Espólio conta com ofertas de particulares
in: Jornal do Fundão
População cedeu objectos ao museu
A filosofia de museu comunitário com preciosas contribuições científicas
O ENRIQUECIMENTO do espólio do novo museu contou com a colaboração de várias pessoas que a título individual se disponibilizaram para entregar algumas peças que tinham em sua posse à guarda do museu.
“O museu tem que estar voltado para a comunidade. Este foi um museu que foi construído com o contributo da comunidade. Em primeiro lugar, da comunidade fundanense, que tinha objectos em casa e que, inicialmente eram apenas um bibelô e depois descobriram que era um objecto arqueológico. Inicialmente era um pisa-papéis, mas descobriram que era um machado pré-histórico. Isto foi extremamente interessante”, revela o director do museu, João Mendes Rosa.
O despertar do interesse da comunidade para o museu é um dos destaques que este responsável faz ainda antes da abertura do novo espaço. Um espaço que espera que a comunidade acarinhe desde o início. “As pessoas perguntam quando é que abre o nosso museu. As pessoas sentem-se parte integrante do museu. O contributo da comunidade foi muito importante, fazendo jus ao tal ditame da museologia moderna, do museu da comunidade”, diz. Mas há uma outra componente muito importante, que é a relação entre o museu e comunidade científica. Neste aspecto, João Mendes Rosa refere que “nós, ao invés de estarmos a fazer aqueles textos que normalmente se vêem num qualquer museu, chamamos especialistas que, em meia dúzia de linhas, disseram o que lhes aprouveram sobre o período no qual são especialistas. Chamámos para os diferentes períodos um especialista e fomos muito bem sucedidos”. De Portugal e de Espanha acabaram por chegar os contributos de vários nomes respeitados no estudo da história, nos seus mais diversos períodos. Jorge Alarcão, um dos maiores especialistas do período romano, Luís Raposo, conceituado especialista do período do paleolítico, e José Encarnação, um dos maiores epigrafistas nacionais, foram algumas das personalidades que colaboraram. Daí, o director do museu considerar que “a felicidade do museu é precisamente essa: não é do Fundão – é da comunidade fundanense – mas não está preso a uma realidade física ou geográfica”.
Novo Museu Arqueológico do Fundão
in: Jornal do Fundao
Novo Museu Arqueológico do Fundão
O sonho de José Monteiro cumpre-se 65 anos depois
É inaugurado no domingo o novo museu arqueológico do Fundão. Depois de José Alves Monteiro ter sempre desejado um espaço definitivo e digno para o museu que tem o seu nome, eis que, mais de seis décadas depois, a cidade ganha, finalmente, esse lugar
AQUELA que era uma das maiores lacunas da cidade do Fundão está prestes a ser colmatada, com a abertura no domingo, dia 25, do novo Museu Arqueológico Municipal José Monteiro. No dia em que se celebra o aniversário do fundador do museu municipal, o Fundão, abre, finalmente, ao público as portas de um equipamento museológico que irá substituir o antigo museu (?). Trata-se de um espaço polivalente, composto por um pequeno auditório, sala de exposições temporárias, biblioteca técnica, laboratório de conservação e restauro, gabinetes de estudo, bar/cafetaria e um espaço-loja. Põe-se, assim, fim a um longo período em que a cidade tinha um museu só de nome, não enaltecendo em nada o nome do seu fundador, nem a cidade que o albergava.
O novo museu está, agora, localizado num antigo edifício, na Rua do Serrão, que foi adquirido e recuperado pela autarquia para acolher condignamente o espólio museológico. O acervo a que o público terá acesso é constituído por cerca de 300 peças, retiradas de um total de cerca de três mil em depósito, reunindo colecções de objectos do quotidiano, que vão desde a Pré-História ao século V d.C, destacando-se conjuntos cerâmicos romanos e pré-romanos e vários exemplares na categoria da epigrafia votiva, funerária, viária e territorial.
João Mendes Rosa, o director do novo espaço, reconhece que “uma das grandes lacunas culturais que tinha o Fundão era o museu. Aliás, ele era apontado como cancro museológico. Numa tese de mestrado apontava-se o museu do Fundão como sendo o exemplo do que se não deve fazer. Era um museu que morreu no tempo, nos últimos 30 anos. Depois do Dr. Alves Monteiro ter saído do museu, nada se fez. Aliás, ele, desde 1942, quando fundou o museu, pediu sempre instalações condignas, mas foram sempre provisórias. Primeiro nos baixos da Câmara e depois nos baixos do Casino. E ele morreu sem conseguir concretizar esse sonho, que era o de dar instalações condignas ao espólio que ele, por sua própria iniciativa e a expensas suas, foi conglomerando ao longo dos anos”. O contexto, a partir de domingo, será outro e o sonho de José Alves Monteiro vai ser concretizado... no ano de 2007.
A exposição permanente resultou também, em parte, de um trabalho de recolha de longos meses, onde se tentaram suprir várias lacunas históricas. “O espólio fazia sentido estar exposto e ser musealizado nos anos 60. Hoje já não fazia sentido pegar naquele espólio e fazer um museu. Então, foi constituída uma equipa que foi para o terreno, com autorização e com projectos aprovados pelo Instituto Português de Arqueologia, fazer a prospecção arqueológica, ver o que é que havia. E havia grandes lacunas em termos históricos. Nós não tínhamos uma única peça do paleolítico, nem do calcolítico. O período romano resumia-se quase à epigrafia...”, clarifica João Mendes Rosa. Um hiato temporal que a exposição permanente acabou por conseguir suprir, sendo que, agora, abarca o período desde o paleolítico até ao final do império romano.
No percurso, o visitante estabelecerá contacto com centenas de objectos, que darão um retrato precioso da evolução do Homem ao longo de milhares de anos.
Novo Museu Arqueológico do Fundão
O sonho de José Monteiro cumpre-se 65 anos depois
É inaugurado no domingo o novo museu arqueológico do Fundão. Depois de José Alves Monteiro ter sempre desejado um espaço definitivo e digno para o museu que tem o seu nome, eis que, mais de seis décadas depois, a cidade ganha, finalmente, esse lugar
AQUELA que era uma das maiores lacunas da cidade do Fundão está prestes a ser colmatada, com a abertura no domingo, dia 25, do novo Museu Arqueológico Municipal José Monteiro. No dia em que se celebra o aniversário do fundador do museu municipal, o Fundão, abre, finalmente, ao público as portas de um equipamento museológico que irá substituir o antigo museu (?). Trata-se de um espaço polivalente, composto por um pequeno auditório, sala de exposições temporárias, biblioteca técnica, laboratório de conservação e restauro, gabinetes de estudo, bar/cafetaria e um espaço-loja. Põe-se, assim, fim a um longo período em que a cidade tinha um museu só de nome, não enaltecendo em nada o nome do seu fundador, nem a cidade que o albergava.
O novo museu está, agora, localizado num antigo edifício, na Rua do Serrão, que foi adquirido e recuperado pela autarquia para acolher condignamente o espólio museológico. O acervo a que o público terá acesso é constituído por cerca de 300 peças, retiradas de um total de cerca de três mil em depósito, reunindo colecções de objectos do quotidiano, que vão desde a Pré-História ao século V d.C, destacando-se conjuntos cerâmicos romanos e pré-romanos e vários exemplares na categoria da epigrafia votiva, funerária, viária e territorial.
João Mendes Rosa, o director do novo espaço, reconhece que “uma das grandes lacunas culturais que tinha o Fundão era o museu. Aliás, ele era apontado como cancro museológico. Numa tese de mestrado apontava-se o museu do Fundão como sendo o exemplo do que se não deve fazer. Era um museu que morreu no tempo, nos últimos 30 anos. Depois do Dr. Alves Monteiro ter saído do museu, nada se fez. Aliás, ele, desde 1942, quando fundou o museu, pediu sempre instalações condignas, mas foram sempre provisórias. Primeiro nos baixos da Câmara e depois nos baixos do Casino. E ele morreu sem conseguir concretizar esse sonho, que era o de dar instalações condignas ao espólio que ele, por sua própria iniciativa e a expensas suas, foi conglomerando ao longo dos anos”. O contexto, a partir de domingo, será outro e o sonho de José Alves Monteiro vai ser concretizado... no ano de 2007.
A exposição permanente resultou também, em parte, de um trabalho de recolha de longos meses, onde se tentaram suprir várias lacunas históricas. “O espólio fazia sentido estar exposto e ser musealizado nos anos 60. Hoje já não fazia sentido pegar naquele espólio e fazer um museu. Então, foi constituída uma equipa que foi para o terreno, com autorização e com projectos aprovados pelo Instituto Português de Arqueologia, fazer a prospecção arqueológica, ver o que é que havia. E havia grandes lacunas em termos históricos. Nós não tínhamos uma única peça do paleolítico, nem do calcolítico. O período romano resumia-se quase à epigrafia...”, clarifica João Mendes Rosa. Um hiato temporal que a exposição permanente acabou por conseguir suprir, sendo que, agora, abarca o período desde o paleolítico até ao final do império romano.
No percurso, o visitante estabelecerá contacto com centenas de objectos, que darão um retrato precioso da evolução do Homem ao longo de milhares de anos.
segunda-feira, janeiro 08, 2007
Novo Museu em Alpedrinha


Fotos do Expresso de 6/1/2007
A CMF, através de financiamento comunitário, vai recuperar o Palácio do Picadeiro e transformá-lo em espaço museológico. A construção do Palácio do Picadeiro foi iniciada nos finais do século XVIII, pelo Dr. Francisco Lopes Sarafana Correia da Silva, mas nunca foi terminado. A CMF é o seu actual proprietário, está a proceder a remodelações e passará a ser o espaço de excelência do concelho para a realização de exposições. A empresa Y Dreams, uma das empresas portuguesas na área das Novas Tecnologias, com maior projecção internacional, concebeu um sistema multimedia para que os visitantes percorram virtualmente o concelho e a rota da transumância. Esperemos para ver o resultado final, que certamente será de enorme qualidade e dotará a Beira Interior de um novo local de atracção turística, agora não só para fotografar. A vista é soberba, o acesso é por uma calçada romana e está enquadrado por um chafariz monumental.
in: http://www.Ydream.com
“You can’t do today’s job with yesterday’s methods and expect to be in business tomorrow.” - Anonymous
YDreams is a Portuguese technology solutions provider founded in June 2000 by internationally renowned specialists in information technology, telecommunications, image processing, geographic information systems and environmental engineering. The company develops pioneering, patent-pending technology in a variety of fields, namely spatial data mining, interactive media, augmented reality and pervasive gaming. YDreams develops products, customised solutions and services for four major markets, through independent divisions: Advertising, Entertainment, Education & Culture and Environment.
Even though we have been helping some of the largest global corporations reshape and even create new markets, we stand by old, time-proven standards in quality, dedication and long term vision. During the last five years, YDreams has built an unsurpassed reputation for creative use of technology, both in Portugal and in all other markets where the company operates, which include the Netherlands, France, Spain, the U.K., Germany, China and Brazil.
In 2005, YDreams was distinguished as one of Europe’s emerging companies in the field of telecommunications and selected to be profiled and broadcast on CNBC Europe. The company business profile was segmented into four blocks and aired from the 23rd to the 28th of February 2006.
Museums & Exhibitions
Attracting visitors of all ages and backgrounds, and convincing them to come back for more, is an ever-increasing challenge for museums and cultural centers. YDreams’ Fluid Museums and Interactive installations may be exactly what these places need to motivate people to visit their collections and exhibitions on a regular basis. Our frontline solutions use advanced technologies that bring exhibits to life, spark visitors’ imagination and open up new cultural possibilities for citizens with special needs. "
terça-feira, agosto 01, 2006
Museu Francisco Tavares Proença Junior na TSF
quarta-feira, junho 14, 2006
segunda-feira, maio 29, 2006
Novo núcleo museológico na Beira Interior-Lousa
A Beira Interior passou a contar com nova oferta museológica, na Lousa, para perpetuar a cultura local, no domínio das suas três danças tradicionais e da utilização de dois instrumentos musicais que só aqui, actualmente, têm expressão, a viola beiroa e o genébres. Infelizmente, relativamente ao primeiro, as violas beiroas, em termos de execução, perderam a sua característica original, á que as cordas que lhe dão a sonoridade da harpa, são retiradas, aquando da sua aquisição. Não há interpretes locais da viola beiroa que tirem partido de todas as suas características e sonoridades e que reproduzam as composições conhecidas e registadas, relativamente a esse instrumento. Seria bom que o núcleo museológico tivesse recursos e tomasse em suas mãos a formação de músicos de viola beiroa e que também levasse à criação de violeiros, que reproduzissem a viola beiroa, na sua originalidade.
in: Jornal do Fundão de 25/5/2006
Mestrado
NO ÚLTIMO domingo, a população da Lousa recebeu pela mão da investigadora Isabel Leal da Costa um exemplar da sua tese de Mestrado, concluído na Faculdade de Motricidade Humana de Lisboa. Natural de Évora, a investigadora começou a trabalhar na Lousa há quatro anos e todos os anos visita a aldeia, no dia da festa de Nossa Senhora dos Altos Céus. Na sua opinião, "as pessoas da aldeia cumprem esta tradição com imenso carinho e uma profunda devoção a Nossa Senhora".
Núcleo Etnográfico da Lousa
Em Julho de 2005, a Câmara Munici- tem representado o ciclo do azeite,
pal de Castelo Branco inaugurou o outrora a mais importante actividade
Núcleo Etnográfico da lousa, instala- económica.
do no antigo lagar de Azeite, adqui- No primeiro piso, exibem-se os trajes,
rido e restaurado pela autarquia, os instrumentos e um documentário
numa tentativa de preservar o patri- das três danças tradicionais da lousa,
mónio material e os usos e costumes podendo o visitante conhecer este va
desta típica aldeia beirã. lioso património cultural que apenas
Já mais de 800 pessoas visitaram o se cumpre no dia da festa em honra
Catálogo para preservar tradição
TAMBÉM a Câmara de Castelo Branco apresentou publicamente, no domingo, o catálogo bilingue (Português/Inglês) do Núcleo Etnográfico da Lousa.
O catálogo retrata os dois núcleos museológicos - o do azeite, com o seu ciclo produtivo, e o das três danças tradicionais, guiando o visitante pelas ricas tradições seculares desta freguesia.
Nele o visitante pode encontrar a música, as letras, as danças recriadas em fotografia, os trajes, os instrumentos musicais com as genébres
in: Jornal do Fundão de 25/5/2006
Mestrado
NO ÚLTIMO domingo, a população da Lousa recebeu pela mão da investigadora Isabel Leal da Costa um exemplar da sua tese de Mestrado, concluído na Faculdade de Motricidade Humana de Lisboa. Natural de Évora, a investigadora começou a trabalhar na Lousa há quatro anos e todos os anos visita a aldeia, no dia da festa de Nossa Senhora dos Altos Céus. Na sua opinião, "as pessoas da aldeia cumprem esta tradição com imenso carinho e uma profunda devoção a Nossa Senhora".
Núcleo Etnográfico da Lousa
Em Julho de 2005, a Câmara Munici- tem representado o ciclo do azeite,
pal de Castelo Branco inaugurou o outrora a mais importante actividade
Núcleo Etnográfico da lousa, instala- económica.
do no antigo lagar de Azeite, adqui- No primeiro piso, exibem-se os trajes,
rido e restaurado pela autarquia, os instrumentos e um documentário
numa tentativa de preservar o patri- das três danças tradicionais da lousa,
mónio material e os usos e costumes podendo o visitante conhecer este va
desta típica aldeia beirã. lioso património cultural que apenas
Já mais de 800 pessoas visitaram o se cumpre no dia da festa em honra
Catálogo para preservar tradição
TAMBÉM a Câmara de Castelo Branco apresentou publicamente, no domingo, o catálogo bilingue (Português/Inglês) do Núcleo Etnográfico da Lousa.
O catálogo retrata os dois núcleos museológicos - o do azeite, com o seu ciclo produtivo, e o das três danças tradicionais, guiando o visitante pelas ricas tradições seculares desta freguesia.
Nele o visitante pode encontrar a música, as letras, as danças recriadas em fotografia, os trajes, os instrumentos musicais com as genébres
segunda-feira, maio 22, 2006
Museu do Canteiro - Exposição fotográfica de Aníbal Sequeira
Exposição de fotografia
Exposição fotográfica a não perder, sobre as gentes da Beira. Aníbal Sequeira é hoje um dos fotógrafos, não profissionais, mais conceituado e premiado do nosso País. Natural da Lardosa, economista de profissão, foi captando ao longo de décadas imagens da Beira, que agora nos dá o prazer de nos podermos deliciar com o seu trabalho artístico. Muitas dessas imagens, desapareceram para sempre da nossa Beira, em resultado de múltiplas transformações sociológicas, que ocorreram nas últimas décadas.
in: Reconquista
Gentes de granito no centro cultural
“Gentes de Granito” é o título da exposição de fotografia, da autoria de Aníbal Sequeira, patente ao público no Centro Cultural de Alcains. Ao todo, são cerca de 40 fotografias a preto e branco que retratam a paisagem humana da Beira Baixa. São fotografias das gentes e do quotidiano das aldeias do interior do país registadas pela objectiva de Aníbal Sequeira durante a segunda metade do Século XX.
Nascido na Lardosa, freguesia do concelho de Castelo Branco, em 1937, licenciado em Economia pelo Instituto Superior de Economia, Aníbal Sequeira dedica-se à fotografia como forma de expressão artística desde 1960, apesar das suas primeiras fotografias datarem de 1952. Realizou mais de 110 de exposições individuais e participou em mais de 1300 exposições colectivas, nacionais e internacionais. Obteve mais de 3000 admissões e foram- lhe atribuídos mais de 600 prémios.
“Aníbal Sequeira, seduzido pelo preto e branco, sempre com a objectiva da autenticidade na perspectiva do olhar, desdobra a sua obra entre o rural e o urbano. Essas magníficas fotografias, tão conhecidas, das mulheres de preto (essas magníficas mulheres “vestidas de preto até à alma” que Eugénio de Andrade tão bem celebrizou poeticamente) que são talvez a melhor legenda de um certo desespero quotidiano da Beira, grito de uma povertá vivida sempre em horizontes de sombra. Aníbal Sequeira captou esses instantes e fez da liturgia desses dias do mundo rural, do tempo do trabalho, de uma sede ancestral e arcaica (“os sulcos da sede/o descampado”), a saga de um viver, sempre, sublinhe-se, como se ele estivesse, pela fotografia, a fazer uma introspecção ao universo interior de um povo. O preto e o branco, a sombra, o caminho, a árvore, a casa. A aldeia. Os rostos, a festa. Gente dentro da espessura do tempo. O olhar de Aníbal Sequeira por dentro das coisas. É essa a sua grande aventura criadora, reconhecida há muito em certames nacionais e internacionais.” A mostra está patente no Museu do Canteiro até ao dia 30 de Junho e pode ser visitada de terça a sexta das 09H30 às 12H30 e das 14H00 às 17H30, sábado e domingo das 14H30 às 18H30. O Museu encerra às segundas.
Nelson Mingacho
Exposição fotográfica a não perder, sobre as gentes da Beira. Aníbal Sequeira é hoje um dos fotógrafos, não profissionais, mais conceituado e premiado do nosso País. Natural da Lardosa, economista de profissão, foi captando ao longo de décadas imagens da Beira, que agora nos dá o prazer de nos podermos deliciar com o seu trabalho artístico. Muitas dessas imagens, desapareceram para sempre da nossa Beira, em resultado de múltiplas transformações sociológicas, que ocorreram nas últimas décadas.
in: Reconquista
Gentes de granito no centro cultural
“Gentes de Granito” é o título da exposição de fotografia, da autoria de Aníbal Sequeira, patente ao público no Centro Cultural de Alcains. Ao todo, são cerca de 40 fotografias a preto e branco que retratam a paisagem humana da Beira Baixa. São fotografias das gentes e do quotidiano das aldeias do interior do país registadas pela objectiva de Aníbal Sequeira durante a segunda metade do Século XX.
Nascido na Lardosa, freguesia do concelho de Castelo Branco, em 1937, licenciado em Economia pelo Instituto Superior de Economia, Aníbal Sequeira dedica-se à fotografia como forma de expressão artística desde 1960, apesar das suas primeiras fotografias datarem de 1952. Realizou mais de 110 de exposições individuais e participou em mais de 1300 exposições colectivas, nacionais e internacionais. Obteve mais de 3000 admissões e foram- lhe atribuídos mais de 600 prémios.
“Aníbal Sequeira, seduzido pelo preto e branco, sempre com a objectiva da autenticidade na perspectiva do olhar, desdobra a sua obra entre o rural e o urbano. Essas magníficas fotografias, tão conhecidas, das mulheres de preto (essas magníficas mulheres “vestidas de preto até à alma” que Eugénio de Andrade tão bem celebrizou poeticamente) que são talvez a melhor legenda de um certo desespero quotidiano da Beira, grito de uma povertá vivida sempre em horizontes de sombra. Aníbal Sequeira captou esses instantes e fez da liturgia desses dias do mundo rural, do tempo do trabalho, de uma sede ancestral e arcaica (“os sulcos da sede/o descampado”), a saga de um viver, sempre, sublinhe-se, como se ele estivesse, pela fotografia, a fazer uma introspecção ao universo interior de um povo. O preto e o branco, a sombra, o caminho, a árvore, a casa. A aldeia. Os rostos, a festa. Gente dentro da espessura do tempo. O olhar de Aníbal Sequeira por dentro das coisas. É essa a sua grande aventura criadora, reconhecida há muito em certames nacionais e internacionais.” A mostra está patente no Museu do Canteiro até ao dia 30 de Junho e pode ser visitada de terça a sexta das 09H30 às 12H30 e das 14H00 às 17H30, sábado e domingo das 14H30 às 18H30. O Museu encerra às segundas.
Nelson Mingacho
terça-feira, maio 09, 2006
FESTA DOS MUSEUS no Museu Nacional de Arqueologia
Divulgação MNA Terça-feira, 9 de Maio de 2006
mais informação »
FESTA DOS MUSEUS no Museu Nacional de Arqueologia
entre 13 e 21 de Maio de 2006
Exmos. Senhores,
Este ano, pela primeira vez, o Museu Nacional de Arqueologia vai promover a FESTA DOS MUSEUS, conjugando num só programa a comemoração do Dia Internacional dos Museus (18 de Maio) e da Noite dos Museus (20 de Maio).
Junto enviamos o programa desta FESTA DOS MUSEUS, assim como algum material promocional.
Mais material pode ser obtido no nosso Sítio Internet (www.mnarqueologia-ipmuseus.pt) em imprensa.
Como verificarão pelo programa incluso, trata-se de uma verdadeira FESTA DOS MUSEUS, com
- música (sobretudo tradicional, portuguesa e internacional);
- dança;
- teatro;
- debates;
- visitas guiadas;
- recriações históricas;
etc.
Os grupos e artistas participantes constituem por si só garantia da qualidade desta FESTA DOS MUSEUS, que será de acesso livre. Na noite de 20 para 21 de Maio, por exemplo, o Museu estará aberto ao público até à 1 hora da madrugada, com música, dança, jogos, visitas guiadas, etc.
Pela primeira vez abrir-se-á também ao público o espaço amplo de um pátio situado no interior do complexo monumental do Mosteiro dos Jerónimos, comum entre o Museu Nacional de Arqueologia e o Museu de Marinha (perceptível na fotografia do MNA que junto enviamos, por detrás da fachada principal do monumento). Conforme decisão recente do Governo, no âmbito do programa "Belém Redescoberta", este pátio vai ser proximamente infra-estruturado para nele poderem decorrer regularmente actividades de grande impacte público. A FESTA DOS MUSEUS deste ano constitui, pois, uma primeira apresentação, ainda preliminar, deste novo espaço, a ganhar futuramente para a cidade.
Ficamos ao vosso dispor para prestar todos os esclarecimentos adicionais julgados relevantes.
Luís Raposo
Director do Museu Nacional de Arqueologia
director@mnarqueologia-ipmuseus.pt
Tel. 213620000; 213620027
Fax. 213620016
Outros contactos:
Serviço Educativo e de Extensão Cultural do MNA
seducativo@mnarqueologia-ipmuseus.pt
Tel. 213620000
Fax.213620016
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FESTA DOS MUSEUS no Museu Nacional de Arqueologia
entre 13 e 21 de Maio de 2006
Exmos. Senhores,
Este ano, pela primeira vez, o Museu Nacional de Arqueologia vai promover a FESTA DOS MUSEUS, conjugando num só programa a comemoração do Dia Internacional dos Museus (18 de Maio) e da Noite dos Museus (20 de Maio).
Junto enviamos o programa desta FESTA DOS MUSEUS, assim como algum material promocional.
Mais material pode ser obtido no nosso Sítio Internet (www.mnarqueologia-ipmuseus.pt) em imprensa.
Como verificarão pelo programa incluso, trata-se de uma verdadeira FESTA DOS MUSEUS, com
- música (sobretudo tradicional, portuguesa e internacional);
- dança;
- teatro;
- debates;
- visitas guiadas;
- recriações históricas;
etc.
Os grupos e artistas participantes constituem por si só garantia da qualidade desta FESTA DOS MUSEUS, que será de acesso livre. Na noite de 20 para 21 de Maio, por exemplo, o Museu estará aberto ao público até à 1 hora da madrugada, com música, dança, jogos, visitas guiadas, etc.
Pela primeira vez abrir-se-á também ao público o espaço amplo de um pátio situado no interior do complexo monumental do Mosteiro dos Jerónimos, comum entre o Museu Nacional de Arqueologia e o Museu de Marinha (perceptível na fotografia do MNA que junto enviamos, por detrás da fachada principal do monumento). Conforme decisão recente do Governo, no âmbito do programa "Belém Redescoberta", este pátio vai ser proximamente infra-estruturado para nele poderem decorrer regularmente actividades de grande impacte público. A FESTA DOS MUSEUS deste ano constitui, pois, uma primeira apresentação, ainda preliminar, deste novo espaço, a ganhar futuramente para a cidade.
Ficamos ao vosso dispor para prestar todos os esclarecimentos adicionais julgados relevantes.
Luís Raposo
Director do Museu Nacional de Arqueologia
director@mnarqueologia-ipmuseus.pt
Tel. 213620000; 213620027
Fax. 213620016
Outros contactos:
Serviço Educativo e de Extensão Cultural do MNA
seducativo@mnarqueologia-ipmuseus.pt
Tel. 213620000
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quinta-feira, fevereiro 16, 2006
Entrevista com a directora do Museu FTP-Aida Rechena
in:Jornal do Fundão
SECÇÃO: Entrevista
Aida Rechena
Um bilhete único para visitar o jardim e o museu
Alguns brinquedos do museu de Seia farão parte de uma exposição dedicada às crianças, que representam 37 por cento dos visitantes do Museu Tavares Proença Júnior de Castelo Branco. A aproximação do museu à comunidade é um dos exemplos do empenho de Aida Rechena directora, que sonha com a criação de um bilhete único para visitar o Jardim e o museu
JORNAL DO FUNDÃO – A anterior direcção apostou muito em exposições temporárias por intermédio de um protocolo com o museu do Chiado. É essa a sua orientação?
AIDA RECHENA – Essa é uma das orientações do Instituto Português dos Museus. Uma das recomendações é que sejam feitos trabalhos de parcerias entre os museus do IPM. Esse trabalho de trazer grandes pintores do século XX já foi feito, não vamos repeti-lo. Além das colecções do Museu Francisco Tavares Proença Júnior (MFTPJ), temos à nossa disposição as colecções de todos os museus do IPM, as que estão em reserva poderão circular pelos museus. Mas confesso que ainda não aprofundei essa opção. Pela localização geográfica do museu e pela opção que tomei como directora, quero antes aprofundar o relacionamento entre o museu e as entidades culturais da região. Desde a universidade, ao politécnico o museu dos lanifícios e outros, as associações de defesa do património, e as autarquias. Já tentámos dar um passo para além da fronteira, aproximando-nos ao Museu de Cáceres.
- Com o intercâmbio de colecções entre ambos os museus?
- Vamos tentar ultrapassar as dificuldades da circulação de peças para fora dos museus. Fomos lá em Outubro e espero que o director venha agora visitar o nosso museu. Uma das propostas no plano de actividades e que o IPM aprovou foi a tentativa de fazer uma geminação entre os museus. Em termos institucionais é complicado levar, por exemplo, as colchas para o exterior do museu em termos de segurança e de conservação das peças, o que envolve gastos que não temos capacidade de responder. Poderemos divulgar o património através de uma exposição de fotografias e também através das sociedades de amigos de ambos os museus. Tenho muita esperança que consigam desenvolver projectos em conjunto.
- Que tipo de projectos?
- Teremos de nos sentar todos à mesma mesa para decidir. Mas por exemplo, em vez das peças circularem, podemos fazer exposições temáticas em simultâneo. O museu de Cáceres tem uma colecção de pinturas e gravuras dos pelourinhos e nós também temos dos pelourinhos da Beira do pintor Barata Moura. Divulgamos o nosso museu e já temos no Museu de Cáceres os nossos desdobráveis e estamos também a divulgar o museu espanhol. Eles têm muitos mais visitantes do que nós e penso que ganharíamos muito com este intercâmbio.
E estão também a estreitar relações com as instituições locais e regionais...
Sim, estamos juntamente com a Sociedade dos Amigos do Museu a reunir com os responsáveis da Cultura de todas as câmaras municipais, para discutirmos formas de aproximação do museu às comunidades de forma a atrair mais público e para que o museu possa divulgar as suas iniciativas naqueles locais. Penso que para o ano já teremos algumas exposições em conjunto.
- As crianças em idade escolar são o público privilegiado desta direcção?
- Sem dúvida. As crianças até aos 14 anos representam cerca de 37 por cento do nosso público. O museu já tem 96 anos, estando a aproximar-se o seu centenário e há todo um percurso pedagógico muito interessante. Estamos apenas a consolidar determinadas vertentes do serviço educativo.
- A falta de pessoal é um dos constrangimentos ao desenvolvimento de actividades no museu?
- Este ano tivemos a sorte de ter recebido oito colaboradores no âmbito do mercado Cultura e Emprego, um protocolo entre o Ministério da Cultura e o Ministério do Emprego que permitiu termos mais três vigilantes-recepcionistas e cinco para apoio técnico e ao serviço educativo, com a possibilidade de ficarem um ano e meio. Temos muitas expectativas que fiquem até Dezembro. Ideias e projectos temos, mas não podem ser desenvolvidos apenas com a técnica responsável do Serviço Educativo e este grupo trabalha muito bem.
- E que actividades desenvolverá para atrair esse público? A exposição de brinquedos do Museu de Seia é uma delas?
- Depois de chegarmos à conclusão que 37 por cento dos visitantes e utilizadores do museu são crianças e tendo em conta que o Conselho Internacional de Museus (ICOM) propôs como temática de reflexão para o Dia Internacional dos Museus (18 de Maio) o público jovem, decidimos que seria simpático para as nossas crianças ter uma exposição que lhes é dedicada. A exposição vai chamar-se “Brinquedos, Brincadeiras e outros Segredos” será inaugurada a 17 de Março e são esses segredos que irão surpreender as crianças com ateliers para construir brinquedos a brincar e realizar jogos tradicionais. Este é um dos exemplos do nosso empenho em estreitar a colaboração com instituições da região, os brinquedos vêm do Museu dos Brinquedos de Seia e a exposição será construída por nós com o nosso discurso expositivo e relacionando sempre com a exposição permanente do museu.
- A exposição de Arqueologia veio enriquecer o museu?
- Sem dúvida, até porque a Arqueologia está na origem do museu. Mas neste museu aquilo que atrai mais as pessoas são, sem dúvida, os bordados de Castelo Branco. Identifica-se o património e até o museu com o bordado regional e penso que é esta a vertente onde temos que investir e a colecção que temos de enriquecer.
A oficina-escola do Museu dá aos visitantes a oportunidade de ver in loco como se borda. Este é um contributo muito forte. Mas vai desaparecer...
Não sei se a oficina-escola vai desaparecer mas é um contributo muito valioso para o museu. Mesmo no livro de opiniões, quase todas as pessoas referem a oficina-escola. Mas se ninguém entra para a função pública, se os quadros não são reforçados, se as bordadeiras estão a reformarem-se, este é um facto incontornável.
- Mas a anterior directora do MFTPJ defendia que o museu deveria ter um papel na investigação do bordado e na sua conservação e restauro e não na sua produção...
- São ambas opiniões válidas. Por um lado, os museus não têm que ter associados a componente produtiva. É evidente que é uma mais-valia, mas penso que o projecto ex-líbris que está a ser de-senvolvido por um conjunto de entidades locais, será determinante para o bordado de Castelo Branco. O trabalho das bordadoras do museu é essencial para a sua definição, porque não há ninguém que tenha trabalhado durante tanto tempo no bordado e com as condições que elas sempre tiveram. É por isso que já defini com a oficina-escola que uma das prioridades é elas produzirem painéis para serem incorporados na colecção do museu, porque merecem ficar no museu peças do século XXI.
- A sua antecessora divulgou não ter financiamento para suportar despesas de manutenção para o funcionamento do museu. As restrições orçamentais continuam a preocupar esta direcção?
- Felizmente, essa situação não se mantém. Pelo menos para este ano, os museus estão muito confortáveis relativamente ao orçamento anual. Não estamos nada preocupados se vamos ter dinheiro para pagar a electricidade até ao final do ano. Já no ano passado correu bem.
- O museu tem uma média de dez mil visitantes por ano, um número que contrasta com os visitantes ao Jardim do Paço. Já pensou em soluções para os atrair ao museu?
- O número de visitantes do museu, que se tem mantido estável, é de 10.619 visitantes por ano. O Jardim do Paço tem mais de 25 mil visitantes por ano e páram todos aqui ao nosso portão. O jardim foi construído para servir este paço episcopal. As estratégias passam seguramente por um protocolo entre o IPM e a Câmara Municipal. Gostaria que, pelo menos nos meses em que há mais público (desde a Páscoa até final do Verão), ou se abrisse a porta do museu para o jardim ou se criasse um bilhete único de visita. É impossível a abertura da porta, por questões de conservação das peças da história do bispado. Teríamos de estudar uma solução arquitectónica. Ou então ficarmos pelo bilhete único, porque aparecem-nos muitos visitantes do jardim pensando que com aquele bilhete podem entrar no museu. Já sensibilizei o Dr. Manuel Oleiro que está disponível para vir a Castelo Branco falar com o presidente da Câmara e também já sensibilizei Joaquim Morão nesse sentido.
- Continua a sentir que o museu não atrai a sua comunidade?
- Há pessoas em Castelo Branco que nunca entraram no museu. Por isso a nossa aposta no público jovem, porque os adultos que normalmente não vêm ao museu muito dificilmente os vamos conseguir captar. Não está criado o hábito de frequentar os museus. Também deveríamos ter outros espaços, como uma cafetaria, um restaurante e uma loja, que o museu não tem e que o tornaria um espaço mais apelativo.
- Isso implica uma ampliação do museu. Existe o projecto mas foi abandonado?
- Esse projecto já tem anos, mas penso que não foi abandonado. Precisamos de outros espaços para reservas e para desenvolver as actividades do serviço educativo que têm sido realizadas, e isso não me choca nada, ao longo da exposição permanente, o que permite o contacto das crianças com as vertentes expositivas. Na minha opinião pessoal, faria sentido ter uma cafetaria em comum com o jardim. Vamos ver...
Muitas ligas de amigos de museus têm um trabalho de dinamização muito grande. A sociedade dos amigos do MFTPJ caminha nesse sentido?
A sociedade ainda é recente, mas penso que caminha, porque são pessoas muito dinâmicas e têm apoiado muito o museu até em termos financeiros. Apresentei-lhes o propjecto de actividades para este ano e as necessidades que tinha para a sua concretização e, em Assembleia Geral, decidiram apoiar todas elas. E apresentaram as suas próprias actividades, como uma exposição sobre o pintor Barata Moura, além de contribuirem muito para a divulgação do museu.
Por: Leonor Veloso
SECÇÃO: Entrevista
Aida Rechena
Um bilhete único para visitar o jardim e o museu
Alguns brinquedos do museu de Seia farão parte de uma exposição dedicada às crianças, que representam 37 por cento dos visitantes do Museu Tavares Proença Júnior de Castelo Branco. A aproximação do museu à comunidade é um dos exemplos do empenho de Aida Rechena directora, que sonha com a criação de um bilhete único para visitar o Jardim e o museu
JORNAL DO FUNDÃO – A anterior direcção apostou muito em exposições temporárias por intermédio de um protocolo com o museu do Chiado. É essa a sua orientação?
AIDA RECHENA – Essa é uma das orientações do Instituto Português dos Museus. Uma das recomendações é que sejam feitos trabalhos de parcerias entre os museus do IPM. Esse trabalho de trazer grandes pintores do século XX já foi feito, não vamos repeti-lo. Além das colecções do Museu Francisco Tavares Proença Júnior (MFTPJ), temos à nossa disposição as colecções de todos os museus do IPM, as que estão em reserva poderão circular pelos museus. Mas confesso que ainda não aprofundei essa opção. Pela localização geográfica do museu e pela opção que tomei como directora, quero antes aprofundar o relacionamento entre o museu e as entidades culturais da região. Desde a universidade, ao politécnico o museu dos lanifícios e outros, as associações de defesa do património, e as autarquias. Já tentámos dar um passo para além da fronteira, aproximando-nos ao Museu de Cáceres.
- Com o intercâmbio de colecções entre ambos os museus?
- Vamos tentar ultrapassar as dificuldades da circulação de peças para fora dos museus. Fomos lá em Outubro e espero que o director venha agora visitar o nosso museu. Uma das propostas no plano de actividades e que o IPM aprovou foi a tentativa de fazer uma geminação entre os museus. Em termos institucionais é complicado levar, por exemplo, as colchas para o exterior do museu em termos de segurança e de conservação das peças, o que envolve gastos que não temos capacidade de responder. Poderemos divulgar o património através de uma exposição de fotografias e também através das sociedades de amigos de ambos os museus. Tenho muita esperança que consigam desenvolver projectos em conjunto.
- Que tipo de projectos?
- Teremos de nos sentar todos à mesma mesa para decidir. Mas por exemplo, em vez das peças circularem, podemos fazer exposições temáticas em simultâneo. O museu de Cáceres tem uma colecção de pinturas e gravuras dos pelourinhos e nós também temos dos pelourinhos da Beira do pintor Barata Moura. Divulgamos o nosso museu e já temos no Museu de Cáceres os nossos desdobráveis e estamos também a divulgar o museu espanhol. Eles têm muitos mais visitantes do que nós e penso que ganharíamos muito com este intercâmbio.
E estão também a estreitar relações com as instituições locais e regionais...
Sim, estamos juntamente com a Sociedade dos Amigos do Museu a reunir com os responsáveis da Cultura de todas as câmaras municipais, para discutirmos formas de aproximação do museu às comunidades de forma a atrair mais público e para que o museu possa divulgar as suas iniciativas naqueles locais. Penso que para o ano já teremos algumas exposições em conjunto.
- As crianças em idade escolar são o público privilegiado desta direcção?
- Sem dúvida. As crianças até aos 14 anos representam cerca de 37 por cento do nosso público. O museu já tem 96 anos, estando a aproximar-se o seu centenário e há todo um percurso pedagógico muito interessante. Estamos apenas a consolidar determinadas vertentes do serviço educativo.
- A falta de pessoal é um dos constrangimentos ao desenvolvimento de actividades no museu?
- Este ano tivemos a sorte de ter recebido oito colaboradores no âmbito do mercado Cultura e Emprego, um protocolo entre o Ministério da Cultura e o Ministério do Emprego que permitiu termos mais três vigilantes-recepcionistas e cinco para apoio técnico e ao serviço educativo, com a possibilidade de ficarem um ano e meio. Temos muitas expectativas que fiquem até Dezembro. Ideias e projectos temos, mas não podem ser desenvolvidos apenas com a técnica responsável do Serviço Educativo e este grupo trabalha muito bem.
- E que actividades desenvolverá para atrair esse público? A exposição de brinquedos do Museu de Seia é uma delas?
- Depois de chegarmos à conclusão que 37 por cento dos visitantes e utilizadores do museu são crianças e tendo em conta que o Conselho Internacional de Museus (ICOM) propôs como temática de reflexão para o Dia Internacional dos Museus (18 de Maio) o público jovem, decidimos que seria simpático para as nossas crianças ter uma exposição que lhes é dedicada. A exposição vai chamar-se “Brinquedos, Brincadeiras e outros Segredos” será inaugurada a 17 de Março e são esses segredos que irão surpreender as crianças com ateliers para construir brinquedos a brincar e realizar jogos tradicionais. Este é um dos exemplos do nosso empenho em estreitar a colaboração com instituições da região, os brinquedos vêm do Museu dos Brinquedos de Seia e a exposição será construída por nós com o nosso discurso expositivo e relacionando sempre com a exposição permanente do museu.
- A exposição de Arqueologia veio enriquecer o museu?
- Sem dúvida, até porque a Arqueologia está na origem do museu. Mas neste museu aquilo que atrai mais as pessoas são, sem dúvida, os bordados de Castelo Branco. Identifica-se o património e até o museu com o bordado regional e penso que é esta a vertente onde temos que investir e a colecção que temos de enriquecer.
A oficina-escola do Museu dá aos visitantes a oportunidade de ver in loco como se borda. Este é um contributo muito forte. Mas vai desaparecer...
Não sei se a oficina-escola vai desaparecer mas é um contributo muito valioso para o museu. Mesmo no livro de opiniões, quase todas as pessoas referem a oficina-escola. Mas se ninguém entra para a função pública, se os quadros não são reforçados, se as bordadeiras estão a reformarem-se, este é um facto incontornável.
- Mas a anterior directora do MFTPJ defendia que o museu deveria ter um papel na investigação do bordado e na sua conservação e restauro e não na sua produção...
- São ambas opiniões válidas. Por um lado, os museus não têm que ter associados a componente produtiva. É evidente que é uma mais-valia, mas penso que o projecto ex-líbris que está a ser de-senvolvido por um conjunto de entidades locais, será determinante para o bordado de Castelo Branco. O trabalho das bordadoras do museu é essencial para a sua definição, porque não há ninguém que tenha trabalhado durante tanto tempo no bordado e com as condições que elas sempre tiveram. É por isso que já defini com a oficina-escola que uma das prioridades é elas produzirem painéis para serem incorporados na colecção do museu, porque merecem ficar no museu peças do século XXI.
- A sua antecessora divulgou não ter financiamento para suportar despesas de manutenção para o funcionamento do museu. As restrições orçamentais continuam a preocupar esta direcção?
- Felizmente, essa situação não se mantém. Pelo menos para este ano, os museus estão muito confortáveis relativamente ao orçamento anual. Não estamos nada preocupados se vamos ter dinheiro para pagar a electricidade até ao final do ano. Já no ano passado correu bem.
- O museu tem uma média de dez mil visitantes por ano, um número que contrasta com os visitantes ao Jardim do Paço. Já pensou em soluções para os atrair ao museu?
- O número de visitantes do museu, que se tem mantido estável, é de 10.619 visitantes por ano. O Jardim do Paço tem mais de 25 mil visitantes por ano e páram todos aqui ao nosso portão. O jardim foi construído para servir este paço episcopal. As estratégias passam seguramente por um protocolo entre o IPM e a Câmara Municipal. Gostaria que, pelo menos nos meses em que há mais público (desde a Páscoa até final do Verão), ou se abrisse a porta do museu para o jardim ou se criasse um bilhete único de visita. É impossível a abertura da porta, por questões de conservação das peças da história do bispado. Teríamos de estudar uma solução arquitectónica. Ou então ficarmos pelo bilhete único, porque aparecem-nos muitos visitantes do jardim pensando que com aquele bilhete podem entrar no museu. Já sensibilizei o Dr. Manuel Oleiro que está disponível para vir a Castelo Branco falar com o presidente da Câmara e também já sensibilizei Joaquim Morão nesse sentido.
- Continua a sentir que o museu não atrai a sua comunidade?
- Há pessoas em Castelo Branco que nunca entraram no museu. Por isso a nossa aposta no público jovem, porque os adultos que normalmente não vêm ao museu muito dificilmente os vamos conseguir captar. Não está criado o hábito de frequentar os museus. Também deveríamos ter outros espaços, como uma cafetaria, um restaurante e uma loja, que o museu não tem e que o tornaria um espaço mais apelativo.
- Isso implica uma ampliação do museu. Existe o projecto mas foi abandonado?
- Esse projecto já tem anos, mas penso que não foi abandonado. Precisamos de outros espaços para reservas e para desenvolver as actividades do serviço educativo que têm sido realizadas, e isso não me choca nada, ao longo da exposição permanente, o que permite o contacto das crianças com as vertentes expositivas. Na minha opinião pessoal, faria sentido ter uma cafetaria em comum com o jardim. Vamos ver...
Muitas ligas de amigos de museus têm um trabalho de dinamização muito grande. A sociedade dos amigos do MFTPJ caminha nesse sentido?
A sociedade ainda é recente, mas penso que caminha, porque são pessoas muito dinâmicas e têm apoiado muito o museu até em termos financeiros. Apresentei-lhes o propjecto de actividades para este ano e as necessidades que tinha para a sua concretização e, em Assembleia Geral, decidiram apoiar todas elas. E apresentaram as suas próprias actividades, como uma exposição sobre o pintor Barata Moura, além de contribuirem muito para a divulgação do museu.
Por: Leonor Veloso
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