sexta-feira, abril 02, 2004

LONTRA

lontras na Beira Interior?

Pelo que conheço da região e por informações que tenho obtido junto de camponeses, a lontra frequenta as charcas e barragens, da zona da Gardunha, em que os respectivos propritários promoveram ad hoc o povoamento piscícola. A identificação e localização da lontra é muito difícil, porque tem uma vida nocturna, mas a localização e identificação de dejectos é relativamente acessível. Utilizando fotografia aérea, recorrendo ao serviço do SNIG, poderemos localizar todas as charcas e barragens na bacia hidrográfica alargada do Ocreza. A informação sobre o eventual povoamento piscícola pode ser feita por avaliação directa ou colhendo informações junto da população residente. Tenho conhecimento de que na região de Castelo Novo, numa área em que existem várias charcas há informação da presença de lontras. Num café em Póvoa da Atalaia, entre outros animais embalsamados, é exibida uma lontra morta junto a uma barragem na Orca. Nesse mesmo café, foram retiradas e destruídas várias aves embalsamadas, com receio de intervenção das autoridades. Sugiro que o Museu de História Natural, instalado na Escola Secundária Nuno Álvares, cujo principal acervo veio do Colégio de S. Fiel, quando o mesmo foi extinto em 1910, esteja mais atento a estas situações e promova a recolha dispersa destes materiais. Também, justifica-se que o Museu de História Natural ganhe vida própria e não esteja sujeito às limitações que resultam da sua instalação numa Escola Secundária. Poderei dar como exemplo Sines, em que partindo do zero se avançou para a recolha de materiais de História Natural, foram instaladas em dependência própria,criada no Castelo e hoje é uma sala de visitas de passagem obrigatória. Nesse espaço foi recriado o habitat natural da lontra, que frequenta os regatos na costa do sudoeste alentejano. Investigue-se e os resultados virão a seguir, não podemos é ficar à espera que os turistas nos visitem, se não tivermos nada para lhes oferecer. Poderemos oferecer conhecimento, ecologia, história natural, criando condições para de forma segura e cómoda a nossa região seja divulgada. Sabia da existência do Museu de História Natural, em Castelo Branco?


In: Reconquista
Associação Outrem garante
Há lontras no Ocreza



A Associação Cultural Outrem garante que existem lontras no Rio Ocreza, a poucos quilómetros de Castelo Branco. Uma descoberta importante, até porque aquela espécie é protegida pela convenção europeia de Berna.



Uma lontra de cerca de sete quilogramas foi descoberta no rio Ocreza, a poucos quilómetros de Castelo Branco, pelos responsáveis da Associação Cultural Outrem. De acordo com José Carlos Moura, presidente daquele organismo, “o animal, protegido pela Convenção de Berna, foi visto perto do Salgueiro do Campo, a cerca de três metros da margem onde nos encontrávamos, mas não foi possível fotografá-la”.

A desenvolver o projecto Ocreza-Rio Vivo, a Associação Cultural Outrem considera a descoberta como muito importante, até porque “segundos testemunhos recolhidos por nós, há mais de 20 ou 30 anos que não era vista qualquer lontra nas margens do Ocreza”. O animal, com cerca de 70 centímetros e sete quilogramas de peso é uma espécie protegida e José Carlos Moura teme que algumas pessoas possam vir a prejudicar o seu habitat. “Os principais inimigos das lontras são a poluição e as pessoas. Por isso, é importante que não se deite lixo nas margens do rio, o que ainda acontece sobretudo com materiais usados na construção civil. Além disso, é importante que as pessoas que procuram avistar as lontras o façam com cuidado, não prejudicando a sua vida, fazendo os seus passeios em silêncio”, justifica José Carlos Moura.

De acordo com o presidente da Outrem, no capítulo da limpeza, “há um plano para limpar os caminhos que conduzem ao Rio Ocreza, e que envolve os próprios Serviços Municipalizados de Castelo Branco”. José Carlos Moura sublinha também que “é provável que aquela lontra não seja única no Ocreza”. O seu aparecimento vem também comprovar a existência de peixe no rio, uma vez que é esse o alimento das lontras, e que não existe muita poluição naquelas águas.

Projecto Ocreza A descoberta da lontra vem dar um novo alento ao projecto que está a ser desenvolvido pela Associação Cultural Outrem, e que passa por fazer um levantamento de percursos ao longo do Rio Ocreza, por criar uma página de Internet e por tornar as margens do Ocreza mais impas. “O trabalho de campo já está praticamente concluído, após termos percorrido muitos quilómetros ao longo do leito do rio. A nossa ideia passa por lançar um guia turístico, que integrará também o material recolhido nas nossas expedições, assim como os percursos pedestres que podem ser feitos”, justifica.

José Carlos Moura lembra mesmo que “no Verão será feito um curso de guias da natureza, em colaboração com os serviços municipalizados será feita uma limpeza sistemática dos caminhos que conduzem ao rio”. A abertura oficial dos percursos será feita em Junho e segundo aquele responsável “toda a informação disponível vai ser apresentada na página internet www.rvj.pt/ocreza ”. O projecto envolve ainda a colocação de placas indicativas dos percursos pedestres. “A ideia passa por desenvolver este projecto ao longo dos próximos anos”, acrescenta.

O programa Ocreza-Rio Vivo tem os apoios da Câmara de Castelo Branco, Instituto Português da Juventude, Serviços Municipalizados e da empresa RVJ - Editores. Recorde- se que além deste projecto, a Outrem tem em mãos outros desafios, como o lançamento da segunda edição do livro Sentinela da Cidade, que retrata a história do bairro do Castelo, um dos mais carismáticos da cidade.

João Carrega

1 comentário:

manuel disse...

Eu já tive o prazer de ver um animal subindo o rio, por isso não acredito mas confirmo a existência das Lontras, é certo que já foi há cerca de quatro anos a ultima vez que fiz uma observação desse género, pelo menos até essa data, fizeram parte do Habitat.

Manuel J V Gonçalves