sábado, fevereiro 07, 2004

violeiros

Violeiros

À Procura de construtores de viola beiroa.



No Concelho de Oeiras, Gilberto Grácio, para além do seu atelier no Cacém, onde constrói violas e guitarras de grande qualidade, tem no Alto da Loba, em Paço de Arcos, com ajuda da Câmara Municipal, que cedeu as instalações e possibilitou utilizar as máquinas e ferramentas que durante alguns anos foram utilizados num curso financiado pelo IEFP, uma oficina de formação de construção de instrumentos musicais. Agora sem qualquer apoio financeiro do IEFP ou qualquer outra instituição, sete jovens aprendem a arte de construção de instrumentos musicais, financiando-se com a venda dos instrumentos construídos. As matérias primas, nogueira, ébano, pinho, mogno, são adquiridas directamente pelo mestre Gilberto Grácio, que se desloca propositamente a Espanha, ou à Alemanha, para adquirir esses materiais. Visitei a oficina e tive a oportunidade de presenciar o trabalho de jovens a preparar moldes, para iniciarem a produção de guitarras portuguesas, terminar guitarras clássicas, reparar um bandolim. Era minha intenção recolher informações sobre a eventual construção de violas beiroas, por parte do mestre. Obtive a informação de que nunca tinha construído uma viola beiroa, porque não possuía os moldes, mas o seu colega, Domingos Machado, de Tolosa-Braga, tinha esses moldes e poderia produzir esse tipo de instrumento. Para se garantir que um instrumento musical não cais no esquecimento é condição essencial assegurar a sua produção. Na Beira Interior, infelizmente, perdeu-se a tradição da arte de produção de instrumentos musicais de cordas, embora existam excelentes artistas de marcenaria, por exemplo em Alpedrinha. O exemplo da Câmara de Oeiras, que para além de apoiar esta iniciativa, mantem em Algés, sob orientação de Pedro Caldeira Cabral uma oficina de produção de instrumentos musicais antigos, poderia ser seguido na Beira Interior e dessa forma contribuir-se para a divulgação e protecção de um instrumento musical tipico da Beira Baixa, hoje praticamente extinto. Como já tenho referido só na Lousa e nas Dança da Genebres é esse instrumento utilizado, na Festa da Senhora dos Altos Céus.

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