quinta-feira, março 04, 2010
segunda-feira, março 01, 2010
Morte de José Manuel Capelo
No Blog de Joaquim Baptista, porterrasdoreiwamba.blogspot.com, li a informação sobre o falecimento de José Manuel Capelo. Curioso, porque não conhecia o seu trabalho, obtive algumas informações num outro Blog.
in:http://arrugamao.blogspot.com/2010/02/jose-manuel-capelo.html
"sábado, 27 de Fevereiro de 2010
José Manuel Capelo
Ontem à noite a notícia: morreu subitamente o José Manuel Capelo. Esta manhã foi cremado.
José Manuel Gomes Gonçalves Capelo nasceu a 29 de Janeiro de 1946 em Castelo Branco. O pai, médico, faleceu novo em Angola, onde se encontrava com a família e daí veio o poeta, com três ou quatro anos. Esta morte marcou-o para a vida tanto quanto na poesia.
Foi poeta e editor, principalmente. Mas também investigador (investiu muito, nos últimos anos, pesquisando os Templários e, particularmente, os Templários em Portugal). Foi também ficcionista, produtor cultural, declamador (com uma excelente voz), jornalista cultural (assinando recensões críticas). Poemas seus estão traduzidos e/ou publicados em várias línguas e vários países.
Homem com forte ligação à terra portuguesa, foi no entanto um viajante e um cidadão do mundo. A profissão que teve durante anos (assistente ou comissário de bordo, na TAP) permitiu-lhe conhecer países tão diferentes quanto a África do Sul e o Brasil, que o tocava intensa e paradoxalmente. Dos projetos editoriais brasileiros (por assim dizer) chegou a publicar o poeta-filósofo Ângelo Monteiro, Lucila Nogueira, Maria de Lourdes Hortas, havendo planos para editar Ariano Suassuna e outros, planos que entretanto a vida pôs de lado. O número de autores portugueses publicado é vasto e meritório, nomes como António Quadros, Dalila Pereira da Costa, João Rui de Sousa, António Ramos Rosa, António Manuel Couto Viana, António Telmo, António Salvado, José-Alberto Marques (um dos pioneiros da poesia experimental portuguesa), Joaquim Pessoa, J. O. Travanca-Rego, António Barahona, Albano Martins, Dórdio Guimarães, Pascoaes e Cebreiro (este, galego - publicou-lhes uma parte da correspondência) creio que também Raul de Carvalho, muitos outros e outras (Maria Sarmento por exemplo), de uma geração mais nova Paulo Borges, António Cândido Franco, vários outros.
Publicou também o último livro do poeta angolano Mário António (Fernandes de Oliveira), 50 anos: 50 poemas.
Era essencialmente um lírico, muitas vezes preso ao quotidiano próprio, com o qual a sua poesia andava confundida, naquela típica transformação do 'ego' em 'ego-mundo' que funda a subjetividade lírica. Tem momentos de grandeza espetacular, de grandiloquência, marcadamente oratória. Cultivou bastas vezes o paradoxo, a contradição, a aproximação pelos contrários. Recorria frequentemente às hipérboles, que davam corpo à vivência exaltada do mundo, da amizade e das mulheres. E tem frases lapidares no meio desses bosques de versos, em particular nas Odes, que o poeta e crítico Ângelo Monteiro considerava, junto com Plancha de Baca (famoso filólogo estremenho), o momento mais alto da sua obra.
Publicou muitos livros, a maioria deles na sua própria editora, até pelo escrúpulo que punha nessas edições. O primeiro livro creio ser Miragem, das ed. Montanha (col. Opúsculo), saído em Lisboa, em 1978, com capa de Lino António Tudela e prefácio de Paulo Homem-Cristo. O primeiro livro mais conhecido foi, talvez, Fala do homem sozinho, saído nas ed. Danúbio, em Lisboa também (cidade da sua vida), em 1983, com retrato, capa e ilustrações de Luís Osório, sendo apresentado ao público por um prefácio de António Manuel Couto Viana.
Quer como editor, quer como poeta, revela uma especial sensibilidade às artes visuais, em particular a pintura - possuindo uma razoável coleção de quadros de pintores muito representativos.
Mergulha agora na Noite das lendas, essa tempestade em viagem, essa paixão em brasa que infelizmente não chegou a escrever uma autobiografia amorosa. Temperamental, violento, capaz de passar frio e fome pelos amigos, inconstante, persistente, de aspeto vigoroso, beirão e parcialmente judeu, ficou vivo na memória de todos os que o conheceram - e mesmo aqueles que tiveram com ele desentendimentos fortes hoje o recordarão com graça.
Publicada por soantes em 11:52"
in:http://arrugamao.blogspot.com/2010/02/jose-manuel-capelo.html
"sábado, 27 de Fevereiro de 2010
José Manuel Capelo
Ontem à noite a notícia: morreu subitamente o José Manuel Capelo. Esta manhã foi cremado.
José Manuel Gomes Gonçalves Capelo nasceu a 29 de Janeiro de 1946 em Castelo Branco. O pai, médico, faleceu novo em Angola, onde se encontrava com a família e daí veio o poeta, com três ou quatro anos. Esta morte marcou-o para a vida tanto quanto na poesia.
Foi poeta e editor, principalmente. Mas também investigador (investiu muito, nos últimos anos, pesquisando os Templários e, particularmente, os Templários em Portugal). Foi também ficcionista, produtor cultural, declamador (com uma excelente voz), jornalista cultural (assinando recensões críticas). Poemas seus estão traduzidos e/ou publicados em várias línguas e vários países.
Homem com forte ligação à terra portuguesa, foi no entanto um viajante e um cidadão do mundo. A profissão que teve durante anos (assistente ou comissário de bordo, na TAP) permitiu-lhe conhecer países tão diferentes quanto a África do Sul e o Brasil, que o tocava intensa e paradoxalmente. Dos projetos editoriais brasileiros (por assim dizer) chegou a publicar o poeta-filósofo Ângelo Monteiro, Lucila Nogueira, Maria de Lourdes Hortas, havendo planos para editar Ariano Suassuna e outros, planos que entretanto a vida pôs de lado. O número de autores portugueses publicado é vasto e meritório, nomes como António Quadros, Dalila Pereira da Costa, João Rui de Sousa, António Ramos Rosa, António Manuel Couto Viana, António Telmo, António Salvado, José-Alberto Marques (um dos pioneiros da poesia experimental portuguesa), Joaquim Pessoa, J. O. Travanca-Rego, António Barahona, Albano Martins, Dórdio Guimarães, Pascoaes e Cebreiro (este, galego - publicou-lhes uma parte da correspondência) creio que também Raul de Carvalho, muitos outros e outras (Maria Sarmento por exemplo), de uma geração mais nova Paulo Borges, António Cândido Franco, vários outros.
Publicou também o último livro do poeta angolano Mário António (Fernandes de Oliveira), 50 anos: 50 poemas.
Era essencialmente um lírico, muitas vezes preso ao quotidiano próprio, com o qual a sua poesia andava confundida, naquela típica transformação do 'ego' em 'ego-mundo' que funda a subjetividade lírica. Tem momentos de grandeza espetacular, de grandiloquência, marcadamente oratória. Cultivou bastas vezes o paradoxo, a contradição, a aproximação pelos contrários. Recorria frequentemente às hipérboles, que davam corpo à vivência exaltada do mundo, da amizade e das mulheres. E tem frases lapidares no meio desses bosques de versos, em particular nas Odes, que o poeta e crítico Ângelo Monteiro considerava, junto com Plancha de Baca (famoso filólogo estremenho), o momento mais alto da sua obra.
Publicou muitos livros, a maioria deles na sua própria editora, até pelo escrúpulo que punha nessas edições. O primeiro livro creio ser Miragem, das ed. Montanha (col. Opúsculo), saído em Lisboa, em 1978, com capa de Lino António Tudela e prefácio de Paulo Homem-Cristo. O primeiro livro mais conhecido foi, talvez, Fala do homem sozinho, saído nas ed. Danúbio, em Lisboa também (cidade da sua vida), em 1983, com retrato, capa e ilustrações de Luís Osório, sendo apresentado ao público por um prefácio de António Manuel Couto Viana.
Quer como editor, quer como poeta, revela uma especial sensibilidade às artes visuais, em particular a pintura - possuindo uma razoável coleção de quadros de pintores muito representativos.
Mergulha agora na Noite das lendas, essa tempestade em viagem, essa paixão em brasa que infelizmente não chegou a escrever uma autobiografia amorosa. Temperamental, violento, capaz de passar frio e fome pelos amigos, inconstante, persistente, de aspeto vigoroso, beirão e parcialmente judeu, ficou vivo na memória de todos os que o conheceram - e mesmo aqueles que tiveram com ele desentendimentos fortes hoje o recordarão com graça.
Publicada por soantes em 11:52"
domingo, fevereiro 21, 2010
Entrevista de Lula Pena à Pública

No seu 1º CD e até agora único, Lula Pena, apresenta uma interpretação da Senhora do Almortão, utilizando como sons a sua voz, a viola. Bonito de ouvir.
in: Pública de 21/02/2010
"Lula Pena O fado é uma droga dura
A primeira vez que cantou fado ficou com caimbras na cara. No dia em que ia conhecer Amália, ela morreu. Em criança, tocava viola às escondidas, para não a obrigarem a estudar música. Acha que a vida é som."
sexta-feira, fevereiro 05, 2010
quinta-feira, janeiro 21, 2010
Bibliografia analítica de etnografia Portuguesa
http://www.imc-ip.pt/Data/Documents/Recursos/Publica%C3%A7oes/Edicoes_online/Patrimonio_Imaterial/BAEP_BP.pdf-Publicação on-line no Instituto dos Museus e da Conservação, de Benjamim Enes Pereira
Roteiro das colecções do Museu Francisco Tavares Proença Junior

Museu de Francisco Tavares Proença Júnior. Roteiro das Colecções
Autor(es):
Sónia Matos Abreu, Patrícia Leitão Dias, Luísa Maria Fernandinho, Ana Margarida Ferreira, Celeste Ribeiro
Museu de Francisco Tavares Proença Júnior - Lisboa, IPM, 2006
ISBN:
972-776-312-X; 978-972-776-312-2
14 x 23 cm; 107 pp.; 8 fotografias p/b e 103 cor; brochado; ed. portuguesa e inglesa.
Disponível:
Sim
PVP:
€ 10.00
domingo, janeiro 03, 2010
Fábrica de Turbinas para eólicas em Castelo Branco?
A Beira Interior teve sempre um papel pioneiro no domínio da produção eléctrica, utilizando recursos renováveis. A HESE foi pioneira no aproveitamento da energia hidráulica, para a produção de energia eléctrica. Em Rodão surgiu uma das primeiras unidades de Biomassa. A Enforce, para além de participar na gestão da Central Solar de Moura, aplica uma tecnologia específica na produção de painéis solares, já em utilização na Horta Solar do Ferro e em dois Lares. Agora um empresário Beirão pretende instalar uma fábrica para produzir na integra torres para Centrais eólicas. O projecto terá pernas para andar? Tenho algumas dúvidas, que espero não se concretizem, fundamentalmente porque não conta com projectos em território nacional e as exportações para a Ucrânia e Rússia, mais para a primeira,acarretam custos de seguro de créditos elevados, pela frequente ocorrência de não pagamento de Importações. Mas, o projecto promete criar 1000 postos de trabalho directos. Vá lá, mesmo que seja um quarto, será brilhante.
in: JF
Castelo Branco (JF Diário)
30 Dez, 15:05h
António Moreira
“Quero fazer algo por Castelo Branco se Portugal deixar”
António Moreira, presidente da Iberwind Ukraine e da ALM Holding, natural do Louriçal do Campo, quer investir na Beira Baixa. No final de Janeiro entrega ao QREN uma candidatura para a construção de uma fábrica que criará 1000 postos de trabalho em Castelo Branco
JORNAL DO FUNDÃO – Qual a potencialidade que vê nas energias renováveis?
ANTÓNIO MOREIRA – Não só é uma área de futuro, como é uma área necessária e inevitável. Para que os nossos filhos e netos possam ter energia, temos que começar agora a trabalhar.
- Porque resolveu criar a Iberwind Ukraine e a ALM Holding?
- Comecei a conhecer muitas pessoas nas áreas de renováveis. A ALM Holding, baseada em Portugal, é proprietária de uma licença de produção de 5000 MW (megawatts) a desenvolver no seu parque eólico situado na península da Crimeia, na Ucrânia, acrescentado de um futuro parque eólico de potência semelhante a instalar no Noroeste dos EUA, no sul do Estado de Washington. A estes parques serão futuramente acrescentados outros na bacia do Mar Negro, no litoral russo e romeno, com potências de 2000 e 1500 MW, respectivamente, já negociados com os respectivos governos e parceiros locais. Todos estes parques serão equipados com um novo tipo de turbina de origem norte-americana, de conceito revolucionário, cujo protótipo se encontra em desenvolvimento e cuja patente foi também adquirida pela ALM Holding, o qual, estamos seguros, irá reservar uma boa parte do mercado mundial de aerogeradores na próxima década.
- Como teve conhecimento deste novo conceito de eólicas?
- Eu queria algo diferente e algo meu. Sempre trabalhei por conta própria. Tive conhecimento desta novidade em Washington, nos Estados Unidos, e decidi comprar a patente. A turbina, que esteve sete anos em investigação, é totalmente revolucionária, trabalha extremamente bem, tem uma potência maior e não faz barulho. É muito mais económica e não tem impactos ambientais.
- Quando começa a produção desta nova turbina, única no Mundo?
- A produção industrial desta turbina está prevista arrancar em 2010, com a instalação de três fábricas, na Ucrânia (Lugansk), Estados Unidos (Moses Lake, Estado de Washington) e em Portugal (Castelo Branco), esta última inicialmente dedicada à exportação, a qual se estima que permitirá um incremento nas exportações nacionais em valor na ordem dos dois por cento, e a criação de cerca de 1500 postos de trabalho directos.
- Quantos postos de trabalho foram criados?
- O número de postos de trabalho é praticamente igual em todas estas fábricas, mil cada uma. Em Portugal avançaremos com a produção, numa primeira fase, de mini turbinas.
- Porquê a escolha em Castelo Branco?
- Primeiro porque sou português, de Castelo Branco, e em segundo porque gosto muito de Joaquim Morão (presidente da Câmara), admiro-o muito pelo que fez pela Beira Baixa. Já lhe falei deste investimento e recebi todo o seu apoio. Vou fazer a candidatura ao QREN no final de Janeiro, é um investimento de 30 a 40 milhões de euros e espero ter resposta em termos de apoios lá para o mês de Março. A fábrica de Castelo Branco terá quatro unidades, ligadas entre si e para isso preciso de 100 mil metros quadrados. A câmara já me disse que isso não é problema.
in: JF
Castelo Branco (JF Diário)
30 Dez, 15:05h
António Moreira
“Quero fazer algo por Castelo Branco se Portugal deixar”
António Moreira, presidente da Iberwind Ukraine e da ALM Holding, natural do Louriçal do Campo, quer investir na Beira Baixa. No final de Janeiro entrega ao QREN uma candidatura para a construção de uma fábrica que criará 1000 postos de trabalho em Castelo Branco
JORNAL DO FUNDÃO – Qual a potencialidade que vê nas energias renováveis?
ANTÓNIO MOREIRA – Não só é uma área de futuro, como é uma área necessária e inevitável. Para que os nossos filhos e netos possam ter energia, temos que começar agora a trabalhar.
- Porque resolveu criar a Iberwind Ukraine e a ALM Holding?
- Comecei a conhecer muitas pessoas nas áreas de renováveis. A ALM Holding, baseada em Portugal, é proprietária de uma licença de produção de 5000 MW (megawatts) a desenvolver no seu parque eólico situado na península da Crimeia, na Ucrânia, acrescentado de um futuro parque eólico de potência semelhante a instalar no Noroeste dos EUA, no sul do Estado de Washington. A estes parques serão futuramente acrescentados outros na bacia do Mar Negro, no litoral russo e romeno, com potências de 2000 e 1500 MW, respectivamente, já negociados com os respectivos governos e parceiros locais. Todos estes parques serão equipados com um novo tipo de turbina de origem norte-americana, de conceito revolucionário, cujo protótipo se encontra em desenvolvimento e cuja patente foi também adquirida pela ALM Holding, o qual, estamos seguros, irá reservar uma boa parte do mercado mundial de aerogeradores na próxima década.
- Como teve conhecimento deste novo conceito de eólicas?
- Eu queria algo diferente e algo meu. Sempre trabalhei por conta própria. Tive conhecimento desta novidade em Washington, nos Estados Unidos, e decidi comprar a patente. A turbina, que esteve sete anos em investigação, é totalmente revolucionária, trabalha extremamente bem, tem uma potência maior e não faz barulho. É muito mais económica e não tem impactos ambientais.
- Quando começa a produção desta nova turbina, única no Mundo?
- A produção industrial desta turbina está prevista arrancar em 2010, com a instalação de três fábricas, na Ucrânia (Lugansk), Estados Unidos (Moses Lake, Estado de Washington) e em Portugal (Castelo Branco), esta última inicialmente dedicada à exportação, a qual se estima que permitirá um incremento nas exportações nacionais em valor na ordem dos dois por cento, e a criação de cerca de 1500 postos de trabalho directos.
- Quantos postos de trabalho foram criados?
- O número de postos de trabalho é praticamente igual em todas estas fábricas, mil cada uma. Em Portugal avançaremos com a produção, numa primeira fase, de mini turbinas.
- Porquê a escolha em Castelo Branco?
- Primeiro porque sou português, de Castelo Branco, e em segundo porque gosto muito de Joaquim Morão (presidente da Câmara), admiro-o muito pelo que fez pela Beira Baixa. Já lhe falei deste investimento e recebi todo o seu apoio. Vou fazer a candidatura ao QREN no final de Janeiro, é um investimento de 30 a 40 milhões de euros e espero ter resposta em termos de apoios lá para o mês de Março. A fábrica de Castelo Branco terá quatro unidades, ligadas entre si e para isso preciso de 100 mil metros quadrados. A câmara já me disse que isso não é problema.
quarta-feira, dezembro 09, 2009
Horta solar no Ferro
http://www.enforce.pt/noticias.php?i=43
A Enforce (www.enforce.pt), instalou no Ferro uma unidade de produção de energia solar. As características técnicas desta central são inovadoras, procuram reproduzir os painéis solares que equipam as naves russas no espaço. Os painéis acompanham o movimento do Sol (ganhando uma rentabilidade de 30%, relativamente a painéis fixos) e são bifaciais (obtendo por este facto uma rentabilidade suplementar de 20%). No total estes painéis produzem mais 50% de energia, do que os painéis comuns. A Enforce é uma das empresas com actividade na Central Solar de Moura. A Enforce transpõs para a microgeração a sua tecnologia, iniciando a sua instalação em lares. O primeiro Lar a ser contemplado foi o Lar do Ferro, já em funcionamento.
A Enforce (www.enforce.pt), instalou no Ferro uma unidade de produção de energia solar. As características técnicas desta central são inovadoras, procuram reproduzir os painéis solares que equipam as naves russas no espaço. Os painéis acompanham o movimento do Sol (ganhando uma rentabilidade de 30%, relativamente a painéis fixos) e são bifaciais (obtendo por este facto uma rentabilidade suplementar de 20%). No total estes painéis produzem mais 50% de energia, do que os painéis comuns. A Enforce é uma das empresas com actividade na Central Solar de Moura. A Enforce transpõs para a microgeração a sua tecnologia, iniciando a sua instalação em lares. O primeiro Lar a ser contemplado foi o Lar do Ferro, já em funcionamento.
sexta-feira, novembro 27, 2009
quinta-feira, novembro 26, 2009
Beira Interior Fabrica Papel
Depois da Pasta, chega a fabricação de papel....
Fábrica de papel em V. V. Ródão vai ser projecto de Potencial Interesse Nacional
Negócios
26/11/09, 08:08
OJE/Lusa
A fábrica de papel para higiene e limpeza AMS Gomà Camps, em Vila Velha de Ródão, assina hoje com o Estado o contrato que a estabelece como projecto de Potencial Interesse Nacional (PIN).
A fábrica representa um investimento de cerca de 52 milhões de euros. Começou a funcionar a 11 de Agosto e foi oficialmente inaugurada três dias depois pelo primeiro-ministro José Sócrates.
A unidade criou 65 postos de trabalho directos e a AMS Gomà Camps prevê que venha a criar mais 35 até final do ano.
A cerimónia de hoje está marcada para as 10:15 e assinala também que foi alcançada a meta de "produção de 100 toneladas/dia", anunciou a empresa.
Segundo a AMS Gomà Camps, o empreendimento destaca-se pela inovação e sustentabilidade ambiental nos processos de produção de papel tissue (papel higiénico, guardanapos, lenços faciais, rolos industriais, toalhas e rolos de mesa).
As grandes cadeias de distribuição e a indústria (hotelaria, restauração, catering e serviços) são os principais clientes da fábrica. Cerca 40% da produção de papel tissue (usado em guardanapos, rolos de papel higiénico e rolos de cozinha) destina-se a exportação, sobretudo para Espanha e os PALOP.
O projecto começou por ser desenvolvido por accionistas portugueses os quais constituíram a empresa que inicialmente se designou AMS Papermill and Converting.
Posteriormente, o grupo Goma Camps sedeado em Espanha entrou no capital social da empresa, no seguimento de uma parceira estratégica, de que resultou a AMS - Goma Camps - a qual que conta ainda, como principais accionistas, com o Grupo Mateus e o Grupo Gopaca.
Fábrica de papel em V. V. Ródão vai ser projecto de Potencial Interesse Nacional
Negócios
26/11/09, 08:08
OJE/Lusa
A fábrica de papel para higiene e limpeza AMS Gomà Camps, em Vila Velha de Ródão, assina hoje com o Estado o contrato que a estabelece como projecto de Potencial Interesse Nacional (PIN).
A fábrica representa um investimento de cerca de 52 milhões de euros. Começou a funcionar a 11 de Agosto e foi oficialmente inaugurada três dias depois pelo primeiro-ministro José Sócrates.
A unidade criou 65 postos de trabalho directos e a AMS Gomà Camps prevê que venha a criar mais 35 até final do ano.
A cerimónia de hoje está marcada para as 10:15 e assinala também que foi alcançada a meta de "produção de 100 toneladas/dia", anunciou a empresa.
Segundo a AMS Gomà Camps, o empreendimento destaca-se pela inovação e sustentabilidade ambiental nos processos de produção de papel tissue (papel higiénico, guardanapos, lenços faciais, rolos industriais, toalhas e rolos de mesa).
As grandes cadeias de distribuição e a indústria (hotelaria, restauração, catering e serviços) são os principais clientes da fábrica. Cerca 40% da produção de papel tissue (usado em guardanapos, rolos de papel higiénico e rolos de cozinha) destina-se a exportação, sobretudo para Espanha e os PALOP.
O projecto começou por ser desenvolvido por accionistas portugueses os quais constituíram a empresa que inicialmente se designou AMS Papermill and Converting.
Posteriormente, o grupo Goma Camps sedeado em Espanha entrou no capital social da empresa, no seguimento de uma parceira estratégica, de que resultou a AMS - Goma Camps - a qual que conta ainda, como principais accionistas, com o Grupo Mateus e o Grupo Gopaca.
domingo, outubro 25, 2009
Ponte sobre a ribeira da Carpinteira, Covilhã, considerada como sexy pelo seu projectista
O Arquitecto Carrilho da Graça, prémio Pessoa 2008, projectista, entre outros trabalhos premiados do Pavilhão do Conhecimento, Escola Superior de Comunicação Social e Escola Superior de Música, ambas do Politécnico de Lisboa, considera a sua obra, inaugurada no mês passado na Covilhã, como sexy. "Evidentemente, é uma ponte sexy: tem aquelas curvas que a tornam extremamente elegante, como numa top model.
Barragem ou património?
Duas casas modernistas da família Alçada Baptista em perigo por causa de barragem
Por Inês Boaventura
Director do Igespar mandou abrir processo de classificação do local, na Covilhã, e depois invocou "falha procedimental" para recuar. Herdeiros ameaçam contestar decisão em tribunal
O director do Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (Igespar) determinou a abertura do processo de classificação do sítio conhecido como Tapada do Dr. António, na Covilhã, mas depois de receber uma carta do presidente da câmara local, solicitando o cancelamento da decisão, veio dizer que afinal tinha sido um "lapso".
O processo foi desencadeado em Agosto de 2008, quando um dos proprietários (Luís Alçada Baptista, filho do arquitecto Luiz Alçada Baptista e sobrinho do escritor António Alçada Baptista) solicitou ao director do Igespar a abertura do processo de classificação do terreno na freguesia de Cortes do Meio. A existência de um sistema hidráulico singular para enchimento de lameiros foi um dos argumentos invocados, juntamente com o da existência de duas habitações modernistas que "foram palco da vivência incontornável da cultura contemporânea portuguesa que envolveu a família Alçada Baptista".
O processo seguiu para o chefe da Divisão de Estudos Patrimoniais e Arqueociências do Igespar, que destacou o "valor arquitectónico do edificado", o seu "interesse como testemunho simbólico" e "o que nele se reflecte do ponto de vista da memória colectiva, através da sua ligação a alguns dos momentos e a algumas das figuras mais marcantes da cultura portuguesa da segunda metade do século XX". Miguel Soromenho sublinhou também "a conservação de sistemas hidráulicos tradicionais ligados aos ecossistemas produtivos regionais" e sugeriu a classificação da Tapada do Dr. António.
Face a isto e à concordância do director do Departamento de Inventário, Estudos e Divulgação, o director do Igespar, Elísio Summavielle, determinou, em Março de 2009: "Proceda-se à abertura do processo de classificação". A notícia foi mal recebida pelo presidente da Câmara da Covilhã, Carlos Pinto (PSD), que em Maio escreveu uma carta àquele responsável solicitando-lhe o "cancelamento da abertura do procedimento administrativo para classificação".
Isto porque a autarquia pretende avançar com a construção nos terrenos da família Alçada Baptista da Barragem da Ribeira das Cortes (para abastecimento de água para consumo humano), mas para isso precisa que seja prorrogada a Declaração de Impacte Ambiental favorável condicionada de Setembro de 2006, por já terem passado dois anos desde a sua emissão. E como esta obra implica, como explica Luís Alçada Baptista, a submersão das duas habitações modernistas e de um sistema de levadas do século XIX, a sua concretização poderia ficar comprometida com a abertura do processo de classificação.
Na sequência da carta do presidente de Carlos Pinto, o director do Igespar escreveu a um dos proprietários da tapada dizendo que tinha havido um "lapso", já que o processo tinha sido apenas "remetido para estudo e instrução pela Delegação de Castelo Branco da Direcção Regional de Cultura do Centro, no âmbito das respectivas competências". "Somente após o parecer daqueles serviços este instituto se pronunciará no sentido da abertura, ou não, do processo de classificação", alegou Summavielle.
Os proprietários ameaçam contestar este recuo em tribunal, afirmando que "após análise das disposições normativas aplicáveis se concluiu que as Direcções Regionais de Cultura não têm qualquer competência instrutória ou consultiva em processos de classificação de bens imóveis", pelo que o despacho de abertura do processo de classificação proferido por Summavielle "não constitui nenhum lapso" e a sua revogação posterior "não pode deixar de ser inválida".
Ao PÚBLICO, o director do Igespar disse que a necessidade de um parecer prévio "não-vinculativo" da Direcção Regional de Cultura do Centro constitui "uma norma interna procedimental, que não decorre da lei". "É evidente que houve uma falha procedimental e é evidente que não podia abrir um precedente", defende-se Elísio Summavielle, garantindo que legalmente pode anular um despacho seu desde que o fundamente, como diz ter feito neste caso.
Por Inês Boaventura
Director do Igespar mandou abrir processo de classificação do local, na Covilhã, e depois invocou "falha procedimental" para recuar. Herdeiros ameaçam contestar decisão em tribunal
O director do Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (Igespar) determinou a abertura do processo de classificação do sítio conhecido como Tapada do Dr. António, na Covilhã, mas depois de receber uma carta do presidente da câmara local, solicitando o cancelamento da decisão, veio dizer que afinal tinha sido um "lapso".
O processo foi desencadeado em Agosto de 2008, quando um dos proprietários (Luís Alçada Baptista, filho do arquitecto Luiz Alçada Baptista e sobrinho do escritor António Alçada Baptista) solicitou ao director do Igespar a abertura do processo de classificação do terreno na freguesia de Cortes do Meio. A existência de um sistema hidráulico singular para enchimento de lameiros foi um dos argumentos invocados, juntamente com o da existência de duas habitações modernistas que "foram palco da vivência incontornável da cultura contemporânea portuguesa que envolveu a família Alçada Baptista".
O processo seguiu para o chefe da Divisão de Estudos Patrimoniais e Arqueociências do Igespar, que destacou o "valor arquitectónico do edificado", o seu "interesse como testemunho simbólico" e "o que nele se reflecte do ponto de vista da memória colectiva, através da sua ligação a alguns dos momentos e a algumas das figuras mais marcantes da cultura portuguesa da segunda metade do século XX". Miguel Soromenho sublinhou também "a conservação de sistemas hidráulicos tradicionais ligados aos ecossistemas produtivos regionais" e sugeriu a classificação da Tapada do Dr. António.
Face a isto e à concordância do director do Departamento de Inventário, Estudos e Divulgação, o director do Igespar, Elísio Summavielle, determinou, em Março de 2009: "Proceda-se à abertura do processo de classificação". A notícia foi mal recebida pelo presidente da Câmara da Covilhã, Carlos Pinto (PSD), que em Maio escreveu uma carta àquele responsável solicitando-lhe o "cancelamento da abertura do procedimento administrativo para classificação".
Isto porque a autarquia pretende avançar com a construção nos terrenos da família Alçada Baptista da Barragem da Ribeira das Cortes (para abastecimento de água para consumo humano), mas para isso precisa que seja prorrogada a Declaração de Impacte Ambiental favorável condicionada de Setembro de 2006, por já terem passado dois anos desde a sua emissão. E como esta obra implica, como explica Luís Alçada Baptista, a submersão das duas habitações modernistas e de um sistema de levadas do século XIX, a sua concretização poderia ficar comprometida com a abertura do processo de classificação.
Na sequência da carta do presidente de Carlos Pinto, o director do Igespar escreveu a um dos proprietários da tapada dizendo que tinha havido um "lapso", já que o processo tinha sido apenas "remetido para estudo e instrução pela Delegação de Castelo Branco da Direcção Regional de Cultura do Centro, no âmbito das respectivas competências". "Somente após o parecer daqueles serviços este instituto se pronunciará no sentido da abertura, ou não, do processo de classificação", alegou Summavielle.
Os proprietários ameaçam contestar este recuo em tribunal, afirmando que "após análise das disposições normativas aplicáveis se concluiu que as Direcções Regionais de Cultura não têm qualquer competência instrutória ou consultiva em processos de classificação de bens imóveis", pelo que o despacho de abertura do processo de classificação proferido por Summavielle "não constitui nenhum lapso" e a sua revogação posterior "não pode deixar de ser inválida".
Ao PÚBLICO, o director do Igespar disse que a necessidade de um parecer prévio "não-vinculativo" da Direcção Regional de Cultura do Centro constitui "uma norma interna procedimental, que não decorre da lei". "É evidente que houve uma falha procedimental e é evidente que não podia abrir um precedente", defende-se Elísio Summavielle, garantindo que legalmente pode anular um despacho seu desde que o fundamente, como diz ter feito neste caso.
A Malcata em compasso de espera
in: www.publico.pt de 24/10/2009
Azahar chega amanhã para travar extinção do lince-ibérico
25.10.2009
Helena Geraldes
Fala espanhol, tem cinco anos de idade e nome de flor de laranjeira.Azahar faz amanhã a viagem, num veículo especial, do Zoobotânico de Jerez de la Frontera, em Espanha, até ao Centro Nacional de Reprodução em Cativeiro para o Lince-Ibérico (CNRLI), na Herdade das Santinhas, em Silves.
Azahar, que não nasceu em cativeiro mas foi recolhida da natureza, será o primeiro animal a inaugurar as instalações algarvias, começadas a construir em Junho de 2008 e concluídas em Maio de 2009.
Até ao final de Novembro, chegarão outros 15 linces, de forma faseada, informou Tito Rosa, presidente do Instituto de Conservação da Natureza e da Biodiversidade (ICNB), ao PÚBLICO. São animais que nasceram em cativeiro, que foram capturados no campo enquanto juvenis ou que estão em centros de recuperação, depois de terem sido encontrados feridos. Além de Jerez de la Frontera, virão dos centros de El Acebuche (no Parque Nacional de Doñana) e de La Olivilla (Raen).
A cedência de linces a Portugal só foi possível graças ao sucesso do programa espanhol de reprodução em cativeiro, que arrancou em 2003 depois de uma década de desentendimentos entre o Governo central e a Junta Autónoma da Andaluzia. Hoje existem 77 linces nos seus centros de reprodução. Os primeiros - Brezo,BrisaeBrezina- nasceram a 28 de Março de 2005 em Doñana.Brezina acabou por morrer numa luta entre irmãos, habitual na espécie.
Amanhã, Portugal estreia-se na aventura conservacionista quando o CNRLI receber Azahar, vinda de uma viagem de 550 quilómetros. "Estamos entusiasmados e sentimos o peso da responsabilidade", comentou Tito Rosa. "Não queremos falhar."
O centro, com 156 hectares, é uma das peças do Plano de Acção para a Conservação do Lince-Ibérico em Portugal (2008-2012), publicado em Diário da República a 6 de Maio de 2008. Resulta de uma medida de compensação pela construção da Barragem de Odelouca, imposta pela União Europeia, e é financiado pela empresa Águas do Algarve.
Segundo explicou em Julho Rodrigo Serra, director do Centro Nacional de Reprodução, aquando da assinatura do protocolo de cedências de linces de Espanha a Portugal, os animais vão viajar em carros fechados, com controlo climatérico, e um condutor e um veterinário. Serão realizadas paragens de duas em duas horas. Quando chegarem ao centro de Silves, os animais serão alvo de uma vigilância mais apertada durante 48 horas. Cada cercado tem cinco câmaras de vigilância.
Reprodução em cativeiro
A reprodução em cativeiro é uma solução de fim de linha para o felino mais ameaçado do planeta. Estima-se que existam hoje menos de 150 linces-ibéricos (Lynx pardinus).
Em meados do século XIX, seriam cem mil, espalhados por toda a Península Ibérica. A espécie vive em Portugal numa situação de "pré-extinção".
Para Jorge Palmeirim, investigador da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e uma das pessoas que lançaram a primeira campanha nacional pela defesa do lince da Malcata, no final da década de 70, acredita que "a principal causa do seu declínio foi o colapso das populações de coelhos, algo difícil de controlar", contou ao PÚBLICO este investigador. Tudo agravado por duas doenças: a mixomatose (nos anos 50) e a febre hemorrágica viral (nos anos 80).
Contudo, não se pode explicar com uma única razão o estatuto de espécie "Criticamente Ameaçada" que a União Mundial para a Conservação (UICN) atribuiu ao felino das barbas e dos pêlos em forma de pincel na ponta das orelhas. Ao quase desaparecimento do coelho-bravo, a sua principal presa, junta-se a caça indiscriminada e a perda de habitat pelas campanhas agrícolas e de reflorestação com eucalipto e pinheiro-manso, que destruíram os matagais mediterrânicos desde a primeira metade do século XX.
Desde então, o lince-ibérico tem seguido em silêncio e longe da vista a estrada que o levou à beira da extinção. Mas hoje, o mundo está de olhos postos nele. E nos esforços de Portugal e Espanha para o trazer de volta.
Há pontos fracos nos 50 anos de luta depois do alarme
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Os primeiros sinais de alarme soaram há mais de meio século. Nos anos 50 do século XX, agricultores e caçadores por aqui e por ali comentavam que o lince era um animal ameaçado. No entanto, "a generalidade da população nem sabia que existia uma espécie de lince no país", lembra Jorge Palmeirim, da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e da LPN (Liga para a Protecção da Natureza). Tão-pouco existiam estudos.
Desde então foram envidados esforços para travar este comboio. Fica para a história a campanha "Salvemos o lince e a serra da Malcata", em 1979, depois de o biólogo Luís Palma ter alertado para a situação de ameaça aquando do seu trabalho de campo naquela serra em 1976 e 1977. Quando a campanha terminou, em Fevereiro de 1980, tinham sido recolhidas mais de 46.500 assinaturas em favor da protecção da serra. Jorge Palmeirim, um dos responsáveis, considera que esta "foi a primeira acção relevante de conservação do lince, que com ela passou até a ser um animal simbólico para a conservação da natureza".
Um ano depois, foi criada a Reserva Natural da Serra da Malcata. O primeiro trabalho organizado sobre a ocorrência de lince em Portugal, o Programa Liberne, aconteceu entre 1986 a 1997. Mais recentemente, sítios importantes para a espécie foram incluídos na Rede Natura 2000 e a Reserva da Malcata adoptou medidas de gestão do habitat. Em 2008, foi publicado o plano de acção para a conservação do lince.
Plano para o coelho
Mas o felino continuou a desaparecer. Durante muito tempo, não "houve orientação estratégica e as autoridades e o país ficaram passivamente a assistir ao declínio do lince", lamentou Palmeirim. Este investigador denuncia ainda que deviam ter sido desenvolvidos projectos de investigação "que procurassem medidas de minimização eficazes" para as doenças que afectaram o coelho-bravo. Luís Palma, que participou no Programa Liberne, sente a falta de um plano de acção nacional para a principal presa do lince.
Este investigador critica o distanciamento entre quem decide e quem vive no terreno. "Envolver todos aqueles que influenciam ohabitat do lince é um trabalho difícil e incómodo. Mas, não sendo feito, qualquer plano aparecerá como uma colecção de medidas restritivas que as pessoas não compreendem e que não são aplicáveis à realidade", comentou. "Ou todos contribuem para a conservação do lince ou não será possível fazê-lo", diz, salientando que antes de o Centro de Reprodução em Cativeiro ter sido construído, os responsáveis deviam ter preparado as pessoas para o regresso do lince.
Palmeirim é da mesma opinião. "Para evitar chegar à situação actual, teria sido necessário incentivar e apoiar os gestores de áreas chave do território, incluindo os proprietários e as associações de caçadores, a fazer uma gestão que mantivesse uma estrutura do habitat apropriada para o lince e para a sua principal presa, o coelho".
Tito Rosa, presidente do ICNB, adiantou ao PÚBLICO na semana passada que recentemente foram aprovados projectos candidatos ao QREN (Quadro de Referência Estratégico Nacional) para "conquistar as populações, nomeadamente caçadores e agricultores". O responsável lembrou ainda as parcerias com a LPN, Associação de Defesa do Património de Mértola e com a Associação Nacional de Proprietários e Produtores de Caça.
O papel dos caçadores é realçado por Luís Palma. "Há que desmistificar a ideia de que não pode haver caça onde existir lince." O biólogo vai mais longe quando diz que, em Portugal, "o lince não tem possibilidade de viver em mais lugar nenhum a não ser em explorações cinegéticas", locais que ainda mantêm o seu habitat."O país tem muito pouco espaço [para o lince], temos áreas extensas onde há bolsas favoráveis no meio de bolsas menos favoráveis". Situação diferente da de Espanha. "Portugal terá um papel importante enquanto periferia das populações espanholas, quando estas recuperarem".Helena Geraldes
Azahar chega amanhã para travar extinção do lince-ibérico
25.10.2009
Helena Geraldes
Fala espanhol, tem cinco anos de idade e nome de flor de laranjeira.Azahar faz amanhã a viagem, num veículo especial, do Zoobotânico de Jerez de la Frontera, em Espanha, até ao Centro Nacional de Reprodução em Cativeiro para o Lince-Ibérico (CNRLI), na Herdade das Santinhas, em Silves.
Azahar, que não nasceu em cativeiro mas foi recolhida da natureza, será o primeiro animal a inaugurar as instalações algarvias, começadas a construir em Junho de 2008 e concluídas em Maio de 2009.
Até ao final de Novembro, chegarão outros 15 linces, de forma faseada, informou Tito Rosa, presidente do Instituto de Conservação da Natureza e da Biodiversidade (ICNB), ao PÚBLICO. São animais que nasceram em cativeiro, que foram capturados no campo enquanto juvenis ou que estão em centros de recuperação, depois de terem sido encontrados feridos. Além de Jerez de la Frontera, virão dos centros de El Acebuche (no Parque Nacional de Doñana) e de La Olivilla (Raen).
A cedência de linces a Portugal só foi possível graças ao sucesso do programa espanhol de reprodução em cativeiro, que arrancou em 2003 depois de uma década de desentendimentos entre o Governo central e a Junta Autónoma da Andaluzia. Hoje existem 77 linces nos seus centros de reprodução. Os primeiros - Brezo,BrisaeBrezina- nasceram a 28 de Março de 2005 em Doñana.Brezina acabou por morrer numa luta entre irmãos, habitual na espécie.
Amanhã, Portugal estreia-se na aventura conservacionista quando o CNRLI receber Azahar, vinda de uma viagem de 550 quilómetros. "Estamos entusiasmados e sentimos o peso da responsabilidade", comentou Tito Rosa. "Não queremos falhar."
O centro, com 156 hectares, é uma das peças do Plano de Acção para a Conservação do Lince-Ibérico em Portugal (2008-2012), publicado em Diário da República a 6 de Maio de 2008. Resulta de uma medida de compensação pela construção da Barragem de Odelouca, imposta pela União Europeia, e é financiado pela empresa Águas do Algarve.
Segundo explicou em Julho Rodrigo Serra, director do Centro Nacional de Reprodução, aquando da assinatura do protocolo de cedências de linces de Espanha a Portugal, os animais vão viajar em carros fechados, com controlo climatérico, e um condutor e um veterinário. Serão realizadas paragens de duas em duas horas. Quando chegarem ao centro de Silves, os animais serão alvo de uma vigilância mais apertada durante 48 horas. Cada cercado tem cinco câmaras de vigilância.
Reprodução em cativeiro
A reprodução em cativeiro é uma solução de fim de linha para o felino mais ameaçado do planeta. Estima-se que existam hoje menos de 150 linces-ibéricos (Lynx pardinus).
Em meados do século XIX, seriam cem mil, espalhados por toda a Península Ibérica. A espécie vive em Portugal numa situação de "pré-extinção".
Para Jorge Palmeirim, investigador da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e uma das pessoas que lançaram a primeira campanha nacional pela defesa do lince da Malcata, no final da década de 70, acredita que "a principal causa do seu declínio foi o colapso das populações de coelhos, algo difícil de controlar", contou ao PÚBLICO este investigador. Tudo agravado por duas doenças: a mixomatose (nos anos 50) e a febre hemorrágica viral (nos anos 80).
Contudo, não se pode explicar com uma única razão o estatuto de espécie "Criticamente Ameaçada" que a União Mundial para a Conservação (UICN) atribuiu ao felino das barbas e dos pêlos em forma de pincel na ponta das orelhas. Ao quase desaparecimento do coelho-bravo, a sua principal presa, junta-se a caça indiscriminada e a perda de habitat pelas campanhas agrícolas e de reflorestação com eucalipto e pinheiro-manso, que destruíram os matagais mediterrânicos desde a primeira metade do século XX.
Desde então, o lince-ibérico tem seguido em silêncio e longe da vista a estrada que o levou à beira da extinção. Mas hoje, o mundo está de olhos postos nele. E nos esforços de Portugal e Espanha para o trazer de volta.
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Os primeiros sinais de alarme soaram há mais de meio século. Nos anos 50 do século XX, agricultores e caçadores por aqui e por ali comentavam que o lince era um animal ameaçado. No entanto, "a generalidade da população nem sabia que existia uma espécie de lince no país", lembra Jorge Palmeirim, da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e da LPN (Liga para a Protecção da Natureza). Tão-pouco existiam estudos.
Desde então foram envidados esforços para travar este comboio. Fica para a história a campanha "Salvemos o lince e a serra da Malcata", em 1979, depois de o biólogo Luís Palma ter alertado para a situação de ameaça aquando do seu trabalho de campo naquela serra em 1976 e 1977. Quando a campanha terminou, em Fevereiro de 1980, tinham sido recolhidas mais de 46.500 assinaturas em favor da protecção da serra. Jorge Palmeirim, um dos responsáveis, considera que esta "foi a primeira acção relevante de conservação do lince, que com ela passou até a ser um animal simbólico para a conservação da natureza".
Um ano depois, foi criada a Reserva Natural da Serra da Malcata. O primeiro trabalho organizado sobre a ocorrência de lince em Portugal, o Programa Liberne, aconteceu entre 1986 a 1997. Mais recentemente, sítios importantes para a espécie foram incluídos na Rede Natura 2000 e a Reserva da Malcata adoptou medidas de gestão do habitat. Em 2008, foi publicado o plano de acção para a conservação do lince.
Plano para o coelho
Mas o felino continuou a desaparecer. Durante muito tempo, não "houve orientação estratégica e as autoridades e o país ficaram passivamente a assistir ao declínio do lince", lamentou Palmeirim. Este investigador denuncia ainda que deviam ter sido desenvolvidos projectos de investigação "que procurassem medidas de minimização eficazes" para as doenças que afectaram o coelho-bravo. Luís Palma, que participou no Programa Liberne, sente a falta de um plano de acção nacional para a principal presa do lince.
Este investigador critica o distanciamento entre quem decide e quem vive no terreno. "Envolver todos aqueles que influenciam ohabitat do lince é um trabalho difícil e incómodo. Mas, não sendo feito, qualquer plano aparecerá como uma colecção de medidas restritivas que as pessoas não compreendem e que não são aplicáveis à realidade", comentou. "Ou todos contribuem para a conservação do lince ou não será possível fazê-lo", diz, salientando que antes de o Centro de Reprodução em Cativeiro ter sido construído, os responsáveis deviam ter preparado as pessoas para o regresso do lince.
Palmeirim é da mesma opinião. "Para evitar chegar à situação actual, teria sido necessário incentivar e apoiar os gestores de áreas chave do território, incluindo os proprietários e as associações de caçadores, a fazer uma gestão que mantivesse uma estrutura do habitat apropriada para o lince e para a sua principal presa, o coelho".
Tito Rosa, presidente do ICNB, adiantou ao PÚBLICO na semana passada que recentemente foram aprovados projectos candidatos ao QREN (Quadro de Referência Estratégico Nacional) para "conquistar as populações, nomeadamente caçadores e agricultores". O responsável lembrou ainda as parcerias com a LPN, Associação de Defesa do Património de Mértola e com a Associação Nacional de Proprietários e Produtores de Caça.
O papel dos caçadores é realçado por Luís Palma. "Há que desmistificar a ideia de que não pode haver caça onde existir lince." O biólogo vai mais longe quando diz que, em Portugal, "o lince não tem possibilidade de viver em mais lugar nenhum a não ser em explorações cinegéticas", locais que ainda mantêm o seu habitat."O país tem muito pouco espaço [para o lince], temos áreas extensas onde há bolsas favoráveis no meio de bolsas menos favoráveis". Situação diferente da de Espanha. "Portugal terá um papel importante enquanto periferia das populações espanholas, quando estas recuperarem".Helena Geraldes
terça-feira, outubro 20, 2009
Faria de Vasconcelos

A FCG editou as Obras completas de Faria de Vasconcelos. Apresento a digitalização da capa do 1º volume e transcrição parcial do prefácio introdutório de J. Ferreira Marques.
"J.Ferreira Marques
Apresentação da obra de Faria de Vasconcelos
Faria de Vasconcelos deixou um grande número de escritos incluindo livros, artigos de revista, textos de conferencias, artigos de jornais e muitos inéditos. E a obra de um vulto insigne das Ciências Humanas e Sociais e que desenvolveu intensa actividade, durante as primeiras quatro décadas do século 20, como professor, especialista. investigador. conferencista, publicista, quer em centros universitários portugueses e estrangeiros, quer dirigindo-se a públicos mais vastos e diferenciados. Entre as áreas de conhecimento a que se dedicou, encontram-se o Direito, a Sociologia, a Psicologia, a pedagogia e a Filosofia. A maior ou menor saliência de cada um destes domínios modificou-se ao longo da carreira de Faria de Vasconcelos. Por isso. reveste-se do maior interesse esboçar aqui a sua biografia e relacioná-la com a preparação e publicação dos principais trabalhos.
Nascido em Castelo Branco, no dia 2 de Março de 1880. António de Sena Faria de Vasconcelos Azevedo era filho e neto de magistrados. Em Outubro de 1896 inicia os seus estudos na Universidade de Coimbra, onde obteve em Junho de 1900 o grau de bacharel em Leis, com 21 anos incompletos, e, doze meses depois, o de bacharel formado. O seu primeiro livro, impresso em 1900 e intitulado O Materialismo Histórico e a Reforma Religião do Século XVI, constitui extracto de uma dissertação para a 10.• cadeira da Faculdade de Direito de Coimbra.
Dois outros livros são publicados em 1902, um dos quais -O Ensino Ético Social das Multidões - corresponde conferência proferida no Ateneu Comercial de Lisboa. Nesse mesmo ano inscreve-se na Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Nova de Bruxelas. O estudo que à mesma apresentou sobre La pychologie dês foules Infantiles e o relato da sua discussão com os Profs. De Greef e Lauby integram um pequeno livro editado na Bélgica em 1903. Já a dissertaçãode douto¬ramento em Ciências Sociais -Esquisse d'une théorie de ta sensibilité…...."
terça-feira, outubro 06, 2009
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