O que fazer para maximizarmos a valorização do nosso património?
in: Jornal do Fundão
SECÇÃO: Entrevista
«Património é o chamariz das terras do interior»
António Martinho Baptista é reconhecidamente o maior especialista nacional em arte rupestre, tendo estado envolvido nas maiores descobertas que se fizeram, neste campo, em Portugal nas últimas décadas, como as figuras do Vale do Tejo e de Foz Côa. Fica o testemunho de quem dedica a sua vida a trazer até nós o passado. Um arqueólogo que faz da profissão uma forma de vida
JORNAL DO FUNDÃO – A terceira gravura de um cavalo paleolítico que se encontrou na Barroca é similar às outras duas já descobertas?
ANTÓNIO MARTINHO BAPTISTA – Sim, é similar às outras duas que estão no Poço do Caldeirão. Uma das rochas tem cavalos com um estilo perfeitamente idêntico. Não tenho a menor dúvida em considerar este achado como sendo do Paleolítico Superior.
Portanto, tem uma datação de…
15, 20 mil anos. Ele tem ainda um estilo “solutrense” – um palavrão que nós utilizamos na arte paleolítica – o que significa que poderá andar entre 18, 20 mil anos. Foi a cronologia que eu atribuí aos cavalos do Poço do Caldeirão, que estão a 300 metros deste último achado.
É natural que se venham a encontrar mais figuras rupestres nesta zona do Zêzere?
Sim, é natural. Estas gravuras estão em rochas com poucos motivos; é difícil detectá-los. As rochas estão sujas, têm líquenes e a água também subiu um pouco devido à mini-hídrica.
Que trabalho é que a sua equipa esteve a fazer com este terceiro achado?
Fizemos um decalque directo. Normalmente fazemos isto à noite. Esta como é uma gravura simples, tentámos fazê-la de dia, mas nós nunca ficamos satisfeitos com os resultados que temos à luz do dia. Preferimos sempre fazer isto com luz rasante e artificial. É natural que ainda completemos esta figura, porque temos o máximo de rigor com os levantamentos que fazemos.
Ao longo da sua carreira de investigador, tem notado, por parte das populações, uma maior pré-disposição para apreciar e defender o seu património?
Curiosamente até foi na Barroca que eu notei maior investimento da população no trabalho que aqui fizemos já há dois ou três anos. Nos levantamentos que fizemos à noite tivemos sempre imensa gente à nossa volta. Ajudavam--nos imenso, traziam-nos comida, etc… A partir do momento em que explicámos a importância e a antiguidade das coisas que aqui tinham, eles passaram a ser os maiores defensores do seu património. Nós estudamos as coisas, valorizamo-las, evidentemente, em termos científicos, procuramos salvaguardá-las, mas as populações são, sem dúvida, as melhores defensoras do seu património e mais ainda nestas terras do Interior. Na Barroca, por exemplo, é a coisa mais antiga que há aqui. Eles tomaram em mãos isto e eu achei, de facto, uma coisa espantosa. Em mais nenhum sítio notei um investimento tão grande da população inteira, acarinhando o nosso trabalho de uma maneira espantosa.
Hoje ainda se levantam questões como a de se, em alguns casos, o património poderá ser compatível com interesses económicos…
São compatíveis e de que maneira. O desenvolvimento do Interior passa pelo facto de se valorizar o património histórico-arqueológico, porque é isso que, hoje em dia, valoriza sítios como a Barroca. A valorização do património é o principal chamariz destas terras do Interior. Veja o caso de Foz Côa, que é o mais conhecido. Quem pôs o nome de Foz Côa conhecido em todo o mundo foi a arte rupestre. Isso de a defesa do património ir contra interesses económicos... mas que interesses económicos? O futuro da nossa civilização está na procura das nossas raízes históricas e na sua valorização. Há tempos li um artigo muito interessante do ex-ministro Campos e Cunha, onde ele considerava que no ambiente de globalização que vivemos hoje, os dois aspectos que podem diferenciar Portugal e valorizar-nos no mundo são a Língua e o património histórico-arqueológico.
Em Espanha, neste campo, as coisas assumem outra metodologia…
Nós temos tido alguns contactos com, por exemplo, a Junta de Castilla y León, e eles têm um investimento brutal na área do património. Tive a oportunidade de participar, há pouco tempo, num colóquio em Valladolid e o investimento deles na área do património é espantoso. Têm um património histórico riquíssimo, que valorizam de uma maneira absolutamente notável. Não é só ali que está a procura das tais raízes de que falava há bocado, mas o chamariz é um dos motores do desenvolvimento económico do interior peninsular.
Qual é o orçamento deles neste campo?
Têm um orçamento fortíssimo, na ordem das muitas centenas de milhões de euros. Eu fiquei espantado com o orçamento que foi apresentado num plano quinquenal. É, provavelmente, superior ao orçamento do nosso país na área da cultura.
As descobertas de arte rupestre também têm, ao que sei, outro tratamento do outro lado da fronteira…
Sim, há uma lei espanhola que classifica imediatamente como bem cultural a arte rupestre identificada. Depois sofre um processo de classificação mais fino, digamos assim. A arte rupestre é muito importante em Espanha. No fundo, a arte rupestre é a escrita da pré-História. É o legado mais espiritual que o Homem pré-histórico nos legou e como tal é imediatamente classificada como bem cultural.
Ainda se comove com as novas descobertas que faz, depois de décadas de trabalho nesta área?
Claro. Então quando se descobre arte paleolítia. Apesar de tudo, a arte paleolítica ao ar livre continua a ser uma novidade importante. Portugal é, neste momento, o país da Europa que tem mais arte paleolítica ao ar livre. Ela tem sido encontrada, nomeadamente, junto aos nossos rios do Interior, infelizmente, muitos deles, cobertos por barragens… Quando descobrimos uma figura nova ou se identificou, como foi o caso da da Barroca, ainda que seja uma única gravura, é um testemunho fantástico que nos emociona sempre. É sempre emocionante sermos nós a contribuir para que esta gravura da Barroca ganhe, e ganhará, uma nova vida, não apenas através das publicações científicas que vamos fazendo, mas pelo tal dinamismo económico que pode trazer e trará, seguramente, a estas zonas do Interior.
Há alguma razão ou razões específicas para que Portugal seja hoje o país com maior acervo de arte rupestre ao ar livre?
Repare, a Europa paleolítica, ao contrário do que as pessoas pensam, não estava toda coberta pelo gelo, nomeadamente no último período da época glaciar. Nestas zonas não havia glaciares ou havia línguas glaciares pequenas, como a da Serra da Estrela. Portanto, é natural, que os nossos rios tenham muitas outras gravuras que precisam de ser descobertas. Durante muitos anos, não se procurou, não se descobriu e não e sabia. Hoje, temos a certeza que há muito mais gravuras em Portugal. Na Europa paleolítica é natural que sítios como a Península Ibérica, onde os glaciares tinham uma expansão muito menor, tenha sido uma causa importante para que estas gravuras tenham sido feitas e, felizmente, resistiram. E a maior parte estão em xisto e isso é muito importante, porque se estivessem noutro tipo de rocha, teriam sido erosionadas e desaparecido mais rapidamente. Felizmente o xisto conserva muito bem estas gravuras.
O que levava o homem paleolítico a gravar estes motivos?
É a tal “inquietação”. É esta inquietação que, no fundo, nos distancia, nos diferencia de toda a restante criação. O homem paleolítico tem as mesmas capacidades de abstracção, de pensamento. É um Sapiens Sapiens, como nós somos, e tinha, com certeza, as mesmas necessidades que nós. A tecnologia era outra e a arte rupestre, digamos, que é a primeira invenção, se assim se pode dizer, do grafismo da escrita, não alfabética, evidentemente. O longo período do paleolítico superior é caracterizado por um tipo de sociedade que nós chamamos de caçadores- -recolectores e o animal é o centro da acção, o elemento mais importante e é isso que, no fundo, é a arte paleolítica, uma arte zoomórfica. Essa inquietação do homem paleolítico levou-o a gravar e a pintar milhares e milhares de sítios. É através destes vestígios que conseguimos saber os anseios do homem paleolítico, sejam eles de carácter religioso ou meramente lúdico. A arte rupestre é isto: o último vestígio do pensamento abstracto, do pensamento simbólico.
E porque esta fixação em gravar em rochas junto às margens dos rios?
Os rios sempre foram, como eu gosto de lhes chamar, as auto-estradas da pré-história. Permitem a facilidade de deslocação, concentram também uma certa vida económica, digamos assim. São fonte de vida, quer pelos peixes, quer pelos animais que precisam de água. Os rios concentram, portanto, uma grande parte da vida ao longo da pré-história. É natural que ao longo das margens dos rios, as rochas, nomeadamente, dos rios que cortam zonas de xisto, tenham sido eleitas como os sítios onde seria feito aquilo a que nós chamamos a arte rupestre.
Ao logo de toda a sua carreira, qual foi a descoberta que mais o impressionou?
Podia-lhe dizer que foi a arte no Vale do Tejo. Foi aí que eu comecei. É um sítio fantástico, com dezenas de milhar de gravuras pós-paleolíticas. Digamos que a minha emoção começou aí. Mas não deixo de me emocionar sempre que descubro uma coisa nova. E quando a arte do Côa foi descoberta, eu pude apreciar, verdadeiramente, as maravilhas que lá se guardam. Juntamente com o Vale do Tejo, talvez sejam as duas mais importantes descobertas a que eu estive ligado.
A partir do momento da vossa descoberta e identificação das figuras, o vosso trabalho fica concluído?
Nós também contribuimos para que esse desenvolvimento económico se faça. Estamos sempre disponíveis para participar em colóquios, conferências, na valorização, centros de interpretação. Tudo isso faz parte dessa lógica que hoje o património tem que ter.
quarta-feira, julho 04, 2007
Património é o chamariz das terras do interior
segunda-feira, julho 02, 2007
Menir do Ferro
quarta-feira, junho 27, 2007
Mais um pouco sobre o Menir da Vila do Ferro
in: http://dokatano.blogspot.com/2007/06/o-pnis-milenar-e-seca-do-bacalhau.html
O 7º Encontro FundaSão: São Rosas EnTerra Natal
O irreverente blog A FundaSão, diga-se em abono da verdade, um blog do baralho (não confundir com uma palavra muito menos coloquial), organizou o seu 7º encontro por terras da Beira, mais concretamente em redor de Caria, essa verdadeira metrópole de entre Zêzere e Côa (caro Paulo, está bem assim?).
Coube-me o grato papel de prestar algumas explicações in situ sobre a villa romana de Centum Cellas, do séc I d.C., e sobre o menir da vila do Ferro, este uma imponente representação escultórica de uma pilinha, já com 6.000 anos, tudo com uma passagem pela Quinta dos Termos onde com uma hospitalidade invulgar fomos convidados a provar alguns dos vinhos que, com grande qualidade, são produzidos aí. Não se pode ainda esquecer a bela da jeropiga made in Caria servida no Pielas Bar (espero não me ter enganado no nome), em pleno centro urbano cariense.
Já no Ferro, frente ao monumento fálico, e após manifestações efusivas que deram a entender o quanto o grupo apreciou tal representação artística, fiz uma breve descrição da história e significado do monumento mas só depois de algumas explicações sobre o imponente pilar, referindo o facto de estar em bom estado de conservação apesar da idade, notei que um indígena com cerca de 80 anos se tinha colocado frente ao monumento. Vi-me forçado a desfazer o equívoco fazendo notar que me referia ao monumento que se encontrava por trás do senhor.
O 7º Encontro FundaSão: São Rosas EnTerra Natal
O irreverente blog A FundaSão, diga-se em abono da verdade, um blog do baralho (não confundir com uma palavra muito menos coloquial), organizou o seu 7º encontro por terras da Beira, mais concretamente em redor de Caria, essa verdadeira metrópole de entre Zêzere e Côa (caro Paulo, está bem assim?).
Coube-me o grato papel de prestar algumas explicações in situ sobre a villa romana de Centum Cellas, do séc I d.C., e sobre o menir da vila do Ferro, este uma imponente representação escultórica de uma pilinha, já com 6.000 anos, tudo com uma passagem pela Quinta dos Termos onde com uma hospitalidade invulgar fomos convidados a provar alguns dos vinhos que, com grande qualidade, são produzidos aí. Não se pode ainda esquecer a bela da jeropiga made in Caria servida no Pielas Bar (espero não me ter enganado no nome), em pleno centro urbano cariense.
Já no Ferro, frente ao monumento fálico, e após manifestações efusivas que deram a entender o quanto o grupo apreciou tal representação artística, fiz uma breve descrição da história e significado do monumento mas só depois de algumas explicações sobre o imponente pilar, referindo o facto de estar em bom estado de conservação apesar da idade, notei que um indígena com cerca de 80 anos se tinha colocado frente ao monumento. Vi-me forçado a desfazer o equívoco fazendo notar que me referia ao monumento que se encontrava por trás do senhor.
quinta-feira, junho 21, 2007
quarta-feira, junho 20, 2007
Menir na Beira Interior?

in: http://www.afundasao.com/html/2007/afundasao_7encontro.htm
Monumento fálico do Ferro, no jardim público do Cilindro (recuperado pela Junta de Freguesia do Ferro depois de ter estado algum tempo tombado numa lixeira, em risco de ser destruído), guiada pelo David Caetano, da Arqueobeira. O Dom OrCa irá afundar-nos na verdade sobre aquele... cilindro.
Menir s.m ARQI. monumento megalítico, do período megalítico, geralmente de forma alongada, altura variável (até cerca de 11 m.)e fixado verticalmente no solo [Podia servir de marco astronómico ou frequentemente apresentando traços figurativos, representar o totem ou outros espíritos] Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa
segunda-feira, junho 18, 2007
Vídeos sobre a festa da cereja, em Alcongosta
in: Diário xxi
http://www.diarioxxi.com/?lop=artigo&op=f899139df5e1059396431415e770c6dd&id=92c9627a1529f28cb04691b9fe1f6ec8
http://www.diarioxxi.com/?lop=artigo&op=f899139df5e1059396431415e770c6dd&id=92c9627a1529f28cb04691b9fe1f6ec8
domingo, junho 17, 2007
Ainda há pastores...
Documentário de Jorge Pelicano, recebeu o primeiro prémio do FICA, no Brasil.
Se ainda não viu, a SIC tem on-line o documentário www.sic.pt
Se ainda não viu, a SIC tem on-line o documentário www.sic.pt
sábado, junho 16, 2007
Festa da cereja de alcongosta
Etiquetas:
Festas populares na Beira Interior
sexta-feira, junho 15, 2007
Museus da Beira
O Jornal do Fundão, desta semana, publica um Suplemento com o título "Museus da Beira", com um total de 98 páginas, mais um "Especial Museu da Electricidade", num total de 28 páginas. No Editorial "O tempo novo dos museus e a identificação do país", descreve o papel actual dos museus. O ainda director do IPM, Manuel Oleiro, concedeu uma entrevista em que ressalta o papel das autarquias na área da museologia.
A edição on-line do JF, infelizmente, não incluí o referido suplemento, mas mesmo que incluisse não adiantava muito. A orientação do JF tem sido a de conceder só a assinantes o acesso à versão impressa do Jornal. Neste e noutros casos, justificar-se-ia que este critério fosse alterado, porque o referido Suplemento só é distribuído aos assinantes ou compradores do jornal, o que impede a divulgação mais generalizada de um excelente trabalho cultural, prestigiante para a região.
A edição on-line do JF, infelizmente, não incluí o referido suplemento, mas mesmo que incluisse não adiantava muito. A orientação do JF tem sido a de conceder só a assinantes o acesso à versão impressa do Jornal. Neste e noutros casos, justificar-se-ia que este critério fosse alterado, porque o referido Suplemento só é distribuído aos assinantes ou compradores do jornal, o que impede a divulgação mais generalizada de um excelente trabalho cultural, prestigiante para a região.
quinta-feira, junho 14, 2007
Herdade da Poupa ganha prémio europeu
in:Reconquista
Propriedade do Grupo Espírito Santo em Rosmaninhal
Herdade da Poupa ganha prémio europeu
A conciliação entre a conservação da natureza e o desenvolvimento económico levaram um júri europeu a distinguir a Herdade da Poupa com o prémio de melhor propriedade europeia. O galardão é entregue num encontro que reúne 250 proprietários rurais de toda a Europa.
A Herdade da Poupa acaba de ser distinguida com o prémio de melhor propriedade europeia, atribuído pela Fundação Anders Wall e a Friends of the Countryside, uma organização de proprietários rurais europeus representada em Portugal pela Associação Nacional de Produtores de Caça e a União da Floresta Mediterrânica. Situada na freguesia de Rosmaninhal, no concelho de Idanha-a-Nova, a Herdade da Poupa é uma propriedade rural pertencente à Monfortur, uma empresa do Grupo Espírito Santo que gere os hotéis Astória e Fonte Santa, em Termas de Monfortinho. João Carvalho, o secretário-geral da Associação Nacional de Proprietários e Produtores de Caça, explica ao Reconquista que o prémio “distingue propriedades que são exemplares do ponto de vista da conservação dos recursos naturais” como é o caso da Herdade da Poupa. Esta alia um projecto de turismo rural com a localização em plena área da Rede Natura 2000 e do Parque Natural do Tejo Internacional, uma relação que João Carvalho classifica como “um casamento perfeito”.
A preservação da paisagem, biodiversidade, património cultural e o desenvolvimento de uma economia local sustentável são os critérios que o júri do prémio tem em conta na hora de escolher um vencedor. Mas este ano há vencedores, já que foram escolhidas duas propriedade, uma na Inglaterra e outra em Portugal. A nível nacional apenas a Herdade do Pinheiro, em Setúbal, tinha até agora este prémio. A notícia da atribuição do prémio foi recebida pelo administrador da Monfortur “com grande satisfação”, sobretudo porque reconhece o trabalho feito na conservação da natureza. António Salgado explica que nos últimos anos foi feita uma aposta na recuperação dos ecossistemas que foram destruídos por práticas agrícolas ou florestais incorrectas, como a célebre campanha do trigo. O incentivo à produção deste cereal, levado a cabo pelo Estado Novo entre 1928 e 1934, levou a um esgotamento dos solos e ao desaparecimento de espécies que dependiam deles. A promoção do eucaliptal, algumas décadas mais tarde, agravou a situação. Para recuperar o espaço, a Monfortur promoveu a recuperação do montado de azinho, entre outras boas práticas ambientais. E hoje a herdade é habitada por espécies como o grifo, o abutre-do-Egipto ou a cegonha-preta.
A Herdade da Poupa tem uma área de aproximadamente 4 200 hectares, contando com um hotel rural com 16 quartos e várias actividades ligadas à natureza, como observação de aves, percursos pedestres ou safaris fotográficos. A actividade cinegética é outra das vertentes e para António Salgado o prémio “é a prova que a caça não é tão ameaçadora como parece” em relação à conservação da natureza.
Questionado sobre o possível impacto do prémio na divulgação da herdade situada em Rosmaninhal, João Carvalho admite que a curto prazo não será significativo. Mas o facto de contar com o alto patrocínio da Direcção Geral de Ambiente da Comissão Europeia poderá fazer muito pelo projecto, sobretudo fora de Portugal.
O prémio é atribuído esta sexta-feira pelo Director Geral de Ambiente da Comissão Europeia no decorrer do jantar de gala da reunião anual dos Friends of the Countryside, que começa esta quinta-feira, dia 14, na cidade de Évora. O encontro reúne 250 proprietários rurais de toda a Europa e acontece pela primeira vez em Portugal.
José Furtado
Propriedade do Grupo Espírito Santo em Rosmaninhal
Herdade da Poupa ganha prémio europeu
A conciliação entre a conservação da natureza e o desenvolvimento económico levaram um júri europeu a distinguir a Herdade da Poupa com o prémio de melhor propriedade europeia. O galardão é entregue num encontro que reúne 250 proprietários rurais de toda a Europa.
A Herdade da Poupa acaba de ser distinguida com o prémio de melhor propriedade europeia, atribuído pela Fundação Anders Wall e a Friends of the Countryside, uma organização de proprietários rurais europeus representada em Portugal pela Associação Nacional de Produtores de Caça e a União da Floresta Mediterrânica. Situada na freguesia de Rosmaninhal, no concelho de Idanha-a-Nova, a Herdade da Poupa é uma propriedade rural pertencente à Monfortur, uma empresa do Grupo Espírito Santo que gere os hotéis Astória e Fonte Santa, em Termas de Monfortinho. João Carvalho, o secretário-geral da Associação Nacional de Proprietários e Produtores de Caça, explica ao Reconquista que o prémio “distingue propriedades que são exemplares do ponto de vista da conservação dos recursos naturais” como é o caso da Herdade da Poupa. Esta alia um projecto de turismo rural com a localização em plena área da Rede Natura 2000 e do Parque Natural do Tejo Internacional, uma relação que João Carvalho classifica como “um casamento perfeito”.
A preservação da paisagem, biodiversidade, património cultural e o desenvolvimento de uma economia local sustentável são os critérios que o júri do prémio tem em conta na hora de escolher um vencedor. Mas este ano há vencedores, já que foram escolhidas duas propriedade, uma na Inglaterra e outra em Portugal. A nível nacional apenas a Herdade do Pinheiro, em Setúbal, tinha até agora este prémio. A notícia da atribuição do prémio foi recebida pelo administrador da Monfortur “com grande satisfação”, sobretudo porque reconhece o trabalho feito na conservação da natureza. António Salgado explica que nos últimos anos foi feita uma aposta na recuperação dos ecossistemas que foram destruídos por práticas agrícolas ou florestais incorrectas, como a célebre campanha do trigo. O incentivo à produção deste cereal, levado a cabo pelo Estado Novo entre 1928 e 1934, levou a um esgotamento dos solos e ao desaparecimento de espécies que dependiam deles. A promoção do eucaliptal, algumas décadas mais tarde, agravou a situação. Para recuperar o espaço, a Monfortur promoveu a recuperação do montado de azinho, entre outras boas práticas ambientais. E hoje a herdade é habitada por espécies como o grifo, o abutre-do-Egipto ou a cegonha-preta.
A Herdade da Poupa tem uma área de aproximadamente 4 200 hectares, contando com um hotel rural com 16 quartos e várias actividades ligadas à natureza, como observação de aves, percursos pedestres ou safaris fotográficos. A actividade cinegética é outra das vertentes e para António Salgado o prémio “é a prova que a caça não é tão ameaçadora como parece” em relação à conservação da natureza.
Questionado sobre o possível impacto do prémio na divulgação da herdade situada em Rosmaninhal, João Carvalho admite que a curto prazo não será significativo. Mas o facto de contar com o alto patrocínio da Direcção Geral de Ambiente da Comissão Europeia poderá fazer muito pelo projecto, sobretudo fora de Portugal.
O prémio é atribuído esta sexta-feira pelo Director Geral de Ambiente da Comissão Europeia no decorrer do jantar de gala da reunião anual dos Friends of the Countryside, que começa esta quinta-feira, dia 14, na cidade de Évora. O encontro reúne 250 proprietários rurais de toda a Europa e acontece pela primeira vez em Portugal.
José Furtado
segunda-feira, junho 11, 2007
Caderno Actual do Expresso







Lusitânia
Viriato, o primeiro guerreiro
O museu do Fundão recupera a identidade dos lusitanos e revela-nos o seu território, reacendendo o debate à volta da mitologia deste povo
sábado, junho 09, 2007
Eugénio de Andrade vai ser homenageado em Madrid
in: PúblicoNo domingo e na segunda-feira
Eugénio de Andrade vai ser homenageado em Madrid
08.06.2007 - 18h35 Lusa
A relação de Eugénio de Andrade com Espanha e a poesia espanhola é o tema da homenagem ao poeta que se realiza no domingo e na segunda-feira no Ateneo de Madrid, anunciou hoje, no Porto, fonte da Fundação Eugénio de Andrade.
Na sessão inaugural, presidida pelo embaixador de Portugal em Espanha, José de Moraes Cabral, usarão da palavra o secretário do Ateneo, Alejandro Sanz, o poeta e tradutor Jesus Munárriz, o presidente da Fundação Eugénio de Andrade, Arnaldo Saraiva, e o presidente do BPI, Artur Santos Silva, empresa que patrocina a iniciativa.
Na homenagem, que assinala o segundo ano da morte do poeta nascido no Fundão, mas que viveu quase toda a sua vida no Porto, participam críticos e tradutores da sua obra.
Está também previsto um recital de poemas a cargo de Elisabet Gelabert e de Jorge Silva Melo.
O programa prevê ainda a projecção de um documentário sobre a vida e obra de Eugénio de Andrade e uma exposição biobibliográfica.
Eugénio de Andrade vai ser homenageado em Madrid
08.06.2007 - 18h35 Lusa
A relação de Eugénio de Andrade com Espanha e a poesia espanhola é o tema da homenagem ao poeta que se realiza no domingo e na segunda-feira no Ateneo de Madrid, anunciou hoje, no Porto, fonte da Fundação Eugénio de Andrade.
Na sessão inaugural, presidida pelo embaixador de Portugal em Espanha, José de Moraes Cabral, usarão da palavra o secretário do Ateneo, Alejandro Sanz, o poeta e tradutor Jesus Munárriz, o presidente da Fundação Eugénio de Andrade, Arnaldo Saraiva, e o presidente do BPI, Artur Santos Silva, empresa que patrocina a iniciativa.
Na homenagem, que assinala o segundo ano da morte do poeta nascido no Fundão, mas que viveu quase toda a sua vida no Porto, participam críticos e tradutores da sua obra.
Está também previsto um recital de poemas a cargo de Elisabet Gelabert e de Jorge Silva Melo.
O programa prevê ainda a projecção de um documentário sobre a vida e obra de Eugénio de Andrade e uma exposição biobibliográfica.
quinta-feira, junho 07, 2007
Endereço com informação demográfica do Fundão
Subscrever:
Mensagens (Atom)



