sábado, novembro 04, 2006

Cogumelos-riqueza da Beira Interior a explorar

Na Beira Interior, especialmente em anos com significativa queda pluvial, abundam várias variedades, cujo aproveitamento económico, de forma racioanal está por fazer. Em tempos, no site do Restaurante Helana, de Idanha-a-Nova (www.helana.com) havia uma informação relevante sobre este domínio. Na reformulação do site desapareceu essa informação e pelo que me foi possível constatar a utilização de cogumelos foi retirada da lista. Aqui fica informação relevante publicada no Jornal de Notícias de 3/11, mas também o Expresso reproduz informação sobre este domínio. Um dos produtos que os fabricantes de pizzas, mais conceituados, utilizam são os cogumelos em pó. Em Itália este produto encontra-se com facilidade, em Portugal só em casas muito especilizadas é possível encontrá-los. Os cogumelos são reduzidos a pó depois de secos. Em períodos de maior abundância, poderão ser transformados, por esta via, reduzindo a oferta e estabelizando os preços.


in: Jornal de Notícias
NÚMEROS
Desperdiçados benefícios dos cogumelos


Eduardo Pinto

Mais um Outono repleto de cogumelos silvestres, mais um ano sem legislação para o sector, mais uma corrida desenfreada a um recurso precioso, em que os intermediários são quem mais ganha com a venda. Portugal começa agora a despertar para esta potencialidade, mas Espanha, Itália, França e Suíça há muito a valorizam, comprando-a cá para consumir lá, em fresco, congelada ou em conserva de azeite.

Não que por cá não lucre quem o apanha e vende a intermediários. Cinco a 20 euros por quilo, limpos, não é propriamente valor desprezível para quem vive do magro sustento que a terra assegura. O problema é que o grosso da mais-valia não fica para eles.

Este o principal problema identificado pelo investigador da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), Artur Cristovão. As populações não negligenciam o produto, uma vez que sempre lhe reconheceram valor alimentar, tantas vezes para substituir carne e peixe, bem mais caros. "A negligência está na gestão do recurso e aproveitamento económico que traga mais benefícios para as populações".

Falta de legislação

Num estudo desenvolvido há cerca de um ano, Cristóvão constatou que os intermediários portugueses ou comerciantes espanhóis situam-se, geralmente, logo à saída do bosque onde as famílias apanham os cogumelos. "Têm carrinhas e balanças, fazem uma triagem rápida e pagam o que entendem". O produto é a seguir vendido a diversas unidades, que se encarregam do seu processamento e o transportam para mercados onde são altamente valorizados.

A culpa é da "situação de alegalidade (inexistência de lei) no sector", aduz o presidente da Associação Micológica Pantorra, com sede em Mogadouro, Francisco Xavier Martins. "Temos alertado as entidades competentes, mas devem ter tido outras coisas em que pensar", atira. O tema voltará a estar em debate nas jornadas europeias sobre micologia que amanhã começam, em Bragança, e decorrem até dia 12.

Guilhermina Marques, docente da UTAD, adianta que já houve uma primeira tentativa de criar legislação, através de um conjunto de entidades que fizeram o ponto da situação do sector. "Em 2001, apresentámos os relatório com as linhas orientadoras ao Ministério do Ambiente, mas, com a alternância de governos, o processo ficou parado", denuncia.

Os investigadores defendiam que as pessoas que apanham cogumelos devem aprender algumas regras, pois há processos mais destrutivos do que outros. As quantidades colhidas também deveriam ser regulamentadas, bem como os tamanhos autorizados e os objectos permitidos para auxiliar a recolecção. A comercialização e transformação são outros pontos que deverão merecer a atenção do legislador.

Restaurantes aproveitam

O potencial gastronómico dos cogumelos começa já a ser aproveitado por restaurantes na região. É o caso do "Flor de Sal", em Mirandela. O gerente, João Paulo Carlão, orgulha-se de servir sempre cogumelos nas refeições. Apostado numa cozinha de qualidade, diz que procurou sempre informar-se dos melhores produtos regionais para os poder confeccionar no restaurante. "Os cogumelos são um deles".

O responsável abastece-se numa unidade de produção de diversos tipos de cogumelos, em Benlhevai (Vila Flor). A repolga, os boletus, as trufas, entre outros, acompanham qualquer refeição, seja como entrada, utilizados na confecção de um prato ou como sobremesa. Um jantar eno-gastronómico recente, com cerca de 80 pessoas, na maioria do litoral do país, teve como exigência repolga grelhada e arroz de boletus para acompanhar a carne. E, por vezes, revela João Paulo Carlão, "até servimos gelado de cogumelo".

Os cogumelos silvestres podem ainda desempenhar um importante papel de defesa dos castanheiros contra doenças como o cancro e a tinta. Guillhermina Marques adianta que os fungos micorrízicos provocam o envolvimento da raiz dos castanheiros com mecélio, o que provoca uma barreira física que impede o acesso a outros fungos. Daí que a mobilização dos solos esteja totalmente desaconselhada nos soutos.


50

mil variedades

de cogumelos estão identificadas em todo o Mundo. Em Portugal, estão identificadas cerca de 300 espécies. Pouco mais de uma dezena terá interesse gastronómico.

90%

de água na composição

da maioria dos cogumelos. Daí a sua fragiliade. Nascem, crescem,vivem e morrem no espaço de uma semana.


5

euros

é o preço médio pago por intermediários aos colectores pela maioria das espécies de cogumelos apreciadas no estrangeiro. No caso dos boletus, chegam a pagar 20 euros por quilo.

200

participantes

esperados nas jornadas micológicas que começam amanhã em Bragança, oriundos de Portugal, Espanha, França e Itália.

terça-feira, outubro 24, 2006

Outro Livro de Cunha Leal



Dedicatória
I N D I C E
Pág.
7
Prefácio ... 11
CAPÍTULO I
Os paradoxos da vida contemporânea 27
1. Da acção depressiva da educação na capacidade intelectual dos seres hu
27
2. 0 trânsito da tendência insurreccional
para um estado de mero inconformismo das massas populares 36
3. A ordem improgressiva e a desordem criadora 48
CAPÍTULO II
Em que se fala de autocracia e da teoria do ressentimento 57
1. Psicologia do autocrata 57 2. Uma estéril tentativa de domesticar
a opinião mundial 71 3. Uma unidade postiça em face de um
perigo real ... . 86


1. Em que se fala do Estado democrático 101
2. Um pouco de história pregressa 119
3. A revolução traída 138
1. A técnica e a cultura 167
2. Países plenamente desenvolvidos, me
182
dianamente desenvolvidos, subdesen
volvidos, quase selvagens e selvagens
3. Portugal, o Espaço Português e o
Mercado Comum Europeu 197
Anexos - O meu combate visto por um portu

guês, dois
espanhóis e um colombiano 221
1. Diz um português amigo 223
2. Diz um espanhol discordante ... 229
3. «Un autre son de cloche» de um
espanhol e de um colombiano 234
Composto e impresso na
Tip. LEANDRO, Lda.
Trav. do Noronha, 28 a 30-A
LISBOA

CUNHA LEAL
«Mas tu pensas que te vão deixar dizer isso tudo?» - pergunta-me alguém a quem confidenciei o plano deste livro e a minha firme intenção de o escrever e publicar. E acrescentou: «olha que tantas vezes vai o cântaro à fonte até que, um dia por id fica!» Ouvi-o atentamente e, encolhendo os ombros, retorqui-lhe: «mas, se esse é o destino de muitos cântaros, deixa que o que vou fabricar corra o risco de fracturar-se, se assim o determinarem, injustamente, a turbulência e a maldade humanas.»
8-IX-1962.
CUNHA LEAL

terça-feira, outubro 17, 2006

Banco de sementes

Na Beira Interior temos algumas variedades de sementes que deveria haver o cuidado de proteger e preservar, para garantir a biodiversidade e preservar a nossa identidade cultural. Refiro-me a variedades de fruta, maça, pera, ginja, abrunhos, romãs, diospiros, por exemplo, mas também a hortícolas. A introdução de novas variedades, frequentemente híbridas e pretensamente mais produtivas, tem conduzido ao abandono das variedades adaptadas ao nosso solo e ao nosso clima. A recuperação de variedades, como por exemplo a casta vinícola Fonte Cal, pelo Engº João Carvalho, em Carvalhal Formoso, ou da variedade de maçãs Lindo-pardo, tão apreciadas por Eça de Queirós, pelo Engº António Campos, em Oliveira do Hospital, deveria dar lugar a um levantamento e preservação mais sistemáticos. O Feijão frade da Lardosa, os tomates e morangos do Corriscão, as variedades vinícolas, os malápios, as maças espelho e tantas outras variedades deveriam merecer mais atenção e estudo.

sexta-feira, outubro 13, 2006

Francisco da Cunha Leal (1888-1970)


Encontrei, recentemente, uma publicação de Cunha Leal, que li na juventude, acervo da biblioteca de um familiar e que agora tive oportunidade de adquirir num alfarrabista. Trata-se de uma publicação de 1961, edição do autor, editada muito próximo do 4 de Fevereiro de 1961 e em que o autor expressa o seu pensamento sobre a política colonial e o início do movimento de libertação em Angola-por ele designado de outra forma. Embora em desacordo com o seu pensamento, trata-se de um beirão que merece ser conhecido e tido como exemplo, pela sua verticalidade, honestidade, defesa da democracia e por ter pugnado pelos seus ideias..





Leal, Francisco da Cunha. Político português (Pedrógão, Penamacor 22.8.1888-Lisboa 26.4.1970). Engenheiro militar, foi director-geral dos Transportes Terrestres, ministro das Finanças (1920 e 1923), chefe do governo, ministro do Interior (1921-1922) e reitor da Universidade de Coimbra (1924-1925). Em 1923 defendeu o estabelecimento de uma ditadura e tornou-se líder do Partido Nacionalista; em 1925 fundou a União Liberal Republicana. Após a revolução de 28.5.1926 demitiu-se do exército, mas aceitou ser governador do Banco de Angola (1927-1930). Jornalista desde a juventude, foi director de 0 Popular 1921, 0 Século 1922-1923, A Noite e Vida Contemporânea 1934-1935. Irrequieto e apaixonado, manteve sempre um ousado espírito de oposição.
In: Lexicoteca, Círculo de Leitores, Tomo XI


“Ora tudo quanto em mim possa haver de válido em matéria de pensamento e em dons divinatórios me impele a repetir sem descanso e em termos bem claros que é cada vez mais urgente mudar de rumo no tocante à nossa política colonial, não para nos submetermos às cominações de negros ou de brancos, os primeiros sem ciência, os segundos sem consciência, mas sim para respeitarmos as obrigações estritamente decorrentes de uma missão civilizadora plurissecular, de cujos resultados leg'ztimamente nos orgulhamos, quando nos referimos ao Brasil, renegando-os, contudo, paradoxalmente em relação aos nossos outros domínios ultramarinos. Nem o vácuo, que alguns querem criar vertiginosamente em Angola, nem o falseamento por antecipação, igualmente apressada, da vontade das populações indígenas, ainda muito arredadas da capacidade necessária e suficiente para saberem escolher o seu destino com conhecimento de causa -tal é a posição que pode conciliar os nossos direitos com os dos povos tutelados e com as ideias dos tempos correntes, naquilo em que elas não ultrapassem as raias da coerência e da dignidade.”

terça-feira, outubro 10, 2006

Giacometti em trabalho de campo

Ficha de registos sonoros-Cnonologia e distribuição geográfica das recolhas - Gravando sons da lavra






segunda-feira, outubro 09, 2006

A canção popular portugusa em Fernando Lopes Graça









A Editorial Caminho acaba de colocar no mercado "A Canção Popular Portuguesa em Fernando Lopes Graça", da autoria de Alexandre Branco Weffort. Transcrevo algumas das referências à Beira Baixa. Para quem se interessa pela Etnomusicologia na Beira Baixa, não pode deixar de ler e utilizar como ferramenta de trabalho este excelente trabalho, publicado no âmbito das comemorações do centésimo aniversário do nascimento de Fernando Lopes Graça. As referências à Beira Baixa são inúmeras. Acompanha o livro um CD-ROM de excelente qualidade.



A Editorial Caminho e Alexandre Branco Weffort agradecem às seguintes pessoas e instituições a gentil cedência dos materiais mencionados:
Registos sonoros:
Museu da Música Portuguesa/Casa-Museu Verdades de Faria:
Recolhas de E Lopes-Graça em S. Miguel d'Acha, Donas e Paul
Interpretações de canções para voz e piano - Arminda Corrêa/E Lopes-Graça:
Agora é que ela vai boa
Cantilena de abaúlar (I)
Ih! Quando o meu pai morreu
Lavra, boi, lavra
Meu amor me deu um lenço
Nossa Senhora das Neves
O malhão, triste malhão (1)
Ó minha amora madura
Ó Serpa, pois tu não ouves
Ó, ó, mnenino, ó
Senhora do Almurtão (I)
Acervo particular de Alexandre Branco Weffort


Beira Baixa
34 Acordai, se estais dormindo 237
12 Ai, ó divina Santa Cruz 212
48 Ai, recorda, ó pecador 254
119 Aproveitai a azeitona 338
47 Bendita e louvada seja 252
2 Bendito «das trovoadas» 200
135 Cantemos o São João 359
52 Cantiga da Atalaia 259
26 Cantiga do Entrudo 228
36 Deus lhe dê cá as boas noites 239
6 Era ainda pequenina 204
38 Estas casas são mui altas 241
35 Inda agora aqui cheguei 238
59 Já os passarinhos cantam 267
128 Já são horas da merenda 349
78 José embala o menino 288
126 Loureiro, verde loureiro 346
86 Meu coletinho aos ramos 296
37 Moradoras desta casa 240
19 Não se me dá que vindimem 220
108 Nossa Senhora das Neves 325
106 Nossa Senhora do Carmo 323
118 Nossa Senhora do Souto 337
13 O conde de Alemanha 213
138 O meu São João Baptista 362
53 0 milho da nossa terra 260
46 Oh, almas que estais dormindo 251
62 Oh, que calma vai caindo 270
87 Oh! Senhora do Amparo 299
124 Os amores da azeitona 344
45 Recordai, ó irmãos meus 249
43 Rezemos um Padre Nosso 247
8b Romance de Santa Iria 207
18a Senhora da Póvoa 218
18b Senhora da Póvoa 219
67 Senhora das Neves da Malpica 276

domingo, outubro 08, 2006

Cirilo de Jesus-Centroliva- Vila Velha de Rodão primeiro empresário da Biomassa

A Centroliva, de Vila Velha de Rodão, foi a primeira unidade industrial a produzir energia eléctrica, a partir da Biomassa e a vender a produção à EDP. A Beira Baixa tem licenças para instalar 4 centrais de biomassa de 2, 3, 10 e 10 mw de energia. Mas, está em funcionamento a Centroliva que produz 2mw, suficientes para abastecer uma localidade com 5000 habitantes.

Morreu Joaquim Cardoso-Industrial - MACONDE

Joaquiom Cardoso nasceu no Tortosendo em 1938 e faleceu em Seattle, EUA, em 29 de Setembro. Esteve ligado como, operário, à industria textil da Covilhã. Quando a sua empresa entrou em crise conduziu um processo de aluguer da empresa em trabalhava, ao seu anterior patrão. Posteriormente trocou a Beira pelo Douro Industrial onde conduziu o processo de afirmação e expansão da maior empresa exportadora de têxteis portugueses, A MACONDE. Em 2002 saiu da MACONDE e passou a ser responsável pelas Colecções da cadeia Feira Nova e criou uma rede de lojas de distribuiçÕ PRÓPRIA, Acetato. Foi sócio, até à morte do Unidos FC do Tortosendo, onde se inspirou, até à morte, numa máxima aí colocada " A solidariedade humana não é palavra vã, se queres encontrar uma mão amiga que te proteja e ajude, procura-a na extremidade do teu braço". Grande homem, grande empreendedor, grande empregador, a Beira fica mais pobre, com o seu desaparecimento. Que outros sigam o seu exemplo.

sábado, outubro 07, 2006

Dia Mundial dos Castelos

in: Público
Património
Castelos portugueses se fossem postos à venda tinham dezenas de compradores
07.10.2006 - 17h21 Lusa


Os castelos portugueses se fossem postos à venda teriam dezenas de compradores, incluindo estrangeiros, o que podia ajudar a manter este património, afirmou hoje o presidente da Associação Portuguesa dos Amigos dos Castelos, Francisco Sousa Lobo.

Estes monumentos "vêem-se de longe, marcam a paisagem e atraem as pessoas", adiantou o responsável que falava aos jornalistas em Évoramonte, concelho de Estremoz, onde decorrem hoje as comemorações do Dia Nacional dos Castelos.

Sousa Lobo lembrou que em Portugal os castelos são quase todos do Estado, contando-se pelos dedos das mãos o número de castelos, fortalezas ou torres que são propriedade privada.

A sua concessão a privados, disse, podia "ajudar a manter esse património".

As comemorações do Dia Nacional dos Castelos têm como palco a histórica vila alentejana de Évoramonte, cujo castelo foi construído há 700 anos.

O vereador da cultura da Câmara Municipal de Estremoz, João Carlos Chouriço, explicou que o município pretendeu integrar as celebrações do Dia Nacional dos Castelos nas actividades comemorativas dos 700 anos do castelo de Évoramonte.

O programa comemorativo incluiu um conjunto de conferências relacionadas com a histórica localidade, a apresentação de um livro sobre o castelo de Évoramonte, com textos de diversos autores, e o percurso do imaginário.

Um jantar medieval hoje na Torre/Paço Ducal do castelo de Évoramonte com animação da época completa o programa da iniciativa cultural.

O evento contou com cerca de 200 participantes, entre os quais o capitão de Abril Otelo Saraiva de Carvalho.

A Associação Portuguesa dos Amigos dos Castelos, que visa a defesa e salvaguarda do património histórico militar, segundo o seu presidente, pretende contactar os municípios com castelos e sensibilizá-los para se associarem, em 2007, às comemorações do Dia Nacional dos Castelos com o intuito de este evento cultural decorrer em diversos locais.

As comemorações deste ano do Dia Nacional dos Castelos resultaram de uma organização conjunta da Câmara Municipal de Estremoz e Associação Portuguesa dos Amigos dos Castelos, com o apoio do Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR) e Liga dos Amigos do Castelo de Évoramonte.

O Dia Nacional dos Castelos foi também comemorado em Lisboa, no Castelo de São Jorge.

sexta-feira, outubro 06, 2006

Portas de Rodão-Património Natural

in: Diário xxi
Sexta-Feira, 06 de Outubro de 2006
Resultado de candidatura conjunta das câmaras de Vila Velha de Ródão e Nisa

O Instituto da Conservação da Natureza aprovou o projecto reconhecendo a singularidade do espaço e a necessidade de o salvaguardar
O Instituto da Conservação da Natureza (ICN) deu luz verde, há duas semanas, à candidatura das câmaras de Vila Velha de Ródão e Nisa para a classificação das Portas de Ródão como monumento natural. Com esta classificação serão criadas medidas que visam a conservação e protecção do território estudado e proposto.
“Preservar os valores naturais, cénicos e culturais existentes, garantindo o equilíbrio paisagístico e assegurando a articulação entre o natural e o humanizado” são alguns dos objectivos da candidatura agora aprovada, refere ao Diário XXI Maria do Carmo Sequeira, presidente da Câmara de Vila Velha de Ródão. A autarca diz ainda que a classificação permite qualificar toda a zona deste monumento natural e “definir o que se pode fazer, em vez de assinalar proibições”. Assim, “toma-se o partido das mais valias ambientais e paisagísticas”, tal como “sensibilizar as populações para práticas de florestação correctas”.
A próxima etapa passa pela criação, pelas duas câmaras, de um projecto de decreto regulamentar, a entregar no ICN nos próximos seis meses, “para que fique detalhado o regulamento de todas as actividades permitidas e recomendas para a área abrangida”, descreve Maria do Carmo Sequeira
Juntando a actual classificação com o facto das Portas do Ródão serem um dos 16 monumentos do Geoparque Naturtejo, a autarca conclui “que o concelho vai poder dar um salto no plano turístico e económico”.

ESTUDOS SUPORTARAM CANDIDATURA
Para suportar a candidatura apresentada em 2005, Maria do Carmo Sequeira recorda que foram elaborados estudos aprofundados, realizados por técnicos especializados em matérias como geologia, biologia, história, arqueologia, entre outras, que resultou num documento base, enviado ao ICN.
A área abrangida tem cerca de mil e 300 hectares e está centrada nas escarpas de Portas de Ródão, no fundo das quais passa o Rio Tejo, cujo relevo singular sustentou a candidatura.
Apesar das tentativas, não foi possível ouvir sobre esta matéria Gabriela Tsukamoto, presidente da Câmara de Nisa, até ao fecho desta edição.

O que é um monumento natural?
Segundo o ICN, um monumento natural é “uma ocorrência natural contendo um ou mais aspectos que, pela sua singularidade, raridade ou representatividade em termos ecológicos, estéticos, científicos e culturais, exigem a sua conservação e a manutenção da sua integridade”. Para além das Portas do Ródão, os monumentos naturais actualmente classificados são: Ourém/Torres Novas (integrado no Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros), Carenque, Pedreira do Avelino, Pedra da Mua e Lagosteiros (os dois últimos integrados no Parque Natural da Arrábida).

segunda-feira, setembro 25, 2006

Integração em rede do património da Beira Interior

in: Diário xxi de 25/9/2006
Redes de património precisam-se
Segunda-Feira, 25 de Setembro de 2006
Seminário realizado no Fundão lança desafio aos municípios

No âmbito das Jornadas Europeias do Património, o vice-presidente do IPPAR apelou à constituição de redes de promoção, porque cada município não possui património suficiente “para ser um pólo de atracção por si só”
Daniel Sousa e Silva

“São os factores culturais que nos distinguem das restantes comunidades” e dizê-lo “não é nacionalismo bacoco”. A ideia foi destacada por Henrique Parente, vice-presidente do Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR), na sessão de abertura do seminário “Cartas e Recomendações Internacionais de Património” na última sexta-feira, na Biblioteca Eugénio de Andrade, no Fundão. Tratou-se de uma das muitas actividades de entrada gratuita que tiveram lugar até ontem na região – foram 550 em todo o País – no âmbito da 13ª edição das Jornadas Europeias do Património. Esta iniciativa anual do Conselho da Europa e da União Europeia envolve mais de meia centena de países, com o intuito de sensibilizar os povos europeus para a importância da salvaguarda do património. Em Portugal, a coordenação foi da responsabilidade do IPPAR e subordinada ao tema “Património Somos Nós”.
Henrique Parente sublinhou que o património “é um recurso histórico, mas também económico”, por isso, apelou à cooperação entre municípios. “Não basta haver SCUTs [auto-estradas sem custo para o utilizador], é preciso haver promoção da sustentabilidade do património numa perspectiva regional”. Nesse sentido, defende que cada concelho “deixe de olhar apenas para o seu umbigo, apostando antes na promoção em rede”, já que a maioria dos municípios não possui património suficiente “para ser um pólo de atracção por si só”.

EDUCAR PARA GARANTIR O FUTURO
Henrique Parente é também apologista da “estratégia do IPPAR” que se baseia na sensibilização das crianças para a importância do património. Acções nas escolas de ensino básico são um exemplo, para que “as crianças se tornem no principal pólo de defesa do património”.
Pelo mesmo diapasão afinou José Afonso, director regional de Castelo Branco do IPPAR. “A Beira Interior possui uma identidade cultural comum que deve ser potenciada através da constituição de redes de promoção entre municípios”, frisou.

Reunião de trabalho a 9 de Outubro
Presidente do IPPAR visita Fundão
À margem do seminário, o presidente da Câmara do Fundão, Manuel Frexes, anunciou que Elísio Summavielle, presidente do IPPAR, vai deslocar-se à cidade fundanense para “uma reunião de trabalho” com responsáveis autárquicos. “Vão ser abordados vários assuntos de interesse para o município e para o IPPAR, mas ainda é cedo para os revelar”, disse o autarca. Estava previsto que o presidente do IPPAR estivesse presente no seminário de sexta-feira, mas cancelou a visita “por motivos de força maior”.

Devolver património às populações
Manuel Frexes, presidente da Câmara do Fundão, entende que “é preciso inovar na promoção do património, porque muitos conceitos de divulgação estão obsoletos”. Uma das sugestões do autarca é de que, “para além de se promoverem as ligações às vertentes científica e turística, os espaços patrimoniais sejam devolvidos às populações”.
Por outro lado, Frexes considera que “têm de ser” as entidades públicas a dar o exemplo na preservação do património, pois “só assim serão seguidas pelo cidadão comum”. E dá o exemplo da Câmara do Fundão, como “um município que tem tido a causa do património como um dos seus ex-libris”.

terça-feira, setembro 19, 2006

BoomFestival 2006-Ecofestival

Newsletter da organização:

Hello to all visionary beings,

THANK YOU so much for your delicious mood and creative energy that made Boom 06 one of the most special ones so far – once again acting in Unison we enhanced our creativity! WE ARE ONE. So be it!

The August full Moon was memorable for most of us: artists from different areas - be it multimedia, land art, music, decoration or paint – all adding their talent into the melting pot and expanding the network; thinkers from all over the world crossed over their latest reflex-ions and presented pathways on the evident and hidden dimensions of (un)reality through the Liminal Village; a multicultural crowd interconnected and got together sharing experiences and knowledge through words, behaviors, gestures and non verbal communication;



Eco-visions?

Permeating all the above experiences the Boom enhanced itself on the way to be self-sustainable and eco-friendly in the near future.

In this point we must say that, despite HUGE efforts, the Boom venue was left filled with trash when the festival ended. Too much garbage was left behind. Sad!!

More then 250,000 € have been spent on several ecological projects (from cleaning to rubbish and sewer bio-treatments) during the Boom, but the individual behaviors must play an increasing part on this adventure. There is a huge amount of people that was helpful on feeding the eco-networks within Boom but some other people just didn't care about the negative effects one has on Nature if acting without respect.

So we must stress: Use celebration not for alienation but for improvement - be it either thru arts perception or acquiring new values. Celebrate!



Present visions:

For most of you Boom is a memory but here at the Boom HQ we are still on the move with it. The field teams are finalizing the deconstruction of all structures (yes, it has been difficult to take apart all elements of those majestic bamboo structures made by a Balinese team).

This year we have been able to recover and preserve around 90% of all the material used. So the Boom is nearly becoming a self sufficient event on the building scale. Most of the materials will be reused and none will have created trash in its way.



Visionary Elucidations:

Boom will now transfer its vision to cyberspace alongside all your individual memories.
Soon the official website will be updated and we'll give you contents and important features on the visionary culture. Be Tuned into Cyberspace and check soon the new Boom cyber house!

Boom is a cooperative event that wants to be a part of you! Please if you want to share with us your reviews, photos, videos, etc send it to: info.boomfestival.org



Soon more news!...



Boom Team



For more info: www.boomfestival.org

quarta-feira, setembro 13, 2006

As SCUT em debate

No próximo dia 18 de Setembro, pelas 21h, na sede da Ordem dos Economistas, realiza-se uma conferência/debate sobre o tema SCUTS - Uma análise económica.

Nesta conferência/debate participarão os Professores Marvão Pereira do College William and Mary, EUA e Miguel Andraz da Universidade do Algarve, co-autores de um estudo sobre as SCUTS promovido pelo Instituto de Estudos para o Desenvolvimento (IED), bem como outros Economistas com posições publicamente conhecidas sobre este tema, o que garante um debate vivo, mas essencialmente técnico, sobre este polémico assunto. O debate será moderado pelo Dr. João Vieira Pereira, editor de economia do Semanário Expresso.

quinta-feira, setembro 07, 2006

Casa João Franco

Depois da casa Cunha Leal, novas notícias do Alcaide, agora relativamente à casa João Franco. Para colocar a cereja no bolo falta mesmo é o aproveitamento cultural da casa de D. Fernando de Almeida. Esperemos que não tarde....


in: Jornal do Fundão

SECÇÃO: Regional

Para dar a conhecer a aldeia
Centro interpretativo na Casa João Franco
A CONSTRUÇÃO de um Centro Interpretativo está englobada na segunda fase do projecto de aldeia, da Rota das Aldeias Tradicionais.

Está previsto que este espaço vá para os baixos da Casa João Franco, “uma das casas mais significativas do Alcaide, que a par com a Casa Cunha Leal” conferem um valor muito especial a esta aldeia.

No Alcaide está presente uma relação muito interessante entre Monarquia (por João Franco) e República (por Cunha Leal), “característica que queremos trabalhar”, conta o vereador Paulo Fernandes. O responsável pela cultura adianta ainda que “se está a fazer um levantamento do arquivo histórico do Alcaide com a Universidade Católica de Lisboa” que tem um acervo documental muito bom sobre a aldeia e João Franco. Além disso, neste Centro prevê-se também documentar a actividade agrícola de Alcaide, muito ligada à cereja e ao azeite.

Casa de Cunha Leal reconvertida para o Turismo

Cunha Leal, que desenvolveu intensa actividade política na I República, foi um feroz opositor da ditadura Salazarista, conhecendo o exílio, em resultado da sua actividade. Sob o ponto de vista do pensamento, era muito próximo de Norton de Matos e Henrique Galvão, principalmente ao nível da oposição à emancipação das colónias. A sua casa no Alcaide, fronteira à Igreja Matriz, estava em recuperação, na última vez que visitei o Alcaide.

in: Jornal do Fundão
SECÇÃO: Regional

Na casa Cunha Leal, nome da I República
Alcaide vai ter museu da terra e restaurante típico

Inserida na Rota das Aldeias Tradicionais, a Casa Cunha Leal, que está a
ser alvo de obras de recuperação vai albergar um restaurante típico e um museu



A CASA Cunha Leal, situada em frente à Igreja Matriz da aldeia, “é o projecto mais emblemático” que está em desenvolvimento, neste momento, no Alcaide. Quem o diz é José da Cruz, presidente da Junta de Freguesia.

Apesar da recuperação estar a ser feita há algum tempo, as obras estiveram paradas durante vários meses, por razões que o autarca local garante serem completamente alheias à Junta, estando relacionadas com o empreiteiro encarregue da obra.

Naquele edifício, “uma das casas mais significativas de Alcaide”, segundo Paulo Fernandes, vereador da Câmara Municipal do Fundão, irá nascer um museu alusivo às actividades e tradições da terra e um restaurante típico. Depois de a obra estar acabada, será aberto um concurso para decidir quem irá explorar o espaço hoteleiro, sendo objectivo do executivo ”construir ali um dos melhores restaurantes do concelho, com pratos regionais de qualidade”.

A conclusão da obra está prevista para o final deste ano, apesar de estar um pouco atrasada. A casa pertencia à família Cunha Leal, tendo uma parte sido oferecida pelos herdeiros e a outra adquirida pela Junta.

Este projecto está integrado num programa que vem sendo desenvolvido pela autarquia fundanense e que nasceu há cerca de dois anos.

É a Rota das Aldeias Tradicionais, que se divide, sumariamente, em três fases: a primeira é a recuperação, a segunda a valorização e a terceira apresenta uma componente de ordenamento do património da aldeia.

O espaço que ali vai nascer terá certamente uma temática e ambiente relacionados com a I República – dado que o proprietário da casa foi um nome de vulto da altura – e a própria carta gastronómica estará também, de alguma forma, ligada a esta época da História de Portugal, como explicou o responsável pelo pelouro da cultura da Câmara do Fundão.

Inserido neste programa esteve também a recuperação da Praça Comendador Joaquim Gil Pinheiro, que José da Cruz garante “não estar ainda ao nosso gosto”, pelo que a Junta prevê reajustar alguns pormenores.



Nelly Caetano