terça-feira, julho 25, 2006

Cirineu

Cirineu

Foste tu, contando
histórias de embalar
que me deste a conhecer
Cirineu

Apontando para o alto da Gardunha.
Mostraste-me os trilhos
percorridos por este justiceiro,
No Monte identificaste o seu abrigo.

Agora, essas histórias
findaram-se, como tu.
Pervalece o espírito,
e reforça-se o desejo de igualdade.

Partiste, sem lamúrias,
nem queixumes.
Muito ficou por contar,
muito mais por descobrir

sexta-feira, julho 21, 2006

Portugal Vinhos Cultura e Tradição ..... Beira Interior

O Circulo de Leitores acaba de editar o 2º Volume da obra "Portugal Vinhos Cultura e Tradição, da autoria de José A. Salvador, que incluí informação sobre a Beira Interior. Dessa, transcrevo a referente à origem histórica da produção de vinhos na região e à origem, também histórica, de um produtor, engarrafador da região, que foi a primeiro a concorrer com as Adegas Cooperativas da Covilhã e Fundão. Trata-se de uma publicação de grande qualidade, que deve ser consultada e servir mesmo como Bíblia, por quem se interessa pela cultura da Beira Interior.


De Pinhel a Idanha-a-Velha –onde os romanos fizeram vinhos
Neste território raiano temos uma série de aldeias históricas como Sortelha, Penamacor, Monsanto e Idanha-a Velha do concelho de Idanha-a-Nova. Idanha-a Velha foi a antiga cidade romana Civitas Igaeditanorumn, onde arqueológos, como Francisco Tavares Proença júnior, José Leite de Vasconcelos, Félix Alves Pereira e Fernando Almeida, desenvolveram largas investigações, este último até 1974, que comprovam que a romanização se deu desde o ano 16 a. C., conforme inscrição datada daquele ano a propósito da oferta de um relógio. A ocupação romana foi determinante para o desenvolvimento da cidade da Egitânea, situada na grande via romana entre Mérida e Braga. As escavações arqueológicas desenvolvidas neste local permitiram encontrar «grainhas de uva [...] num poço de Idanha-a-Velha», circunstância que aponta para a produção de vinho na região'. No mesmo poço, escreve o historiador Carlos Fabião:
«foram recolhidos 46 caroços de rato pertencentes seguramente a "olea". No [tanto, pelas características e dimensões, parecem corresponder mais ao fruto do zambujeiro do que azeitonas, o que não deixou de causar perplexidade entre os investigadores»'. A importância histórica desta povoação é tamas testemunhada pela ponte de origem romana sobre o rio Ponsul e pela colecção epigráfica luso-romana aí existente.
Para a nossa rota dos vinhos importa reter, afinal, que em Idanha-a-Velha se encontraram indícios arqueológicos comprovativos de que desde a presença romana se produziu vinho e azeite nas Beiras, tal como hoje continua a suceder. Em toda a região beirã encontramos outros vestígios da influência da civilização romana, tais como lagares talhados nas rochas graníticas (lagares antropomórficos), que tanto poderão ter servido para a produção de vinho como para a produção de azeite, além de diversas vias romanas e outros monumentos da época.

Os Vinhos Regional Beiras Almeida Garrett

Nos finais de 1974 fundava-se a Sabe, Sociedade Agrícola da Beira, com sede em Tortosendo, muito próximo da Covilhã no sopé da serra da Estrela. As origens históricas desta empresa de familiares descendentes de Almeida Garrett, remontam ao século xix, quando um primo do escritor, Gonçalo de Almeida Garrett, também natural da cidade do Porto, casou com uma albicastrense e se instalou em Castelo Branco. O casal dedicou-se à agricultura na cidade da Beira Baixa, na Covilhã e no Fundão. Os seus vinhos e azeites foram distinguidos na Exposição Internacional de Paris em 1889. Com o advento da República emigraram para a França, de onde regressaram mais tarde com varas da casta Chardonnay. Plantaram-nas nos seus vinhedos da Covilhã e ainda, actualmente, é o único encepamento branco dos 46 hectares de vinha em produção.
Nos anos 60 do século xx, os descendentes investiram na fruticultura, viticultura, flores e pecuária até constituírem a actual Sabe em 1974.
Esta sociedade agrícola dispõe de 46 hectares de vinhedos em plena produção, sendo 14 com idades compreendidas entre os 18 e os 70 anos 16 com quatro anos; e mais 16 hectares com três anos. Quanto aos encepamentos tintos, vinhas mais velhas foram enxertadas com Tinta Roriz, Tinta Barroca e Trincadeira, e as m novas com Touriga Nacional, Touriga Franc Trincadeira, Tinta Roriz, Merlot, Cabernet Sauvignon e Syrah. A Chardonnay tem quatro hectares nos vinhedos mais antigos e dois n osmais recentes. A Touriga Nacional é a casta mais encepada, com 12 hectares, seguida pe la Trincadeira e Tinta Roriz, cada uma delas com sete hectares.
Em 2004 funcionava ainda a velha adega tradicional com paredes de granito e depósito em betão revestidos com ipoxi.. As fermentação desenrolavam-se em cubas inox de várias capacidades, com sistemas de controlo das temperaturas com recurso a água fria ou quente, consoante as necessidades. As duas centenas de as-pipas de carvalho francês ancês integravam a aa nos acabamentos dos vinhos, para além linha de engarrafamento e rotulagem. Em 2005 deverá ficar concluída a construção do novo complexo adegueiro.
Os vinhos brancos oriundos da casta Chardonao comercializados como Regional Beiras marca Almeida Garrett, sendo um deles reserva e o outro colheita normal.
A mesma marca Almeida Garrett dá rótulos aos vinhos Regional Beiras e DOG Beira Interior. Os tintos DO(', Beira Interior, ou são varietais, de a Roriz ou Touriga Nacional, ou confecciodos com estas duas castas. O Regional Beiras tem igualmente o mesmo dueto de castas compô-lo. A casa mantém ainda a marca «Entre Serras» a tintos DOC Beira Interior e Regional Beiras nome que nos lembra a posição das vis da empresa entre as serras da Estrela e da Gardunha, razão para voltarmos aos rumos literários de Gil Vicente e Eugénio de Andrade.”

segunda-feira, julho 17, 2006

Lince Ibérico atropelado em Donana

Un conductor atropella a un lince hembra junto a Doñana Añadir a Mi carpeta
EL PAÍS - Huelva
EL PAÍS - Sociedad - 17-07-2006


Un conductor atropelló el sábado a una ejemplar de lince ibérico en una carretera junto al Parque Nacional de Doñana. El responsable de WWF/Adena en la comarca, Juanjo Carmona, afirmó que la ejemplar de lince había parido dos cachorros en abril y que los técnicos de la Junta andaluza los buscan para evitar que mueran de hambre o sed. La Consejería de Medio Ambiente del Gobierno autonómico aseguró que el animal "evoluciona bien" y que no hay constancia de que tenga cachorros.

Carmona, por el contrario, aseguró a las agencias que técnicos de Medio Ambiente intentan localizar a dos cachorros y señaló que este accidente podría haberse evitado "con medidas eficaces". "Esperemos que los encuentren pronto [a los cachorros] y que la Consejería de Medio Ambiente lo comunique inmediatamente", indicó el responsable de WWF/Adena.

Recordó que, entre 1990 y 2000, se produjeron 15 muertes de linces, mientras que, en los últimos seis años, la cifra asciende hasta los 17 ejemplares. Por tanto, consideró que las medidas actuales son "ineficaces"

El atropello tuvo lugar a las 8.00 horas del sábado y fue el conductor del vehículo quien dio aviso a la Guardia Civil, quien a su vez alertó a la Consejería, que envió a sus técnicos.

quinta-feira, julho 06, 2006

Dias Martins (1954) = Maria José Dias Martins, Etnografia, Linguagem e Folclore de uma pequena região da Beira Baixa (Póvoa da Atalaia, Alcongosta, T

Oiçam uma interpretaçao


A Gulbenkian editou o Vol. IV de "Romanceiro Português da tradição Oral Moderna", versões publicadas entre 1828 e 1960, organização e fixação de Perre Feré, que reproduz algumas recolhas de Dias Martins (1954) = Maria José Dias Martins, Etnografia, Linguagem e Folclore de uma pequena região da Beira Baixa (Póvoa da Atalaia, Alcongosta, Tinalhas e Sobral do Campo), Tese de Licenciatura, Lisboa, Faculdade de Letras, 1954. Como esta publicação só se encontra disponível na Biblioteca da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, por se tratar de uma Tese de Licenciatura, não publicada editorialmente, a divulgação de algumas das suas recolhas, por esta via, é de enaltecer.

Reproduzo dois ramances recolhidos pela Maria José Dias Martins.

1406.
Versão de Alcongosta (concelho do Fundão), distrito de Castelo Branco. Recolhida por Maria José Dias Martins. Editada por Dias Martins (1954) 277-280 [Galhoz (1987) 486-487].
- Mal hajas tu, ó mulher, mais a tua geração,

2 sete filhas que tu tiveste sem nenhuma ser varão. Vem de lá a mais nova: - Eu vou a servir de capitão.
4 - Tendes os olhos bem fagueiros, filha, a conhecer-te vão.
- Quando passar pelo hombre eu os deitarei ao chão.
6 - Tendes os peitos bem belos, filha, a conhecer-te vão.
- Meu pai, dê-me uma toalha que eu os cingo ao coração.
8 - Tendes o passo delicado, filha, a conhecer-te vão.
- Quando passar pelo hombre eu darei passo de ganhão.
10 - Ó minha mãe, que eu morro do fundo do coração, os olhos de Leonardo são de mulher, homem não.
12 - Espromenta-a tu, ó meu filho, para contigo ir enfeirar, se ela for uma mulher às fitas se há-de agradar.
14 - Oh, que armas tão adagas para hombre guerrear, oh, que fitas para manas, quem nas pudera mandar!
16 - O minha mãe, que me morro do fundo do coração, os olhos de Leonardo são de mulher, homem não.
18 - Espromenta-a tu, ó meu filho, para contigo ir jantar, se ela for mulher ao baixo se há-de sintar.
20 - Oh, que cadeiras tão baixas para hombre se assintar, ponho mais o meu capote para mais alto ficar.
22 - Ó minha mãe, que me morro do fundo do coração, os olhos de Leonardo são de mulher, homem não.
24 - Espromenta-a tu, ó meu filho, para contigo ir nadar, se ela for uma mulher de ti se há-de converdar.
26 - O minha mãe, que me morro do fundo do coração, os olhos de Leonardo são de mulher, homem não.
28 - Espromenta-a tu, ó meu filho, para contigo vir dormir, se ela for uma mulher não se há-de querer despir.
30 - Eu, quando saí de casa, eu fiz um juramento,
que nunca me havia de despir durante o meu tempo.
32 Carta me vêm do céu, cartas me estão a chegar,
o meu pai já morreu, minha mãe está a acabar.


34 Se me quiserem perguntar, a casa do meu pai vão falar.
- Menina que está no meio dê o ponto miudinho,
36`inda espero de romper, das suas mãos, num colarinho.

Omitimos a seguinte didascália: entre 25 e 26 Leonardo disse que não podia nadar porque lhe doíam os dentes.


10 lá no fim de nove meses, a igreja retinia;
abriram a sepultura, acharam a mulher viva,
12 acharam a mulher viva, c' uma criança nascida.
Os anjos a baptizaram, a Virgem era a madrinha; 14 quem a tinha nos seus braços era Santa Caterina.
- Vejam aqui, ó meus manos, nos passos em que eu andava; 16 quem serve a Deus e à Virgem sempre leva boa paga.
Omitimos o refrão Ora valha-me Deus mai' la Virgem Sagrada! Variante de Diogo Correia (1953): 5b. omite o.
Versão de Póvoa de Atalaia (concelho de Fundão), distrito de Castelo Branco. Recolhida por Maria José Dias Martins. Editada por Dias Martins (1954) 282-284 [Galhoz (1988) 813].

- Venho da Virgem da Lapa mais valente que cansada; 2 se eu tivera companhia ainda para lá tornava
agora, com a roquinha à cintura, a cestinha à ilharga. 4 Em cima, naquela serra, está uma linda ermida onde vai uma devota todos os dias ouvir missa.
- Dissestem, ó meu marido, que eu andava namorada, que eu andava namorada com o sançardote da ermida.
8 - Confessa-te, ó mulher minha, que hoje mato-te, tiro-te a vida.
- Se me matares, meu marido, vai-me enterrar à ermida, 10 [ ] aos pés de Santa Cat'rina.
Lá ao fim dos nove meses um lindo chorar ouviam, 12 vê-los dentro, vê-]os fora, sem saberem o que seria.
Foram abrir a sepultura, encontraram a mulher viva 14 [ ] com uma criança nascida;
os anjos a baptizavam, a Virgem era a madrinha;
16 quem a tinha em seus braços era a Santa Zabelinha;
quem lhe deitava a água benta era a Santa Catarina.
18 - Vês aqui, ó meu marido, os passos em que eu andava?

Omitimos o refrão Ora valha-me Deus, mais a Virgem Sagrada!, entre os vv. 1 e 2, 2 e 3, 3 e 4, 5 e 6, 6 e 7, 7 e 8, 12 e 13, 14 e 15, 15 e 16, 16 e 17, 17 e 18 e depois de 18.
6
Dias Martins (1954) = Maria José Dias Martins, Etnografia, Linguagem e Folclore de uma pequena região da Beira Baixa (Póvoa da Atalaia, Alcongosta, Tinalhas e Sobral do Campo), Tese de Licenciatura, Lisboa, Faculdade de Letras, 1954.

terça-feira, julho 04, 2006

Dois volumes das Obras Completas do Beirão Manuel Antunes, já editados




A Gulbenkian editou já o Volume 3 do Tomo 1 e o Volume 1 do Tomo 2, das obras completas de um grande beirão, padre, pedagogo, professor, filósofo, ensaísta, jornalista, filólogo, classicista, Manuel Antunes. Apresento texto do responsável genérico pela publicação dos seus escritos.

OBRA COMPLETA DO PADRE MANUEL ANTUNES, SJ
O Padre Manuel Antunes, sj (1918-1985) foi um dos mais brilhantes e marcantes pedagogos do século XX português.

O testemunho dos seus alunos e a sua reflexão escrita sobre a educação e sobre o projecto de homem a formar manifestam que Manuel Antunes concebia o processo pedagógico como intrinsecamente relacional e dialogal, assente na relação entre o educador e o educando e entre este consigo mesmo. Postulava um aperfeiçoamento humano contínuo pela exploração máxima do que chamava "a capacidade educacional do homem". As belas e inovadoras palavras que utilizava para desenhar um perfil novo de pedagogo e um novo projecto de educação traduziam-se, de facto, na sua prática pedagógica.

Os cerca de quinze mil alunos que passaram pelas suas aulas ficaram marcados para a vida, particularmente com aquelas aulas magistrais de História da Cultura Clássica, cadeira obrigatória e transversal a todos os cursos de Letras do primeiro ano desde a reforma de 1957. A figura e a arte do Padre Manuel Antunes atraíam quase hipnoticamente as suas centenas de alunos reunidos no Anfiteatro I da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Era um colosso de sabedoria que brotava, límpida e firme, de uma figura mínima de homem de voz sumida, mas que fazia os ouvintes voar de enleio entre Gregos e Romanos, passando por todas as épocas da cultura ocidental até ao momento presente.

Atento aos dinamismos da cultura internacional (a Brotéria e a sua riquíssima biblioteca eram uma espécie de placa giratória de circulação, actualização e divulgação de saber, basta ter em conta o elevado número de revistas internacionais assinadas e permutadas e os livros recebidos e recenseados pelos redactores deste periódico) e como analista sagaz da evolução vertiginosa da sociedade, publica reflexões muito lúcidas e até visionárias que anteciparam tendências e problemas que, então, ainda mal emergiam em Portugal.

Os textos reunidos neste segundo tomo da Obra Completa do Padre Manuel Antunes, sj são afinal um bom pórtico para a compreensão do conjunto da sua obra: uma obra paedagogica, à qual nada do que seja humano lhe é estranho, na qual tudo importa compreender e encontrar um caminho que dê sentido ao homem enquanto ser em processo de formação permanente, tendo como meta um ideal de plenitude.

José Eduardo Franco

Plano Geral da Obra:

Tomo I - Theoria: Cultura e Civilização
Áreas Específicas N.° de volumes Coordenadores científicos
Cultura Clássica Vols. 1 e II Arnaldo Espírito Santo
Filosofia da Cultura Vol. III Luís Machado de Abreu
História da Cultura Vol. IV Luís Filipe Barreto

Tomo II - Paideia: Educação e Sociedade
Vol. I
José Eduardo Franco
Tomo III - Política
Vols. I e II
Guilherme de Oliveira Martins
Tomo IV - Religião, Teologia e Espiritualidade
N.° de volume Coordenadores Científicos
Vol. I Hermínio Rico
Roque Cabral

Tomo V - Estética e Crítica Literária
ols. I e II
Eduardo Prado Coelho
Tomo VI - Correspondência
Vol. I
Aires Augusto Nascimento
Tomo VII - Biografia Ilustrada
N.° de volume Autores
Vol. I José Eduardo Franco
Luís Machado de Abreu

Manuel Antunes, coordenou, dinamizou, editou, escreveu artigos com múltiplos pseudónimos,durante dezenas de anos para a revista Brotéria. Esta revista, cuja edição se iniciou no Colégio de S.Fiel, em 1902, foi até hoje a revista científica (na altura) de maior peso e renome internacional, editada na Beira Interior. A Beira deixou passar o seu centenário da edição do primeiro número, com a maior modéstia, esquecimento e porque não ingratidão.

domingo, julho 02, 2006

Quatro temas da Beira Baixa em "As Idades do Som"

As Idades do Som, IEFP, inclui um CD de 20 temas de Instrumentos Musicais do Povo Português, gravados por José Alberto Sardinha, dos quais quatro são da Beira Baixa (20%). Pode escutar os quatro temas da Beira Baixa, já editados em discografia anterior:

Toque de Búzio, Idanha-a-Nova, gravado em 1994;
Senhora da Póvoa, palheta, Idanha-a-Nova, 1981;
Alvíssaras, adufe e almofariz, Castelo Branco, 1981;
Moda dos bombos, flauta, caixa e bombos, Fundão, 1996.

As Idades do Som








O Pavilhão do IEFP na FIA, que decorre de 24 de Junho a 2 de Julho, desenvolve a temática "As Idades do Som", apresentando vários instrumentos musicais produzidos por artesãos e alguns deles execuntando trabalhos na sua área como sejam Fernando Meireles, na Sanfona e Victor Gama em Pangeia instrumentos. O catálogo da exposição dedica três páginas aos adufes e indica três construtores da Beira Interior, José Relvas de Idanha-a-Nova, Lídia Vinagre de Salvador, Penamacor e Oficina de Artes Tradicionais de Idanha-a-Nova. São ainda apresentados três outros construtores de membrafones, António Nunes dos Santos de Alcongosta, Natalino Alves de Lavacolhos, Joaquim Simão de Lavacolhos e um de idiofones Chuchurumel da Guarda.

A viola Beiroa é referida num único parágrafo pag. 118, embora haja depois referências pontuais quando se referem os vários tipos de viola de arame, em Portugal,indicando um facto curioso "pelo estudo de exemplares antigos existentes, não são conhecidos construtores na Zona". Trata-se de uma questão que tenho investigado e já escrevi sobre o assunto, contrariando esta posição. Havia na região vários violeiros, que vendiam o seu produto nas romarias populares. Não tive ainda oportunidade e tempo para estudar os arquivos Municipais e identificar os estabelecimentos comerciais de violeiros. Logo que me seja possível dedicarei parte do meu tempo a essa tarefa. É pena, contudo, que presentemente não exista qualquer oficina de artesanato que se dedique a esta actividade, dificultando a disseminação ou revitalização deste instrumento musical único, que deveríamos proteger e divulgar, como parte da nossa identidade cultural. Na exposição estava, para deleite dos interessados, uma viola beiroa da oficina de Domingos Machado. Mas, Fernando Meireles, também já construiu violas beiroas.

segunda-feira, junho 26, 2006

Diferencial de IVA, entre Portugal e Espanha, cria dificudades ao comércio nacional

in: Público de 26/6/2006

Estudo da Associação Comercial da Guarda
Aumento do IVA levou beirões a fazer compras em Espanha
26.06.2006 - 18h10 Lusa


O aumento do IVA de 19 para 21 por cento incentivou os portugueses que vivem junto da fronteira a fazer as suas compras em Espanha, de acordo com um estudo divulgado hoje pela Associação Comercial da Guarda (ACG).

A ACG conclui no seu "Estudo Sobre o Impacto do IVA Português nas Compras dos Beirões em Espanha", realizado junto dos habitantes dos concelhos da Guarda, de Almeida e de Figueira de Castelo Rodrigo, que 52,9 por cento dos inquiridos vão a Espanha pelo menos uma vez por mês, 20,6 uma vez por semana e 5,3 deslocam-se diariamente ao país vizinho.

O estudo, realizado de forma aleatória simples – a partir de entrevistas de rua –, constou de 300 questionários efectuados a maiores de 18 anos durante a primeira e segunda semanas do mês de Março.

"A maior parte [dos inquiridos] desloca-se a Espanha para realizar compras, sendo estas não apenas os combustíveis, mas também produtos alimentares, produtos para o lar e vestuário", refere o estudo apresentado por Paulo Manuel, vice-presidente da ACG.

Efectuado pelo Observatório do Comércio e Turismo da ACG, o estudo conclui que "o aumento da taxa de IVA é visto como um factor determinante para o aumento das compras em Espanha", país onde o IVA (Imposto Sobre o Valor Acrescentado) é de 16 por cento.

A proximidade com Espanha tem maior influência no concelho de Almeida, que se encontra junto da fronteira de Vilar Formoso. O estudo aponta que, "neste caso, sobem para 63 por cento os indivíduos que se deslocam a Espanha pelo menos uma vez por mês, 30 por cento pelo menos uma vez por semana e 15 por cento diariamente".

É referido também que 94 por cento dos habitantes dos três concelhos analisados se deslocam a Espanha propositadamente para efectuar compras, enquanto seis por cento deslocam-se em trabalho.

Em relação às compras realizadas pelos 300 entrevistados, a ACG adianta que "52,8 dos beirões abastecem a sua viatura, 53 por cento compram produtos alimentares, 20,7 adquirem artigos casa/lar e 16,7 por cento adquirem peças de vestuário".

É ainda referido que 49 por cento dos inquiridos começaram a realizar as suas compras no outro lado da fronteira após o aumento da taxa de IVA em Portugal. "Podemos, assim, concluir que a política fiscal portuguesa está a ter consequências nefastas na actividade económica do interior transfronteiriço, lesando gravemente a actividade comercial da nossa região", sustenta Paulo Manuel.

Por sua vez, Jorge Godinho, presidente da ACG, afirma que "este estudo mostra como o país foi penalizado com o aumento do IVA". "Estes números assustam. Um dia destes não vale a pena ter comércio nesta zona do país", lamenta.

O estudo vai ser entregue à direcção da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal, que depois o fará chegar ao Governo, anunciou também Jorge Godinho.

quinta-feira, junho 22, 2006

Que sirva de exemplo para as obras do Parque da Goldra, na Covilhã





Descrição: Dia 22 de Junho, pelas 13 horas, na Rua Conde de Monsanto, em Lisboa, a empresa Elesa procedia à abertura de uma vala e uma arqueóloga, de colete verde, contratada pela empresa, observava a execução de trabalhos.

Não é necessário que as câmaras, para este tipo de trabalhos, contratem arqueólogos, podem exiguir ao empreiteiro que executa os trabalhos que faça o acompanhamento arqueológico.

Nota: Arqueóloga de colete verde, com o nome da empresa e identificada como "Arqueologia", nas costas.

quinta-feira, junho 15, 2006

Biomassa e Biodiesel, na Beira Interior

Destaques da edição desta sexta no Diário da Beira Interior

Estas são algumas das notícias que vai poder encontrar nas bancas esta sexta-feira, dia 16 de Junho, e já a partir das 0h00 em www.diarioxxi.com

Central de biomassa em estudo na Cova da Beira
Produzir energia eléctrica, valorizar a gestão florestal municipal e conservação dos povoamentos florestais são alguns dos objectivos da estrutura que pode vir a ser construída pela Associação de Municípios

Alcongosta é capital da cereja até domingo
A localidade do concelho do Fundão promove a Festa da Cereja onde este fruto está em destaque, juntamente com outras artes, como é o caso da cestaria

Marchas Populares da Covilhã saem à rua amanhã
Sete grupos – quatro juniores e três seniores – fazem parte do desfile que percorre as ruas covilhanenses a partir das 21h00

Feira Raiana arranca dia 28
Concertos, workshops e a apresentação do estudo sobre a viabilidade da produção do bioetanol no concelho fazem parte do programa do certame a decorrer em Idanha-a-Nova

Associação Sócio-Cultural Castelo Novo procura sangue novo
A direcção mantém-se a mesma desde que o grupo foi criado há oito anos atrás. Com as festividades do oitavo aniversário a começarem hoje, os responsáveis apelam à renovação, porque “a imaginação já escasseia e as iniciativas tornam-se repetitivas” , refere a presidente

terça-feira, junho 13, 2006

Curso de Iniciação ao ArcGis 9.0 Nível I

Caros colegas

Junto envio informação sobre Curso de Iniciação ao ArcGis 9.0 Nível I . Este programa, como será do vosso conhecimento, é hoje uma ferramenta muito útil na localização cartográfica de sítios, nomeadamente na realização de trabalhos de prospecção, estudos de impacte ambiental, etc.

Agradeço que colaborem na divulgação deste curso que é do maior interesse para os profissionais e investigadores da área do património arqueológico, arquitectónico e etnográfico.

Teresa Silva, arqueóloga

Curso de Iniciação ao ArcGis 9.0 Nível I


Duração do curso: 26 horas + 2 horas de apoio/revisão

TURMA Datas Horário
Turma A De 3 a 31 de Julho 2.ª, 4.ª e 5.ª - 19:30 às 21:30
Turma B De 1 a 22 de Julho Sábados das 10h às 13 horas e das 14h30 às 18h30

Dias de aula:
Segunda Terça Quarta Quinta Sexta Sábado Domingo
1 2
3 4 5 6 7 8 9
10 11 12 13 14 15 16
17 18 19 20 21 22 23
24 25 26 27 28 29 30
31
Turma A
Turma B




O curso será sujeito a uma avaliação quantitativa, recebendo os alunos, no final do curso, um Certificado emitido pela AEFLUP com a classificação obtida.
A avaliação basear-se-á em duas vertentes:
1.ª Presença obrigatória em 20 das 26 horas de duração do curso, para obtenção de certificado (20% da nota final).
2.ª Realização de um teste teórico (30% da nota final) e de um exercício prático (50% da nota final).
O teste será realizado na última aula, dia 31 turma A e dia 22 turma B.
Será dada, além das 26 horas, uma aula de apoio e revisão em data a acordar com os alunos.

Preço 150€

Contacto e inscrições
Associação de Estudantes da Faculdade de Letras da Universidade do Porto
Via Panorâmica s/n, Porto
22 6099258, aeflup@letras.up.pt

Formadora
Ângela Seixas
aseixas@letras.up.pt
Pós Graduação em Sistemas de Informação Geográfica
Licenciatura em Geografia

Programa

1. Noções de Cartografia
1.1 Sistemas de localização terrestre
1.2 Noções de escala e erro cartográfico.
1.3 Diferentes sistemas geodésicos de Portugal.
1.4 Identificar as principais fontes de dados cartográficos nacionais

2. Tratamento de informação em sitemas de Informação Geográfica
2.1 As várias componentes e funções de um SIG.
2.2 Tipos de informação geográfica: raster e vectorial.
2.3 Formatos de dados espaciais: shapefile, Geodatabase, CAD, Raster,Tabelas.

3. Exploração do ArcMap e de ArcCatalog
3.1 Ferramentas do ArcMap
3.2 Ferramentas do ArcCatalog
3.3 Criação de um projecto
3.4 Adição e manipulação de ficheiros em diferentes escalas e sistemas de projecção
3.5 Criação de layouts e impressão

4. Aquisição e tratamento de dados para ArcGis
4.1 Aquisição e edição de dados (tabulares e gráficos)
4.2 Métodos de georefenciação da informação
4.3 Manipulação das ferramentas de edição de desenho (pontos, linhas e polígonos)

5. A análise espacial em SIG
5.1 Operações básicas do SIG (buffer, união, intersecção, merge, dissolve, clip)
5.2 Selecção de informação por atributos tabulares e atributos de localização
2h avaliação

segunda-feira, junho 05, 2006

Vituosismo de Maria João Pires premiado em Espanha

Música
Maria João Pires distinguida com Prémio internacional Juan de Borbón
05.06.2006 - 17h54 Lusa

A competência, excelência, grande capacidade de interprete, reconhecidos e premiados em Espanha. Esta grande interprete como escolheu Belgais para instalar um Centro de Artes e que se viu obrigada a transferir para Salamanca o seu projecto educacional, vê a sua carreira profissional ser premiada em Espanha.

in: Público de 5/6/2006
A pianista portuguesa Maria João Pires foi hoje galardoada com o I Prémio Internacional de Música Dom Juan de Borbón.

O júri, presidido pelo compositor polaco Krzysztof Penderecki, pôs em destaque "os extraordinários valores musicais da vencedora na interpretação pianística e a sua intensa, prolongada e generosa dedicação ao ensino dos jovens".

Maria João Pires, um dos nomes cimeiros do piano contemporâneo, nasceu em Lisboa em 1944, começou a tocar aos três anos, com quatro deu o seu primeiro concerto e matriculou-se, muito jovem ainda, no Conservatório de Música de Lisboa.

Actualmente, dedica parte do seu tempo ao ensino no Centro para estudo das artes de Belgais, trabalho pelo qual recebeu recentemente o Prémio Unesco para a defesa dos direitos humanos.

Segundo Penderecki, a decisão do júri teve em consideração, não apenas as qualidades musicais da pianista, mas também os seus valores humanos.

Assinalou, a propósito, que este Prémio é o mais importante para a música de todos quantos são actualmente atribuídos na Europa.

O Prémio internacional Dom Juan de Borbón, que pretende distinguir a extraordinária trajectória profissional e humana de uma indiscutível figura internacional da Música, é concedido pela Fundação com o nome do pai do actual rei de Espanha. O presidente honorário da Fundação é o Príncipe das Astúrias.

Maria João Pires, escolhida de um lote de 16 candidaturas ao cabo três votações, receberá o prémio a 26 de Outubro.