Vida e morte da tradição
Entrevista de João Lisboa a José Alberto Sardinha
Jornal Expresso, 5 de Maio de 2001
Seguindo a esteira de Giacometti, José Alberto Sardinha estuda a tradição musical popular
João Carlos Santos
J. A. Sardinha: à procura da música sem certidão de nascimento
Tradições Musicais da Estremadura, do investigador José Alberto Sardinha, é uma daquelas obras monumentais de etnomusicologia de que seria bom existirem milhares de exemplares avidamente adquiridos por escolas, bibliotecas e museus. Num trabalho de recolha e gravação (musical, fotográfica, videográfica) realizado ao longo de mais de 20 anos por todo o espaço nacional e, agora, centrado sobre a região da Estremadura (incluindo três CD, um apêndice com transcrições e notas musicográficas, um romanceiro, um devocionário, um inquérito linguístico/glossário e um guia de audição dos discos, para além de contar, como prefácio, com o último texto redigido por Fernando Lopes-Graça antes da sua morte) reúne uma minuciosa documentação, estudo e análise da tradição popular e dos seus protagonistas ainda vivos ou já desaparecidos. O que interessa, porém, a Sardinha não é o conceito romântico da demanda da «alma perdida da Pátria», mas sim o entendimento fundamentado de como as tradições se preservam e evoluem.
Apesar de se debruçar sobre as tradições musicais da Estremadura, esta nem sequer é a região do país sobre a qual possui o arquivo mais extenso...
Tenho recolhas de todo o país, excepto a Madeira, organizadas por províncias, sendo que a província de que tenho mais material recolhido é Trás-os-Montes, a seguir a Beira Baixa, e a Estremadura só em terceiro lugar.
Isso poderá ter a ver com o facto de, inicialmente, ter a ideia de que se trataria de uma zona pouco rica do ponto de vista da música tradicional. A que se devia esse «preconceito»?
Principalmente pela ausência de notícias etnomusicais, que se devia à falta de investigação no terreno, uma vez que os estudiosos anteriores se haviam dedicado muito pouco à Estremadura. O Giacometti tinha poucas coisas editadas, o Armando Leça também, o Artur Santos e o Lopes-Graça não tinham nada, e o próprio Ernesto Veiga de Oliveira também não. Aquele aspecto de as pessoas gostarem muito do «instrumento arcaico» conduziu-os mais, por exemplo, para Trás-os-Montes, que é mais longínquo.
Esse preconceito não terá surgido por causa duma certa concepção acerca da música tradicional, de que tanto mais «pura» e «autêntica» seria quanto tivesse persistido longe da «contaminação» urbana?
Claro que sim. E, contudo, foi aqui que encontrei alguns dos exemplares que se podem considerar mais arcaicos do ponto de vista etnomusical, recolhidos, por exemplo, a poucos quilómetros da Ericeira! Esses conceitos estavam errados, como estava também o conceito de música tradicional como algo de «puro» e «longínquo», perdido no tempo e no espaço.
Na introdução refere que «é fundamental avaliar quais as manifestações mais antigas (...) e distingui-las das mais recentes, que não foram ainda sujeitas à tradicionalização». Qual o critério para averiguar a «tradicionalização» duma determinada peça musical popular?
A tradicionalização resume-se nisto: há um criador individual que é conhecido na altura (a concepção romântica da criação colectiva está posta de parte), divulga as suas criações musicais e elas expandem-se. Elas são popularizadas no sentido em que se difundem entre o povo. Se morrerem na primeira geração, não se tradicionalizaram. Mas se forem mantidas através de gerações, vão-se transmitindo, tradicionalizando e caindo no anonimato. Essa é a música de tradição oral, não escrita, que não possui certidão de nascimento. Por acaso, esse primeiro capítulo do livro (que estava escrito há mais de dez anos, com conceitos completamente diferentes) foi reformulado recentemente. No início, fui-me limitando a gravar guiado por uma certa intuição do que então considerava «autêntico». A pouco e pouco, fui alargando esse critério. Acabei por chegar à conclusão de que não há «autêntico» nem «não autêntico», mas apenas a tradição, que é algo de muito mais lato.
A obrigatoriedade de anonimato do criador original não pode impedi-lo de registar espécimes inseridos na tradição, embora criados agora?
Gravo à mesma. Se esse facto for conhecido por mim, devo assinalá-lo. Há aqui uma canção de cegada que, de facto, é um fado, dos mais conhecidos até. Como é habitual, o povo adaptou uma letra a uma música que andava em circulação, eu gravei-a e assinalei-o. Há um fenómeno até que merecia um grande estudo que é o caso do Quim Barreiros: um cantor tradicional que herdou toda a tradição da música minhota e que cria de acordo com os parâmetros que lhe foram fornecidos pela tradição. Só que ainda ninguém reparou nisso. Os intelectuais acham aquilo uma «pimbalhada» (aliás, o divórcio entre os intelectuais e o povo permanece - se calhar, se vivessem há cem anos achariam a música popular da época «pimba», embora, agora, como é «antiga», já gostem...), mas ele tem criações onde, por exemplo, se identifica perfeitamente a estrutura musical do malhão do Norte que ele recriou. Com letras, em parte, fornecidas pela tradição. Aquela do «bacalhau», se se for ao Leite de Vasconcelos, está lá, é uma quadra popular do fim do século XIX! Era preciso estudar musicalmente tudo isso. Eu tenho discos do Quim Barreiros, comecei a coleccioná-los. E, um dia, se tiver tempo, hei-de escrever sobre isso.
Enquanto, habitualmente, se encara a recolha da tradição como um trabalho quase arqueológico sobre algo praticamente extinto, dever-se-ia ou não encarar a actual música comercial/pimba como a expressão da tradição popular contemporânea...
Que se irá ou não tradicionalizar...
E, já agora, no final do ano passado, o Museu de Artes e Tradições Populares de Estocolmo inaugurou duas exposições. Uma sobre a cultura, tradições e costumes dos lapões. E outra, ao lado, sobre ...os Abba. O que é que isto lhe sugere?
«O urbano vai em busca do tempo perdido»
Desde o Renascimento, quando os intelectuais disseram «odi profanum vulgus» (odeio o vulgo profano), que era a máxima da época, tem havido um crescente divórcio entre os intelectuais e o povo. Na cultura medieval e trovadoresca isso não acontecia. E esse divórcio permanece hoje na apreciação que os intelectuais fazem da música «pimba». Sobre o fado, já tenho lido afirmações segundo as quais foi um fenómeno popular de que a nobreza se apropriou. A verdade é esta: graças a Deus que a nobreza gostou do fado e a burguesia, por imitação, o tomou em moda! Senão a burguesia, com o seu ódio ao povo e a tudo o que dele vem, tê-lo-ia aniquilado ou anulado historicamente, como sucedeu com muitas outras tradições populares. Isto é demonstrativo das oscilações do gosto da intelectualidade na apreciação de determinados fenómenos e de como, muitas vezes, só os entendem quando uma classe imitada os legitima. Eu não me dedico a ele, mas esse estudo da cultura popular contemporânea é inteiramente pertinente e necessário.
Por outro lado, existe a ideia de que enquanto na «velha» música tradicional se encontram espécimes musicalmente ricos, a cultura popular contemporânea é pobre, indigente...
Musicalmente falando, há coisa mais pobre do que o fado? E, no entanto, é o fenómeno musical português mais estudado e talvez o mais digno de ser estudado. Senão vejamos: na música tradicional, de onde vêm os exemplares musicalmente mais ricos? A tradição fê-los chegar até nós, mas são de origem eclesiástica, não popular, embora posteriormente popularizados e tradicionalizados.
Sente que se acentuou a tendência para a extinção da tradição por ser algo a que o povo não atribui importância e que só interessa a intelectuais urbanos em busca da alma perdida da Pátria?
Geralmente, o urbano vai em busca do antigo, do exótico. Desde a Renascença, ao mesmo tempo que os intelectuais começaram a odiar o vulgo, também começaram a mitificar o campo. O ideal da «aurea mediocritas» que o Sá de Miranda cantava, não é se não isso: um retiro bucólico entre os pastores simples e ingénuos, onde residiria a alma pura do homem. A apreciação que os urbanos fazem desta música responde sempre à busca dum tempo perdido. Entre o povo, algumas destas manifestações musicais estão completamente extintas, já só residem na memória de alguns informadores. Não há dúvida que, nos últimos dez anos, os trabalhos agrícolas sofreram uma profunda transformação. As tradições que ainda se conservam mais são as religiosas. Os gaiteiros que acompanham os círios ainda se mantêm em actividade. Na Estremadura cistagana, ali para Palmela, os próprios gaiteiros formaram grupos que fazem bailes a tocar música que ouvem na rádio. Tal como, aliás, em Trás-os-Montes há novas gerações de gaiteiros aos quais forneci gravações de repertório tradicional.
Existem características propriamente estremenhas na música tradicional da região?
As coisas que eu gravei podem-se considerar estremenhas, na medida em que o povo quis que elas permanecessem na sua tradição. Terá havido coisas que desapareceram noutras províncias e se mantiveram nesta. Não se deve perguntar porque é que isto nasceu aqui e não noutro sítio, mas porque é que sobreviveu aqui e não noutro lugar. A gaita de foles era um fenómeno nacional. O adufe, a mesma coisa. Porque é que hoje só subsiste na Beira Baixa? Isso é que é interessante estudar e não se deixar cair na tentação de inventar coisas supostamente identificadoras de uma terra ou de uma região. O que tem a ver com as consequências da massificação e da globalização que conduz à busca de identidades locais fortes. Foi o que aconteceu com os caretos em Trás-os-Montes que estavam quase extintos e hoje são um fenómeno local que ressurgiu.
Aí mesmo é curiosa a sobreposição de dois movimentos contrários e simultâneos: a recuperação da tradição «antiga», agora academizada e eruditizada e, por baixo disso, o desenvolvimento da tal cultura popular comercial/pimba que irremediavelmente a substituiu...
Mas isso são as formas de normalização da música tradicional. Pode ser inevitável, mas, de um ponto de vista musical, tende a empobrecer. A verdadeira escola da tradição tem de ser a tradição. Só a convivência, o toque e o canto dos mais velhos podem ensinar. Nesse tipo de aprendizagem, tende-se a adoptar os exemplares mais simples e a excluir os mais ricos, há um empobrecimento. O que aconteceu muito com as concertinas. Contudo, há fenómenos que ainda permanecem muito vivos como é o caso das romarias do Minho ou os círios na Estremadura que se mantêm integralmente. Mas, na maioria dos casos, à medida que as populações foram abandonando os campos, deixou de haver espaço, tempo e função para cantar. Embora ainda haja casos onde, nas festas da aldeia, ao sábado, actua o conjunto musical para o baile mas é reservado um dia - geralmente a segunda-feira, que é dia de guarda - para um tocador popular e toda a gente dançar à moda antiga. Ou o exemplo do adufe, que está, neste momento, a agarrar muita gente na Beira Baixa. Já não, evidentemente, tocado à soleira da porta nas funções antigas, mas noutras circunstâncias.
fonte: Jornal Expresso
domingo, janeiro 04, 2004
sábado, janeiro 03, 2004
Dança dos Homens
Dança dos Homens (fragmentos) 1' e 16''
texto de Giacometti e Lopes Graça
10. DANÇA DOS HOMENS (frag.)
Recolhida em Lousa (Castelo Branco), a Dança dos homens, como a Dança das virgens, é dançada durante as festas em honra da Senhora dos Altos Céus (terceiro domingo de Maio), frente à igreja e, seguidamente, nos lugares mais centrais do povoado. Também conhecida por Dança de genebres, é executada por seis homens trajando calças e camisa branca, e ostentando uma espécie de tiara ornamentada com flores e fitas de várias cores, etc., três rapazs em vestes de donzela, e um guardião (mestre ou ensaiador), vestido de soldado com espada à cinta. Dos seis homens, cinco tocam bandurras (viola da zona raiana de Castelo Branco com dez cordas de arame, embora as bandurras aqui utilizadas tenham encordamento - apenas oito cordas - e afinação diferentes), o sexto toca a genebres, "espécie de xilofone, com uma série de paus redondos maciços, de tamanhos crescentes de cima para baixo, enfiados numa tira de couro formando colar...". Este instrumento, único no País, ao nosso conhecimento, é utilizado na Lousa exclusivamente na dança que tem a seu nome. Os três rapazes, enfim, tocam trinchas, uma espécie de pandeiretas sem peles. Todo o interesse propriamente musical do trecho vem-lhe da mistura "discordante' dos instrumentos principais: o grupo das bandurras, com a sua fórmula rítimica elementar, que consiste numa simples alternância de acordes rasgados de como que tónica e sobre-dominante e ainda como as suas entoações um tanto caprichosas, e a genebres, com os seus glissandos (precedidos, à laia de introdução, de um acorde de três sons arpejado) que formam uma espécie de pedal ritmica imutável - donde o curioso complexo harmónico e timbrico resultante, adicionado ainda pela sonoridade chocalhada do trincho.
texto de Giacometti e Lopes Graça
10. DANÇA DOS HOMENS (frag.)
Recolhida em Lousa (Castelo Branco), a Dança dos homens, como a Dança das virgens, é dançada durante as festas em honra da Senhora dos Altos Céus (terceiro domingo de Maio), frente à igreja e, seguidamente, nos lugares mais centrais do povoado. Também conhecida por Dança de genebres, é executada por seis homens trajando calças e camisa branca, e ostentando uma espécie de tiara ornamentada com flores e fitas de várias cores, etc., três rapazs em vestes de donzela, e um guardião (mestre ou ensaiador), vestido de soldado com espada à cinta. Dos seis homens, cinco tocam bandurras (viola da zona raiana de Castelo Branco com dez cordas de arame, embora as bandurras aqui utilizadas tenham encordamento - apenas oito cordas - e afinação diferentes), o sexto toca a genebres, "espécie de xilofone, com uma série de paus redondos maciços, de tamanhos crescentes de cima para baixo, enfiados numa tira de couro formando colar...". Este instrumento, único no País, ao nosso conhecimento, é utilizado na Lousa exclusivamente na dança que tem a seu nome. Os três rapazes, enfim, tocam trinchas, uma espécie de pandeiretas sem peles. Todo o interesse propriamente musical do trecho vem-lhe da mistura "discordante' dos instrumentos principais: o grupo das bandurras, com a sua fórmula rítimica elementar, que consiste numa simples alternância de acordes rasgados de como que tónica e sobre-dominante e ainda como as suas entoações um tanto caprichosas, e a genebres, com os seus glissandos (precedidos, à laia de introdução, de um acorde de três sons arpejado) que formam uma espécie de pedal ritmica imutável - donde o curioso complexo harmónico e timbrico resultante, adicionado ainda pela sonoridade chocalhada do trincho.
terça-feira, dezembro 23, 2003
Comunidades locais:
Até agora, pelo alinhamento conhecido, teremos por um lado a Guarda, Covilhã, Belmonte, Manteigas, Penamacor, Fundão, Sabugal e por outro Castelo Branco, Idanha, Proença, Vila Velha de Rodão e Sertã, com Oleiros ainda com uma posição indefenida e Vila de Rei integrada na comunidade dos Templários. É às populações locais que compete definir as suas orientações, mas pelo que se avizinha passaremos a ter comunidades que eliminam a diferenciação entre Beira Alta e Beira Baixa. Também, falta ainda definir as posições de Gouveia e de vários outros concelhos até agora integrados no Distrito da Guarda. Não se assiste, na imprensa local, a um debate sobre estas questões, mas sim à divulgação simplificada de informações, o que denota um desinteresse das populações locais pelo tema.
Até agora, pelo alinhamento conhecido, teremos por um lado a Guarda, Covilhã, Belmonte, Manteigas, Penamacor, Fundão, Sabugal e por outro Castelo Branco, Idanha, Proença, Vila Velha de Rodão e Sertã, com Oleiros ainda com uma posição indefenida e Vila de Rei integrada na comunidade dos Templários. É às populações locais que compete definir as suas orientações, mas pelo que se avizinha passaremos a ter comunidades que eliminam a diferenciação entre Beira Alta e Beira Baixa. Também, falta ainda definir as posições de Gouveia e de vários outros concelhos até agora integrados no Distrito da Guarda. Não se assiste, na imprensa local, a um debate sobre estas questões, mas sim à divulgação simplificada de informações, o que denota um desinteresse das populações locais pelo tema.
terça-feira, dezembro 16, 2003
In: Reconquista
Dia 21 de Dezembro
Andar a pé pela Rota dos Fósseis
O calendário de actividades de contacto com a natureza que a autarquia de Idanha tem vindo a promover, vai ser encerrado com pais um percurso pedestre no próximo dia 21 de Dezembro. Um passeio entre Penha Garcia e Termas de Monfortinho.
Os interessados podem inscrever-se até 17 de Dezembro nos postos de turismo do concelho, no Gabinete de Turismo da autarquia, através dos seguintes telefone e fax 277 202 900, 277 202 944, 968122662, ou ainda por e-mail turismo.cmidanha@iol.pt .
O encontro está marcado para as 8H30, na Junta de Turismo de Monfortinho, para posteriormente os participantes serem transportados para Penha Garcia, para começarem a andar a pé. Este percurso está traçado pelas marcas PR3-Rota dos Fósseis e GR12-E7- Rota de Idanha, numa distância de 22 quilómetros. Mais uma actividade ao ar livre da Câmara de Idanha, que encerra estas actividades, por este ano.
Autor: Cristina Mota Saraiva 10/12/2003 18:01:50
Dia 21 de Dezembro
Andar a pé pela Rota dos Fósseis
O calendário de actividades de contacto com a natureza que a autarquia de Idanha tem vindo a promover, vai ser encerrado com pais um percurso pedestre no próximo dia 21 de Dezembro. Um passeio entre Penha Garcia e Termas de Monfortinho.
Os interessados podem inscrever-se até 17 de Dezembro nos postos de turismo do concelho, no Gabinete de Turismo da autarquia, através dos seguintes telefone e fax 277 202 900, 277 202 944, 968122662, ou ainda por e-mail turismo.cmidanha@iol.pt .
O encontro está marcado para as 8H30, na Junta de Turismo de Monfortinho, para posteriormente os participantes serem transportados para Penha Garcia, para começarem a andar a pé. Este percurso está traçado pelas marcas PR3-Rota dos Fósseis e GR12-E7- Rota de Idanha, numa distância de 22 quilómetros. Mais uma actividade ao ar livre da Câmara de Idanha, que encerra estas actividades, por este ano.
Autor: Cristina Mota Saraiva 10/12/2003 18:01:50
segunda-feira, dezembro 15, 2003
in: http://www.monfortur.pt/penhagarcia.htm
PENHA GARCIA
A meio caminho entre as Termas de Monfortinho e Monsanto, espraiando-se pela encosta da serra a que acabou por ceder o nome, fica Penha Garcia.
Terra que outrora já teve uma importância decisiva, luta com todas as forças para sair do marasmo e desinteresse a que foi votada.
A construção do castelo de Penha Garcia deve-se a D. Sancho I, embora existam vestígios que remontam ao período romano e outros muito anteriores. Do período pré-histórico há conhecimento de vários testemunhos tais como castros, antas e diversos utensílios. Em 1256, o rei D. Afonso III concede foral a Penha Garcia. Nos princípios do século XIV a vila é doada aos Templários. Destes passa para a Ordem de Cristo e no século XVI volta à posse do rei. Na Igreja Matriz, reconstruída recentemente, existem vestígios da anterior igreja que em 1515 já aparecia em desenhos da época. No seu interior uma raríssima imagem gótica, em pedra de Ançã, da Senhora do Leite, com uma inscrição que a permite datar: 1469.
Em Penha Garcia persistem alguns velhos costumes e tradições: o madeiro do Natal, o fabrico do pão caseiro, as fogueiras de S. João, a matança do porco, as janeiras, as alvíssaras e a encomendação das almas...
Numa tentativa louvável de tentar preservar e recordar estes velhos costumes e tradições, realiza-se de três em três anos, desde Agosto de 1983, a semana etnográfica «Penha Garcia Antiga». Esta manifestação cultural é organizada pela Junta de Freguesia, pelo rancho folclórico e pela Liga dos Amigos de Penha Garcia. O programa é vasto e enriquecedor.
A localização de Penha Garcia, no alto das fragas da Serra do Ramiro, com uma vasta visão das planuras da Cova da Beira e da campina de Idanha, conferiram-lhe o estatuto de praça de guerra. Outro dos factores que deve ter contribuído para a permanência, durante séculos, de comunidades humanas, deverá ter sido a existência de ouro no rio Ponsul. Na década de 90 do século XX, ainda se viam garimpeiros, vasculhando as margens do rio, depois de grandes chuvadas.
A origem das rochas quartzíticas que formam a crista que, desde Aranhas e passando pelas Termas de Monfortinho se prolonga até às províncias espanholas de Cáceres e Badajoz, terá cerca de 490 milhões de anos. Nesses tempos os continentes tinham uma localização completamente diferente. Estavam quase todos unidos em torno do Pólo Sul, formando um supercontinente denominado Gondwana. Nestas águas turbulentas e com enormes tempestades, viviam organismos marinhos invertebrados, salientando-se um grupo de artrópodes, extintos há cerca de 250 milhões de anos, chamados Trilobites.
As Trilobites dominavam os mares, vivendo em estreita interacção com os substratos areno-argilosos, onde se deslocavam, procuravam protecção e alimento. Foram estas marcas de actividade nos sedimentos que ficaram preservadas nas rochas sedimentares quartzíticas que se formaram posteriormente.
Os investigadores que se dedicam ao estudo destas estruturas, denominadas icnofósseis, têm a possibilidade de estudar o ambiente marinho colonizado pelas Trilobites.
Há muito que se conhece a presença dos icnofósseis de Trilobites nas rochas do vale do rio Ponsul, junto a Penha Garcia, particularmente as formas denominadas Cruziana.
É a estas formas que as gentes locais chamam as Cobras Pintadas.
Os icnofósseis de Penha Garcia foram descritos pela primeira vez, em 1886, pelo geólogo português Nery Delgado. No seu clássico e minucioso tarbalho, Nery Delgado seguia uma escola de pensamento, já em declínio, a qual atribuía os Icnofósseis como Cruziana a vestígios directos de grupos de algas.
É já no final do séc. XX que os icnofósseis de Penha Garcia tiveram um papel muito importante no estudo do modo de formação de Cruziana e a sua consequente atribuição a icnofósseis de alimentação de trilobites e de outros artrópodes similares produzidos no substrato marinho.
O rio Ponsul, depois de atravessar a crista quartzítica em Penha Garcia, concentra ouro nos seus depósitos aluvionares. As explorações, a céu- aberto, de ouro, provavelmente romanas e medievais, têm, ainda hoje, vestígios bem patentes na região das Termas de Monfortinho, nos depósitos aluvionares cascalhentos.
Na passagem pelo apertado vale escavado nos duros quartzitos, o rio permitiu a utilização da energia hidráulica nas muitas azenhas, que, neste momento, estão quase todas recuperadas.
Recentemente, o estreito vale do rio Ponsul, de vertentes rochosas, permitiu a a instalação estratégica da barragem de Penha Garcia, cuja albufeira permite abastecer de água toda a região envolvente. Também a pesca é um dos motivos de atracção desta bonita albufeira.
Os quartzitos com icnofósseis de Penha Garcia constituem actualmente um pólo de turismo científico-cultural, onde cada pedra relata uma história remota, com muitos milhões de anos.
Nota - Alguns dados retirados de obras publicadas por: C. Neto de Carvalho 2, Mário Cachão 1,2 e Joana Ramos 2.
1- Departamento de Geologia, Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.
2 - Grupo PALEO - Grupo de Paleontologia do Museu Nacional de História Natural de Lisboa.
PENHA GARCIA
A meio caminho entre as Termas de Monfortinho e Monsanto, espraiando-se pela encosta da serra a que acabou por ceder o nome, fica Penha Garcia.
Terra que outrora já teve uma importância decisiva, luta com todas as forças para sair do marasmo e desinteresse a que foi votada.
A construção do castelo de Penha Garcia deve-se a D. Sancho I, embora existam vestígios que remontam ao período romano e outros muito anteriores. Do período pré-histórico há conhecimento de vários testemunhos tais como castros, antas e diversos utensílios. Em 1256, o rei D. Afonso III concede foral a Penha Garcia. Nos princípios do século XIV a vila é doada aos Templários. Destes passa para a Ordem de Cristo e no século XVI volta à posse do rei. Na Igreja Matriz, reconstruída recentemente, existem vestígios da anterior igreja que em 1515 já aparecia em desenhos da época. No seu interior uma raríssima imagem gótica, em pedra de Ançã, da Senhora do Leite, com uma inscrição que a permite datar: 1469.
Em Penha Garcia persistem alguns velhos costumes e tradições: o madeiro do Natal, o fabrico do pão caseiro, as fogueiras de S. João, a matança do porco, as janeiras, as alvíssaras e a encomendação das almas...
Numa tentativa louvável de tentar preservar e recordar estes velhos costumes e tradições, realiza-se de três em três anos, desde Agosto de 1983, a semana etnográfica «Penha Garcia Antiga». Esta manifestação cultural é organizada pela Junta de Freguesia, pelo rancho folclórico e pela Liga dos Amigos de Penha Garcia. O programa é vasto e enriquecedor.
A localização de Penha Garcia, no alto das fragas da Serra do Ramiro, com uma vasta visão das planuras da Cova da Beira e da campina de Idanha, conferiram-lhe o estatuto de praça de guerra. Outro dos factores que deve ter contribuído para a permanência, durante séculos, de comunidades humanas, deverá ter sido a existência de ouro no rio Ponsul. Na década de 90 do século XX, ainda se viam garimpeiros, vasculhando as margens do rio, depois de grandes chuvadas.
A origem das rochas quartzíticas que formam a crista que, desde Aranhas e passando pelas Termas de Monfortinho se prolonga até às províncias espanholas de Cáceres e Badajoz, terá cerca de 490 milhões de anos. Nesses tempos os continentes tinham uma localização completamente diferente. Estavam quase todos unidos em torno do Pólo Sul, formando um supercontinente denominado Gondwana. Nestas águas turbulentas e com enormes tempestades, viviam organismos marinhos invertebrados, salientando-se um grupo de artrópodes, extintos há cerca de 250 milhões de anos, chamados Trilobites.
As Trilobites dominavam os mares, vivendo em estreita interacção com os substratos areno-argilosos, onde se deslocavam, procuravam protecção e alimento. Foram estas marcas de actividade nos sedimentos que ficaram preservadas nas rochas sedimentares quartzíticas que se formaram posteriormente.
Os investigadores que se dedicam ao estudo destas estruturas, denominadas icnofósseis, têm a possibilidade de estudar o ambiente marinho colonizado pelas Trilobites.
Há muito que se conhece a presença dos icnofósseis de Trilobites nas rochas do vale do rio Ponsul, junto a Penha Garcia, particularmente as formas denominadas Cruziana.
É a estas formas que as gentes locais chamam as Cobras Pintadas.
Os icnofósseis de Penha Garcia foram descritos pela primeira vez, em 1886, pelo geólogo português Nery Delgado. No seu clássico e minucioso tarbalho, Nery Delgado seguia uma escola de pensamento, já em declínio, a qual atribuía os Icnofósseis como Cruziana a vestígios directos de grupos de algas.
É já no final do séc. XX que os icnofósseis de Penha Garcia tiveram um papel muito importante no estudo do modo de formação de Cruziana e a sua consequente atribuição a icnofósseis de alimentação de trilobites e de outros artrópodes similares produzidos no substrato marinho.
O rio Ponsul, depois de atravessar a crista quartzítica em Penha Garcia, concentra ouro nos seus depósitos aluvionares. As explorações, a céu- aberto, de ouro, provavelmente romanas e medievais, têm, ainda hoje, vestígios bem patentes na região das Termas de Monfortinho, nos depósitos aluvionares cascalhentos.
Na passagem pelo apertado vale escavado nos duros quartzitos, o rio permitiu a utilização da energia hidráulica nas muitas azenhas, que, neste momento, estão quase todas recuperadas.
Recentemente, o estreito vale do rio Ponsul, de vertentes rochosas, permitiu a a instalação estratégica da barragem de Penha Garcia, cuja albufeira permite abastecer de água toda a região envolvente. Também a pesca é um dos motivos de atracção desta bonita albufeira.
Os quartzitos com icnofósseis de Penha Garcia constituem actualmente um pólo de turismo científico-cultural, onde cada pedra relata uma história remota, com muitos milhões de anos.
Nota - Alguns dados retirados de obras publicadas por: C. Neto de Carvalho 2, Mário Cachão 1,2 e Joana Ramos 2.
1- Departamento de Geologia, Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.
2 - Grupo PALEO - Grupo de Paleontologia do Museu Nacional de História Natural de Lisboa.
Penha Garcia - Musique du Monde
Artist: Musicians Of Penha Garcia
Album: Songs And Drums From Beira-Baixa
Label: Buda - Musique Du Monde
Genre: World: Spain
Song Title hi fi lo fi Time Download
Grupo Dos Garcias 2:57
La Em Cima Ao Castello 2:04
Macelada 2:03
A Ceifa 1:58
Cancao Da Laranjeira 1:30
Crai-Te Amar 2:52
Pelo Ceu Vai Uma Nuvem 3:17
Alvissaras Ou Alvistras 3:28
Loureiro 1:55
Senhora Do Almurtao 2:06
A Velhinha 1:17
A Azeitona 1:30
Adeus O Penha Garcia 2:17
Cantigas Da Quaresma 6:05
O Salgueirinho Do Rio 2:06
Margaca 1:51
O Arvoredo Fechado 1:52
Azeitona Galeguinha 2:10
Rosa-Maria Que Linda Assim 2:35
Sao Joao 2:10
Nossa Senhora Da Povoa 1:39
Abana Casaquinha Abana 3:55
Total: 53:37
Artist: Musicians Of Penha Garcia
Album: Songs And Drums From Beira-Baixa
Label: Buda - Musique Du Monde
Genre: World: Spain
Song Title hi fi lo fi Time Download
Grupo Dos Garcias 2:57
La Em Cima Ao Castello 2:04
Macelada 2:03
A Ceifa 1:58
Cancao Da Laranjeira 1:30
Crai-Te Amar 2:52
Pelo Ceu Vai Uma Nuvem 3:17
Alvissaras Ou Alvistras 3:28
Loureiro 1:55
Senhora Do Almurtao 2:06
A Velhinha 1:17
A Azeitona 1:30
Adeus O Penha Garcia 2:17
Cantigas Da Quaresma 6:05
O Salgueirinho Do Rio 2:06
Margaca 1:51
O Arvoredo Fechado 1:52
Azeitona Galeguinha 2:10
Rosa-Maria Que Linda Assim 2:35
Sao Joao 2:10
Nossa Senhora Da Povoa 1:39
Abana Casaquinha Abana 3:55
Total: 53:37
sexta-feira, dezembro 12, 2003
Materiais utilizados na fabricação da viola beiroa:
in: http://www.brasilfesteiro.com.br/coluna/coluna_deghi.html
"Diferentes tipos de violas portuguesas.
A origem portuguesa do instrumento brasileiro é aceita por todos os estudiosos e folcloristas brasileiros, a começar por Camara Cascudo , em Dicionário do Folclore Brasileiro: *A viola foi o primeiro instrumento de cordas que o portugues divulgou no Brasil.O século do povoamento, o XVI, foi a epoca do esplendor da viola em Portugal, indispensável nas romarias, festas e bailaricos, documentado em Gil Vicente e nos cancioneiros.
Os colonizadores portugueses, transportaram consigo a viola, a tocaram em terras americanas e a transmitiram aos seus sucessores, quer nativos,quer europeus,quer miscigenados. Fontes de consulta: fotos-Livro Instrumentos Musicais populares portugueses-Ernesto Veiga de Oliveira. Livro-Viola Campaniça o outro Alentejo-José Alberto sardinha Explicativos das violas, cedidos a mim( Fernando Deghi) por Domingos de Morais,Instituto Politécnico de Lisboa.
Viola beiroa
Materiais: Cerejeira, austrália e pinho flandres.
Braço em mogno, interiores em casquinha ou choupo, escala em paupreto.
Afinação (5 cordas duplas): Lá-Mi-Si-Lá-Ré
A beiroa possui, na verdade, 12 cordas, mas, para efeitos de afinação, suprimem-se as duas cordas laterais. Utilizada nas festas tradicionais, teve o seu apogeu há mais de um século, mas foi recentemente recuperada pelo grupo foclórico Cantares de Manhouce, responsável pela popularidade de que ainda hoje goza.
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in: http://www.brasilfesteiro.com.br/coluna/coluna_deghi.html
"Diferentes tipos de violas portuguesas.
A origem portuguesa do instrumento brasileiro é aceita por todos os estudiosos e folcloristas brasileiros, a começar por Camara Cascudo , em Dicionário do Folclore Brasileiro: *A viola foi o primeiro instrumento de cordas que o portugues divulgou no Brasil.O século do povoamento, o XVI, foi a epoca do esplendor da viola em Portugal, indispensável nas romarias, festas e bailaricos, documentado em Gil Vicente e nos cancioneiros.
Os colonizadores portugueses, transportaram consigo a viola, a tocaram em terras americanas e a transmitiram aos seus sucessores, quer nativos,quer europeus,quer miscigenados. Fontes de consulta: fotos-Livro Instrumentos Musicais populares portugueses-Ernesto Veiga de Oliveira. Livro-Viola Campaniça o outro Alentejo-José Alberto sardinha Explicativos das violas, cedidos a mim( Fernando Deghi) por Domingos de Morais,Instituto Politécnico de Lisboa.
Viola beiroa
Materiais: Cerejeira, austrália e pinho flandres.
Braço em mogno, interiores em casquinha ou choupo, escala em paupreto.
Afinação (5 cordas duplas): Lá-Mi-Si-Lá-Ré
A beiroa possui, na verdade, 12 cordas, mas, para efeitos de afinação, suprimem-se as duas cordas laterais. Utilizada nas festas tradicionais, teve o seu apogeu há mais de um século, mas foi recentemente recuperada pelo grupo foclórico Cantares de Manhouce, responsável pela popularidade de que ainda hoje goza.
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quinta-feira, dezembro 11, 2003
O Tempo Livre, editado pelo INATEL, no nº 145, Dezembro de 2003 divulga a notícia que se apresenta em baixo. O mesmo caminho está a ser seguido no Alentejo, relativamente à viola Campaniça. Para a Beira Baixa deveremos aprender com a experiência e lançar actividades de divulgação e promoção da viola beiroa. Temos todos as condições para garantir que a viola beiroa seja novamente apropriada pelo povo e incluída em actividades musicais populares, seguindo o exemplo das gentes da Lousa, que a protege e usa na Dança dos Homens.
"NOTÍCIAS
Projecto Cordofínia - Viola Toeira
Relançar os Cordofones tradicionais portugueses, nas mais diversas perspectivas, quer do ponto de vista do utilizador, quer do teórico ou estudioso ou mesmo do construtor foi o tema central do projecto Cordofínia, uma iniciativa do Inatel, levada a cabo em Novembro último na Casa da Cultura de Coimbra. 0 evento, apoiado pela autarquia coimbrã, procurou seguir uma política de preservação e reposição das diferentes práticas do património cultural português sendo, simultaneamente um espaço lúdico e formativo de interacção com a comunidade envolvente. 0 Mote da Viola Toeira foi seguido pelo facto deste constituir um dos mais típicos instrumentos de Coimbra, sendo também conhecida por Viola de Coimbra. Este e outros instrumentos de cordas, após a década de 30 do século XX, sonoramente menos vigorosos e tecnicamente mais limitados, foram sendo progressivamente substituídos por outros como as concertinas e os acordeões que conferiram à música tradicional um novo timbre, uma nova dinâmica. 0 evento incluiu uma Mesa Redonda moderada por João Fernandes, Delegado do INATEL em Coimbra, subordinada ao Tema: "Viola Toeira.... Um uso em Desuso" - na qual participaram, entre outros, Fernando Meireles, Prof. Sérgio Fonseca; Dr. Avelino Correia e Prof. Dr. Domingos Morais - e um encontro livre de tocadores de violas toeiras e uma demonstração prática do instrumento com o músico Amadeu Magalhães. A finalizar o encontro, teve lugar um espectáculo pelo Grupo Realejo, subordinado ao tema Cordofones Tradicionais, a que assistiram cerca de 400 pessoas." Tempo Livre, Dezembro 2003
"NOTÍCIAS
Projecto Cordofínia - Viola Toeira
Relançar os Cordofones tradicionais portugueses, nas mais diversas perspectivas, quer do ponto de vista do utilizador, quer do teórico ou estudioso ou mesmo do construtor foi o tema central do projecto Cordofínia, uma iniciativa do Inatel, levada a cabo em Novembro último na Casa da Cultura de Coimbra. 0 evento, apoiado pela autarquia coimbrã, procurou seguir uma política de preservação e reposição das diferentes práticas do património cultural português sendo, simultaneamente um espaço lúdico e formativo de interacção com a comunidade envolvente. 0 Mote da Viola Toeira foi seguido pelo facto deste constituir um dos mais típicos instrumentos de Coimbra, sendo também conhecida por Viola de Coimbra. Este e outros instrumentos de cordas, após a década de 30 do século XX, sonoramente menos vigorosos e tecnicamente mais limitados, foram sendo progressivamente substituídos por outros como as concertinas e os acordeões que conferiram à música tradicional um novo timbre, uma nova dinâmica. 0 evento incluiu uma Mesa Redonda moderada por João Fernandes, Delegado do INATEL em Coimbra, subordinada ao Tema: "Viola Toeira.... Um uso em Desuso" - na qual participaram, entre outros, Fernando Meireles, Prof. Sérgio Fonseca; Dr. Avelino Correia e Prof. Dr. Domingos Morais - e um encontro livre de tocadores de violas toeiras e uma demonstração prática do instrumento com o músico Amadeu Magalhães. A finalizar o encontro, teve lugar um espectáculo pelo Grupo Realejo, subordinado ao tema Cordofones Tradicionais, a que assistiram cerca de 400 pessoas." Tempo Livre, Dezembro 2003
terça-feira, dezembro 09, 2003
Tradições Musicais da Estremadura, José Alberto Sardinha, Tradison, 2000
" Genebres
Um curioso idiofone semelhante à genebres de Lousa, Castelo Branco, fomos encontrar em Maceira, Leiria, nas mãos de José Ribeiro de Sousa, professor primário aposentado, que, como já referimos várias vezes possui uma notável - e infelizmente inédita, - colheita de cantares e tradições da sua terra natal, a Costa de Baixo, de que já por vária! vezes falámos ao longo deste livro.
Nascido em 1920, lembra-se que nessa, década e na seguinte costumava reunir-se m casa da eira do Ti-Zé do Casal (ponto de en contro da mocidade mais «ribaldeira», mai alegre, amiga da paródia) um conjunto instrumental que integrava flautas de cana, guitarra, «violão» (certamente violão), «sanfonas» (harmónicas de boca) e um instrumento percutivo a que chamavam «sapo».
Este «sapo» é constituído por uma série de canas de diferentes comprimentos dis postas paralelamente e presas por um cordão. pendurado ao pescoço (as canas mal curtas para cima) e o tocador, enquanto, com a mão esquerda, puxa para baixo o conjunto dessas canas, tange-as todas, ou parte com uma outra cana, mais fina, que segura na mão direita - vide fotografia.
Este exemplar é uma reconstituição já antiga do instrumento que o informador viu integrado no referido grupo instrumental, nas mãos de um tal José Cordeiro de Sousa, filho do Ti-Zé do Casal, que emigrou para o Brasil pelos anos 30 e que terá levado consigo o mencionado «sapo». Tangia-o conforme a música que acompanhava, sempre «a raspão», nunca a bater, o que significa que não exercia qualquer função melódica como o xilofone, mas tão somente rítmica. às vezes tocava «de arrepio», isto é, raspando velozmente dos baixos aos agudos («esta vai de arrepio!»).
É de salientar que na região de Cáceres, vizinha de Castelo Branco, é muito usado um instrumento em tudo idêntico à referida genebres de Lousa, que ali conhece o nome de rana, por dar um som parecido ao coaxar das rãs. O instrumento cacereno é de paus de castanheiro, embora no Centro de Cultura Tradicional y Promocin de Ia Artesana, onde o vimos, também estivesse em exposição um outro feito de osso de cabrito, a que chamam simplesmente huesos. Os autores de Entre La Vera y el Valle - Tradiciõn y Folklore de Piornal, p. 74, dizem-nos que este instrumento é um dos mais típicos da Serra de Gredos. Em Castela, o instrumento de madeira conhece o nome de ginebra613 obviamente do mesmo étimo da genebres da Beira Baixa. Aliás, também em Portugal se usava o termo ginebra, como demonstra a obra de São Sotomaior, Ribeiras do Mondego, de 1623, que, em dado passo, oferece uma enumeração de instrumentos musicais: gaita, salteiro, frauta, tamboril, soalhas, pandeiro e ginebra614
A ginebra espanhola, tal como o nosso «sapo» estremenho, não tem, nem tinha no século XVIII, funções melódicas, mas apenas rítmicas, como nos é confirmado pelo Diccionario de Autoridades, que diz tratar-se a ginebra de «instrumento grosero inventado só para hacer ruido»615
Verifica-se assim a existência na Estremadura portuguesa deste tão raro instrumento, até agora só conhecido na Beira Baixa (vide Ernesto Veiga de Oliveira, op. cit.) e ainda a singularidade do seu nome - «sapo» -, parecido com o que conhece na Estremadura espanhola - «rã». Não deixa também de ser interessante aqui assinalar que este nome - «rã» - é utilizado em Braga para designar a vulgar caixa de rufo, certamente pelo mesmo motivo, isto é, a semelhança com o coaxar daquele animal.
Refira-se por fim que na exposição «Iconografia musical na pintura do século XV ao século XX», que esteve patente no Museu da Música em Lisboa, fomos encontrar uma harpa dos princípios do século XIX, alás pertença deste Museu, cujo tampo harmónico está pintado a óleo, aí se figurando vários instrumentos musicais, entre os quais a genebres. Inclinamo-nos para esta hipótese da genebres, e não para a do comum xilofone como vem assinalado no catálogo, em virtude de ter um atadilho.
612 Vide Na Roda do Ano, p. 33.
613Vide Diccionário Técnico de Ia Música, de Felipe Pedrell e Instrumentos Populares de Joaquin Diaz, p. 36.
6t4Cit. por Leite de Vasconcelos, Etnografia Portuguesa, vol. X, p. 243.
615Cit. por Joaquin Diaz, a p. 37 do seu Instrumentos Populares.
468"
" Genebres
Um curioso idiofone semelhante à genebres de Lousa, Castelo Branco, fomos encontrar em Maceira, Leiria, nas mãos de José Ribeiro de Sousa, professor primário aposentado, que, como já referimos várias vezes possui uma notável - e infelizmente inédita, - colheita de cantares e tradições da sua terra natal, a Costa de Baixo, de que já por vária! vezes falámos ao longo deste livro.
Nascido em 1920, lembra-se que nessa, década e na seguinte costumava reunir-se m casa da eira do Ti-Zé do Casal (ponto de en contro da mocidade mais «ribaldeira», mai alegre, amiga da paródia) um conjunto instrumental que integrava flautas de cana, guitarra, «violão» (certamente violão), «sanfonas» (harmónicas de boca) e um instrumento percutivo a que chamavam «sapo».
Este «sapo» é constituído por uma série de canas de diferentes comprimentos dis postas paralelamente e presas por um cordão. pendurado ao pescoço (as canas mal curtas para cima) e o tocador, enquanto, com a mão esquerda, puxa para baixo o conjunto dessas canas, tange-as todas, ou parte com uma outra cana, mais fina, que segura na mão direita - vide fotografia.
Este exemplar é uma reconstituição já antiga do instrumento que o informador viu integrado no referido grupo instrumental, nas mãos de um tal José Cordeiro de Sousa, filho do Ti-Zé do Casal, que emigrou para o Brasil pelos anos 30 e que terá levado consigo o mencionado «sapo». Tangia-o conforme a música que acompanhava, sempre «a raspão», nunca a bater, o que significa que não exercia qualquer função melódica como o xilofone, mas tão somente rítmica. às vezes tocava «de arrepio», isto é, raspando velozmente dos baixos aos agudos («esta vai de arrepio!»).
É de salientar que na região de Cáceres, vizinha de Castelo Branco, é muito usado um instrumento em tudo idêntico à referida genebres de Lousa, que ali conhece o nome de rana, por dar um som parecido ao coaxar das rãs. O instrumento cacereno é de paus de castanheiro, embora no Centro de Cultura Tradicional y Promocin de Ia Artesana, onde o vimos, também estivesse em exposição um outro feito de osso de cabrito, a que chamam simplesmente huesos. Os autores de Entre La Vera y el Valle - Tradiciõn y Folklore de Piornal, p. 74, dizem-nos que este instrumento é um dos mais típicos da Serra de Gredos. Em Castela, o instrumento de madeira conhece o nome de ginebra613 obviamente do mesmo étimo da genebres da Beira Baixa. Aliás, também em Portugal se usava o termo ginebra, como demonstra a obra de São Sotomaior, Ribeiras do Mondego, de 1623, que, em dado passo, oferece uma enumeração de instrumentos musicais: gaita, salteiro, frauta, tamboril, soalhas, pandeiro e ginebra614
A ginebra espanhola, tal como o nosso «sapo» estremenho, não tem, nem tinha no século XVIII, funções melódicas, mas apenas rítmicas, como nos é confirmado pelo Diccionario de Autoridades, que diz tratar-se a ginebra de «instrumento grosero inventado só para hacer ruido»615
Verifica-se assim a existência na Estremadura portuguesa deste tão raro instrumento, até agora só conhecido na Beira Baixa (vide Ernesto Veiga de Oliveira, op. cit.) e ainda a singularidade do seu nome - «sapo» -, parecido com o que conhece na Estremadura espanhola - «rã». Não deixa também de ser interessante aqui assinalar que este nome - «rã» - é utilizado em Braga para designar a vulgar caixa de rufo, certamente pelo mesmo motivo, isto é, a semelhança com o coaxar daquele animal.
Refira-se por fim que na exposição «Iconografia musical na pintura do século XV ao século XX», que esteve patente no Museu da Música em Lisboa, fomos encontrar uma harpa dos princípios do século XIX, alás pertença deste Museu, cujo tampo harmónico está pintado a óleo, aí se figurando vários instrumentos musicais, entre os quais a genebres. Inclinamo-nos para esta hipótese da genebres, e não para a do comum xilofone como vem assinalado no catálogo, em virtude de ter um atadilho.
612 Vide Na Roda do Ano, p. 33.
613Vide Diccionário Técnico de Ia Música, de Felipe Pedrell e Instrumentos Populares de Joaquin Diaz, p. 36.
6t4Cit. por Leite de Vasconcelos, Etnografia Portuguesa, vol. X, p. 243.
615Cit. por Joaquin Diaz, a p. 37 do seu Instrumentos Populares.
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segunda-feira, dezembro 08, 2003
Instrução Popular na Beira Baixa de Francisco Goulão, Alma Azul, Outubro de 2003
Saiu o 1º Volume de uma obra que preve ainda a publicação de Notas para a História Regional de Educação Popular-A Escola Distrital de Habilitação de Castelo Branco (1898-1926) e Notas para a História Regional de Educação Popular-A escola Normal Particular Amato Lusitano de Castelo Branco (1950-1972). Descrição da evolução da formação de professores, em Castelo Branco, direccionados para o ensino primário. O 1º volume inclui um Anexo com a listagem de todos os candidatos que realizaram exames para conclusão do curso. É um trabalho fundamentalmente descritivo, que tem a sua importância como tal, mas a que a interpretação poderia dar luz a algumas interrogações e dúvidas apresentadas pelo autor. É delimitada a área de influência da actividade de formação da escola, em termos de captação de alunos, mas isso implicaria apresentar também a área de influência das escolas limitofes, Portalegre e Guarda. Não basta saber e dizer que alunos desses Distritos foram atraídos pela frequência da escola, porque há também o reverso. Como o obectivo era no fundo conhecer a formação de recursos essa formação poderia ser obtida noutras escolas. Na bibliografia não é citado o trabalho de Rui Delgado que procedeu a um trabalho excelente, relativamente ao Concelho da Covilhã, no referente à distribuição de docentes do ensino primário.
Saiu o 1º Volume de uma obra que preve ainda a publicação de Notas para a História Regional de Educação Popular-A Escola Distrital de Habilitação de Castelo Branco (1898-1926) e Notas para a História Regional de Educação Popular-A escola Normal Particular Amato Lusitano de Castelo Branco (1950-1972). Descrição da evolução da formação de professores, em Castelo Branco, direccionados para o ensino primário. O 1º volume inclui um Anexo com a listagem de todos os candidatos que realizaram exames para conclusão do curso. É um trabalho fundamentalmente descritivo, que tem a sua importância como tal, mas a que a interpretação poderia dar luz a algumas interrogações e dúvidas apresentadas pelo autor. É delimitada a área de influência da actividade de formação da escola, em termos de captação de alunos, mas isso implicaria apresentar também a área de influência das escolas limitofes, Portalegre e Guarda. Não basta saber e dizer que alunos desses Distritos foram atraídos pela frequência da escola, porque há também o reverso. Como o obectivo era no fundo conhecer a formação de recursos essa formação poderia ser obtida noutras escolas. Na bibliografia não é citado o trabalho de Rui Delgado que procedeu a um trabalho excelente, relativamente ao Concelho da Covilhã, no referente à distribuição de docentes do ensino primário.
quinta-feira, dezembro 04, 2003
Papel de estabelecimentos comerciais como locais de produção musical
«O Cantinho» continua uma tasca activa no Fundão
Há algumas décadas atrás, havia no Fundão mais de vinte tabernas. Na rua da Cale cerca de meia dúzia. Hoje as mais significativas são a da Estação e o "Cantinho" na rua da Cale. Quem o afirma é um ex-proprietário do "Cantinho", Isidro Marques dos Santos, que completa 72 anos a 30 de Dezembro próximo. Natural de Sobral de S. Miguel, residiu em Moçambique e depois regressou a Portugal adquiriu a taberna, estando à sua frente durante vinte anos. "No meu tempo, havia muito movimento. Começava logo de manhã ao mata-bicho a vender pataniscas de bacalhau e outros petiscos", recorda. "Vinham tocadores de acordeão e guitarras e cantava-se. Isto era uma alegria. Agora acabou isso tudo", remata com alguma nostalgia expressa no rosto." JF 5/12/2003
José Alberto Sardinha, na pag 411 de Tradições Musicais na Estremadura escreve o seguinte: "É efectivamente muito antiga a tradição de haver instrumentos musicais em certos estabelecimentos comerciais, sobretudo barbearias e tabernas, como já referimos na parte introdutória dos bailes populares. Em Janeiro de Cima, por exemplo, uma recôndita aldeia do concelho do Fundão, já estremando com a região do Pinhal, ainda hoje (1995) o velho proprietário da taberna local tem sempre duas guitarras disponiveis no estabelecimento, para ele próprio e os fregueses tocarem (fandangos, fados, etc..)"
«O Cantinho» continua uma tasca activa no Fundão
Há algumas décadas atrás, havia no Fundão mais de vinte tabernas. Na rua da Cale cerca de meia dúzia. Hoje as mais significativas são a da Estação e o "Cantinho" na rua da Cale. Quem o afirma é um ex-proprietário do "Cantinho", Isidro Marques dos Santos, que completa 72 anos a 30 de Dezembro próximo. Natural de Sobral de S. Miguel, residiu em Moçambique e depois regressou a Portugal adquiriu a taberna, estando à sua frente durante vinte anos. "No meu tempo, havia muito movimento. Começava logo de manhã ao mata-bicho a vender pataniscas de bacalhau e outros petiscos", recorda. "Vinham tocadores de acordeão e guitarras e cantava-se. Isto era uma alegria. Agora acabou isso tudo", remata com alguma nostalgia expressa no rosto." JF 5/12/2003
José Alberto Sardinha, na pag 411 de Tradições Musicais na Estremadura escreve o seguinte: "É efectivamente muito antiga a tradição de haver instrumentos musicais em certos estabelecimentos comerciais, sobretudo barbearias e tabernas, como já referimos na parte introdutória dos bailes populares. Em Janeiro de Cima, por exemplo, uma recôndita aldeia do concelho do Fundão, já estremando com a região do Pinhal, ainda hoje (1995) o velho proprietário da taberna local tem sempre duas guitarras disponiveis no estabelecimento, para ele próprio e os fregueses tocarem (fandangos, fados, etc..)"
Tradições Musicais na Estremadura de José Alberto Sardinha
Ediçãoo da Tradison de 2000, que inclui 3 CD´s e um prefácio de Fernando Lopes Graça. Embora editado em 2000, José Alberto Sardinha tinha dado a obra por concluida antes do falecimento de fernando Lopes Graça (27/11/1994), mas entretanto, por problemas de financiamento da edição, só foi possível proceder á publicação em 2000. No Perfácio, Lopes Graça remete-se ao seu papel de compositor, distanciando do etnomusicólogo, por não ter feito trabalho de campo. Mas, cita duas excepções, uma em 1946 na Vila de Sepa e outra em 1947, nalgumas localidades da Beira-Baixa. Na altura não possuia magnetofone, mas ficou motivadissimo para aí retornar, munido desse equipamento. Foi o que acabou por fazer, com um equipamento emprestado por Valentim de Carvalho. Efectuou registos em Monsanto, Malpica, Paúl, Silvares e Donas.
Embora reportando-se à Estremadura o Fundão é citado em 9 entradas, Covilhã 6 vezes, Castelo Branco 14, Idanha 5 e Penamacor 2.
Ediçãoo da Tradison de 2000, que inclui 3 CD´s e um prefácio de Fernando Lopes Graça. Embora editado em 2000, José Alberto Sardinha tinha dado a obra por concluida antes do falecimento de fernando Lopes Graça (27/11/1994), mas entretanto, por problemas de financiamento da edição, só foi possível proceder á publicação em 2000. No Perfácio, Lopes Graça remete-se ao seu papel de compositor, distanciando do etnomusicólogo, por não ter feito trabalho de campo. Mas, cita duas excepções, uma em 1946 na Vila de Sepa e outra em 1947, nalgumas localidades da Beira-Baixa. Na altura não possuia magnetofone, mas ficou motivadissimo para aí retornar, munido desse equipamento. Foi o que acabou por fazer, com um equipamento emprestado por Valentim de Carvalho. Efectuou registos em Monsanto, Malpica, Paúl, Silvares e Donas.
Embora reportando-se à Estremadura o Fundão é citado em 9 entradas, Covilhã 6 vezes, Castelo Branco 14, Idanha 5 e Penamacor 2.
sábado, novembro 29, 2003
viola beiroa
Informação do Museu de Etnologia
Viola Beiroa

datação: XX d.C.
matéria/suporte/técnica: Madeira, aço, bordão
dimensões: altura: 9,5 largura: 26,7 comprimento: 81,7
nº de inventário: BB.304
nºs inventário anteriores: D3.407
descrição: Viola de seis ordens de cordas duplas, as três primeiras de aço, a quarta e quinta de aço e bordão, e a sexta em aço, correspondendo a um cravelhal suplementar situado no final do braço, fora da escala, sendo sempre tocadas soltas, conhecidas por requintas ou cantadeiras. Caixa em madeira de duplo bojo, com enfranque muito apertado, com boca em forma redonda sensivelmente a meio do tampo. Cavalete em madeira, colado ao tampo a meio do bojo inferior. O tampo é ornamentado por incisões de motivos decorativos em seu torno, na boca, e nas extremidades inferior e superior. O fundo da caixa apresenta ao centro uma pequena excrescência em madeira de formato rectangular. Braço em madeira com escala rasa em continuidade com o tampo, com dez trastos, mais um pequeno trasto, colocado já sobre o tampo harmónico, e que serve unicamente a ordem de cordas suplementar. Cabeça alongada, linear, com pequeno orifício no topo superior, na qual se encaixa um sistema de cravelhas dorsais em madeira que permite afinar a tonalidade sonora do instrumento. Medidas (cm): comp. total - 81,7 comp. corpo - 39 larg. corpo - 26,7 alt. ilhargas: máx. 9,5 mín. 8,2 comp. corda vibrante - 45,2 alt. cavalete - 0,6 diâm. boca: 5,6
proveniência/incorporação: Doação - Fundação Calouste Gulbenkian
historial: Tipo de viola popular da região da Beira Baixa. Era usada nesta região raiana para acompanhar os “parabéns“ aos noivos, acompanhar cantos nas tabernas, aos domingos, etc. À data da aquisição ela desempenhava funções cerimoniais, integrada na “Dança dos Homens“, das Festas em honra da Senhora dos Altos Céus, na Lousa. Custo: 1.300$00 Anterior registo: nº tombo - D3.407 nº colecção - 407 data - Julho de 1977
Viola Beiroa
datação: XX d.C.
matéria/suporte/técnica: Madeira, aço, bordão
dimensões: altura: 9,5 largura: 26,7 comprimento: 81,7
nº de inventário: BB.304
nºs inventário anteriores: D3.407
descrição: Viola de seis ordens de cordas duplas, as três primeiras de aço, a quarta e quinta de aço e bordão, e a sexta em aço, correspondendo a um cravelhal suplementar situado no final do braço, fora da escala, sendo sempre tocadas soltas, conhecidas por requintas ou cantadeiras. Caixa em madeira de duplo bojo, com enfranque muito apertado, com boca em forma redonda sensivelmente a meio do tampo. Cavalete em madeira, colado ao tampo a meio do bojo inferior. O tampo é ornamentado por incisões de motivos decorativos em seu torno, na boca, e nas extremidades inferior e superior. O fundo da caixa apresenta ao centro uma pequena excrescência em madeira de formato rectangular. Braço em madeira com escala rasa em continuidade com o tampo, com dez trastos, mais um pequeno trasto, colocado já sobre o tampo harmónico, e que serve unicamente a ordem de cordas suplementar. Cabeça alongada, linear, com pequeno orifício no topo superior, na qual se encaixa um sistema de cravelhas dorsais em madeira que permite afinar a tonalidade sonora do instrumento. Medidas (cm): comp. total - 81,7 comp. corpo - 39 larg. corpo - 26,7 alt. ilhargas: máx. 9,5 mín. 8,2 comp. corda vibrante - 45,2 alt. cavalete - 0,6 diâm. boca: 5,6
proveniência/incorporação: Doação - Fundação Calouste Gulbenkian
historial: Tipo de viola popular da região da Beira Baixa. Era usada nesta região raiana para acompanhar os “parabéns“ aos noivos, acompanhar cantos nas tabernas, aos domingos, etc. À data da aquisição ela desempenhava funções cerimoniais, integrada na “Dança dos Homens“, das Festas em honra da Senhora dos Altos Céus, na Lousa. Custo: 1.300$00 Anterior registo: nº tombo - D3.407 nº colecção - 407 data - Julho de 1977
Música
A Editora Campo das Letras acaba de editar -José Gomes Ferreira - MÚSICA - minha antiga companheira desde os ouvidos da infância. Em Belgais, este ano, decorreu uma actividade de divulgação dos trabalhos de José Gomes Ferreira, como compositor. No piano, João Aboim interpretou algumas composições para piano de JGF, composições que JGF compôs na Noruega, entre 1926 e 1929, quando aí desempenhou as funções de embaixador . Seria óptimo que Belgais divulgasse as gravações desse espectáculo.
A Editora Campo das Letras acaba de editar -José Gomes Ferreira - MÚSICA - minha antiga companheira desde os ouvidos da infância. Em Belgais, este ano, decorreu uma actividade de divulgação dos trabalhos de José Gomes Ferreira, como compositor. No piano, João Aboim interpretou algumas composições para piano de JGF, composições que JGF compôs na Noruega, entre 1926 e 1929, quando aí desempenhou as funções de embaixador . Seria óptimo que Belgais divulgasse as gravações desse espectáculo.
sexta-feira, novembro 28, 2003
Dia 29 de Novembro, no Fundão, no Complexo Desportivo da ES do Fundão, pelas 21 h e 30 m, Luís Baptis apresenta o seu CD-TIMBRE. O 9º tema "Dança dos homens", é utilizada uma viola beiroa. A iniciativa é do departamento Cultural da CMF, que deveria aproveitar a oportunidade para evidenciar a utilização de uma viola beiroa, instrumento exclusivo da região Leste de Castelo Branco. Na publicidade do concerto o departamento cultural apresenta uma fotografia de Luís Baptis, com uma viola, mas não a beiroa. Perdeu-se mais uma oportunidade de divulgar a viola beiroa.
Violas beiroas do Grupo de Danças da Lousa
Violas beiroas do Grupo de Danças da Lousa
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