segunda-feira, abril 25, 2011

Criadilhas

in: Jornal do Fundão

Sociedade (JF Diário)


13 Abr 2011, 15:03h
O jantar? Está ali debaixo da terra!

Um quilo pode chegar aos cem euros. De alimento humilde à presença na alta cozinha. Já se chamam às criadilhas da Beira Baixa, “as trufas de Portugal”

Este homem merece respeito. Por todas as razões e mais algumas, com certeza, mas para os efeitos da presente narrativa podemos começar por aqui: “Já comi mais de 90 tipos de cogumelos da região”. Corem, pois, de vergonha, os pseudo-especialistas. Nós, que nem a isso aspiramos, apontamos no bloco a informação. Sem mais. Sim, convenhamos, é desarmante. Poucas linhas de currículo conseguirão ser tão expressivas. O especialista em cogumelos silvestres, que corre o país de lés a lés em conferências e passeios micológicos a abrir conhecimentos a paladares mais desconhecedores, conservadores ou receosos, aceitou o desafio do JF e levou-nos, numa destas manhãs, até ao campo em busca de criadilhas.

Primeiro, as apresentações: à nossa frente, o engenheiro agrónomo Gravito Henriques, 52 anos. Natural do Paul e residente no Fundão. Os seus estudos sobre os cogumelos silvestres ilustram anos de trabalho e perseverança em dar a conhecer um mundo absolutamente opaco para muitos. Por estes montes e vales da Beira, Gravito Henriques elencou a riqueza micológica da região, que se aguarda que seja melhor explorada. Poucas cozinhas conhecem toda a potencialidade gastronómica deles e poucos bolsos conhecem toda a potencialidade económica deste recurso.

Continuando as apresentações: algures por aqui, debaixo dos nossos pés... as criadilhas, também conhecidas por “Alegria de Santa Luzia”, “batata da terra”, “reigota”, “tubara”... E por aí fora. Surgem na Primavera, principalmente nos solos do Sul da Beira Baixa e, ao contrário dos tradicionais cogumelos, desenvolvem-se debaixo de terra. São invisíveis. É isso mesmo: o objecto da busca está oculto e não temos o mapa do tesouro... Mas temos Gravito Henriques.

A reportagem completa está na edição semanal.

Por: Nuno Francisco

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