quarta-feira, março 30, 2005

Novas perspectivas sobre os Lusitanos (e outros mundos)
File Format: PDF/Adobe Acrobat -
... ao contrário do que pretende uma arqueologia post-modernista, não ... perto da
velha Egitania (comunicação pessoal de Raquel Vilaça) e ...
http://www.ipa.min-cultura.pt/pubs/RPA/v4n2/293-350.pdf
Lince Ibérico

O El Pais de ontem, 29 de Março, dava a notícia de que tinham nascido em cativeiro, pela primeira vez, dois linces ibéricos. Esta notícia cria-nos a expectativa de se poder repovoar a Serra da Malcata com o Lince Ibérico. Para se ter ideia da importância e da forma como em Espanha o Lince é acarinhado apresento sumários sobre o tema em El Pais:

Edición impresa | EL PAIS | Sociedad - 20-03-2005
El PSOE pide medidas para la conservación del lince ibérico
EFE - (Tamaño 1 kb.)

Edición impresa | EL PAIS | Radio y televisión - 04-11-2004
El documental 'Lince ibérico' abre en Pamplona Telenatura 2004
MIKEL MUEZ - (Tamaño 1 kb.)

Domingo | EL PAIS | Reportajes - 08-08-2004
Bastos para el lince, oro para las águilas
ANTONIO CALVO ROY - (Tamaño 1 kb.)

Andalucía | EL PAIS - 18-12-2004
Coves sostiene que el lince no está "en fase terminal"
M. P. - (Tamaño 1 kb.)

Andalucía | EL PAIS - 27-09-2004
La Federación de Caza impulsa una campaña para proteger al lince
EFE - (Tamaño 1 kb.)

Edición impresa | EL PAIS | Sociedad - 15-06-2004
El lince y el águila llegaron a la Península junto a los primeros seres humanos
EFE - (Tamaño 1 kb.)

Edición impresa | EL PAIS | Radio y televisión - 26-01-2005
Canal + estrena un documental con imágenes insólitas del lince ibérico
T. C. - (Tamaño 1 kb.)
En el mundo apenas sobreviven entre 100 y 200 linces. Algunos de estos ejemplares protagonizan el documental Lince ibérico, el cazador solitario, que estrena esta noche Canal + a las 22.00. La película, dirigida por el naturalista Joaquín Gutiérrez Acha, muestra insólitas escenas de caza del felino en sus últimos reductos: Sierra Morena y Doñana.

Andalucía | EL PAIS - 12-09-2004
Decenas de personas se manifiestan por la muerte de un lince
EFE - (Tamaño 1 kb.)

Andalucía | EL PAIS - 02-09-2004
Un lince muere atropellado en el camino asfaltado junto a Doñana
LUCÍA VALLELLANO - (Tamaño 1 kb.)

Edición impresa | EL PAIS | España - 02-10-2004

segunda-feira, março 28, 2005

Circuito Pedestre-Rosmaninhal - TEJO INTERNACIONAL

Desvendem a Beira Interior percorrendo trilhos de encantar

in: visão nº 629 de 24 a 30 de Março de 2005

TRILHOS DE PERDIÇÃO

TEJO INTERNACIONAL
Um manto de rosmaninho, esteva e tomilho estende-se entre azinheiras, num estradão que conduz ao observatório dos Alares. Lá em baixo, corre o Tejo. Lá em cima, plana a maior diversidade de aves de rapina de Portugal.
ROSMANINHAL (CENTRO DE ESTUDOS DA NATUREZA) - OBSERVATÓRIO Dos ALARES
Duração: 1 hora Distância: 3 km Dificuldade: fácil
Parque Natural do Tejo Internacional: tel. 272 348 140, pnti@icn.pt
Quercus: tel. 277 477 463

in:ecosfera.publico.pt/escolas/ escolas_percursos_pedestres.asp
Escolas

Percursos pedestres

Descida ao rio Erges Internacional
Mescla de paisagem humanizada, em forma de muros de granito, árvores de fruto, furdas para porcos, um castelo medieval em Espanha (castelo de Peñafiel) e o antigo posto da Guarda Fiscal de Salvaterra do Extremo com zonas onde a natureza molda a paisagem. Aqui pode observar-se a garganta do Erges, azinheiras e sobreiros, plantas e avifauna autóctone.
Distância: dois quilómetros. Duração: duas horas.

No observatório dos Alares
Observar a panorâmica do troço internacional do rio Tejo e descobrir o voo de raras aves de rapinas, entre outras aves. O percurso permite gozar as cores e os aromas da vegetação mediterrânea.
Distância: 2,9 quilómetros. Duração: uma hora e meia.

Nas ruínas dos Alares
O percurso inclui a passagem por construções tradicionais em xisto e barro, fornos, muros de pedra e pelas ruínas da antiga aldeia dos Alares.
Distância: 5,9 quilómetros. Duração: três horas e meia.

Dos Alares à Cubeira
Panorâmica do vale do Tejo, depois de percorrer um caminho onde se podem observar várias espécies da fauna aquática e aves de rapina.
Distância: 19,5 quilómetros. Duração: seis horas e meia.

Pelo Ribeiro da Fonte Santa até ao Rio Tejo
O percurso passa pelo vale do ribeiro da Fonte Santa, dominado por matagal mediterrânico. A existência de caudal durante grande parte do ano, confere a este afluente do rio Tejo características excepcionais para a ocorrência de comunidades de plantas, anfíbios, répteis, aves, mamíferos, peixes, insectos associados a ecossistemas ribeirinhos.
Distância: 4,9 quilómetros. Duração: três horas e meia.

Passos à volta de vestígios arqueológicos
Uma oportunidade de admirar construções tradicionais, olhar o fundo de um poço em xisto da idade moderna e distinguir as formas de um dólmen e de uma mamoa do período neolítico-calcolítico.
Distância: 1,5 quilómetros. Duração: meia hora.

Monte Barata I (Montado de azinho e de sobro)
Com um denso coberto arbóreo constituído à base de azinheiras e sobreiros, o Monte Barata alberga uma extensa área de vegetação mediterrânica e uma rica e diversificada fauna. Nas áreas adjacentes, o coberto vegetal natural foi progressivamente eliminado e substituído por culturas agrícolas ou plantações de eucaliptos. Nas proximidades, corre a ribeira do Marmelal, com importantes galerias de vegetação ripícola que fixam as margens e contribuem para uma multiplicidade de animais.
Distância: 4,9 quilómetros. Duração: três horas e meia.

Monte Barata II (Montado de azinho e de sobro) - 3,7 quilómetros; 02h30
Percurso por um montado de azinho e sobro, desvendando os mistérios da fauna a ele associada.
Distância: 3,7 quilómetros. Duração: duas horas e meia.






Parque Natural do Tejo Internacional

quinta-feira, março 24, 2005

Instrumentos Musicais - Palheta

Descrição no site do Museu Nacional de Etnologia



museu/instituição: Museu Nacional de Etnologia
supercategoria: Etnologia
categoria: Instrumentos musicais
subcategoria: Aerofones
denominação: Palheta
autor(es): Desconhecido





local de execução: Monsanto; Idanha-a-Nova

datação: XX d.C.
matéria/suporte/técnica: Madeira de nogueira, cana, metal, fio
dimensões: diâmetro: 04,5 comprimento: 20,5
nº de inventário: BB.096
nºs inventário anteriores: D3.395
descrição: Palheta tipo de “dulçaina“, composta por tubo sonoro de formato cilindriforme rematando em campânula, em madeira de nogueira, torneada, de cor castanha escura, com cinco orifícios melódicos, todos colocados na face superior, e mais dois de aferição situados na zona lateral. O tubo sonoro encontra-se talhado entre as zonas correspondentes ao orifícios melódicos, demarcando a colocação habitual dos dedos sobre o instrumento. Em seu topo, apresenta inserida uma palheta dupla de oboé, formada por pequeno tubo de metal revestido por duas lamelas de cana enroladas por linha de cor castanha. Pertence-lhe ainda um estojo de palheta, feito de cana, escavada no interior e tapada em uma das extremidades por rolha de cortiça. Estojo de palheta (cm): comp.08,2 diâm. 02,5

incorporação: Doação - Anterior proprietário: Fundação Calouste Gulbenkian
proveniência: Idanha-a-Nova
historial: Anterior registo: nº tombo - D3.395 nº colecção - 395 data - Julho de 1977

bibliografia/fontes
INSTRUMENTOS MUSICAIS POPULARES PORTUGUESES: um livro, uma colecção, Lisboa, MNE, 2001, página p. 14; cat. 56
INSTRUMENTOS MUSICAIS POPULARES PORTUGUESES, Lisboa, Fund. Calouste Gulbenkian/ME, 1983, página p.11
INSTRUMENTOS MUSICAIS POPULARES PORTUGUESES, Lisboa, IICT/ME, 1985, página p.19
INSTRUMENTOS MUSICAIS POPULARES PORTUGUESES, Porto, CRAT, 1986, página p.21
Oliveira, Ernesto Veiga de (*), Instrumentos Musicais Populares Portugueses, Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian/Museu Nacional de Etnologia, 2000, página p. 248; fot. 258
Oliveira, Ernesto Veiga de (*), Instrumentos Musicais Populares Portugueses, Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 1966, página p.301; fot.257
Oliveira, Ernesto Veiga de (*), Instrumentos Musicais Populares Portugueses, Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 1982, página p.351; fot.241
Caiado, José Pedro, “Guia dos Instrumentos Musicais Tradicionais Portugueses“ in Boletim APEM, 68, Lisboa, APEM, 1991, página p.6

tipo nº de inventário autor localização
CEE: R.290/N.19 Benjamim Pereira MNE
CEE: R.338/N.30 Fernando Galhano MNE
CEE: R.290/N.20 Benjamim Pereira MNE
DDF: 258 José Pessoa MNE

título local data de início data de encerramento nº de catálogo
Marrocos / Portugal: Portas do Mediterrâneo Museu de Arte Contemporânea, Tânger 1999
Marrocos / Portugal: Portas do Mediterrâneo Museu das Oudayas, Rabat 1999
Instrumentos Musicais Populares Portugueses C.R.A.T., Porto 1986
Instrumentos Musicais Populares Portugueses MNE, Lisboa 1985
Instrumentos Musicais Populares Portugueses Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa 1983
Instrumentos Musicais Populares Portugueses: um livro, uma colecção Museu Nacional de Etnologia 2001

segunda-feira, março 21, 2005




in: Diálogos Raianos
Diálogos Raianos-Ensaios sobre a Beira Interior, Org. de Donizete Rodrigues, Edições Colibri, 1999

António dos Santos Pereira-Universidade da Beira Interior
2. Os centros de poder no interior beirão: âmbitos civil, militar e religioso, se é possível distinguí-los em tempos antigos

Já, em outro lugar, confirmámos, a velha Idanha como a Matriz da Beira Interior4. Ali sobram as mais vetustas informações, lusitanas, romanas, vis]góticas, árabes e portuguesas, ainda que estas muito esquecidas.
Do tempo do predomínio lusitano da Beira, além dos Igaeditanis, conhecemos os Tapori, da Cova da Beira e da Gardunha6, com a capital no Teixoso. Fronteiros a estes, viviam os vetões, Lancienses Oppidani7, vizinhos da serra da Gata. Mais a norte, nas actuais terras de Riba-Côa situavam-se os Interanniensis e os Lancienses Transcudani. E na zona de Marialva, os Aravos. Todos eles viriam a colaborar na construção da mais importante marca romana do Ocidente Ibérico, a Ponte de Alcântara, a primeira travessia do Médio e Baixo Tejo antes das que o comboio inglês impôs, dois milénios depois e apenas no Médio Tejo.
Os lusitanos beirões ofereceram resistência aos exércitos mais poderosos do mundo, os romanos, durante mais de um século. Todavia, entre 70 e 60 a.C., no auge do seu poder, Roma domina também toda a Beira-Interior, Entre estas datas, dois acampamentos romanos estabelecem-se nos extremos do território beirão, um em Medelim, perto da Idanha, outro na Lomba do Canho, junto a Arganil.
Como centro político-administrativo e religioso, continua a desenvolver-se a cidade da Idanha.
A Lusitânia romana, abrangendo a zona entre Tejo e Douro, torna-se província inerme no princípio da nossa era. Nela são delimitados territoria por meio de padrões, os terinini augustales. Na zona da Beira, chegaram-nos um terminus de Salvador (Penamacor), um terminus de Peroviseu, um de UI, e um de Guardão (Tondela), Cremos que estas marcas administrativas protegiam explorações económicas, parti culannente as actividades ligadas à mineração e metalurgia em que a Beira era e continua mais fértil do que vulgarmente se diz.
Note-se, entretanto, que, mesmo depois da declaração de província inerme, pelo século II da nossa era, alguns grupos dirigentes locais continuavam a usar a língua lusitana, ainda que a escrevessem em caracteres latinos, demonstrando uma certa autonomia não conseguida em outras partes, designadamente do Litoral.'

4 Cfr. «A Beira Antiga: Contributo para a Questão da Regionalização», in António dos Santos Pereira (Coord.). Regionalização: Textos Oportunos. Universidade da Beira Interior. Departamento de Sociologia e Comunicação Social. Centro de Estudos Sociais, Covilhã, 1998.
5 Jorge de Alarcão. «Os Montes Hennínios e os Lusitanos». Livro de Homenagem a Orlando Ribeiro, vol. II. Lisboa, Centro de Estudos Geográficos, 1988, p. 45.
6 Localização proposta por F. Russel Cortez, «Os Tapori de Plínio. Subsídios para a sua localização». Zephyrus III, 1952, p. 175 e sgs.
7 De acordo a inscrição encontrada em S. Salvador. Cfr. João Vaz, «Inscrições romanas no Museu do Fundão». Conimbriga, XVI, 1997, p. 19.


Parece que a Lusitânia romana resistiu bem às primeiras invasões bárbaras, as dos Francos e dos Alamanos, nos finais do século IR e princípios do IV. Porém, os tesouros escondidos, neste período, parecem demonstrar uma certa insegurança que talvez se explique por ataques de pirataria, por levantamentos de grupos populares constituídos em bandos de salteadores e pela guerra civil, particularmente no tempo de Probo9. E neste período que as cidades da Lusitânia merecem planos sistemáticos de muralhas. A segunda onda de invasores bárbaros começa a pôr fim à dominação romana, só restabelecida na Lusitânia através dos Visigodos já romanizados.
Coincide com este tempo de instabilidade o movimento de cristianização. No decurso dos séculos VI e VII, foram criadas as quatro dioceses de incidência beirã: Coimbra, Viseu, Lamego e Idanha.
Idanha-a-Velha forma diocese em 569. Desde esta data e até 683, encontramos os bispos egitanienses a participar nos concílios peninsulares, deslocando-se a Lugo, a Braga, frequentemente a Toledo, mas também a Mérida e a Sevilha.
Desde os primórdios, esta vasta circunscrição diocesana além da sede idanhense organiza-se à volta de centros paroquiais. Estes instalam-se em localidades antigas e mais importantes que o vitus ordinário. Não se encontram paróquias instaladas em villae ou em fundi.
Os três centros paroquiais egitanienses situam-se um na própria Idanha, outro em Municipium10, outra em Francos". Há moedas visigóticas da Egitânia e de Municipium.
No entanto, no século VIII, os velhos godos retiram para Norte perante as arremetidas peninsulares dos muçulmanos. Estes dividirão o território em distritos (Kuras), no espaço do actual Portugal: Silves (Shilb), Mérida (Marida), Beja (Badia), Badajoz (Batalyaws), Santarém (Shantarin), Lisboa (ai
8 Assim nos aparece no Cabeço das Fráguas, perto da Guarda. A. Garcia Bellido, «Die Latinisierung Hispaniens», in Aufstieg und Niedergang der romischen Welt, t. I, 1. Nova lorque-Berlim, 1972, p. 485, cit. in Luís A. Garcia Moreno, «Iglesia y cristianización eu Portugal eu la Antiguedad, Congresso Internacional de História. Missionação Portuguesa e Encontro de Culturas. Actas, vol. 1- Cristandade Portuguesa até ao Século XV. Evangelização Interna, Ilhas Atlânticas eAfrica Ocidental, Braga, 1993, p. 228.

9 Cir. Manuel Heleno, «O tesouro da Borralheira (Teixoso)», in O Arqueólogo Português, Lisboa, s. 2, 1953, pp. 213-225.
10 Um município de direito romano confinava com uma cidade indígena, mais ou menos privilegiada.
11 É uma paróquia com o nome do seu grupo étnico.

-Ushbuna) e Coimbra (Kulumriyya). Aqui, ficava Idanha-a-Velha - «A Egitânia encontra-se a oriente de Coimbra e a ocidente de Córdova. É uma cidade muito antiga, forte e bem dotada, com um território bem provido de cereais, de vinhas, de caça e de peixes e um solo fértil»'2 comentava então um viajante muçulmano.
Era, pois, uma povoação relativamente importante, mais povoada do que Leiria, Tomar, Guimarães ou Porto. Nos séculos IX e X, um perímetro amuralhado de 700 metros cercava uma área de 5 hectares com habitação para uns 1000 habitantes.
Pela toponímia, poderíamos ainda pressupor dois lugares fortificados na Beira Interior, um, na Gaia, a caminho da Guarda e outro, em Proença, na Ribeira de Isna. Gaia vem do árabe q'ala, significando enorme recinto fortificado e al'hisn, corresponde a um castelo que defende um pequeno território (Dallière-Benelhadj, 1993). Não encontramos a terminologia alcáçova na Beira Interior. AI Qasr corresponde a um recinto fortificado com guarnição militar e governador.
Perto do ano mil, o movimento dos exércitos da reconquista cristã já tinha imposto castelos aos muçulmanos nos territórios beirões: Alcobria, Meda, Caria, Longroiva, Moreira de Rei, Numão, Penedono, Trancoso e Muxagata. Todavia durante quase dois séculos, a fronteira cristã ficou aqui na Cordilheira Central e só se deslocou a sul, à parte baixa da Beira nos meados do século XII pela acção dos vencedores de S. Mamede e das Ordens Militares.
Nestes dois séculos, houve paradoxalmente ausências e simultaneamente multiplicação de poderes nos espaços da Beira. Foram tempos de perturbações graves, em Viseu, em Seia, na Covilhã e em Castelo Branco, até que finalmente a nova Corte de D. Sancho I percebeu a situação e tomou medidas definitivas no concernente aos poderes locais, intermédios e delegados, senhoriais e centrais. Isto sem deixar de manter-se uma certa pluralidade no tocante aos diferentes poderes estabelecidos nesse tempo e nos posteriores.
Fortaleceram-se à volta de instituições jurídicas os concelhos e a velha capital eclesiástica foi transferida, em 1199, para o mais importante ponto de encontro das Beiras, a Guarda. Esta constitui-se de imediato também sede de chancelaria de comarca, enquanto na Idanha, Gualdim Pais fortalecia a defesa da Beira.
A referida comarca aparece patente no Regimento das Audiências (1331-1335) de D. Afonso IV, ao lado das similares Estremadura, Entre Douro e Minho, Além dos Montes e Riba de Coa, Odiava e Além-Odiana e do Reino do Algarve.


12 Na 1.a metade do século X, segundo Al Razi, in António Borges Coelho. Portugal tia EspanhaÁrabe. Lisboa, 1972, pp. 43-44.


Nos séculos seguintes, estabilizavam-se estas comarcas nos limites e nas designações: Entre-Douro e Minho, Trás-os-Montes, Beira, Estremadura, Além-Tejo e Algarve.
Nestes tempos remotos, o poder civil como o eclesiástico exerciam os respectivos múnus em itinerância, em eixo particularmente privilegiado na diocese egitaniense e na comarca da Beira, a exemplo do monarca na cúpula do país. Fora deste eixo, ficavam, obviamente, alguns territórios ermos de poder, civil e eclesiástico que as conjunturas reformadoras de Quinhentos, de Setecentos e Oitocentos tentaram corrigir sem grande sucesso, a não ser no âmbito eclesiástico na desagregação de territórios do sul da diocese, no século XVI para a constituição da nova Sé de Portalegre e no século XVIII, de Castelo Branco, com ajustamentos necessários a norte, primeiramente com a criação da diocese de Pinhel, logo extinta, e a integração de territórios da diocese de Coimbra na da Guarda.
Quanto aos poderes concelhios medievais, uma ilustre historiadora coimbrã distinguiu, no espaço em causa, quatro tipos' 3:
-o concelho fronteiriço (exemplificado por Guarda, Pinhel, Trancoso). Modernamente, juntaríamos a estes, Almeida. Caracterizados pelo necessário esforço em estruturas defensivas e perdas sucessivas de aparelho produtivo;
- o concelho comercial (a Covilhã), o mais habilitado ao investimento em aparelho produtivo e favorável à ocupação humana;
- o concelho rural/ganadeiro (Castelo Branco) de largos espaços nem sempre favoráveis à ocupação humana;
- o de tutela senhorial (Lamego e Viseu), predominantemente votados à indústria rural.

No concernente a poderes senhoriais, de jurisdição intermédia, não parece fácil seguir o seu percurso até à sua extinção, durante a revolução liberal e às sobrevivências mesmo depois desta, pela sua multiplicidade.
0 senhoreamento português do espaço beirão interior foi feito a partir do primeiro quartel de século XII pelos cavaleiros de Coimbra e parece mais intensamente pelos infanções de Entre Douro e Minho e pelas ordens militares. Cedo, porém, o monarca fez tutelar estas figuras, responsabilizadas pelas alcaidarias locais, por personalidades da mais alta nobreza, ligadas à Corte, particularmente infantes reais.
Nos primórdios do séc. XIII, a Covilhã era senhoreada por um filho bastardo de D. Sancho I, Gil Sanches14. Durante Quatrocentos e Quinhentos,a tutela covilhanense caberá de novo a infantes reais, sucessivamente, D. Henrique, D. Fernando, D. Manuel e D. Luís, encontrando-se a alcaidaria-mor da vila entregue à família dos Castros.


13 Ur. Maria Helena da Cruz Coelho (1990). «Relações de Domínio no Portugal Concelhio de Meados de Quatrocentos», in Revista Portuguesa de História, XXV, pp. 235-289.
14 Entrega da Covilhã e seu termo pelo pretor (Ermígio Pais), alcaides e concelho, por ordem de D. Sancho ao seu filho bastardo D. Gil Sanches e a Paio Pais em Janeiro de 1210. ANTT., Gavetas, 15, m. II, doe. 50 pub. in Alfredo Pimenta, «Alguns Documentos para a História da Covilhã», in, Subsídios para a História Regional da Beira Baixa, vol. II, Castelo Branco, Junta da Província da Beira Baixa, 1950, pp. 25.


Nos finais de Quatrocentos, o Conde de Marialva, D. Francisco Coutinho, dominava o mais rendível senhorio da Beira, recebendo elevadas verbas nos almoxarifados da Guarda e de Lamego, sendo representado pelos seus alcaides em Casteição, Castelo Bom, Castelo Rodrigo, Lamego, Marialva, Moreira, Trancoso etc. D. Manuel fará de seu filho, D. Fernando, 1.° Duque da Guarda e torná-lo-á herdeiro dos senhorios dos Coutinhos.
Viseu constituiu Ducado, pertenceu à Casa do Infante D. Henrique, aos seus herdeiros e na centúria próspera de Quinhentos, sucessivamente, a el-rei D. Manuel, à sua segunda mulher D. Maria de Castela, à sua filha Isabel, futura esposa de Carlos V e à princesa D. Maria. 's
O Conde de Portalegre, D. Diogo da Silva de Meneses, mantinha os seus representantes em Celorico, Gouveia e S. Romão. 16
Na mesma época, Os Castro, João, Rodrigo e Diogo, dominavam, através dos seus representantes, respectivamente, o condado de Monsanto e o senhorio fronteiriço de Castelo Mendo, as alcaidarias-mores da Covilhã e de Valhelhas, de Alfaiates e do Sabugal.
Pinhel pertenceu ao Marechal do reino D. Fernando Coutinho que, no cumprimento dos tradicionais deveres militares dos nobres, comandou, em 1509, uma armada para a índia.
Nos primórdios de Quinhentos, Almeida era senhoreada pelo Marquês de Vila Real, Belmonte e Manteigas tinham como alcaide-mor João Fernandes Cabral e Penamacor, Rui Mendes de Vasconcelos.
El-Rei fazia-se representar por Francisco de Almeida em Linhares e como Governador-mor da Ordem de Cristo pelo comendador Aires Gomes de Valadares em Castelo Branco, onde também vivia o comendador de Lousa, Diogo Lopes.
Em Casal, o comendador-mor da Ordem de Cristo era representado por um alcaide tal como em outras comendas beirãs. As terras da Ordem de Cristo multiplicavam-se por toda a Beira, muito particularmente na Beira Tejo, Beira Zêzere e Beira Fronteira. Á Ordem de Avis e ao Mosteiro de São Jorge de Coimbra, pertencia São Vicente da Beira.



15 Id., Gav. 2, m. 2, n. 1588: «Doação à Infante D. Isabel da cidade de Viseu, da vila de Torres Vedras, com as suas terras e limites, e com a sua jurisdição alta e baixa, civil e crime, mero e mixto império, ressalvando para el-rei somente correição e alçada e com todas as rendas, direitos titulares do senhorio de Viseu». Lisboa, 1517 Maio 20, pub. in A. Lucena e Vale, «Príncipes titulares do Senhorio de Viseu», Beira Alta, Viseu, 23 (1, 2), 1964, pp. 112-114.
16 Cfr. Luís F. Oliveira e Miguel J. Rodrigues, «Um Processo de Reestruturação do Domínio Social da Nobreza. A Titulação na 2.' Dinastia», in Revista de História Económica e Social, n.° 22 (1988), Janeiro-Abril, p. 109.


0 Mosteiro de Tarouca fazia estender propriedades, por limites extensos, que ultrapassavam a comarca até Trás-os-Montes, Entre Douro e Minho e mesmo até à Estremadura e ao bispado de Tui.
Os domínios do Convento de Santa Cruz de Coimbra chegavam a Viseu e a Gouveia.
De considerar ainda que beneficiando de foro próprio, até finais de Quatrocentos, as comunidades judaicas tiveram dois tribunais de apelo no espaço beirão, ficando um em Viseu, para os territórios de Além-Serra e outro na Covilhã, para os de Aquém-Serra.

sábado, março 19, 2005

Família Marrocos

Fiz um estudo sobre a árvore geneológica de Sidónio Pais, que podem consultar em http://www.esec-j-gomes-ferreira.rcts.pt/SP%20genealogia.htm. Constatei que Sidónio Pais é descendente de uma família Marrocos. Esta família, no início do sec. XX ofereceu ao Ministério da Educação a Quinta de Marrocos, em Benfica, para aí serem edificadas construções escolares. Até ao momento foram construídas nesse espaço a Escola Superior de Educação de Lisboa, Escola Básica 2, 3 Pedro de Santarém, Escola secundária José Gomes Ferreira, Escola Superior de Educação de Lisboa, Escola B 2,3 Quinta de Marrocos e estão projectadas a Escola Superior de Música de Lisboa e Escola Superior de Contabilidade e Administração.

Haverá alguma ligação entre esta família Marrocos e a beirã? Mãos à obra, investiguemos.

quarta-feira, março 16, 2005

terça-feira, março 08, 2005

CEREJAS
Poemas de Amor de autores Portugueses Contemporâneos

Gonçalo Salvado apresentou à CMFundão o projecto de editar uma colectânea de poetas contemporâneos, que tenham produzido versos com inclusão da palavra Cereja. Maria João Fernandes organizou a ilustração dos poemas seleccionados. Excelente trabalho, quer ao nível da selecção de poetas e poemas, quer ao nível da ilustração. Foram seleccionados vários poetas da Beira Interior, Eugénio de Andrade, Gonçalo Salvado,Luis Filipe Maçarico, António Garcia Romão, António Salvado, E. Melo e Castro, Ruy Ventura, entre outros. Dá para entender que na Beira Interior se produz poesia e dessa forma se molda a sua identidade cultural.

O trabalho de ilustração é notável e conta entre outros, com a participação de José Guimarães, Siza Vieira, Ângelo de Sousa, Lima de Freitas, Júlio Resende, Gonçalo Salvado, Júlio PomarAntónio Ramos Rosa, Graça Moraes.

Trata-se de um trabalho notável, para ler, reler, visualizar e revisualizar, quer pela qualidade dos poemas seleccionados, quer pela excelência dasilustrações.

A Câmara Municipal do Fundão e a Editora Tágide, bem como Gonçalo Salvado e Maria João Fernandes estão de parabéns e esperemos que a sua iniciativa se repita noutras temáticas. A 1ª Edição é de Junho de 2004.

Aproveito para dar a oportunidade de ouvirem um dos poemas seleccionados, Oh Pastor que Choras, da autoria de José Gomes Ferreira, interpretado por Né Ladeira.

Oh Pastor que Choras...

sábado, março 05, 2005

IPPAR vai classificar complexos mineiros do tempo dos romanos
À procura do ouro dos romanos

in: reconquista






Primeiro foi o ouro. Agora são os vestígios arqueológicos a atraírem a atenção dos investigadores da actualidade aos locais onde os romanos fizeram exploração mineira. Nos concelhos de Castelo Branco, Penamacor e Vila de Rei.




Durante a ocupação romana da Península Ibérica os garimpeiros revoltaram os solos à procura de ouro junto a diversas linhas de água da região. Em Meimoa, Sarzedas, Barbaído e Vila de Rei ainda existem vestígios dos antigos complexos mineiros construídos a céu aberto. A Direcção Regional de Castelo Branco do Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR) prepara-se para avançar com o processo de classificação das minas. Que podem mesmo vir a ser aproveitados para fins turísticos. Muitos séculos depois os arqueólogos voltaram aos locais onde, no tempo dos romanos, teve lugar uma intensa actividade mineira. Não à procura de ouro mas dos vestígios arqueológicos que testemunham a exploração do minério preciso. O espanhol Javier Sanchez-Palencia é um desses investigadores que, juntamente com Inês Sastre e Maria Ruiz de Árbol, elaborou o estudo “A Zona Mineira de Penamacor-Meimoa, Serra da Malcata”. Apresentado no final do ano passado, durante umas jornadas dedicadas aos povos lusitanos, promovidas pela Câmara Municipal da Guarda. “Há um número razoável de complexos mineiros na região”, salienta o director regional do IPPAR, José Afonso. Para valorizar e proteger este património arqueológico deixado pelos romanos, o IPPAR vai avançar com o processo de classificação dos complexos mineiros. Para isso, espera reunir em breve com as autarquias da área geográfica onde estão inseridos. As margens da ribeira que passa na localidade de Meimoa (Penamacor), junto à antiga Ponte Romano-Filipina, é um dos locais de grande interesse. As minas situam-se numa extensa planície que se prolonga desde a Ribeira de Valvedra e Bazaguedinha até à Meimoa. Actualmente, o complexo construído a céu aberto, só é bem visível através de fotografias aéreas. Há poucos estudos Mas as de Meimoa não são as únicas. Em Vila de Rei existem cerca de 20 conheiras espalhadas por diversas freguesias. As conheiras são enormes aglomerados de pedras, resultantes da exploração mineira. Os garimpeiros extraíam pequenas partículas de ouro da superfície das pedras. Mas a preservação de algumas dessas conheiras tem estado ameaçada por obras de melhoria das acessibilidades e pela plantação de eucaliptos. Também no concelho de Castelo Branco existem importantes vestígios de complexos mineiros que recuam ao tempo da ocupação romana, nomeadamente nas localidades de Sarzedas, Almaceda e Barbaído. O director do IPPAR reconhece que praticamente não existem estudos sobre as antigas minas. O do investigador espanhol é dos poucos que se conhece. Javier Sanchez-Palencia salienta que o seu estudo “só pretende iniciar uma aproximação ao conhecimento da zona a partir de uma perspectiva essencialmente da arqueologia mineira”. A interpretação histórica à escala local e regional está por fazer, considera o investigador, adiantando ainda que o seu trabalho é um contributo que abre possibilidades de investigação futura.


Autor: Nelson Mingacho 03-03-2005 18:01:50